21 de jun de 2017

Ah! Dor!

Os pulmões doíam
O coração doía
Logo ela, correu para tentar amenizar a dor
No peito colocou um pano com gelos

Ali ela ficou
Sentindo a queimação fria, que o gelo causará em sua pele ainda quente
Respirava com dificuldade
Questionando a si mesma


Seria capaz o gelo transformar seu coração em algo meramente idêntico?

10 de jun de 2017

Cômodos da Saudade

Olho para dentro. Janelas e velhas portas rangendo, deteriorando com o tempo. Há no silêncio desta casa, rachaduras que se conectam umas às outras como linhas no papel; nas paredes.
Durante muito tempo, aquela velha casa de alvenaria sofreu perdas. Famílias iam e vinham. Pessoas solitárias que preferiam isolar-se à casa, em busca da almejada e querida paz, não muito, partiam. Era o silêncio da angustia que exclamava para o preenchimento do espaço vazio. Eram: casa e histórias.
Lembro de quando aqui, dentro de cada cômodo, era preenchida com tantos sentimentos. Sejam eles bons ou ruins. Era como se cada novo universo se formasse a partir de um pequeno acontecimento. Eu sentia que cada um deles plantavam suas energias. Sentia-me viva!
Com o tempo, fui envelhecendo. Numa noite, não fui capaz de aguentar a forte ventania, meu teto se abriu, causando a queda de alguns de meus telhados no quarto de Pedro, de cinco anos. Uma semana após o ocorrido, partiram.
Pensei comigo mesma: o próximo que vier, transbordará histórias. Crianças irão preencher minhas paredes com seus diversos desenhos artísticos! Os anos arrastavam-se. Já fui apedrejada. Atacada. Vandalizada. Mas ainda estava erguida.
Cada estrutura que mantinha-me segura, erguida, sinalizava minha doença. Já não existia teto no antigo quarto de Pedro. Hoje, ele deve ter uns quinze anos e, talvez, a única memória que teria de mim, seria de um acontecimento ruim. Talvez, não lembre de minha existência. Mas o amava. Algumas de minhas janelas caíram. Havia lôdo cobrindo quase todos os meus cantos. Inclusive, o nome de Pedro que fora rabiscado alguns dias antes de sua partida. Eu também estava partindo. Estava sozinha. Condenada.
Numa noite, chovia, as belas histórias que faziam parte de mim, se foram. Olhei para dentro de mim e não mais me reconhecia. Do que adianta continuar se as lembranças, por sua vez, decidiram partir daquela que as acolheu e jurou fidelidade até seus dias finais? Eu já não me aguentava. Resisti há anos e não poderia mais. Estava velha. Pedi para que a ventania e chuva forte selassem estes anseios e angustias. Sorri pela última vez e juntei-me aos destroços.


1 de jun de 2017

Ruas

Ruas Esburacadas 
Outras pavimentadas
Sempre movimentadas 
Tomadas pelos homens 
Motores e pernas 
Eles correm 
O dever os espera 
Indiferente aos que sofrem 
Aqueles que habitam as ruas
A realidade é nua e crua 

Veio o menino e falou "Tio eu to com fome" 
Mas o doutor não tem tempo 
Ta atrás do sustento 
Da sua amada família 
Subiu de cargo, viva a meritocracia! 
Só jogou uma moeda e nem viu o valor 
Deu as costas e se mandou 10 centavos de quem não se importou 
A barriga roncou 
Não é falta de méritos 
É falta de amor
O menino sentou 
Abaixou a cabeça e chorou.
Ruas
A vida continua
Na sociedade regida pelo capital 
Cruel e mortal 
O menino ora e dorme observando a lua.


Rebeca Lima