13 de nov de 2015

"Doce", mato, arco íris, ironia e breu

E lá estava eu.
Naquela noite escura e fria, e chuvosa. Onde eu olhava para todos os lados e só via lavrados e raios e lavrados, mais raios. A escuridão me perseguia na caminhote roubada que eu e meu irmão herdamos do meu pai há algumas semanas. Sua morte: foi enquanto o Jake e sua turma assaltavam um mercado, meu pai havia acabado de roubar um caixa eletrônico (do outro lado da rua), eles eram de gangues rivais, mas meu pai era um homem bom.

Eu olhava pra trás certificando-me sempre de estar só e via breu e mais nada. Um dos faróis, o direito estava falhando (aposto que foi Jhon quem o estraçalhou) e o esquerdo também estava muito fraco. Mas, ainda assim eu via a estrada e a faixa amarela contínua no chão mal sinalizado. No horizonte, junto aos raios, estavam grandes olhos de tigre, que me perseguiam, onde quer que eu fosse.  Nunca fui uma boa motorista, e admito, sou um pouco barbeira.

Mas, eu tinha que enfrentar tudo aquilo. Eu tinha que chegar à casa de Jason. Tinha que salvá-lo. Não porquê morria de amores por ele. Não! Isso nunca! Mas, porque era minha obrigação. Eu tinha causado tudo aquilo. Eu já havia matado antes. E não podia errar de novo. Não se eu quisesse salvar minha alma do Inferno.

Mas, em meio aos meus devaneios eu não o vi. Não vi o cara que saíra do asfalto em poucos segundos. O cara que bateu no meu carro, e manteve os pés no chão, massacrando o asfalto e o capô do meu Prior608 enquanto eu acelerava, na fútil tentativa de matá-lo pelo susto que me dara. O meu lado maligno se divertia.

A garotinha que existia dentro de mim, gritava. Um grito tão profundo, tão .... Intenso. Achava que estava prestes a perder a vida. Mal sabia ela que logo seria como ele. Imortal, perfeita, mortífera e letal. E é quando acontece....!