22 de ago de 2017

Os muros se levantam

Não poderemos comprar 
Não poderemos plantar 
Não poderemos colher 
Não poderemos falar ou chorar 

Manipulam grosseiramente 
Os cérebros doentios 
Os ''intelectuais'' dementes 
E doídos estão os estômagos vazios 

Abram as valas aos indigentes 
Surrupiem o ouro negro 
Enterrem os tais dementes 
Alvejem as crianças inocentes 

Jatos da mais límpida água 
Desperdiçados, defronte aos rios que seus gemidos deságua 
Eles têm sede de novos horizontes 

Eu choro a gota que sobrou de um rio morto, como o mar 
Eu choro sem falar do que acabou! 
Choro a dor de um olhar 
Grito enquanto posso esbravejar 
E vem o choro do medo a ralhar com minhas angústias sem lar.


Rebeca Lima

18 de ago de 2017

Versos de Desabafo

Olha, com todo o respeito,
talvez nem tanto respeito assim...
O texto é meu.
E eu não vou seguir as suas regras.

Ora essa,
sou eu quem sei!
Sim,
sou eu quem sei onde cada letra vai.

Só eu sei a cadência,
o ritmo,
o respirar.
Então...
Não se atreva a opinar!

Só se eu te procurar.

14 de ago de 2017

O Sol vai surgir

Palavras do autor

Já faz bastante tempo desde que publiquei pela última vez no Turma de Escritores,  olha que teve quem me cobrasse. Uma coisa que ouvi bastante esses tempos foi "Quando vai postar no Turma de novo?'', isso de Rebeca, dos meus pais, dos membros que saíram, e dos que entraram nesse período que estive sem postar.

Durante esse meu período fora, recrutei alguns escritores novos, trouxe de volta alguns velhos, e tomei decisões importantes sobre o blog nesse tempo. Mas, claro que não deixei de escrever. Nos próximos dias, semamas e meses, vão chegar aqui neste blog novos textos meus, e se possível, algumas novidades do blog também.

Sei que já disse isso aos leitores outras vezes, mas tenham fé no que vou dizer: O Turma de Escritores voltou!

E não menos importante, EU voltei.

Fiquem com a minha última poesia, de acordo com o horário que estou postando isso, ela tem menos de 24h de vida ainda.

Poesia

O Sol vai surgir


Que falta me faz a graça do verde.
A sombra clara, o vento lento,
a paz de descansar aos pés de uma raiz.

O canto de pássaros nos ninhos,
O farfalhar das folhas
É, esse era um tempo feliz.

Mas agora, é frio.
As árvores são secas,
o vento é forte e pesado.
Não tem mais sombra, não tem mais sol.
É só o céu fechado.

Mas, vai passar.
Eu sei que vai.
Mesmo nesse escuro, eu sei!

O sol vai voltar.
E seu fechar os olhos...
Se eu me concentrar...
Ainda posso sentir o calor,
ainda posso ver a luz.

26 de jul de 2017

Palavra Solta - preciso de palavra sem voz

Decididamente, prefiro a palavra sem voz. Prefiro ouvir o grito e a pronúncia sem ter de ouvir qualquer tipo de voz humana. 
Preciso, necessito, tenho de ouvir sempre a palavra sem voz. Triste do ser humano que desde o amanhecer ao anoitecer tem de continuamente estar ouvindo a palavra maldosa do vizinho, a fofoca do conhecido, a arrogância da autoridade, o esnobismo do poder, o tiro verbal disparado nas ruas, as hipocrisias da língua. 
Não, não quero isso pra mim. Não quero mais ter na palavra ou na voz do outro a desfeita da vida. 
Preciso, pois, de palavra sem voz. Uma palavra vinda do vento, chegada da boca da noite, expressada do lábio da brisa. Uma palavra que se traduza no olhar um pôr do sol, um amanhecer ajardinado e perfumado, um horizonte pronunciando sonhos e desejos de partida. Quero uma palavra assim, nascida na memória, no pensamento, na nostalgia. Quero uma palavra que me chegue cheirando a café torrado, a pão saindo do forno, a fruta madura de quintal. E a tudo responderei pela voz do coração. Sem palavras.


Rebeca Lima

25 de jul de 2017

O Jovem

Quando falo com palavras rebuscadas com sinceridade
Que o jovem é o escravo da sociedade 
Ninguém acredita 
Acham que minhas palavras são meros produtos de delírios exagerados 
Entretanto,não é difícil ver os jovens reduzindo seus sonhos à cinzas 
Pulverizando sua felicidade 
Descartando seus amores como despejos comparáveis ao lixo 
Apenas para integrar um mundo que os trata como macacos de circo 
Sem consideração com suas pessoas 
Desgastando seus corpos e espíritos 
Com o intuito de garantir estabilidade e satisfação para esse povo vil e doente 
Cuja única função é encher a cabeça da juventude de palavras medíocres e sem significado 
Ao invés de ouvir suas dores constantes 
E quando os limites forem ultrapassados
Os jovens colocam um mortal ponto final naquelas que poderiam ser belas histórias dentro de magníficos livros 
Ou colocam pontos finais nas histórias de outras pessoas ao seu redor,um esforço inútil em curar a névoa em seu interior,formada pela angústia,tristeza,raiva,ódio… 
Quando esses atos chegam ao conhecimento da sociedade,tudo o que ela tem a dizer é “O jovem não nos entende” 
Puro engano 
Não é ele que não a entende 
É a sociedade que não entende o jovem.


Rebeca Lima