29 de dez de 2016

POESIA DE BOTECO #00

Pisa em mim!
mas pisa com PO E SIAS
Não só hoje, 
quero TODOS os dias
quero o eter que altera
acelera
que não espera o tempo acabar
tem que ser aqui
AGORA!
Pisa!
pisa e implora
a dança simplória
de dois corpos
que desejam se acariciar
tem que tentar
tente carinho
tente malícias
tente nostalgias
mas não vá esquecer
de me pisar com poesias !

30 de nov de 2016

Violações

Quanto te vi
já te escolhi
vai ser tú mesmo!
te por a esmo
numa dança que era pra ser singular
mas tá sem sal
sem amor
sem valor
sem emoção
já eu sem calção
sem precaução
me sentindo moleque
poderoso no parque de diversão
tu rejeitando
me arranhando
se entregando
sem escolha
sem amor
sem valor
perdendo o chão
fiz o serviço
gozei dentro
SIM, COMO GRANADA!!
Se não explodir, BELEZA!
se explodir...
se fode aí
FIZ SEU DIREITO DE ESCOLHA SER VIOLADO.

FRIENDZONE

Ela me olha nos olhos e toda a vez eu sinto o mesmo.
Eu tento muito, todos os dias, não pensar nela assim.
Ela é minha amiga mais próxima.
Por que DIABOS então eu me sinto apaixonado por ela desse jeito?
Conheço de olhos fechados o passo-à-passo de como fazê-la sorrir e abuso dessa sabedoria. Eu amo aquele som.
Ela possue o dom de pronunciar palavras e realizar feitos que me fazem, muitas vezes, sair de mim mesmo.
Não quero perder a razão e confindir meu coração.
Eu só queria achar um jeito, uma saída, uma rota de fuga dessa possível loucura.
Ela me faz tão bem, e quem dera se tudo fosse diferente...
Mas aí então, me pego com medo.
Medo de perdê-la.
De tudo que eu venho guardando por todo esse tempo se exponha e ela fuja de mim.
Não, eu não quero, não aceito isso.
Queria ter um meio de pelo menos saber se só eu me sinto assim.
Como perguntar o imperguntável?
Eu odiaria mudar o que temos.
Se houvesse chance...


Creio que o imporatnte eu sei: Ela me faz forte, ela é minha AMIGA. Mas eu a amo.

Sou amor

Esta poesia fora escrita à beira da meia-noite, no dia 29.11.2016. Originalmente, possuía outra estrutura de escrita e, ao digitar para o Turma de Escritores, pude senti-la novamente, com novas palavras e sentimentos. 

x

Sou amor
ainda que fraco 
cada poro que possuo neste corpo magro
emana ao vento 
pureza ao horror
Carregue-o!
Toquem-no!
Leve este aos que
vazios
vagam tontos 
nas ruínas dos próprios erros humano-imbecis 
Não queiras, não,
bloquear meus poros
de 
respirar
enviar
receber...
Pois
carrego nestas veias
neste sangue
no pouco pesar no peito
o dever de salvar o mundo de um futuro repleto de caos
O que seria de mim
caso não respondesse meus instintos-humanista?
O poeta traz consigo
a própria carga
seja amor
seja tristeza
seja ódio
seja desejo...
A poesia que em mim
na sua essência mais bruta
não permite que abstenção alguma 
interfira nesta dança de distribuição ao universo
Torço para que todos os corpos-mutilados 
recebam esta energia bela e profunda 
A carga de um desconhecido
A carga de um poeta em desalinho
Vos digo:
ninguém há de parar-me!
Se estou às últimas
faço-o para que
outras
talvez uma
possa-m salvar vidas
Despeço-me ao fim desta dança
poupando o pouco vestígio deste
para finalmente partir em paz.

21 de nov de 2016

Notas de um escritor, parte 2.

À beira da cama, sentado ao chão, ele decidiu definhar-se à tela de seu notebook aos pedaços. É noite. Ouve-se o longo canto dos grilos. O canto de alívio por estar no lugar certo. escrevendo. Fazendo arte.
Há caos além destas paredes; afora. Há caos aqui dentro.
Decidiu escrever, pois, o murmúrio alheio não condiz com suas próprias expectativas. Não condiz com sua realidade. Ele suspirou.
Não atrevo-me a dizer-lhe algo. Ele não escuta ninguém além de si próprio. Ele, novamente, caiu no intenso devaneio de seus pensamentos desorganizados. Num instante, sente falta de alguém que, outrora, fora seu mais doce confidente. N'outro, elimina este rastro de saudade.
Neste instante é possível sentir uma neutralidade de sentimentos. Seus olhos são marcas de um alguém-longínquo. Resquícios de uma metamorfose conturbada. Mal-sucedida.
Somos tão incompletos, mas, ainda assim, podemos nos ouvir com muita clareza. Posso ouvir seu coração gritando às ruínas ao mesmo tempo em que insiste, sozinho, levantar tijolos, um a um, envolta de si.

Bipolar

Eu constumo pensar que o meu eu se divide em dois.
Eu sinto que uma parte de mim tenta controlar a outra.

Meu eu bonzinho costuma pensar no próximo, costuma se importar, viver pelas regras nas quais foi ensinado.
Só quer fazer alguém feliz, só quer saber que é amado.
Tem medo das mudanças, tem medo de arriscar demais e quebrar a cara.
Não confia, não sabe se expressar. Tem medo do que vão pensar.
Essa parte de mim tem sonhos, mas não cria expectativas por medo de se magoar.

A outra parte de mim, deixaria tudo para trás se houvesse uma única oportunidade.
Não se arrependeria de magoar alguns corações se a resposta fosse a verdadeira felicidade.
Essa parte que eu tento esconder tem medo de ver a vida passar, tem medo de perder experiência, tem medo de ficar presa dentro da rotina e desaparecer.
Pois pensa em seus sonhos e não desiste até alcançá-los.
Trata-se de um poço de sinceridade, determinação e amor próprio.
Ah se houvesse chance, já estaria bem longe daqui.
Sem olhar pra trás, sem se arrepender, sem medo de viver, sem medo de ser feliz.

Ambas as partes me completam, fazem ser quem eu sou. Talvez por isso eu odeie esses ideais, odeie que uma palavra generalize quem eu sou.
O caso é que eu posso ser algo mas, na verdade, não ser.
Posso ser feliz, mas estar submersa em solidão, posso estar confiante, embora eu busque um meio de a minha insegurança não me denunciar.

Na verdade eu acho que eu seja mesmo meio bipolar

11 de nov de 2016

Notas de um escritor, parte 1.

Estou a cada dia num emaranhado: sanidade e loucura. Esta, por sua vez, faz-se presente tanto quanto minha respiração involuntária. Mesmo com os poemas repletos de mártires, continuo rumo ao caminho sem volta; avulso. Atônito.
Os dias, posso vê-los à minha volta, encarando-me sem a mínima preocupação sobre o que vem a seguir. Posso sentir os olhares zombadores, raivosos e tristes. Todos eles estão apontando à mim. Todos a fim de, algum modo, atravessar-me aos montes. Assim o fazem!
eu posso enxergá-los.
Dói-me a cabeça. Me assusta o fato de, aos 20 anos, estar deprimido, impotente, e, no mais, indícios de uma esquizofrenia. Entendam como quiser. Dói-me no peito, enxergar e vivenciar estas situações de forma tão intensa que, pareço estar agarrado, amordaçado pela incompreensão deste mundo que, para mim, tornou-se confuso e triste.
De volta àquele caminho, cada vez que sigo avulso, mais, parece que estou perto do meu propósito. Sinto-me um instrumento sendo moldado pela vida, pelo universo. Em breve, não mais estarei neste mundo. Sou um instrumento alheio. Encaro isto como algo poético. Aceito meu papel. Talvez a liberdade tenha mais um significado nos dicionários.

27 de out de 2016

Dominei-me

x

Minha cabeça
num instante minha
n'outro
hegemônica
Estou conectado ao mundo afora
Estou ausente de consciência
Meus olhos atentos ao verbo
minha mente avulsa em tormentos
Meus olhos atentos
descansam
ao horizonte de eventos
Sou um deserto de lembranças
memórias
acontecimentos
Matrix
Rasparam-me os cabelos
o sinto
Rasparam-me a mente
nada sinto...
Tornei-me um corpo ausente de vida
de impulsos
de desejos e vontades
Atirei-me ao vazio.

26 de out de 2016

Escritor de Esquina

Diferente do que lhes apresentei, desde minha entrada ao Turma de Escritores, decidi escrever sobre algo que me atordoa profundamente. Talvez eu traga outro escrito sobre esta questão. 

x

Há muito tempo convivo com dilemas. Há pouco tempo entre uma resposta e outra.
Viver, constantemente, num meio-termo é parar de viver para, simplesmente, cair em estado catatônico; amordaçado e amarrado às vontades de um "ser superior".
Digo-lhes, possuo este mal. Desde mais novo, afirmo com plena certeza, minha mente sempre trabalhou. Claro que, quando me refiro a esta determinada forma de trabalho, vos digo que não fora algo bom. E não é!
Pensar descontroladamente não é saudável.
Sempre fui vítima das armadilhas que minha mente impõe. Não somente isto bastasse, a pressão da família, o tempo, eu... todas estas cobranças... anseios. Devaneios. Existe, sim, a cobrança consigo. Todos estes fatores desenvolvem-se como uma bola de neve. Até o último instante.
Durante esses anos, procurei - e ainda procuro - formas para lidar com toda e qualquer forma de prisão, estas, impostas - inconscientemente ou não - por terceiros, por mim. Descobri esta paixão que é a Escrita!
Quem diria? Eu... um escritor?! Um poeta?!
Pois bem! Percorri por um longo caminho, repleto de incertezas, até chegar à esta área da Língua Portuguesa que, aliás, é uma arte!
Busquei, continuo, o conforto que oferecem as poesias, os contos - até os que nunca cheguei a terminar -, a escrita como um conjunto.
Ainda assim, vez e outra, caio nas "benditas" armadilhas. Começam os questionamentos. Começam as dúvidas quanto à minha escrita. Começam as sessões de torturas-mentais!
No fim do dia, tudo que eu quero, tudo que preciso é escrever!
Deixo a seguinte questão: Todos os escritores têm estes frequentes sintomas?

25 de out de 2016

Vítima da vítima

um texto quase sem nexo
quase uma hipocrisia
preste atenção ao QUASE
Tenho certeza de quase nada
não sei meus números
muito menos meus graus
mas sei meu gênero


sim, quero ter genros
por sorte, dois filhos gêmeos
todos parte do meu sangue
mas se o destino aprontar
posso até adotar
por quê o amor mora aqui


quero batalhar na vida
mas também batalhar aqui dentro
dia após dia, pra desconstruir
e destruir preconceitos
seja linguísticos, sociais
raciais
e o mais importante. Sexuais


não se confunda
nem se iluda
nunca queremos ser vistos com preconceitos,
mas criar uma armadura em cima dos próprios conceitos
na qual desejamos que quebrem sobre a gente
é quase um desrespeito contra si
enfim,
acabo
aqui

nada contra os gays, até pareço um.

Estrada de cacos

Dedicado ao homem cujo o espírito está a enganá-lo...

x

Doeu-me
caminhar inerte
sob minhas esperanças
Quantas vezes os ponteiros deste relógio
congelavam
enquanto
estava de joelhos e mãos
aos prantos
nos pedaços que um dia fomos?
A cada passo...
A cada lamúria...
A cada linha franzida de desespero
a tempestade anunciava a chegada do furacão
que
inconscientemente
me atravessava à cabeça
rumo ao centro do meu coração
Formavam-se neblinas
e
banhado a dor
você me aparecia tal qual um encosto
à espera de minha queda!
Tão logo
sumia à neblina
como uma fumaça após várias tragadas à espera do meu câncer
Deixando um rastro
deixando vestígios de lembranças
que me perseguem e se findam a dor lancinante
Fizeste da minha longa espera
uma estrada pavimentada de cacos.

22 de out de 2016

Desamôres

Escrito, originalmente, há uns meses à querida amiga, Valéria Felix.

x

Estive sonhando
durante um tempo
amôres e desamôres 
não tão longínquos 
Foram amôres que enchiam-me o peito
com belas poesias que sorriam à alma
Eu estava viva!
Feliz era
por estar sendo beijada pelos lábios
que
de algum modo
me encontravam
e correspondiam
os devaneios de um coração que
resistia noites a fio
Seus braços resgatavam-me dos pesadelos que
me mantinham presa
refém 
ao medo
Podia sentir a primavera florescendo em nossos corações
quando encontramos o inverno rigoroso
O último beijo
enfim
me despertou de um sonho para o qual vivia
Foi quando me via perdida às próprias pegadas
rastros à neve
Já não sentia a vida que minha primavera
outrora
havia ofertado
Estava à deriva
num penhasco
por anos
tentando encontrá-lo aonde quer que estivesse...
Até
que
Eu
desisti
Acordar de um sonho para o qual vivi 
no qual sentia e possuía o mais puro amôr 
custou-me noites e madrugadas aos olhos
Incertezas e inseguranças de um coração
não mais ingênuo!
Os dias atropelavam os ponteiros
As noites caminhavam a fim de me destruir
Até
que
novamente
adormeci...
Sentia-me entregue às incertezas de uma loucura
e
quando finalmente o encontrei
soube por fim
o que eram os desamôres.

por: Bhreenndo Mendes.

26 de set de 2016

Coro dos Descontentes

Eu sou do coro dos descontentes
E quero estar afinado
para cada desafio dado
não dá pra ficar calado
com gente atirando de todos os lados
Se não merece, não reclame
se quer bater, permita que apanhe
se sabe pouco, não conclua pensamento
se não és combustível, não abasteça movimentos
não ouviram o Sergio Barros ?
sobre respeitar os passos dados por qualquer um
DE QUALQUER LADO
mesmo cantando desafinado ?
Se não quer contribuir
não cumprimente Eliaquim
não vá na casa dos Uchôa
Se conseguiu nadar sozinho
não derrube as canoas
Eu sou do coro dos descontentes
e quero usar minha voz
com a voz de todas as gentes
e não preciso desafiar ninguém para parecer diferente

17 de set de 2016

Revolucionários sem causa

Entre a forca e o tédio
Em um mundo sujo desiludido
Eu não sei de onde vem o assedio
Todos corruptos bandidos
Tanta contradição
Onde o revolucionário esquece as duvidas e tem tanta razão
Vermes e parasitas
Enfiam goela abaixo inverdades mil vezes escritas

Entre a sensatez e a loucura
Talvez seja apenas um excluído
Falta de tinta e estudo na mistura

Para exorcizar o sistema falido



Rebeca Lima

9 de set de 2016

As palavras


As palavras se entalam.
Perco a vontade de falar.
Não há motivos para explicar,
Se cada um vê como quer,
Essa vida e as pessoas,
Cada um é o que é.


As palavras se perdem,
Em um imenso espaço,
Uma linha que separa
A satisfação em se dizer
E a decepção em acreditar
Que alguém entenderia,
Que defeitos são pequenos,
Quando se quer mudar.


As palavras emudecem
A alma que grita e ensurdecem
A mente tão aflita,
Com todos esses dilemas,
Com tantos outros problemas,
E somente uma pessoa
Para resolvê-los,
Para sorvê-los.


As palavras se escondem,
Encarceradas, adormecem,
Entorpecidas pela aflição
De não poderem ajudar
A fazer o coração,
Parar de nas pessoas
Tanta empatia depositar.


As palavras se vão,
Como em um rio, fluindo,
E às vezes param à margem,
Boiando, tão aparentes,
Mas talvez a grande verdade
É que não adianta buscá-las,
Tampouco o que elas trazem,
Pois tudo o que se consegue
É emudecer e deixar
Que isso passe cedo ou tarde.


Rebeca Lima

Mudo


De quem é
Essa boca
Que muda
Não diz nada
Mas se diz
De tudo
Porque mudo
O amor
Se faz ouvir
Com a alma...    
     
Rebeca Lima

8 de set de 2016

Jogo de politica



Esquerda ou Direita, onde está meu coração?
No Brasil, politica é corrupção
É impeachment ou golpe, não sei não
sobra pro povo sofrer em meio a opressão

A direita é chamada de elite
 indesejada como conjuntivite
doí  o olho só de ver
Bolsonaro, Feliciano na TV

A esquerda não é muito diferente
paga de populista inocente
E assiste do apartamento de frente pro mar
o povo se matando de trabalhar

Assim levanto a questão:
Educação é a solução?
Quem rouba do povo e dos bancos
não é o assaltante, e, sim o colarinho branco

Eu como brasileiro desejo uma solução
Nem Dilma, nem Lula, sem desilusão
Sem Temer ou Aécio, com satisfação
gritar em alto e bom som:

"Sou brasileiro e essa é minha nação
Honestidade e sem corrupção".

Rebeca Lima

17 de jun de 2016

Porquê

Atrasado com o Dia dos Namorados? Não mesmo, para um casal todo dia pode ser dia dos namorados, só depende deles.
Sobre essa poesia (ou poema, nunca diferencio por preguiça), foi numa conversa com uma amiga, Vick Domingues, que surgiu. Ela disse três frases curtas, que fixaram na minha mente como três versos, versos esses que compõem o inicio da segunda estrofe. E apesar de eu não estar namorando, esses versos são extremamente sinceros, pois uma hora eles vão encontrar alguma pessoa para ser o destino de entrega.
mas até lá eu vou escrevendo e escrevendo, evocê enquanto quiserem, lendo. Aproveitem.



Porquê 


O porquê?
Simples.
É você.
O porquê é você.

Porque você é você
Você não é outra
Você é você
E se não for você,
Não é para ser.

29 de mai de 2016

Doses de poesia

Não sei o que odeio mais, se é dor de cabeça ou bloqueio criativo, e agora mesmo estou enfrentando o pior bloqueio criativo da minha vida. Não estou conseguindo terminar minhas poesias e outros textos, não estou conseguindo fazer pixel art, não estou conseguindo nem mesmo fazer matérias para o Uber 7, e oolha que as matérias que faço para lá são sobre assuntos que eu domino. Mas deixando o desabafo de lado, já era hora de publicar algo de minha autoria aqui novamente, faz tempo que sumi do blog que eu mesmo fundei. Deixo então para vocês, leitor, a última poesia que apresentei, em um festival de talentos da minha antiga escola para o qual fui convidado. Boa leitura.



Doses de Poesia


Fazer poesia é dose,
apenas ler já é.
E dependendo da poesia,
ou até mesmo do poeta,
pode ser uma dose de Amor,
outra de saudade,
Umas de tristeza
algumas de alegria
Mais tantas de filosofia
Assim como de critica
Fazer poesia é dose
Então, garçom manda mais duas,
Traz Drummond e Bocage,
Pois eu não pretendo parar.

25 de mai de 2016

No ouvido


Chega devagar e fala junto do meu ouvido. Diz que nunca viu um sorriso mais bonito, diz que percebe como meus olhos brilham quando meus lábios se curvam em um sorriso, e os olhos? Aaaaah, os olhos… apesar de se comprimirem demonstram uma alegria gigantesca. Chega devagar e diz que percebe que sou tão tua quanto você pertence a mim. Sussurra que as horas passam lentamente quando longe, mas que quando perto tudo o que quer é parar o tempo e não deixar o presente virar passado. Diz que quer conjugar este tempo verbal na primeira pessoa do plural. Chega e diz que estava me observando de longe, e mesmo assim notou que minhas pupilas só dilatam quando você chega mais perto e me fala no ouvido.
Chega mais perto, me fala no ouvido, me olha nos olhos e me beija a boca.

12 de mai de 2016

HOUVE AMOR

Houve amor.
Houve olho no olho.
Houve respiração cortada.
Houve mãos suando.
Houve sorriso bobo.
Houve bochechas rosadas.
Houve olhos brilhando.
Houve borboletas voando.
Houve estômago borbulhando.
Houve sensação de estar voando.
Houve hesitação em chegar perto.
Houve cuidado de não errar.
Houve perícia para não demonstrar.
Houve medo de se entregar.
Houve aperto no coração.
Houve exagero e contradição.
Houve tentativas de se enganar.
Houve resistencias e confusão.
Houve coragem para falar.
Houve certezas que ninguém pode negar.
Houve alívio e reflexão.
Houve amor ou foi paixão?

22 de mar de 2016

Poderia ter pés pros meus sentidos
Pra viajar nesse abstrato proibido
Algo do doce
Algo da dose
Alguns antes da doze 
Aterrissar com paciência
Aterrissar nessa deiscência
Da decência
Da prisão sem grades
Rotina secreta nos vales
Valendo a valia da azia
Talvez sumir
E subir pra um degrau mais baixo

9 de mar de 2016

Mar de Decepções

Esquecer é difícil.
Mas quem disse ser impossível?
Até agora, pergunto-me o porquê de ter aceitado tal situação.
Mas apesar do meu amor incontrolável,
Descobri que não adianta de nada sentir tudo por alguém,
Sendo que o mesmo não demonstra o suficiente
Para tal sentimento fluir.

Do mesmo modo,
Ainda te procuro em outros rostos,
Em outras vidas.
Talvez até te encontre,
Mas não fará tanto sentido.

Descobri que promessas não duram para sempre.
Apenas são ditas da boca para fora,
Em busca de “confortar” corações aflitos.
O meu já estava assim há um tempo.
Entretanto, meu silêncio ainda falava mais alto.

Descobri que o amo,
Não é algo que se possa pedir a alguém.
Mas o nosso foi se construindo,
Em cima de momentos.
Sejam eles difíceis,
Bons,
Talvez “mágicos”.
Mas não foi o necessário.

Talvez eu seja uma garota muito intensa
Para ter que ficar na beira da praia.
Ou sou alérgica a pessoas rasas.
Não digo que você foi uma delas,
Mas tuas atitudes
(desgastadas pelo tempo)
Te autodestruíram.
 E por consequência, apagou todo o fogo que havia em mim.
Enfim.
Espero que ao menos tenha sobrado uma faísca
Dentro do meu peito.
Para que, finalmente eu possa te avistar e dizer:
“É, o amor não morre, só esfria.”

8 de Março

Eu nasci livre.
Nasci sem amarras, sem prisão
Mesmo criança já sabia:
Sou mulher, não sou lixão
Despejaram sobre mim, palavras duras e restritivas
"Mulher tem que obedecer"
Ouvia a filha de um velho pai
Alguém responde em meu favor:
"Obedece eu. Obedece você."
Cedo levantava, cedo arrumava
Quem acorda cedo, trabalha mais
Mas porque eram os filhos
Os quais trabalhavam pros pais?
Ele ficava noite e dia, fazendo o que lhe agradava
A mulher lutava fora, pra onde ia tanta vontade?
"Por meus filhos faço tudo"
Não perco a fé, quero igualdade.
Enquanto uns trabalham, outros abandonam a coragem.
Filha minha, não te preocupes, pois
Existe um mundo ali fora
Seja grata por ser mulher, você faz parte dessa vitória
É guerreira, muito valente
Vai calar a boca de muita gente
Eu sei, posso não ver.
Mas se juntar as suas forças, tantas vozes vão dizer;
LIVRE VOU SER. LIVRE VOU SER.