30 de nov de 2016

Violações

Quanto te vi
já te escolhi
vai ser tú mesmo!
te por a esmo
numa dança que era pra ser singular
mas tá sem sal
sem amor
sem valor
sem emoção
já eu sem calção
sem precaução
me sentindo moleque
poderoso no parque de diversão
tu rejeitando
me arranhando
se entregando
sem escolha
sem amor
sem valor
perdendo o chão
fiz o serviço
gozei dentro
SIM, COMO GRANADA!!
Se não explodir, BELEZA!
se explodir...
se fode aí
FIZ SEU DIREITO DE ESCOLHA SER VIOLADO.

FRIENDZONE

Ela me olha nos olhos e toda a vez eu sinto o mesmo.
Eu tento muito, todos os dias, não pensar nela assim.
Ela é minha amiga mais próxima.
Por que DIABOS então eu me sinto apaixonado por ela desse jeito?
Conheço de olhos fechados o passo-à-passo de como fazê-la sorrir e abuso dessa sabedoria. Eu amo aquele som.
Ela possue o dom de pronunciar palavras e realizar feitos que me fazem, muitas vezes, sair de mim mesmo.
Não quero perder a razão e confindir meu coração.
Eu só queria achar um jeito, uma saída, uma rota de fuga dessa possível loucura.
Ela me faz tão bem, e quem dera se tudo fosse diferente...
Mas aí então, me pego com medo.
Medo de perdê-la.
De tudo que eu venho guardando por todo esse tempo se exponha e ela fuja de mim.
Não, eu não quero, não aceito isso.
Queria ter um meio de pelo menos saber se só eu me sinto assim.
Como perguntar o imperguntável?
Eu odiaria mudar o que temos.
Se houvesse chance...


Creio que o imporatnte eu sei: Ela me faz forte, ela é minha AMIGA. Mas eu a amo.

Sou amor

Esta poesia fora escrita à beira da meia-noite, no dia 29.11.2016. Originalmente, possuía outra estrutura de escrita e, ao digitar para o Turma de Escritores, pude senti-la novamente, com novas palavras e sentimentos. 

x

Sou amor
ainda que fraco 
cada poro que possuo neste corpo magro
emana ao vento 
pureza ao horror
Carregue-o!
Toquem-no!
Leve este aos que
vazios
vagam tontos 
nas ruínas dos próprios erros humano-imbecis 
Não queiras, não,
bloquear meus poros
de 
respirar
enviar
receber...
Pois
carrego nestas veias
neste sangue
no pouco pesar no peito
o dever de salvar o mundo de um futuro repleto de caos
O que seria de mim
caso não respondesse meus instintos-humanista?
O poeta traz consigo
a própria carga
seja amor
seja tristeza
seja ódio
seja desejo...
A poesia que em mim
na sua essência mais bruta
não permite que abstenção alguma 
interfira nesta dança de distribuição ao universo
Torço para que todos os corpos-mutilados 
recebam esta energia bela e profunda 
A carga de um desconhecido
A carga de um poeta em desalinho
Vos digo:
ninguém há de parar-me!
Se estou às últimas
faço-o para que
outras
talvez uma
possa-m salvar vidas
Despeço-me ao fim desta dança
poupando o pouco vestígio deste
para finalmente partir em paz.

21 de nov de 2016

Notas de um escritor, parte 2.

À beira da cama, sentado ao chão, ele decidiu definhar-se à tela de seu notebook aos pedaços. É noite. Ouve-se o longo canto dos grilos. O canto de alívio por estar no lugar certo. escrevendo. Fazendo arte.
Há caos além destas paredes; afora. Há caos aqui dentro.
Decidiu escrever, pois, o murmúrio alheio não condiz com suas próprias expectativas. Não condiz com sua realidade. Ele suspirou.
Não atrevo-me a dizer-lhe algo. Ele não escuta ninguém além de si próprio. Ele, novamente, caiu no intenso devaneio de seus pensamentos desorganizados. Num instante, sente falta de alguém que, outrora, fora seu mais doce confidente. N'outro, elimina este rastro de saudade.
Neste instante é possível sentir uma neutralidade de sentimentos. Seus olhos são marcas de um alguém-longínquo. Resquícios de uma metamorfose conturbada. Mal-sucedida.
Somos tão incompletos, mas, ainda assim, podemos nos ouvir com muita clareza. Posso ouvir seu coração gritando às ruínas ao mesmo tempo em que insiste, sozinho, levantar tijolos, um a um, envolta de si.

Bipolar

Eu constumo pensar que o meu eu se divide em dois.
Eu sinto que uma parte de mim tenta controlar a outra.

Meu eu bonzinho costuma pensar no próximo, costuma se importar, viver pelas regras nas quais foi ensinado.
Só quer fazer alguém feliz, só quer saber que é amado.
Tem medo das mudanças, tem medo de arriscar demais e quebrar a cara.
Não confia, não sabe se expressar. Tem medo do que vão pensar.
Essa parte de mim tem sonhos, mas não cria expectativas por medo de se magoar.

A outra parte de mim, deixaria tudo para trás se houvesse uma única oportunidade.
Não se arrependeria de magoar alguns corações se a resposta fosse a verdadeira felicidade.
Essa parte que eu tento esconder tem medo de ver a vida passar, tem medo de perder experiência, tem medo de ficar presa dentro da rotina e desaparecer.
Pois pensa em seus sonhos e não desiste até alcançá-los.
Trata-se de um poço de sinceridade, determinação e amor próprio.
Ah se houvesse chance, já estaria bem longe daqui.
Sem olhar pra trás, sem se arrepender, sem medo de viver, sem medo de ser feliz.

Ambas as partes me completam, fazem ser quem eu sou. Talvez por isso eu odeie esses ideais, odeie que uma palavra generalize quem eu sou.
O caso é que eu posso ser algo mas, na verdade, não ser.
Posso ser feliz, mas estar submersa em solidão, posso estar confiante, embora eu busque um meio de a minha insegurança não me denunciar.

Na verdade eu acho que eu seja mesmo meio bipolar

11 de nov de 2016

Notas de um escritor, parte 1.

Estou a cada dia num emaranhado: sanidade e loucura. Esta, por sua vez, faz-se presente tanto quanto minha respiração involuntária. Mesmo com os poemas repletos de mártires, continuo rumo ao caminho sem volta; avulso. Atônito.
Os dias, posso vê-los à minha volta, encarando-me sem a mínima preocupação sobre o que vem a seguir. Posso sentir os olhares zombadores, raivosos e tristes. Todos eles estão apontando à mim. Todos a fim de, algum modo, atravessar-me aos montes. Assim o fazem!
eu posso enxergá-los.
Dói-me a cabeça. Me assusta o fato de, aos 20 anos, estar deprimido, impotente, e, no mais, indícios de uma esquizofrenia. Entendam como quiser. Dói-me no peito, enxergar e vivenciar estas situações de forma tão intensa que, pareço estar agarrado, amordaçado pela incompreensão deste mundo que, para mim, tornou-se confuso e triste.
De volta àquele caminho, cada vez que sigo avulso, mais, parece que estou perto do meu propósito. Sinto-me um instrumento sendo moldado pela vida, pelo universo. Em breve, não mais estarei neste mundo. Sou um instrumento alheio. Encaro isto como algo poético. Aceito meu papel. Talvez a liberdade tenha mais um significado nos dicionários.