21 de nov de 2016

Bipolar

Eu constumo pensar que o meu eu se divide em dois.
Eu sinto que uma parte de mim tenta controlar a outra.

Meu eu bonzinho costuma pensar no próximo, costuma se importar, viver pelas regras nas quais foi ensinado.
Só quer fazer alguém feliz, só quer saber que é amado.
Tem medo das mudanças, tem medo de arriscar demais e quebrar a cara.
Não confia, não sabe se expressar. Tem medo do que vão pensar.
Essa parte de mim tem sonhos, mas não cria expectativas por medo de se magoar.

A outra parte de mim, deixaria tudo para trás se houvesse uma única oportunidade.
Não se arrependeria de magoar alguns corações se a resposta fosse a verdadeira felicidade.
Essa parte que eu tento esconder tem medo de ver a vida passar, tem medo de perder experiência, tem medo de ficar presa dentro da rotina e desaparecer.
Pois pensa em seus sonhos e não desiste até alcançá-los.
Trata-se de um poço de sinceridade, determinação e amor próprio.
Ah se houvesse chance, já estaria bem longe daqui.
Sem olhar pra trás, sem se arrepender, sem medo de viver, sem medo de ser feliz.

Ambas as partes me completam, fazem ser quem eu sou. Talvez por isso eu odeie esses ideais, odeie que uma palavra generalize quem eu sou.
O caso é que eu posso ser algo mas, na verdade, não ser.
Posso ser feliz, mas estar submersa em solidão, posso estar confiante, embora eu busque um meio de a minha insegurança não me denunciar.

Na verdade eu acho que eu seja mesmo meio bipolar