24 de set de 2014

Casualmente Pensando

E me veio aquele leve arrepio pela milésima vez naquela tarde, e eu sabia, sabia sim, sem nem mesmo vê-la que ela estava por perto... Sabia que em minha nuca fitando-me estavam seus grandes olhos azuis, azuis da cor das águas profundas do oceano. Ah! Aqueles olhos ... Neles eu poderia navegar por anos a fio naquele imenso Mar, aquele mar azul, sem rumo. Ou até mesmo, voar, me atirar de um penhasco e me jogar ao léu, naquele imenso céu azul, onde tudo é lindo. Onde eu poderia beijá-la e fazer o tempo parar naquele instante, bem ali naquele instante. E onde  o simples fato de eu nunca ter falado com ela não tivesse a menor importância porque ela retribuiria meu amor do mesmo modo que eu, sem pudor algum, e com todo o líbido daqueles sedutores lábios, banhados num vermelho intenso, cor de sangue. Aquela boca poderia ser a causa da minha morte, e eu não mais ligaria. 
Quando eu levanto da cadeira e a olho, cheio de coragem para dizer (enfim dizer!) que eu era seu anjo da guarda. Que eu a amo mais que meus próprios pais, e que amaria pra sempre. Pra todo sempre.  Eternamente sempre. Um sempre tão infindo e profundo que seria um poço sem final, e tão misterioso quanto um buraco negro. Algo tão ... tão meu. 
Mas, então o sonho acabou e eu acordei molhado. Percebi então que tinha ido parar na praia, à beira do mar. Com o corpo dela, a gloriosa deusa dos meus sonhos, inerte em meus braços. 
O QUE EU FIZERA?