27 de out de 2016

Dominei-me

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Minha cabeça
num instante minha
n'outro
hegemônica
Estou conectado ao mundo afora
Estou ausente de consciência
Meus olhos atentos ao verbo
minha mente avulsa em tormentos
Meus olhos atentos
descansam
ao horizonte de eventos
Sou um deserto de lembranças
memórias
acontecimentos
Matrix
Rasparam-me os cabelos
o sinto
Rasparam-me a mente
nada sinto...
Tornei-me um corpo ausente de vida
de impulsos
de desejos e vontades
Atirei-me ao vazio.

26 de out de 2016

Escritor de Esquina

Diferente do que lhes apresentei, desde minha entrada ao Turma de Escritores, decidi escrever sobre algo que me atordoa profundamente. Talvez eu traga outro escrito sobre esta questão. 

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Há muito tempo convivo com dilemas. Há pouco tempo entre uma resposta e outra.
Viver, constantemente, num meio-termo é parar de viver para, simplesmente, cair em estado catatônico; amordaçado e amarrado às vontades de um "ser superior".
Digo-lhes, possuo este mal. Desde mais novo, afirmo com plena certeza, minha mente sempre trabalhou. Claro que, quando me refiro a esta determinada forma de trabalho, vos digo que não fora algo bom. E não é!
Pensar descontroladamente não é saudável.
Sempre fui vítima das armadilhas que minha mente impõe. Não somente isto bastasse, a pressão da família, o tempo, eu... todas estas cobranças... anseios. Devaneios. Existe, sim, a cobrança consigo. Todos estes fatores desenvolvem-se como uma bola de neve. Até o último instante.
Durante esses anos, procurei - e ainda procuro - formas para lidar com toda e qualquer forma de prisão, estas, impostas - inconscientemente ou não - por terceiros, por mim. Descobri esta paixão que é a Escrita!
Quem diria? Eu... um escritor?! Um poeta?!
Pois bem! Percorri por um longo caminho, repleto de incertezas, até chegar à esta área da Língua Portuguesa que, aliás, é uma arte!
Busquei, continuo, o conforto que oferecem as poesias, os contos - até os que nunca cheguei a terminar -, a escrita como um conjunto.
Ainda assim, vez e outra, caio nas "benditas" armadilhas. Começam os questionamentos. Começam as dúvidas quanto à minha escrita. Começam as sessões de torturas-mentais!
No fim do dia, tudo que eu quero, tudo que preciso é escrever!
Deixo a seguinte questão: Todos os escritores têm estes frequentes sintomas?

25 de out de 2016

Vítima da vítima

um texto quase sem nexo
quase uma hipocrisia
preste atenção ao QUASE
Tenho certeza de quase nada
não sei meus números
muito menos meus graus
mas sei meu gênero


sim, quero ter genros
por sorte, dois filhos gêmeos
todos parte do meu sangue
mas se o destino aprontar
posso até adotar
por quê o amor mora aqui


quero batalhar na vida
mas também batalhar aqui dentro
dia após dia, pra desconstruir
e destruir preconceitos
seja linguísticos, sociais
raciais
e o mais importante. Sexuais


não se confunda
nem se iluda
nunca queremos ser vistos com preconceitos,
mas criar uma armadura em cima dos próprios conceitos
na qual desejamos que quebrem sobre a gente
é quase um desrespeito contra si
enfim,
acabo
aqui

nada contra os gays, até pareço um.

Estrada de cacos

Dedicado ao homem cujo o espírito está a enganá-lo...

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Doeu-me
caminhar inerte
sob minhas esperanças
Quantas vezes os ponteiros deste relógio
congelavam
enquanto
estava de joelhos e mãos
aos prantos
nos pedaços que um dia fomos?
A cada passo...
A cada lamúria...
A cada linha franzida de desespero
a tempestade anunciava a chegada do furacão
que
inconscientemente
me atravessava à cabeça
rumo ao centro do meu coração
Formavam-se neblinas
e
banhado a dor
você me aparecia tal qual um encosto
à espera de minha queda!
Tão logo
sumia à neblina
como uma fumaça após várias tragadas à espera do meu câncer
Deixando um rastro
deixando vestígios de lembranças
que me perseguem e se findam a dor lancinante
Fizeste da minha longa espera
uma estrada pavimentada de cacos.

22 de out de 2016

Desamôres

Escrito, originalmente, há uns meses à querida amiga, Valéria Felix.

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Estive sonhando
durante um tempo
amôres e desamôres 
não tão longínquos 
Foram amôres que enchiam-me o peito
com belas poesias que sorriam à alma
Eu estava viva!
Feliz era
por estar sendo beijada pelos lábios
que
de algum modo
me encontravam
e correspondiam
os devaneios de um coração que
resistia noites a fio
Seus braços resgatavam-me dos pesadelos que
me mantinham presa
refém 
ao medo
Podia sentir a primavera florescendo em nossos corações
quando encontramos o inverno rigoroso
O último beijo
enfim
me despertou de um sonho para o qual vivia
Foi quando me via perdida às próprias pegadas
rastros à neve
Já não sentia a vida que minha primavera
outrora
havia ofertado
Estava à deriva
num penhasco
por anos
tentando encontrá-lo aonde quer que estivesse...
Até
que
Eu
desisti
Acordar de um sonho para o qual vivi 
no qual sentia e possuía o mais puro amôr 
custou-me noites e madrugadas aos olhos
Incertezas e inseguranças de um coração
não mais ingênuo!
Os dias atropelavam os ponteiros
As noites caminhavam a fim de me destruir
Até
que
novamente
adormeci...
Sentia-me entregue às incertezas de uma loucura
e
quando finalmente o encontrei
soube por fim
o que eram os desamôres.

por: Bhreenndo Mendes.