25 de jul de 2017

O Jovem

Quando falo com palavras rebuscadas com sinceridade
Que o jovem é o escravo da sociedade 
Ninguém acredita 
Acham que minhas palavras são meros produtos de delírios exagerados 
Entretanto,não é difícil ver os jovens reduzindo seus sonhos à cinzas 
Pulverizando sua felicidade 
Descartando seus amores como despejos comparáveis ao lixo 
Apenas para integrar um mundo que os trata como macacos de circo 
Sem consideração com suas pessoas 
Desgastando seus corpos e espíritos 
Com o intuito de garantir estabilidade e satisfação para esse povo vil e doente 
Cuja única função é encher a cabeça da juventude de palavras medíocres e sem significado 
Ao invés de ouvir suas dores constantes 
E quando os limites forem ultrapassados
Os jovens colocam um mortal ponto final naquelas que poderiam ser belas histórias dentro de magníficos livros 
Ou colocam pontos finais nas histórias de outras pessoas ao seu redor,um esforço inútil em curar a névoa em seu interior,formada pela angústia,tristeza,raiva,ódio… 
Quando esses atos chegam ao conhecimento da sociedade,tudo o que ela tem a dizer é “O jovem não nos entende” 
Puro engano 
Não é ele que não a entende 
É a sociedade que não entende o jovem.


Rebeca Lima

24 de jul de 2017

O permanente estado de crise


Como surgiram os apocalipses diários?
O fim há tanto tempo iminente 
E ainda não consumado, 
A morte lenta de um país, 
Pela imensa preguiça, cuja raiz 
Enreda-se no berço do gigante deitado, 
É a origem na nossa própria gente: 
Exploradores, tiranos e salafrários.


Rebeca Lima

21 de jun de 2017

Ah! Dor!

Os pulmões doíam
O coração doía
Logo ela, correu para tentar amenizar a dor
No peito colocou um pano com gelos

Ali ela ficou
Sentindo a queimação fria, que o gelo causará em sua pele ainda quente
Respirava com dificuldade
Questionando a si mesma


Seria capaz o gelo transformar seu coração em algo meramente idêntico?

10 de jun de 2017

Cômodos da Saudade

Olho para dentro. Janelas e velhas portas rangendo, deteriorando com o tempo. Há no silêncio desta casa, rachaduras que se conectam umas às outras como linhas no papel; nas paredes.
Durante muito tempo, aquela velha casa de alvenaria sofreu perdas. Famílias iam e vinham. Pessoas solitárias que preferiam isolar-se à casa, em busca da almejada e querida paz, não muito, partiam. Era o silêncio da angustia que exclamava para o preenchimento do espaço vazio. Eram: casa e histórias.
Lembro de quando aqui, dentro de cada cômodo, era preenchida com tantos sentimentos. Sejam eles bons ou ruins. Era como se cada novo universo se formasse a partir de um pequeno acontecimento. Eu sentia que cada um deles plantavam suas energias. Sentia-me viva!
Com o tempo, fui envelhecendo. Numa noite, não fui capaz de aguentar a forte ventania, meu teto se abriu, causando a queda de alguns de meus telhados no quarto de Pedro, de cinco anos. Uma semana após o ocorrido, partiram.
Pensei comigo mesma: o próximo que vier, transbordará histórias. Crianças irão preencher minhas paredes com seus diversos desenhos artísticos! Os anos arrastavam-se. Já fui apedrejada. Atacada. Vandalizada. Mas ainda estava erguida.
Cada estrutura que mantinha-me segura, erguida, sinalizava minha doença. Já não existia teto no antigo quarto de Pedro. Hoje, ele deve ter uns quinze anos e, talvez, a única memória que teria de mim, seria de um acontecimento ruim. Talvez, não lembre de minha existência. Mas o amava. Algumas de minhas janelas caíram. Havia lôdo cobrindo quase todos os meus cantos. Inclusive, o nome de Pedro que fora rabiscado alguns dias antes de sua partida. Eu também estava partindo. Estava sozinha. Condenada.
Numa noite, chovia, as belas histórias que faziam parte de mim, se foram. Olhei para dentro de mim e não mais me reconhecia. Do que adianta continuar se as lembranças, por sua vez, decidiram partir daquela que as acolheu e jurou fidelidade até seus dias finais? Eu já não me aguentava. Resisti há anos e não poderia mais. Estava velha. Pedi para que a ventania e chuva forte selassem estes anseios e angustias. Sorri pela última vez e juntei-me aos destroços.


1 de jun de 2017

Ruas

Ruas Esburacadas 
Outras pavimentadas
Sempre movimentadas 
Tomadas pelos homens 
Motores e pernas 
Eles correm 
O dever os espera 
Indiferente aos que sofrem 
Aqueles que habitam as ruas
A realidade é nua e crua 

Veio o menino e falou "Tio eu to com fome" 
Mas o doutor não tem tempo 
Ta atrás do sustento 
Da sua amada família 
Subiu de cargo, viva a meritocracia! 
Só jogou uma moeda e nem viu o valor 
Deu as costas e se mandou 10 centavos de quem não se importou 
A barriga roncou 
Não é falta de méritos 
É falta de amor
O menino sentou 
Abaixou a cabeça e chorou.
Ruas
A vida continua
Na sociedade regida pelo capital 
Cruel e mortal 
O menino ora e dorme observando a lua.


Rebeca Lima

18 de mai de 2017

O Pássaro que caminhava

Este escrito faz parte de um processo constante de busca, ou seja, talvez não tenha um fim. 

x

Sei que as dores machucam. Umas a curto prazo. Outras custam a vida para tornar possível o primeiro rastro de uma cicatriz. Não me refiro àquelas que, com um pequeno espaço-tempo, somem. A dor que é a perda daquela poesia com gênero peculiar ao jovem que, outrora fez-se presente entre beijos e abraços ao luar, por exemplo, destrói parte do poeta. Suas linhas perderam-se.
Sonhei ter sido um pássaro. Tenho pavor deles. No sonho, eu não levantava voo, simplesmente, caminhava. Que tipo de pássaro eu me tornara? Um pássaro que apenas caminhava e não batia as asas rumo ao infinito?
Meu pequeno e frágil peito doía a todo momento. À beira do penhasco, fito  a imensidão que é o mundo. Ele sabe que estou assustado e, ao mesmo tempo que parece dizer "FAÇA OU SOFRA!", mostra através dos seus sinais a capacidade que possuo para enfrentá-lo. Até a possibilidade de afogar-me nas suas águas.
O sonho terminava nesta fase brusca. Batia as asas, levantava voo e caía. Nunca imaginei que a dor  pudesse ser real. Depois de repetidas vezes entregando-se àquela loucura incessante, pude enxergar que aquilo não era um sonho. Tentei caminhar em direções distintas para fugir daquela água tão profunda e, sempre, voltava ao mesmo penhasco. Era ficar inerte ou buscar o porquê do existencialismo do meu ser.

2 de mai de 2017

Tempos modernos

Na realidade em que vivemos, 
Somos nós os tolos que morremos.
Na realidade em que vivemos, 
Na verdade, nunca vivemos. 

É tão difícil saber quando alguém é 
Realmente sincero ou bondoso, 
Quando a chuva não tem gosto, 
Quando o ofício do valor é mentir sobre tudo um pouco,
E um pouco sobre tudo. 

Diante de tanta mentira e egoísmo, 
Nos perguntamos quais são os sorrisos, 
De um homem que morre na praça no frio 
De inverno no outono, 
Do homem que vive com medo morrer 
Com um tiro nas ruas sujas da cidade. 
Das empresas que lucram sobre o coitado, 
Dos valores invertidos que abraça a sociedade. 
Da criança que chora sem ter o que comer, 
Daquele que vive diante de uma guerra, 
Onde o lema é matar ou morrer. 

Olha para os arredores e enxerga os males, 
O religioso sem metafísica, materialista. 
Também o sujeito tradicional, 
Preconceituoso, intolerante e racista, 
Sem ética e nem moral. 

O ódio que tomou o lugar do amor, 
Surge o homem invisível aos olhos dos direitos. 
Um estado que não é próspero nem legal, 
Do governo que deixa o rico mais rico, 
E o pobre mais pobre, 
A justiça podre, e a vingança nobre. 
Não quero mais viver sem antes dizer não. 
Dizer não ao que nos torna monstros e 
Menos humanos.


Rebeca Lima