4 de set de 2017

poesia suicida

O que me matou não foi
a bala
foram as palavras que me abalaram

o que me matou foi a palavra

o que me abalou foi quando
falaram que meu amigos eram falsos
mas só me percebiam nos momentos de embaraços
nunca presenciaram os abraços
nem os laços que nós criamos

o que me matou
não foi meu coração mendigo
que sempre buscava abrigo
nos braços de outra pessoa
o que me matou foram
as palavras de uma pessoa
que acha que quando fala
a voz ecoa
e todos devem ouvir

o que me matou não foram as vozes
na minha cabeça
porque elas eu suportava

o que me matou, foi a palavra

Pessoas são bloqueio criativo

Tanta desqualificação
verdades entrando em extinção
correrias indo pela contramão
e o que será dessa jornada ?
Tanta destruição de alegria
suspiros leves se tornando agonia
e o riso entrando em paralisia
até quando destruirão suas ideias anotadas ?

1 de set de 2017

Suaves sensações

Sei sobre sentimentos
Sinto suaves sensações 
Sendo sábia,
Simpática, sonhadora. 

Simplesmente sou sincera
Sofro, sigo sóbria
Sem segredos 
Solvendo solidariamente. 

Sem ser superior 
Sei ser serena, sedutora 
Sempre semeando sabedoria 
Sou sensata sonhando.

Rebeca Lima

Camisa de força

A liberdade anda confusa, 
Deixou de ser aquela musa, 
Hoje está mais para uma escrava... 
É que estão lhe pondo uma blusa,
Que a alegria nunca usa, 
Porque o riso não destrava. 

A liberdade não se prende, 
Porque é rede no alpendre, 
Onde a brisa lhe acaricia... 
Sem ela o peito não acende, 
É ligação que não atende, 
Pois tudo é madrugada fria.

Rebeca Lima

31 de ago de 2017

Respeito

Nessa imensidão, 
Há espaço pra todos nós, 
Temos que ouvir a voz, 
Da cor, da religião, 
E da prefencia sexual
Porque há só um canal, 
Para as chegadas e partidas, 
E esse, se chama vida... 
E pra ela, tudo é igual.

Rebeca Lima

28 de ago de 2017

Stay

Audácia
fruto de um personagem que mora à espreita do meu peito
tornou-me poeta
O verme-racional desta carne-seca-amarelada
pôs-se à terra de joelhos
a fim de isolar-se do eu-lírico
Nasce dele
o personagem poeta assumindo com maestria
da terra podre e vazia
a necessidade de pôr-me entre espaços e palavras
umas ambíguas
outras vestígios do verme que
INSISTE em dar razão à minha existência
Como
Tu
Ousas
A
Metralhar
TEORIAS
e
MAIS TEORIAS
no próprio peito?!
Se dele
nasci para que entendas que eu existo e não preciso de um porquê
VERME!
Não sou parte de uma esquizofrenia paranóica!
D.e.c.i.f.r.a-m.e.
ou
d.e.v.o.r.o-t.e.
Vivo entrelaçado
distorcido
destroçado
à janela que criaste e que na qual
apenas um
por amor ao verme
enxerga teus erros paradoxais
MiNh'AlMa PaRtE
aOs RaIoS tOrTuOsOs
ViNdOs Do OuTrO lAdO
aO pRóPrIo CoRaÇãO
Neste lado
no pequeno espaço que nos separa do real e ficção
as madrugadas trazem a linguagem do universo
A linguagem que preenche o poeta do verme-racional.

Coragem

Antes, umas palavras do autor:

E aqui temos o segundo Tautograma. Estou pensando seriamente em passar a trazer dessa forma os poemas curtos para o blog, em forma de imagens como essa. Sem falar que temos preparado outros tipus de publicações em imagem, mas não nesse formato. Em breve vocês terão mais novidades, fiquem ligados.


Aproveitem


27 de ago de 2017

Levei

Antes, umas palavras do autor:

Um tempo atrás, enquanto trocávamos mensagens, Rebeca me faz a seguinte pergunta: O que é tautograma? Nenhum dos dois sabia, e recorrendo ao "pai dos burros" (Google) descobrimos que tautogramas são poemas em que todas as palavras começam com a mesma letra. Não é preciso dizer que logo em seguida começamos a fazer tautogramas, e que acabamos viciando, não é mesmo? 
Hoje e amanhã vou publicar dois tautogramas que fiz nesse deslumbre da descoberta, começando por "Levei", o que mais gostei dos que fiz.
E encerrando, já convido a Rebeca a publicar também os tautogramas que fez, eaos leitores também, que façam, e publiquem nos comentários.


Aproveitem.


26 de ago de 2017

Capitão Devaneio

Espio a vida com retas, lado a lado, aos olhos
Os dias são tormentas
As noites são incógnitas 
Permaneço em pé
sobre os dejetos de incertezas e medos que me levam aos Devaneios
Por que, Deus,
criaste esses seres que tomam a vida de seu destino?
Por que
conto os ciclos intermináveis de silêncio e angústias que me varrem ao vazio?
Meu canto não correspondido
Minhas lágrimas que caem e desaparecem com a rasteira do invisível tornando passado...
tornando histórias abruptas levadas aos sopros mundo afora
Sou, senão, um enfeite à porta; aquele que não deu certo e, ainda assim, permanece aqui.
Esquecido
Guardo um pouco de mim no próprio peito
Sou aquele pobre azul que devaneia cortar o vento,
atravessar os mares e,
por um instante,
acredito ser...
Os Devaneios aliviam e me alimentam com sonhos e esperanças e, quando a fome grita, eles também trazem de volta ao peito
o pobre Azul às retas.
"FIQUE AÍ!"
Enquanto eu estiver aqui,
estarei bem.
Me entreguei à loucura...

x

Eu tô fugindo da poesia. Tô fugindo do desencontro entre as palavras. Tô fugindo do caos que, desordenado, golpeia os sentimentos. Confusos. Eu tô fugindo da poesia. Tô fugindo porque ela não me basta. Eu fujo pois sou nada. Eu fujo por ser um homem sujo e que não entende os motivos de ser eleito. Não entendo. Não. Não. Não. Fujo.

pt. II

A poesia me desperta. Raiva. Tristeza. A poesia desperta o homem tolo que acredita na própria fraqueza. Desperta. Esperta. A poesia esperta desperta o desespero do pobre garoto. Ela causa saudade. Causa vazio. Vazio do Eu. Eu. Eu. Esperta na desperta do louco que habita o não poeta que é poeta. O louco que enxerga as verdades do mundo em todos os seus planos. A poesia desperta. Desperta. A dor. A existência. Espera. Desperta.

pt. III

A poesia que me destrói 
Corrói e ao mundo 
espalha fragmentos infinitos de si. A poesia que, outrora, desmontou-me, retornou à mim através do beijo invisível desse mundo cruel. Perverso. O mundo que também ama. O mundo que também sofre. Sofre e se dis
torce com tantas outras linhas. Linhas intermináveis. Linhas de vida. Poesia. Linhas que preenchem mas também esvaziam. Linhas de uma poesia alternativa à do louco poeta. A tua poesia...

Noite adentro (ou Samba da madrugada)

Antes, umas palavras do autor:

Esses tempos, os meus textos tem saído na madrugada. quando já estou deitado para dormir. Nessas horas, simplesmente pego o celular, abro o aplicativo de notas e começo a rascunhar o que me vem a cabeça, e se o sono não for muito, já procuro deixar o texto em sua versão final. Os versos a seguir, apesar de formar um poema curto, levou bastante tempo para ser feito, sendo que uma das maiores dificuldades foi dar nome. Acabei dando dois, é o primeiro text meu a conseguir isso. O primeiro e principal, "Noite a dentro", eu dei por que toda vez que leio esse poema, imagino que aconteça numa madrugada, noite a dentro. O segundo nome, "Samba da madrugada", também tem relação com a leitura dos versos, que sempre faço em ritmo de samba. E justamente o segundo nome desse poema me dá sensação de que em uma madrugada qualquer eu volto a ele e termino esse samba...

Aproveitem.

Noite adentro
(ou Samba da madrugada)



Deixa eu,
Com meus pensamentos e emoções,
Com os meus escritos e meus borrões,
Por no papel palavras tão sentidas...








22 de ago de 2017

Os muros se levantam

Não poderemos comprar 
Não poderemos plantar 
Não poderemos colher 
Não poderemos falar ou chorar 

Manipulam grosseiramente 
Os cérebros doentios 
Os ''intelectuais'' dementes 
E doídos estão os estômagos vazios 

Abram as valas aos indigentes 
Surrupiem o ouro negro 
Enterrem os tais dementes 
Alvejem as crianças inocentes 

Jatos da mais límpida água 
Desperdiçados, defronte aos rios que seus gemidos deságua 
Eles têm sede de novos horizontes 

Eu choro a gota que sobrou de um rio morto, como o mar 
Eu choro sem falar do que acabou! 
Choro a dor de um olhar 
Grito enquanto posso esbravejar 
E vem o choro do medo a ralhar com minhas angústias sem lar.


Rebeca Lima

18 de ago de 2017

Versos de Desabafo

Olha, com todo o respeito,
talvez nem tanto respeito assim...
O texto é meu.
E eu não vou seguir as suas regras.

Ora essa,
sou eu quem sei!
Sim,
sou eu quem sei onde cada letra vai.

Só eu sei a cadência,
o ritmo,
o respirar.
Então...
Não se atreva a opinar!

Só se eu te procurar.

14 de ago de 2017

O Sol vai surgir

Palavras do autor

Já faz bastante tempo desde que publiquei pela última vez no Turma de Escritores,  olha que teve quem me cobrasse. Uma coisa que ouvi bastante esses tempos foi "Quando vai postar no Turma de novo?'', isso de Rebeca, dos meus pais, dos membros que saíram, e dos que entraram nesse período que estive sem postar.

Durante esse meu período fora, recrutei alguns escritores novos, trouxe de volta alguns velhos, e tomei decisões importantes sobre o blog nesse tempo. Mas, claro que não deixei de escrever. Nos próximos dias, semamas e meses, vão chegar aqui neste blog novos textos meus, e se possível, algumas novidades do blog também.

Sei que já disse isso aos leitores outras vezes, mas tenham fé no que vou dizer: O Turma de Escritores voltou!

E não menos importante, EU voltei.

Fiquem com a minha última poesia, de acordo com o horário que estou postando isso, ela tem menos de 24h de vida ainda.

Poesia

O Sol vai surgir


Que falta me faz a graça do verde.
A sombra clara, o vento lento,
a paz de descansar aos pés de uma raiz.

O canto de pássaros nos ninhos,
O farfalhar das folhas
É, esse era um tempo feliz.

Mas agora, é frio.
As árvores são secas,
o vento é forte e pesado.
Não tem mais sombra, não tem mais sol.
É só o céu fechado.

Mas, vai passar.
Eu sei que vai.
Mesmo nesse escuro, eu sei!

O sol vai voltar.
E seu fechar os olhos...
Se eu me concentrar...
Ainda posso sentir o calor,
ainda posso ver a luz.

26 de jul de 2017

Palavra Solta - preciso de palavra sem voz

Decididamente, prefiro a palavra sem voz. Prefiro ouvir o grito e a pronúncia sem ter de ouvir qualquer tipo de voz humana. 
Preciso, necessito, tenho de ouvir sempre a palavra sem voz. Triste do ser humano que desde o amanhecer ao anoitecer tem de continuamente estar ouvindo a palavra maldosa do vizinho, a fofoca do conhecido, a arrogância da autoridade, o esnobismo do poder, o tiro verbal disparado nas ruas, as hipocrisias da língua. 
Não, não quero isso pra mim. Não quero mais ter na palavra ou na voz do outro a desfeita da vida. 
Preciso, pois, de palavra sem voz. Uma palavra vinda do vento, chegada da boca da noite, expressada do lábio da brisa. Uma palavra que se traduza no olhar um pôr do sol, um amanhecer ajardinado e perfumado, um horizonte pronunciando sonhos e desejos de partida. Quero uma palavra assim, nascida na memória, no pensamento, na nostalgia. Quero uma palavra que me chegue cheirando a café torrado, a pão saindo do forno, a fruta madura de quintal. E a tudo responderei pela voz do coração. Sem palavras.


Rebeca Lima

25 de jul de 2017

O Jovem

Quando falo com palavras rebuscadas com sinceridade
Que o jovem é o escravo da sociedade 
Ninguém acredita 
Acham que minhas palavras são meros produtos de delírios exagerados 
Entretanto,não é difícil ver os jovens reduzindo seus sonhos à cinzas 
Pulverizando sua felicidade 
Descartando seus amores como despejos comparáveis ao lixo 
Apenas para integrar um mundo que os trata como macacos de circo 
Sem consideração com suas pessoas 
Desgastando seus corpos e espíritos 
Com o intuito de garantir estabilidade e satisfação para esse povo vil e doente 
Cuja única função é encher a cabeça da juventude de palavras medíocres e sem significado 
Ao invés de ouvir suas dores constantes 
E quando os limites forem ultrapassados
Os jovens colocam um mortal ponto final naquelas que poderiam ser belas histórias dentro de magníficos livros 
Ou colocam pontos finais nas histórias de outras pessoas ao seu redor,um esforço inútil em curar a névoa em seu interior,formada pela angústia,tristeza,raiva,ódio… 
Quando esses atos chegam ao conhecimento da sociedade,tudo o que ela tem a dizer é “O jovem não nos entende” 
Puro engano 
Não é ele que não a entende 
É a sociedade que não entende o jovem.


Rebeca Lima

24 de jul de 2017

O permanente estado de crise


Como surgiram os apocalipses diários?
O fim há tanto tempo iminente 
E ainda não consumado, 
A morte lenta de um país, 
Pela imensa preguiça, cuja raiz 
Enreda-se no berço do gigante deitado, 
É a origem na nossa própria gente: 
Exploradores, tiranos e salafrários.


Rebeca Lima

21 de jun de 2017

Ah! Dor!

Os pulmões doíam
O coração doía
Logo ela, correu para tentar amenizar a dor
No peito colocou um pano com gelos

Ali ela ficou
Sentindo a queimação fria, que o gelo causará em sua pele ainda quente
Respirava com dificuldade
Questionando a si mesma


Seria capaz o gelo transformar seu coração em algo meramente idêntico?

10 de jun de 2017

Cômodos da Saudade

Olho para dentro. Janelas e velhas portas rangendo, deteriorando com o tempo. Há no silêncio desta casa, rachaduras que se conectam umas às outras como linhas no papel; nas paredes.
Durante muito tempo, aquela velha casa de alvenaria sofreu perdas. Famílias iam e vinham. Pessoas solitárias que preferiam isolar-se à casa, em busca da almejada e querida paz, não muito, partiam. Era o silêncio da angustia que exclamava para o preenchimento do espaço vazio. Eram: casa e histórias.
Lembro de quando aqui, dentro de cada cômodo, era preenchida com tantos sentimentos. Sejam eles bons ou ruins. Era como se cada novo universo se formasse a partir de um pequeno acontecimento. Eu sentia que cada um deles plantavam suas energias. Sentia-me viva!
Com o tempo, fui envelhecendo. Numa noite, não fui capaz de aguentar a forte ventania, meu teto se abriu, causando a queda de alguns de meus telhados no quarto de Pedro, de cinco anos. Uma semana após o ocorrido, partiram.
Pensei comigo mesma: o próximo que vier, transbordará histórias. Crianças irão preencher minhas paredes com seus diversos desenhos artísticos! Os anos arrastavam-se. Já fui apedrejada. Atacada. Vandalizada. Mas ainda estava erguida.
Cada estrutura que mantinha-me segura, erguida, sinalizava minha doença. Já não existia teto no antigo quarto de Pedro. Hoje, ele deve ter uns quinze anos e, talvez, a única memória que teria de mim, seria de um acontecimento ruim. Talvez, não lembre de minha existência. Mas o amava. Algumas de minhas janelas caíram. Havia lôdo cobrindo quase todos os meus cantos. Inclusive, o nome de Pedro que fora rabiscado alguns dias antes de sua partida. Eu também estava partindo. Estava sozinha. Condenada.
Numa noite, chovia, as belas histórias que faziam parte de mim, se foram. Olhei para dentro de mim e não mais me reconhecia. Do que adianta continuar se as lembranças, por sua vez, decidiram partir daquela que as acolheu e jurou fidelidade até seus dias finais? Eu já não me aguentava. Resisti há anos e não poderia mais. Estava velha. Pedi para que a ventania e chuva forte selassem estes anseios e angustias. Sorri pela última vez e juntei-me aos destroços.


1 de jun de 2017

Ruas

Ruas Esburacadas 
Outras pavimentadas
Sempre movimentadas 
Tomadas pelos homens 
Motores e pernas 
Eles correm 
O dever os espera 
Indiferente aos que sofrem 
Aqueles que habitam as ruas
A realidade é nua e crua 

Veio o menino e falou "Tio eu to com fome" 
Mas o doutor não tem tempo 
Ta atrás do sustento 
Da sua amada família 
Subiu de cargo, viva a meritocracia! 
Só jogou uma moeda e nem viu o valor 
Deu as costas e se mandou 10 centavos de quem não se importou 
A barriga roncou 
Não é falta de méritos 
É falta de amor
O menino sentou 
Abaixou a cabeça e chorou.
Ruas
A vida continua
Na sociedade regida pelo capital 
Cruel e mortal 
O menino ora e dorme observando a lua.


Rebeca Lima

18 de mai de 2017

O Pássaro que caminhava

Este escrito faz parte de um processo constante de busca, ou seja, talvez não tenha um fim. 

x

Sei que as dores machucam. Umas a curto prazo. Outras custam a vida para tornar possível o primeiro rastro de uma cicatriz. Não me refiro àquelas que, com um pequeno espaço-tempo, somem. A dor que é a perda daquela poesia com gênero peculiar ao jovem que, outrora fez-se presente entre beijos e abraços ao luar, por exemplo, destrói parte do poeta. Suas linhas perderam-se.
Sonhei ter sido um pássaro. Tenho pavor deles. No sonho, eu não levantava voo, simplesmente, caminhava. Que tipo de pássaro eu me tornara? Um pássaro que apenas caminhava e não batia as asas rumo ao infinito?
Meu pequeno e frágil peito doía a todo momento. À beira do penhasco, fito  a imensidão que é o mundo. Ele sabe que estou assustado e, ao mesmo tempo que parece dizer "FAÇA OU SOFRA!", mostra através dos seus sinais a capacidade que possuo para enfrentá-lo. Até a possibilidade de afogar-me nas suas águas.
O sonho terminava nesta fase brusca. Batia as asas, levantava voo e caía. Nunca imaginei que a dor  pudesse ser real. Depois de repetidas vezes entregando-se àquela loucura incessante, pude enxergar que aquilo não era um sonho. Tentei caminhar em direções distintas para fugir daquela água tão profunda e, sempre, voltava ao mesmo penhasco. Era ficar inerte ou buscar o porquê do existencialismo do meu ser.

2 de mai de 2017

Tempos modernos

Na realidade em que vivemos, 
Somos nós os tolos que morremos.
Na realidade em que vivemos, 
Na verdade, nunca vivemos. 

É tão difícil saber quando alguém é 
Realmente sincero ou bondoso, 
Quando a chuva não tem gosto, 
Quando o ofício do valor é mentir sobre tudo um pouco,
E um pouco sobre tudo. 

Diante de tanta mentira e egoísmo, 
Nos perguntamos quais são os sorrisos, 
De um homem que morre na praça no frio 
De inverno no outono, 
Do homem que vive com medo morrer 
Com um tiro nas ruas sujas da cidade. 
Das empresas que lucram sobre o coitado, 
Dos valores invertidos que abraça a sociedade. 
Da criança que chora sem ter o que comer, 
Daquele que vive diante de uma guerra, 
Onde o lema é matar ou morrer. 

Olha para os arredores e enxerga os males, 
O religioso sem metafísica, materialista. 
Também o sujeito tradicional, 
Preconceituoso, intolerante e racista, 
Sem ética e nem moral. 

O ódio que tomou o lugar do amor, 
Surge o homem invisível aos olhos dos direitos. 
Um estado que não é próspero nem legal, 
Do governo que deixa o rico mais rico, 
E o pobre mais pobre, 
A justiça podre, e a vingança nobre. 
Não quero mais viver sem antes dizer não. 
Dizer não ao que nos torna monstros e 
Menos humanos.


Rebeca Lima