11 de nov de 2016

Notas de um escritor, parte 1.

Estou a cada dia num emaranhado: sanidade e loucura. Esta, por sua vez, faz-se presente tanto quanto minha respiração involuntária. Mesmo com os poemas repletos de mártires, continuo rumo ao caminho sem volta; avulso. Atônito.
Os dias, posso vê-los à minha volta, encarando-me sem a mínima preocupação sobre o que vem a seguir. Posso sentir os olhares zombadores, raivosos e tristes. Todos eles estão apontando à mim. Todos a fim de, algum modo, atravessar-me aos montes. Assim o fazem!
eu posso enxergá-los.
Dói-me a cabeça. Me assusta o fato de, aos 20 anos, estar deprimido, impotente, e, no mais, indícios de uma esquizofrenia. Entendam como quiser. Dói-me no peito, enxergar e vivenciar estas situações de forma tão intensa que, pareço estar agarrado, amordaçado pela incompreensão deste mundo que, para mim, tornou-se confuso e triste.
De volta àquele caminho, cada vez que sigo avulso, mais, parece que estou perto do meu propósito. Sinto-me um instrumento sendo moldado pela vida, pelo universo. Em breve, não mais estarei neste mundo. Sou um instrumento alheio. Encaro isto como algo poético. Aceito meu papel. Talvez a liberdade tenha mais um significado nos dicionários.