26 de jul de 2017

Palavra Solta - preciso de palavra sem voz

Decididamente, prefiro a palavra sem voz. Prefiro ouvir o grito e a pronúncia sem ter de ouvir qualquer tipo de voz humana. 
Preciso, necessito, tenho de ouvir sempre a palavra sem voz. Triste do ser humano que desde o amanhecer ao anoitecer tem de continuamente estar ouvindo a palavra maldosa do vizinho, a fofoca do conhecido, a arrogância da autoridade, o esnobismo do poder, o tiro verbal disparado nas ruas, as hipocrisias da língua. 
Não, não quero isso pra mim. Não quero mais ter na palavra ou na voz do outro a desfeita da vida. 
Preciso, pois, de palavra sem voz. Uma palavra vinda do vento, chegada da boca da noite, expressada do lábio da brisa. Uma palavra que se traduza no olhar um pôr do sol, um amanhecer ajardinado e perfumado, um horizonte pronunciando sonhos e desejos de partida. Quero uma palavra assim, nascida na memória, no pensamento, na nostalgia. Quero uma palavra que me chegue cheirando a café torrado, a pão saindo do forno, a fruta madura de quintal. E a tudo responderei pela voz do coração. Sem palavras.


Rebeca Lima

25 de jul de 2017

O Jovem

Quando falo com palavras rebuscadas com sinceridade
Que o jovem é o escravo da sociedade 
Ninguém acredita 
Acham que minhas palavras são meros produtos de delírios exagerados 
Entretanto,não é difícil ver os jovens reduzindo seus sonhos à cinzas 
Pulverizando sua felicidade 
Descartando seus amores como despejos comparáveis ao lixo 
Apenas para integrar um mundo que os trata como macacos de circo 
Sem consideração com suas pessoas 
Desgastando seus corpos e espíritos 
Com o intuito de garantir estabilidade e satisfação para esse povo vil e doente 
Cuja única função é encher a cabeça da juventude de palavras medíocres e sem significado 
Ao invés de ouvir suas dores constantes 
E quando os limites forem ultrapassados
Os jovens colocam um mortal ponto final naquelas que poderiam ser belas histórias dentro de magníficos livros 
Ou colocam pontos finais nas histórias de outras pessoas ao seu redor,um esforço inútil em curar a névoa em seu interior,formada pela angústia,tristeza,raiva,ódio… 
Quando esses atos chegam ao conhecimento da sociedade,tudo o que ela tem a dizer é “O jovem não nos entende” 
Puro engano 
Não é ele que não a entende 
É a sociedade que não entende o jovem.


Rebeca Lima

24 de jul de 2017

O permanente estado de crise


Como surgiram os apocalipses diários?
O fim há tanto tempo iminente 
E ainda não consumado, 
A morte lenta de um país, 
Pela imensa preguiça, cuja raiz 
Enreda-se no berço do gigante deitado, 
É a origem na nossa própria gente: 
Exploradores, tiranos e salafrários.


Rebeca Lima