1 de abr de 2015

Papo sério

Alma minha, pega leve, não se entristece
Nada de desapontamento, fica atenta
O passo é lento, na saudade que anoitece
Verso o verbo, na inspiração que sustenta
Esse coração faminto, que não faz regime
Absorve as proteínas, é guloso esse menino
E versa com vontade, pode, mas não reprime
E as palavras voam, num breve desatino
Alma, espera, amanhã é outro dia, quinta-feira
Só não ria, para não chorar depois, fica séria
E nessa poesia, as rimas caem assim tão faceiras
Mas pondero, minha amiga, chega de misérias
Faço vista grossa, e a garganta até engrossa
Engole as lágrimas, calma, pense nas rimas
Bebe, mas não se embriaga, fica toda prosa
E se for tomar remédio, pensa em aspirina.