25 de out de 2016

Estrada de cacos

Dedicado ao homem cujo o espírito está a enganá-lo...

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Doeu-me
caminhar inerte
sob minhas esperanças
Quantas vezes os ponteiros deste relógio
congelavam
enquanto
estava de joelhos e mãos
aos prantos
nos pedaços que um dia fomos?
A cada passo...
A cada lamúria...
A cada linha franzida de desespero
a tempestade anunciava a chegada do furacão
que
inconscientemente
me atravessava à cabeça
rumo ao centro do meu coração
Formavam-se neblinas
e
banhado a dor
você me aparecia tal qual um encosto
à espera de minha queda!
Tão logo
sumia à neblina
como uma fumaça após várias tragadas à espera do meu câncer
Deixando um rastro
deixando vestígios de lembranças
que me perseguem e se findam a dor lancinante
Fizeste da minha longa espera
uma estrada pavimentada de cacos.