29 de ago de 2015

Choveu

E então aquele que tem o coração de gelo, frio, duro, derreteu, e se derreteu em lágrimas. Incrível que aqueles olhos frios e distantes pudessem chover, não é?
Incrível que aquele que não ouvia ninguém, agora não para de repetir em sua mente as frases dos outros. E nesse momento, no chão, com as mãos nos ouvidos, tudo o que deseja é não ter ouvido tudo aquilo, ou querendo realmente ter um coração frio, de pedra. Incrível que ele possa sentir, não é?
Agora tudo o que ele deseja é não ter um coração feito de areia, que se vai, se desmancha ao sopro das frases dos outros.
Incrível como alguém como você, que grita aos 4 ventos que tem um coração tão pulsante, pudesse machucar alguém sem coração, não é?
E o mais incrível é que alguém como você que se diz de visão, não consiga enxergar um palmo a sua frente. Enquanto os olhos distantes consegue ver mais do que o esperado. Porque tudo o que se espera desses olhos é que não sintam, e agora de frente a eles, seus olhos de visão olhando dentro dos olhos distantes, agora você sabe o porquê de eles serem assim. Eles não querem ser atingidos. E por mais que desejem e se esforcem pra isso, você sabe, você sabe que eles não conseguem ficar distantes por muito tempo. Só o suficiente para não desabarem na sua frente, no seu campo de visão. E o porquê disso?
Porque eles não querem que você saiba que tem o poder de machucá-los. Porque os olhos distantes sentem, choram e veem.
E estão mais perto do que você imagina.