27 de dez de 2015

Para chover de novo

Já faz algum tempo desde o dia em que eu estava chorando sentada em um chão de terra, segurando meus joelhos rente ao corpo, com toda força, em uma tentativa falha de diminuir a tremedeira. Não lembro do lugar, nem como cheguei ali, talvez seja culpa das lágrimas que atrapalhavam a visão. Talvez seja culpa do turbilhão que estava por aqui. Mas isso não importa, o lugar nunca importou. Assim como o rosto dele. Ele chegou e não levantei os olhos para ver quem era, tantos já haviam passado por ali e ninguém se deu ao trabalho de parar e perguntar se eu estava bem, talvez ele fosse mais um. Ao contrário do esperado ele se aproximou mais, não quis olhar para ele porque sempre que estou neste estado, não consigo olhar para outros olhos sem me desmanchar ainda mais em lágrimas. Prefiro chorar sozinha, não por orgulho, por parecer fraca, tudo o que preciso é me concentrar até tudo parar.
Ele ficou um tempo de pé até que se abaixou, levantou meu queixo para que olhasse para ele. Olhou-me com firmeza como se pudesse conhecer-me apenas olhando nos meus olhos, como se toda a história estivesse ali. Olhou-me com atenção, o suficiente até que eu visse em seus olhos que também poderia confiar nele. Não lembro do seu rosto, mas lembro daqueles olhos e do sorriso que transmitiam paz.
– Ei menina, você não vai ficar aqui, não é? Caída no chão? - não respondi e ele prosseguiu:
– Você já reparou onde está? Olhe para os lados. Está vendo? - eu estava perto de uma avenida movimentada, a noite já havia caído. Mais uma vez ele prosseguiu, ainda sem resposta:
– A vida está passando enquanto você está aqui, no chão. Não espera por você, não espera você ficar bem. Passa igual para todos, feridos ou não. Pode não ser justa, mas passa para todos. Está passando para você... - ele parou de falar quando começou a chover, olhou para cima e sorriu, sorriu da forma mais cativante possível, como uma criança quando recebe um presente novo, um presente que não era mais esperado. O frio aumentou e com ele a tremedeira. Suas mãos seguravam meus braços, como que para me estabilizar. Ele voltou a falar:
– Não sei o que aconteceu com você, nem preciso que me diga, só preciso que ouça com atenção o que vou dizer agora, ok? - fiz que sim com a cabeça, ele continuou:
– Bem, não acredito muito no acaso. Sempre vou por outro caminho, mas hoje quis vir por este, no noticiário informaram que não iria chover e bem... está chovendo. Acredito que está chovendo para você. Tanto aqui fora quanto aí dentro. Mas vou te dizer algo sobre a chuva, ela vem para duas coisas, para trazer vida ou para destruir. Assim como você, ela cai, cai e leva consigo tudo de ruim para debaixo da terra. Cai mas levanta, levanta para cair de novo. Lava o que tem que lavar, seja a alma ou o caminho. Faz nascer, faz morrer e faz renascer. Seja chuva menina, caia mas não vire poça no chão. Levante-se para chover de novo.
                 雨

23 de dez de 2015

Me machucou
extraiu do meu coração
aquilo que estava a sete chaves
Maldita!

Raiva!

rasgou-me no efeito clava
deixando-me sem virilidade.
é tudo ambíguo e desigual
nada de novo, mas é surreal
Tuas aspas me parecem aspargos
Diuréticos da minha dieta
me fez potente
me fez poeta

9 de dez de 2015

Merah

Eles corriam para chegar tempo na casa da amada anciã Galileia, alguns tropeçaram por conta da descuidada pressa. Ela sempre os esperava, sentada em sua cadeira de balanço avermelhada que ficava na varanda da casa, e hoje não seria diferente. Um após outro chegaram, sem que a senhora precisasse dizer algo se acomodaram em uma meio círculo, cheios de expectativas.
Sorriu a todos quando eles se aquietaram, e então exclamou:
- Bom dia, meus pequenos curiosos! Que história vocês gostariam de ouvirem hoje?-perguntou ela, com doçura.
- Aquela do padre! – Disse um rapaz loiro.
- Uma de terror! – Exclamou uma garota morena, de olhos claros.
- Alguma nova! – Respondeu um menino de blusa clara
E logo, um burburinho começou, ate que por fim Galileia indagou:
- E então, decidiram? – E eles em uníssono responderam:
- Sim! Queremos uma de terror!
A senhora G. deu um pequeno sorriso e começou com uma voz que envolvia e lhes fazia imaginar:
- “Nossa história começa, em nossa vila a muitas e muitas luas atrás, numa época em que nem os avós de vocês viveram. Há muito, muito tempo atrás: No começo de tudo, havia um pacto com o espírito maior, para proteger nossa vila de tudo e todos, consistia em cedermos nossa sagrada floresta fonte de nossa vida, para que os companheiros do outro mundo dos deuses pudessem festejar e descansar suas almas,para honrá-lo foi decidido que seria extremamente proibido entrar na floresta quando a lua estivesse alto no céu, pois assim que isso acontecesse ela seria território de algo maior que todos nós. E se isso fosse desrespeitado perderíamos toda a proteção que nos foi dada.
Colheitas e luas depois disso, uma menina que cresceu sem saber das lendas e contos foi desafiada a entrar na floresta a noite, para provar sua coragem, provar que pertencia ali, e ela aceitou.
Adentrou pela floresta a noite, sem saber que isso seria seu fim, sem saber que quem se atrevesse a tocar o reino dos espíritos protetores na hora sagrada seria punido, e assim foi feito.
Os protetores são ferozes, vorazes, impiedosos e incansáveis, ela correu o mais rápido que pode, implorou, gritou por socorro, mas ninguém poderia salvá-la, eles não se importavam com o fato dela ser apenas uma criança, ali só importava o fato de que ela teria de ser punida. Ela se atreveu, eles teriam o que lhes pertencia.
Logo a relva estava cheia do sangue da garota, que fora esquartejada sem piedade alguma.
No dia seguinte, os mesmo que a desafiaram a ir encontro do seu destino, foram a floresta e viram o verde ser carmesim, mas não havia um só pedaço da moça, porém onde maior era a concentração avermelhada crescer uma árvore.
Acobreada como os cabelos dela.’’
Alguns estavam encolhidos de medo, outros estavam apenas abismados, com direito a olhos arregalados e boca entreaberta.
Mas todos, sem exceção estavam em silêncio.
Então, pronunciou-se uma voz suave e fina, de uma garota que perguntou:
- É por isso que meu avô dizia que a tribo teve uma época de seca, fome e doenças?
Os olhos da anciã cintilaram, mas ela apenas deu de ombros e perguntou:
- O que vocês acham?
- Eu acho que é só uma lenda – Respondeu um menino loiro, dos olhos escuros. E logo todos começaram a dar opiniões ao mesmo tempo a respeito do que achavam.
A mulher grisalha levantou a cabeça e notou que o sol se punha no céu.
- Meus amados; está na hora de irem, o sol já está se pondo.
E assim, calmamente um de cada vez se despediu da velhinha, assim que o último sumiu da vista, ela se levantou da cadeira, e lentamente foi andando para dentro de casa, onde sua neta, Milla, escutara todo o conto, sentada no sofá da sala. A neta olhou-a e perguntou séria:
- Isso realmente aconteceu? - A velhinha deu um sorriso triste e sentou-se ao lado da pequena.
- O nome dela era Merah. Foi minha tetratiavô, quase toda vila adoeceu, tiveram uma seca horrível e a colheita não foi o suficiente aquele ano, e nos próximos também não, muitos morreram. Até que alguém da nossa família descobriu de algum modo, que os espíritos voltariam a abençoar a todos, se fizemos sacrifícios a cada 50 anos, o que se tornou tradição da família. Precisaríamos encontrar alguém puro de coração e convencê-lo a ir para floresta no meio da noite. Mas claro que nossa família sabia que não aceitariam sacrificar os filhos. É preciso para manter a vida na vila, então demos um jeito, eu e os que vieram antes de mim. – Confidenciou-lhe, com um olhar perdido, como se estivesse lá quando acontece.
A menina ficou estupefata ao saber disso tudo, trêmula perguntou:
- E como você conseguiu vovó?
- O jogo Kope. – Respondeu a idosa.
- Como ele funciona? – Perguntou Milla.
- Desafia-se alguém de coração puro, ambos vão para floresta e quem contar até dez de olhos fechados, e depois dizer três vezes ‘Merah’ sem abrir os olhos nenhuma vez, vive. Quem abrir é morto e a existência é apagada da memória de todos, por isso da certo.
Ao ouvir isso, a neta calou-se, consternada. E ali, ficaram caladas, refletindo que nem sempre é fácil proteger o que se ama.
Aos poucos a pequena Milla aceitou que tinha que fazer, mesmo sem a pressão da avó em relação isso, ela não tinha muito tempo para ficar indecisa, sabia que mesmo que fosse algo extremo e indesculpável, a vila realmente precisava sobreviver e uma vida poderia salvar centenas.
Por sorte ou azar, era querida por todos na vila, e sabia exatamente quem poderia ser.
E ao pôr do sol do dia esperado, ela chegou perto do mesmo menino loiro dos olhos escuros que não acreditou na lenda e perguntou:
-  Quer jogar um jogo?

4 de dez de 2015

Ritmo

A música começou a tocar, ele olhou para mim e estendeu a mão:
- Vamos dançar?
Olhei para a mão e depois para ele:
- Acho que perdi o jeito.
- Vamos. - ele insistiu com a mão ainda estendida.
- Não diga que não avisei.
Ele sorriu e me levou para a pista. Quando começamos a dançar ele perguntou:
- Você lembra que começamos assim?
- Eu lembro de estar bem bêbada e ter errado várias vezes o passo, de ter pisado nos seus pés...
- Eu lembro que você surpreendeu-me dançando muito bem.
- Você também estava bem bêbado para notar a realidade dos seus pés massacrados. - sorrio e ele continua:
- Exagero seu. Na verdade, a gente sempre encontra o ritmo quando estamos assim, perto um do outro.

2 de dez de 2015

Eu nunca sei o que estou sentindo.

Me falta o ar.
Eu nunca sei o que estou sentindo.
Olho pro meu passado e não sei se fico feliz, ou se fico triste.
A vida era confusa, cheia de erros, é claro. Mas lá eu me identificava.
Certamente eu estava quase sempre rodeada de amigos que não é amigo, mas eu lutava com isso todos os dias e estava bem.
Ora, alguém bateu na minha porta, com a mais bruta força, e eu abri tão rápido que não pude me despedir.
Aqui estou eu, vivendo uma outra vida, com uma nova história. Eu não sabia, juro, não sabia onde tudo ia dar, mas arrisquei sem medo de errar.
A luz que me rodeava era tão reluzente, esqueci por algum tempo quem eu era, ao mesmo tempo que me encontrava.
Se parece confuso pra você imagine pra mim, que tento explicar nossa história, mas não sei se tem um fim.
Eu nunca sei o que estou sentindo.
Nossas risadas eram verdadeiras, mas você não me parecia real.
Eu meio que duvidei do futuro e tudo que tínhamos ali. Sim, foi momentâneo. Cada passo seu dado, eu recuava dois.
Eu me escondia na concha e você nem percebia, então se era mesmo isso, que falta eu faria?
Sempre senti que o mundo era sustentado por uma única pessoa. As conversas desapareciam se era só eu e você.
Aos sorrisos tímidos, a relação era desconexa. Havíamos chegado à algum lugar?
Me desculpe se entendi errado. Eu via que não me encaixava ali.
Eu nunca sei o que estou sentindo.
Agora lembrando tudo, creio que encontrei mais alguns erros e mais alguns motivos. Era você ou era eu?
Não, era a vida. Ela não quis que eu acordasse para lhe dar bom dia, nem que tivesse mais alguns anos para verificar. Ela me arrancou daquela ilusão e é por isso que eu escrevo, é por isso que eu tento.
Só a gente consegue entender. Só a gente consegue sentir.
Mas na verdade, eu nunca sei o que estou sentindo.

19 de nov de 2015

Outra vida

Hoje peguei um ônibus em um horário que não é o de costume, e decidi observar todo o caminho, observar o que geralmente deixo passar despercebido. Comecei a andar de ônibus depois que se foi. Não consigo ficar em lugares confinados, sozinho com tua ausência. Ver pessoas vivendo me distrai. Mantém minha sanidade. Não sentei, fiquei em pé sendo embalado por cada obstáculo do percurso. Baixei os olhos e em uma cadeira a minha frente vi uma garotinha sentada com sua mãe, ela estava de lado, de modo que podia olhar para a mãe e que pôde olhar pra mim. Devia ter 3 ou 4 anos de idade, me desculpe, não sou bom em dar idade a alguém. Mas ela lembrou-me como nossa filha seria. Ela possuía os teus cachos loiros, e uns fios negros, afinal, ela seria nossa filha, tinha que existir algo meu também, certo? Em um momento ela olhou nos meus olhos e sorriu. Os olhos dela continham o mesmo brilho que os teus sustentavam. Olhou e sorriu como se soubesse o que eu estava pensando, como se compreendesse que era nossa filha. Aquela que nasceu, mas não pude ver crescer, aquela que ainda vou conhecer quando me juntar a vocês. Lembrei dos planos que fizemos para o nosso pequeno anjo, para nossa nova família. Lembrei do dia que era pra ter sido o melhor dia de nossas vidas, mas que nos foi tirado no parto, e o dia acabou se transformando em um grande borrão. Como os dias que se seguiram, como os dias que ainda me seguem. Mas quando a garotinha dos cachos loiros olhou-me e sorriu, algo aqui dentro mudou, salvando-me, como você salvou em vida. 
Resolvi escrever para dizer que estou cumprindo com o que prometi, aos poucos, confesso, mas estou vivendo. Ainda vou encontrar vocês, não nessa, mas em outra vida. Estranho?! Eu sei, mudei de religião. Precisa existir outra vida. Preciso de vocês.

13 de nov de 2015

"Doce", mato, arco íris, ironia e breu

E lá estava eu.
Naquela noite escura e fria, e chuvosa. Onde eu olhava para todos os lados e só via lavrados e raios e lavrados, mais raios. A escuridão me perseguia na caminhote roubada que eu e meu irmão herdamos do meu pai há algumas semanas. Sua morte: foi enquanto o Jake e sua turma assaltavam um mercado, meu pai havia acabado de roubar um caixa eletrônico (do outro lado da rua), eles eram de gangues rivais, mas meu pai era um homem bom.

Eu olhava pra trás certificando-me sempre de estar só e via breu e mais nada. Um dos faróis, o direito estava falhando (aposto que foi Jhon quem o estraçalhou) e o esquerdo também estava muito fraco. Mas, ainda assim eu via a estrada e a faixa amarela contínua no chão mal sinalizado. No horizonte, junto aos raios, estavam grandes olhos de tigre, que me perseguiam, onde quer que eu fosse.  Nunca fui uma boa motorista, e admito, sou um pouco barbeira.

Mas, eu tinha que enfrentar tudo aquilo. Eu tinha que chegar à casa de Jason. Tinha que salvá-lo. Não porquê morria de amores por ele. Não! Isso nunca! Mas, porque era minha obrigação. Eu tinha causado tudo aquilo. Eu já havia matado antes. E não podia errar de novo. Não se eu quisesse salvar minha alma do Inferno.

Mas, em meio aos meus devaneios eu não o vi. Não vi o cara que saíra do asfalto em poucos segundos. O cara que bateu no meu carro, e manteve os pés no chão, massacrando o asfalto e o capô do meu Prior608 enquanto eu acelerava, na fútil tentativa de matá-lo pelo susto que me dara. O meu lado maligno se divertia.

A garotinha que existia dentro de mim, gritava. Um grito tão profundo, tão .... Intenso. Achava que estava prestes a perder a vida. Mal sabia ela que logo seria como ele. Imortal, perfeita, mortífera e letal. E é quando acontece....!

Qual nome dar-te-ei?

Eis aqui a introdução de um inócuo, belo e misterioso livro.

Um ponto de interrogação. Um quadro negro. Um breu. Ou mesmo um quadro branco. Quatro paredes brancas em uma prisão.
Acho que você é como as pinceladas de um artista em uma tela novinha! Elas são surpreendentes. Mesmo quando achamos que já vimos de tudo.

Você é um quadro abstrato. Não quero te entender. Mas  esse desafio me atrai. Ao ponto, onde estou. Vem sorrir pra mim. Talvez até me iluminar.
Não quero nada além da sua voz, e das estórias que tem pra contar.
Surpreenda-me, e mais que isso: me ama, garotinho. Reciprocidade.

9 de nov de 2015

Morte lenta

É sufocante.
É proibido.
Te quero.
Não posso.

Um abraço.
Caindo.
Palavras.
Um beijo.

Proibido.
Não poder.

Adeus.
Devo dizer,
Mas, não consigo.

6 de nov de 2015

Falta de ar

Sonhei com você essa noite. Um sonho diferente dos que estava acostumado a ter, mas ainda assim, sonhar com você sempre me tira risos durante o dia. As pessoas devem pensar que sou louco, completamente doido, mas isso nunca me privou de continuar sorrindo.
No sonho eu estava preso com você, eu não podia sair e você não podia me expulsar. Estávamos ali, respirando o mesmo ar  e isso não mudava nada, era como se ainda olhando nos teus olhos, toda essa distância que temos agora, permanecesse, como se ela se instalasse nos olhares. E na verdade nem isso você queria. Você fugia, não falava, não olhava, não escutava. Você queria me expulsar dali, e se pudesse o faria. Eu entendi e te dei o espaço que nitidamente queria, mas algo nos obrigou a ficar mais perto um do outro, não lembro o que era. Você exalava inquietude, como se a qualquer momento fosse sair correndo dali, mas não podia e então, em questão de segundos tudo mudou, você me encostou na parede e jogou tua boca contra a minha, como se toda aquela inquietude fosse falta de ar, e todo o ar se encontrasse nos meus lábios. E eu sorri, no sonho, e depois dele.

26 de out de 2015

Bonito é Amar!

Bonito é Amar!

Não é feio amar.
E muito menos transbordar Amor.
Feio é não poder demonstrar,
e se envergonhar do próprio Amor.
Que horror!

Feio é querer controlar a quem me dou
Feio é querer perseguir,
agredir
Buscar desmerecer aquela que não seja a tua concepção de Amor.

Bonito é amar!
E se doar por inteiro.
Buscar ser feliz,
Guardar o coração em outro peito.
O belo é amar! Larguem a mão de ser feios!!

Nota do Autor:
Cria do Enem 2015, após terminar a prova, enquanto esperava para poder sair com o caderno de questões. Os rascunhos irmãos desta poesia vão aparecer ao longo do mês de novembro, fiquem de olho.

22 de out de 2015

Ei.

Ei, ei, ei meu amor, eu tô com saudade. 

Faz éons que a gente não se fala, de verdade, coisas aleatórias, coisas sérias, coisas do dia a dia, quando foi a ultima vez?
 Faz tanto tempo. 

Quem é você?
Quem sou eu? Quem somos nós?
Sera que minha tristeza é saudade de ti?
Será que estamos separadas pra sempre? Sera que só o pior está por vir?
E se estiver, você vai continuar comigo. 
E não é uma pergunta ou algo assim, é uma afirmação. 
Porque meu amor, você é minha e eu sou sua, e nós no fundo sempre saberemos disso; mesmo que não casemos, mesmo que tenhamos filhos de outras pessoas e dai? 

Quem disse que estando junto é que se pertence? 
Não sei como serei daqui a dez anos, mas sei como quero ser. 

E sei que boa parte do que eu quero ser hoje e sempre, é sua.
Sua qualquer coisa e principalmente seu nada, não dou atenção, não te cuido como antes e sou uma vadia preguiçosa, o drama existe muito e a grosseria também, a incerta sobre tudo sempre presente, mas no fundo a minha certeza é a gente. 
Então, meu pedaço, aguenta firme, guarda os pulsos, e as lagrimas, te evolui, te aprecia por mim, te cuida, por nós. 
Mesmo que o nosso ''nós'' esteja mais pra eu e você, longes, distantes e desconhecidas.
Não sei quem é essa Manuela, e não sabes quem sou eu, mas e dai? 

Sei que eis meu passado, presente e futuro.

Nós valemos a pena.
Então, calma coração e aguenta firme e forte, como uma amazona.
Eu te amo, lembra disso tá? 

16 de out de 2015

Só Mais Uma de Amor

Os buritizais,
Os cajueiros e o capim crescendo.
São apenas precedentes, mesmo que em sua majoritária beleza, ao que estar por vir:
O pôr do Sol, transformando o céu azul em um rosa infinito, e as nuvens brancas, nos mais variados tons de laranja.

Isso tudo me encanta, me apaixona, é Roraima.
São seus lagos, rios, foz, nascentes, Serras, Pedras, montes e corações.
Corações de quem mora aqui, quem nasceu aqui, ou veio pra cá e se apaixonou por esta terra.

15 de out de 2015

Parede de Vidro

Te olho através do vidro. 
Te olho e te admiro daqui, do outro lado.
Quero sentir o calor que vem da tua respiração e tudo o que ganho é uma visão distorcida de ti, já que tua respiração embaça esse vidro. Minha respiração quente e essa distância fria condensam a saudade e ela escorre, escorre mas não atravessa o vidro, fica contida aqui, comigo.
Te olho profundamente, mas não consigo atravessar nem a superfície desse maldito vidro.
Grito daqui que te quero mas o som chega aí em um sussurro e a intensidade se perde entre o vidro, e você nem imagina o quanto te quero.
Ao teu redor tem pessoas, no seu lado do vidro, e eles passam por ti sem se darem conta do tamanho da sorte que possuem, sorte por não estarem comigo, desse lado do vidro.
Te olho através do vidro e sei que esse vidro te corta, te atravessa e te divide no meio, te deixa vivendo pela metade, metade sonho e metade realidade.
Te olho através do vidro e te olhar cortada assim me corta também. Então, vai menina. Descongela teu tempo e te afasta do vidro.
Te afasta do vidro, esqueça as metades e viva por inteiro.
Te afasta do vidro, mas menina, deixa o coração aqui. Deixa ele aqui perto do vidro, porque ainda preciso vê-lo pulsando enquanto atravesso esse vidro. Porque um dia eu vou conseguir atravessar esse vidro maldito.Vou atravessar e descongelar o tempo do teu e do meu coração.
Preciso do teu coração para ter algo que te entregar quando meus passos se acertarem com os teus.
Te olho através do vidro e confesso que peço para deixar o coração porque tenho medo.
E o meu medo é que conforme se afasta do vidro se esqueça que tem um coração do outro lado, pulsando por você, e que acabe entregando o teu coração a outra pessoa.
Te olho através dessa parede transparente e desejo te olhar olho no olho, desejo pele na pele, eu e você do mesmo lado do vidro.

6 de out de 2015

Eu te amo: gesto ou cumprimento?

  Hoje em dia as pessoas não estão dando valor às coisas mais preciosas da vida. Sabe por quê? Um ''Eu te amo'', virou um simples ''bom dia''. Um beijo na boca virou um simples gesto de ''pegação'' e não de amor. Um abraço virou um simples aperto de mão diário. Amizades que foram tão bem cativadas ao longo dos anos viraram relações falsas, cheias de inveja e mentiras. Eu, sinceramente, nunca     acreditei nessa história de que ''princesas'' precisam de um ''príncipe'' ao lado para serem realmente felizes.   Um dia vi um pequeno texto e nele dizia que garotas são como maçãs em árvores. As maçãs mais fáceis ficam no chão ou no galho mais baixo e a maioria dos garotos só tentam pegá-las. Só que também existe a maçã mais difícil, que é a que fica no topo da árvore e só o garoto mais corajoso terá a atitude de subir para ir busca-la.  Com o passar do tempo, o amor virou uma palavra simples de se dizer e não mais um sentimento profundo que temos a partir do momento em que olhamos para aquela pessoa especial. perceber ia que quando olhamos para a pessoa que amamos, nossas pupilas dilatam? Pois bem, isso acontece. Poucas pessoas ainda sabem o verdadeiro valor de uma paixão. Poucas ainda sabem o valor de uma amizade. Afinal de contas, a amizade também é um tipo de amor.
   Eu sempre vejo em redes sociais pessoas dizendo que se "amam" mais do que tudo no mundo, mas na verdade, só falam isso por falar. 
 Já vi garotas de 12 anos, com garotos de 16, garotas de 15 com caras de 20 anos. Mas isso não importa. Na verdade, quando se ama alguém a idade não importa. 
  Sabia que no romance "Romeu e Julieta" Romeu tinha 17 anos e Julieta tinha 13? Bom, como se pode perceber eles eram bem novos, mas mesmo assim tinham uma grande paixão um pelo outro. Esse romance é um dos mais famosos do mundo e já tirou lágrimas de muita gente. Tenho certeza.
   Mas afinal, ''amar'' significa apenas beijar na boca e namorar? Claro que não! Ter amigos e xinga-los sempre que possível (risos) também é um gesto de amor. Mas ainda assim, não acredito muito no amor da amizade, pois já fui traída tantas vezes que poucas ainda fazem diferença em minha vida.
   Bem, se você não tem um namorado ou uma namorada, você provavelmente deve ter amigos. Mas cuidado: ande sempre com um pé atrás em relação a isso. Confiança tem limites. Agora, se você não tem nenhuma dessas coisas que citei anteriormente, você com certeza tem pais. Ame-os com todas as suas forças, pois os mesmo lhe deram a vida, lhe criaram e lhe deram amor durante todo seu crescimento.
  Enfim, apenas não esqueça: ame como se todo dia fosse o "último dia". Ame verdadeiramente e nunca por falta do que fazer. Se você quiser ''amar'' outro alguém apenas por não ter mais nada importante para fazer, trate de lavar a louça. Isso é bem mais proveitoso do que ficar fazendo papel de idiota. :)

A inspiração é inconstante e imprecisa, mas definitiva.


Bichos.
 Isso é o que todos nós somos, isso mesmo. 

Mesmo sendo racionais, a nossas diferenças são que fodemos mais que os outros bichos, uns com os outros e com o planeta, somos menos fofos, mais bizarros e possuímos uma massa cinzenta estupenda.
Estupendamente estupida. 
Ó bela massa cinzenta, que nos faz pensar, pensar e pensar.
Tanto que chega a nos machucar.
Com tantos ‘Issos’ e 'aquilos’ quase nós enlouquece,se bem que nem sempre é quase.
E sequer pense 'E se', porque caso faça, tudo se transformara em um pequeno pesadelo que vai te consumir caso você não se permita faze-lo e ver no que dará. 
Dizem que devemos ser sãos, mas como haveríamos de ser tal coisa, se é na insanidade que mora o que nós tanto buscamos sem nem sabermos?
Ó pobre ser humano, que de humano pouco sabe e poucos são.

1 de out de 2015

Só Mais Uma do Cotidiano

Pisca pisca estrelinha
*pisca*pisca*estrelinha*
Sinto que a estrela ameaça se apagar.
Sinto que a estrela vai ter uma combustão espontânea.
Sinto que tudo isso deve doer.
Sinto sinto sinto que vai acontecer.
E.... se foi. (puffpuff)

29 de set de 2015

NOVA CINDERELA

E SE CINDERELA TIVESSE TOMADO ALGUMA ATITUDE?

Estou meio perdida,
não sei por onde ir
Meus medos me consomem,
me assustam, não me deixam sorrir

A porta já bateu,
estou aqui fora na chuva,
minha vontade era voltar
e encontrar alguma outra ajuda

Me lembrando de cada detalhe,
vi meu rosto esquentar
A inquietude era tanta
mas me lembro também que ninguém sequer quis escutar

Cade as pessoas que me criaram?
As palavras machucavam muito e saíam como fogo
Meu peito ardia de um jeito
e meu estômago rodava como um louco

A briga mais feia que já tive,
eu as queria respeitar,
dei a elas algum espaço
já não valia mais a pena ficar

Na visão alheia eu era capaz
eu ouvia dia após dia
"sua existência incomoda, nos deixe em paz"
e no momento era isso que eu queria

Madrasta raivosa,
nunca ousei lhe desafiar
Mas tudo tem o seu limite,
e ali não era mais o meu lar

Minhas irmãs estavam ali,
rindo por terem ganhado mais espaço
Eu saí sem nada, sem comida
 no cabelo só um laço

Até mais, queridas irmãs
fui procurar algum futuro
talvez aviste algum príncipe
a quem dedicarei meu mundo

Já não lhes devo meu serviço
talvez um dia topemos
mas desejo-lhes melhoras
dessa vida triste, de venenos

28 de set de 2015

A Bendita Bomba

BOOOOOOOM!!! 
Aquela mensagem foi como uma Terceira Guerra Mundial,
só que invés de países, eram as minhas emoções, e invés do mundo, era eu

Como aquilo era possível? Tal gesto,
 tais palavras,
 tamanha grandeza. 

O ser humano não é assim. 
Não é não. Não é tanto assim. Tanto tudo isso. 
A ideia era pra ser simples. Mas, há complexidade. 

Nunca imaginei que duas palavras provocariam uma tsunami, no meu coração. E o sangue jorrava. 
E o sangue beijava os meus lábios e a terra plana do chão, ahhh, tão receptiva.
Eis que li: Te Amo.
 
E a cena que se sucede, é o meu infarto,e o meu sutil apagar do mundo, minha hemorragia interna e externa e tudo, e minha combustão espontânea do universo. Sou, ou era, uma bomba relógio, mas também, um ser humano, que abraçou a morte, e deslizou direto e direitinho para os seus braços.

*O Cisne Negro do Discurso*

:flashes: flashes: dia de glória: 

O emocionante foi subir ao palco, 

Encarar o público,
Sentir um gostinho de língua cortada,
E sentir o meu corpo no automático. 

Se expressando nas mais belas curvas e pliês,
Nos mais belos saltos e beijos no chão, 

Abraços no ar, o corpo girando, os autofalantes a cantar,
Como num aplauso a minha dança. 
Como numa veneração a algo tão forte que eles jamais puderam imaginar:
 a emoção;
 expressa no corpo, na face e na alma. 

As luzes se apagam, a cortina se fecha e o barulho de palmas ao se chocar parece o som mais relaxante que já ouvi em toda minha vida. 

Durmo. Sorrio.

26 de set de 2015

Presente

No dia do meu aniversário você apareceu
E me desejou felicidades.
Naquele momento eu não sabia,
Mas havia ganhado um dos melhores presentes que Deus podia ter me dado,
Ter você em minha vida.
Ter você lado a lado.

Não imaginava que você se tornaria o que você é hoje para mim.
Um presente que aos poucos fui descobrindo o significado,
Sempre com uma sutileza invejável,
Um presente surpresa inigualável.

Você foi me cativando,
Com seu jeito foi me conquistando,
Falando sempre de forma doce,
Suave.
Sempre gentil.

Mas você foi mais do que palavras,
Você foi atitudes.
Sem pressa fez do tempo seu melhor amigo,
Sem pressa foi tornando-se cada vez mais meu amigo.

Isso foi o que mais me impressionou,
Nossa amizade.
Em pouco tempo
Nos tornamos tão íntimos,
As conversas fluem naturalmente
e parecem nunca acabar.

Estar com você sempre me faz bem,
E não digo só fisicamente,
Apesar da distância que nos separa
Você se faz sempre presente.

Foram muitas manhãs,
Tardes, noites e madrugadas,
E mesmo assim eu não me canso de estar com você,
Quero sempre mais.
Quero mais de você,
Quero mais de "nós".

Isso me amedronta,
Não quero correr o risco de perder sua amizade,
Não quero correr o risco de perder
o que temos,
Não quero correr o risco de perder você!

Tenho medo de estar vivendo um sonho
E de repente ser acordada pela realidade.
Tenho medo do futuro que estar por vir.
Tenho medo de estar dando um passo maior que minhas pernas,
E cair.

Mas é isso o que você faz comigo,
Você me faz acreditar que posso sempre mais,
Você me dá segurança,
Enche-me de esperança.

Com você é tudo diferente,
Foi assim desde o começo,
E permanece até hoje.
Apesar de ter vivido outras experiências,
Isso é novo,
O que você me faz sentir é novo.
E como uma criança que nada sabe da vida,
Aqui estou eu novamente,
Reaprendendo a viver,
Reaprendendo a confiar,
Reaprendendo a amar.

Segure a minha mão
E me ensine a dançar novamente,
Pois tudo o que aprendi se foi
Quando olhei em seus olhos,
Tudo se fez novo quando sorriu para mim.
Segure a minha mão
E me puxe para perto de ti,
Dance comigo.
O tempo para,
E tudo se resume a você e eu no mundo.
Nosso mundo.

Hoje é o seu aniversário
E não encontrei nenhum outro presente
Que fosse suficiente para dizer o quanto
Você é especial para mim,
Somente essas palavras que saem sinceras do meu coração.
Quero te fazer feliz,
Como você me faz,
Quero te fazer se sentir especial,
Como faz a mim,
Quero te fazer único,
Como sou para você.
Quero que se sinta amado,
Como me sinto quando estou ao seu lado.

Mas o presente que mais queria te dar hoje,
O meu maior tesouro,
Já não posso dar.
Já não tenho mais meu coração,
Porque você já o tomou para si.

E se depois de tudo o que foi dito,
Se todas essas palavras não foram suficientes para você entender,
Se ainda não ficou claro,
Ou se resta alguma dúvida,
Então a resposta é sim,
Você foi uma das melhores coisas que já me aconteceu,
E sim,
Estou completamente apaixonada por você!

25 de set de 2015

Facebook

Me desbloqueou do
Facebook,

E junto desbloqueou 
Meu amor,

Meus sentimentos,
Alguns ferimentos,

E agora?
Fazer o que?
O que ela quer?

Falar, me stalkear ou apenas 
Me seguir,

E agora fazer o que?
Ignorar, bloquear,

Apenas fusar ou comentar,
Mas que duvida matadora,
O que ela quer?
Me enlouquecer ?
Me perturbar 
ou talvez me amar?

Mas por quê?
Por que meu bem? 
Por que amor? 
Por que você 
Me desbloqueou?

A Estrada Dentro de Mim

O céu estava branco, a estrada parecia sem fim. Quanto mais andávamos, mais o tempo passava, e não chegavamos (eu e o breu) a lugar algum. 
Eu andava sozinha, com um vestido branco, em meio ao lavrado, a chuva começava a cair meticulosamente. Parecia até mesmo uma trama para o início do grande espetáculo num teatro, só que invés de um teatro era aquela clareira, e invés do espetáculo era o que estava por vir. 

- Eu esperei. -

Esperei por muito tempo, pareceram horas, mas, realmente, não tinha como eu saber. Sempre de guarda alta. Guarda alta. Tomando cuidado. Desconhecido. Muito cuidado.
E foi quando... Finalmente, dormi. 
Ouvi algo, e sorrateiramente, comecei a abrir os olhos, levantando rapidamente.
Foi quando, então, pela primeira vez, na vida... Que... Me surpreendo com o que me deparo... Em um abismo.

24 de set de 2015

Centella Dorada

Centella dorada que 
Atraviesas vidas,
Tráeme suerte 
en luces pasajeras,
No dejes que el espacio 
Se escurra con tu amor,
Ni que lo oscuro  apague la línea 
Directa entre nosotros dos;
Dame más palabras para escribirte
E inmortalizarte en cualquier hoyo negro,
O decirle a la ciencia que somos posibles,
No me importa si en la teoría de Darwin  
Solo uno de los dos sobrevive,
O si en las humanas somos seres líquidos pos modernos,
También no me interesa si tu luna no se alinea a mi signo,
O si las matemáticas no pueden hacer nuestro teorema,
Deja que la leí de la relatividad responda nuestras dudas,
O que la biología molecular explique cada una,
Al fin todo se resume 
A una centella de líquidos de "saudade".

Nudez, Intelecta nudez

Você só foi mais um capítulo, cara.
Eu não gostaria de ter me decepcionado
ter arrancado sua
máscara
ter tirado suas
roupas...
Me arrependo de me despir pra você.

23 de set de 2015

Inspiração quando vem nem sempre convêm


Ué, dissesse ‘Sou obrigado(A)?’
A respirar deve ser.
A excretar, quem sabe.
A urinar, também.
A comer, talvez.
Porque essas as únicas coisas as quais
 realmente eis obrigado(A).
O resto saiba desde já que é pura invenção do sistema e dos seus pais. 
Afinal de contas, a não ser que estejam com uma arma apontada o tempo todo pra ti você não é obrigado(A) a nada, e claro mesmo assim é escolha sua. 
Fazer a vontade da pessoa que te fez refém, já que se quisesses mesmo não fazer o que está imposto, a morte seria tua escolha, ao invés da vida de cativo(A).
Liberdade ou morte, meu amigo(A).

22 de set de 2015

Liberdade medíocre (?)

Vejo pessoas livres, porém presas em seu próprio mundo, onde acham que a mediocridade é o suficiente para existirem como seres pensantes. Digo mediocridade em todos os sentidos. Não só em conhecimento, mas principalmente no amor pela vida. 

Meu pai sempre diz que viver é uma arte e pelo visto, o mundo esqueceu de se "auto-colorir".Talvez seja porque o amor é alérgico à vacuidade e a arte de viver é inimiga da falta de criatividade. É como Roberto Carlos diria: "é preciso saber viver". Será mesmo que estamos cumprindo isto? Fica a seu critério responder.

Agora... Um poema fúnebre e alegre.

Aprendi que a morte não bate na porta. 
E não tem hora pra chegar. 
Foi numa noite chuvosa. 
Que vi o fio da meada cortar. 

Era uma loucura. 
Tudo num turbilhão. 
As emoções em figuras. 
Rostos de desconsolação. 

O que pudemos fazer, fizemos. 
O nosso melhor. 
Eu o amava, e só de querer... Enchia três baldes num só.

Tudo estava a flor da pele, tudo bem inseguro. 
Todos mudos. Todos surdos.
Só haviam dores e vultos. 
Já não eram pessoas, talvez fossem sombras. 
E o inconsciente me domava, me preenchia, me desejava, borbulhava...
Não quero entrar nessa história! Só ficar a espreita. Quietinha.. 

Tarde demais! A história já está em mim.
Meu meu meu meu,  e se foi.... 
Não mais meu. Só de Deus. 
Se foi. Sorriu. Não mais as dores. Adeus, sofrimento. Adeus. Eu os amo.

Eternamente.

20 de set de 2015

Atleta.... só que da morte

Correr. Correr.

Eu só penso em correr desse lugar. 
Correr dessas pessoas. 
Correr dele. 

Ele me machucou, cravou um punhal no meu peito, pisou nele e riu de escárnio da morte onipresente. Eu corro pelas ruas em meio aos carros.

Loucamente.

Fugindo dele. 
Mas, preparando aqui dentro de mim minha vingança. 
Treino em meio aos choros e lágrimas: minha risada maligna e de escárnio de tal vida. 

Quando eu arrancá-la

 o show se iniciará.

Sopa de pedras


Hoje eu me entrego a essa sopa de pedras
memórias pra fora, sentimentos pra trás
agora é fogo na lata, o resto nem lembro mais

Só lembro da dor que é passar o dia
juntando dinheiro de forma honesta
vagando pedindo, trabalhando, e não roubando

Chego no mercado, ganho um companheiro
que só por causa do meu cheiro
acha que vou roubar
-Você me viu vigiando carro a manhã inteira
ainda pensa que eu penso que quero te assaltar ?

Escolhi esse local
por causa da freguesia
por causa da pessoa que quero me tornar um dia

Visível invisível
vagabundo proletário
Agradeço pela esmola
mas desejo um salário

Hoje eu me entrego a essa sopa de pedras
memórias são historias, sentimentos lá pra trás
agora é fogo na lata e o resto nem me lembro mais.

Salvador Dalí

- Dalí!
- Daqui?
- Não, Dalí!
- De lá?
- Não porra, Dalí, Salvador Dalí!
- De onde é esse Salvador?
- Da Bahia...
- É conterrâneo de mamãe?
- Não, foi ironia, ele era catalão.
- Catador de pão? Tadinho, era mendigo?
- Ai caramba... Não, significa que ele nasceu na Catalunha, fica na Espanha.
- Mas era mendigo então.
- Não, não, não. Nada de mendigo, ele foi até Marquês!
- Úia, fala mais.
- Ele também foi pintor, escultor, fotógrafo e poeta. Olha aqui uma foto do cara.
- Marróia...
- Quê?
- Esse bigode dele, parece aquele dos vilões que amarravam as mocinhas em trilhos de trem.
- Eita... Verdade.
- Te disse.
- E de onde tirou isso?
- Pica-Pau
- Ahh... Esse papo parece obra dele... Surreal.
- Hã?
- Lembra aquele quadro que te mostrei no museu? Dos relógios derretidos?
- Estilo retrato de Boa Vista ao meio dia?
- Exato.
- O que tem?
- É dele, se chama A Persistência da Memória. esse tipo de arte é chamada Surrealista.
- Sério?
- Aham. Ele também colaborou em dois filmes. Um com Walt Disney, chamado Destino, que é um curta animado. E outro com Alfred Hitchcock, de suspense, Spellbound.
- Ai, eu quero ver, tem como?
- Tem, baixei pra gente ver.
- Oba, então bora.
- Bora.
- Pra onde?
- Alí.

E foram.

Rastros de amor

Pegadas na areia.
Trajeto inigualável.
Amor por inteiro.
Mãos entrelaçadas.
Seus sentimentos são como o mar.
Misterioso.
Lindo.
Gigantesco.

Assim como seus corações.

19 de set de 2015

Correnteza


Houve um ontem,
Existe um hoje,
E o amanhã é apenas um desejo.

Ontem você estava aqui,
Hoje não está mais,
E no amanhã é apenas um desejo.

Como chegamos a esse ponto?
Dissemos um para o outro que não deixaríamos isso acontecer.
Que íamos nadar não importando a intensidade da correnteza.
Que não íamos parar...

No final das contas aquilo não passou de uma simples ondulação no mar,
E mesmo assim não fomos capazes de sobreviver a isso.
Você soltou a minha mão,
E se deixou levar pelo mar.

Queria ter impedido você!
Queria ter segurado sua mão com mais força,
Mas eu não podia.
Forças eu não tinha!
Não podia manter você e eu na superfície,
Você parou de nadar
E eu não podia nadar por "nós".
Você me levaria
E eu me afogaria também.

Não foi fácil ver a água inundar você,
Não foi fácil ver você partindo.
No instante em que você soltou minha mão,
Soube que você não voltaria...

Soube que não estava perdendo você para outro alguém,
Soube que estava perdendo você para o mundo.
Um mundo tão escuro quanto aquela noite,
Um mundo tão frio quanto o frio que me tomou o corpo depois que você se foi.

Tentei te dizer,
Mas você se recusou a ouvir.
Tentei te mostrar,
Mas seus olhos estavam focados em outra direção.
Tentei te salvar,
Mas não era salvação o que você queria.

Perdi a batalha.
Perdi você.
Mas não no momento em que minha mão você soltou.
Perdi você no caminho,
Mas não sei em que parte dele você ficou para trás,
E agora não faz mais diferença,
Não posso mais voltar para buscar você.
Acredite, eu queria.
E eu voltaria!
Mas você não está mais lá...

Queria recomeçar com você ao meu lado,
Queria poder segurar sua mão.
Queria sentir seus braços ao redor do meu corpo
Quando todo o mundo que me cerca caísse.
Queria que meu coração começasse a bater com a mesma intensidade
que ele batia quando te via.
Queria ouvir você sussurrar no meu ouvido
que me ama antes de eu adormecer,
Como costumava fazer.

Mas não faz mais diferença porque agora
Estou de frente para a sua lápide,
Porque agora é com sua lápide que converso.
Queria poder olhar em seus olhos e dizer,
"Eu voltei meu amor!"
Voltei para te buscar,
Mas você já havia pulado,
Você pulou e não olhou para trás.
E tinha que dizer,
"Eu estava lá".
Eu corri até você, mas não consegui chegar a tempo.
E agora isso não faz mais diferença, porque você se foi,
Não só do meu mundo
Ou do nosso mundo,
Você se foi da vida.
Para o mundo a sua partida não passou de mais uma.
Mas para mim,
A sua partida foi a morte de uma parte daqui, de mim.
Naquela noite fria eu também morri.

E eu tinha que vir aqui,
Tinha que falar com você,
Tinha que colocar essas palavras para fora,
Porque elas estavam me afogando.
Porque apesar de você ter me deixado,
Suas lembranças permaneciam aqui.

Está tudo em preto e branco, meu amor, desde que se foi.
Não posso mais conviver com todos esses sentimentos,
Não posso mais conviver com toda essa dor.

Precisava vir aqui e dizer "Adeus",
Porque preciso realmente deixar você partir.
Não queria,
Mas preciso fazer isso,
Meu coração precisa voltar a bater.

Eu amava você,
Ainda amo,
E sempre amarei.

O meu tempo acabou,
Preciso ir,
E você precisa me deixar.
Te trouxe uma flor, aquela, a que tu sempre disse que tinha cara de:

“Foi bom enquanto durou.”