21 de nov de 2016

Notas de um escritor, parte 2.

À beira da cama, sentado ao chão, ele decidiu definhar-se à tela de seu notebook aos pedaços. É noite. Ouve-se o longo canto dos grilos. O canto de alívio por estar no lugar certo. escrevendo. Fazendo arte.
Há caos além destas paredes; afora. Há caos aqui dentro.
Decidiu escrever, pois, o murmúrio alheio não condiz com suas próprias expectativas. Não condiz com sua realidade. Ele suspirou.
Não atrevo-me a dizer-lhe algo. Ele não escuta ninguém além de si próprio. Ele, novamente, caiu no intenso devaneio de seus pensamentos desorganizados. Num instante, sente falta de alguém que, outrora, fora seu mais doce confidente. N'outro, elimina este rastro de saudade.
Neste instante é possível sentir uma neutralidade de sentimentos. Seus olhos são marcas de um alguém-longínquo. Resquícios de uma metamorfose conturbada. Mal-sucedida.
Somos tão incompletos, mas, ainda assim, podemos nos ouvir com muita clareza. Posso ouvir seu coração gritando às ruínas ao mesmo tempo em que insiste, sozinho, levantar tijolos, um a um, envolta de si.