28 de set de 2014

Aos que ainda

Aos que ainda 
não dizem a verdade.
Aos que ainda falam sem pensar.
Aos que ainda 
não sabem quem são.

Quem não amam
Que amam
Que abraçam

Que matam os perdidos
Que salvam os amigos

Aos que esquecem de sorrir
Aos que sorriem
E os que vivem
Choram
E choram sem pedir

Aos que encontram
e se perdem

Aos que medem a loucura 

Aos que amam...

E aqueles que sonham,
uma noite feliz.
Um descanso e nada mais.

25 de set de 2014

Problemas, confusão, loucura.

Fui buscar inspiração na lua,
de lá mal voltei.
Não conseguia tirar, em momento algum
A ilusão de retrair a mim minhas angústias!

Precisar ir a lua,
precisar espairecer!
precisar de um tempo, pra saber
como manejar a carga de explosões
triviais
banais
e que eternamente vamos aguentar!

oh, que coisa estapafúrdia!
não mereço ter um descanso?
certamente voltarei a lua!

Mas não entendo;
Como irei a lua?
com a carga de problemas
que terei de levar!
mas qual a necessidade de ir então?
ah, mais um paradoxo!

Vou parar de dar errado,
e relevar mais
aprender que o certo
é incerto.
deveria saber desde o início!

ah, onde estou com a cabeça?
nem rimas mais faço!
então desfaço, pra não desatar
o nó que me prende a meus problemas.
mas são muitos problemas pra pouca idade. 

realmente, acho que estou louco.

24 de set de 2014

Casualmente Pensando

E me veio aquele leve arrepio pela milésima vez naquela tarde, e eu sabia, sabia sim, sem nem mesmo vê-la que ela estava por perto... Sabia que em minha nuca fitando-me estavam seus grandes olhos azuis, azuis da cor das águas profundas do oceano. Ah! Aqueles olhos ... Neles eu poderia navegar por anos a fio naquele imenso Mar, aquele mar azul, sem rumo. Ou até mesmo, voar, me atirar de um penhasco e me jogar ao léu, naquele imenso céu azul, onde tudo é lindo. Onde eu poderia beijá-la e fazer o tempo parar naquele instante, bem ali naquele instante. E onde  o simples fato de eu nunca ter falado com ela não tivesse a menor importância porque ela retribuiria meu amor do mesmo modo que eu, sem pudor algum, e com todo o líbido daqueles sedutores lábios, banhados num vermelho intenso, cor de sangue. Aquela boca poderia ser a causa da minha morte, e eu não mais ligaria. 
Quando eu levanto da cadeira e a olho, cheio de coragem para dizer (enfim dizer!) que eu era seu anjo da guarda. Que eu a amo mais que meus próprios pais, e que amaria pra sempre. Pra todo sempre.  Eternamente sempre. Um sempre tão infindo e profundo que seria um poço sem final, e tão misterioso quanto um buraco negro. Algo tão ... tão meu. 
Mas, então o sonho acabou e eu acordei molhado. Percebi então que tinha ido parar na praia, à beira do mar. Com o corpo dela, a gloriosa deusa dos meus sonhos, inerte em meus braços. 
O QUE EU FIZERA? 

22 de set de 2014

Querido copo..

 Eu devia parar de pensar nela, devia parar de criar momentos que nunca vão acontecer, imaginar ela e eu em uma barraca, acampando... "puf" que besteira, ela nunca acamparia comigo, (um gole no copo de Vodka) Dói, toda noite dói, todo dia dói, toda tarde dói.
 Só de pensar minhas pernas tremem, são milhares de pensamentos que pensam a mesma coisa, todos! Todos direcionados à ela! Mas eu decido conviver com essa dor, porque não há nada que se possa fazer, simples.
 Há pessoas que se conformam com a pobreza, outras com um salário medíocre, já eu... Eu me conformo com a dor, com a luz apagada, com este copo, com o álcool dentro deste copo que rodo em minhas mãos, com este peso sobre minhas costas que me impedem de abrir as cortinas e me fazem esquecer que lá fora, talvez, há motivos para sorrir, mas para que sorrir se a gargalhada dela não estará presente, sem ela, é como sorrir sem motivo para sorrir... "puf" estou bêbado apenas 5 minutos e já estão saindo incriveis baboseiras de minha boca.
 Encarando este copo, eu percebo que esta droga deveria me ajudar, e não aumentar esta depressão que aperta meu coração entre o peito. Mas não é você o motivo destas lagrimas que escorrem em meu rosto querido copo... Não é ela também ... Sou eu... Eu e esta droga de habilidade de ser racional, esta merda de corpo que me permite amar!!

19 de set de 2014

Desejos de morte ...

Uma vez na vida, eu queria ter coragem. Coragem, sim. A coragem suficiente para dizer "Eu te amo incondicionalmente", ao meu verdadeiro amor, à minha alma gêmea. Dizer que " Por toda a minha vida te amarei". Gostaria de blasfemar, sem culpa por essas tão indolores mentiras. Mas já não posso lutar, contra a verdade. Não posso!  E isso me atormenta, me atormenta a cada dia, me atormenta a cada abrir de olhos pela manhã, me atormenta a cada respirar, me atormenta  bem no fundo d'minh'alma. Poderia eu, sim te fazer feliz, meu amo, se, meu coração não fosse d'outro homem. Se eu já não lembrasse, de seu toque em meu rosto, do afago delicado de seus lábios junto aos meus, e de seus lábios roçando minha pele seca. De nossos momentos secretos, das jurias de amor. Do doce sabor do pecado, do picante sabor da nossa vulgar mentira. Hei de dizer aqui, pois a frente de todos : Antes que ... Antes que me toques. Mate-me. Mate-me por dizer-vos. Mate-me por amar verdadeiramente. Amar verdadeiramente um homem, que nunca me pertencerá... Amar errado.

POW!

E foi só mais um corpo estirado ao léu , no altar da única capela da província de Tryon. O corpo frágil, vestido com a mais fina seda branca, agora não mais branca, mais de um vermelho carnal que partia de seu coração. Da mulher,da prostituta! Aquela alvejada por seu amado.

Virtudes e Indecências - Parte 20

[...]
-Não consigo fazer o enredo se desenrolar. - Ela disse isso com a voz firme, mas tão baixa que mal saiu. - Não paro de tentar reestruturar a cena. Voltei cedo. Nem cheguei a sair de casa. Dai decidiu sair junto com a gente esta noite. Nada funciona.
- Deise, vamos para a cozinha. Tomaremos chá e conversaremos! Ela aceitou a mão que ele estendeu, mas não se levantou. 
- Nada funciona porque é tarde demais para mudar o enredo.
- Sinto muito, Deise. Por que não vem comigo agora?
- Ainda não a levaram, levaram? Eu devia vê-la, antes...
- Agora não. 
- Preciso esperar até a levarem. Sei que não posso ir junto com ela, mas preciso esperar até que a levem. É minha irmã.
Levantou-se então, mas foi apenas até o corredor e esperou.
- Deixe-a - aconselhou Murilo quando o parceiro se adiantou. - Ela precisa disso.
Vinícius enfiou a mão nos bolsos.
- Ninguém precisa!
Já vira outros se despedirem de alguém que amava assim. Mesmo após todas as cenas, todas as vítimas e todas as investigações, ele não conseguia não sentir nada. Mas disciplinara-se a sentir o mínimo possível. 
Deise ficou ali parada, as mãos frias e cerradas uma na outra, enquanto levavam Daiane para fora. Não chorou. Enterrou-se no fundo de si à procura de sentimentos, mas nada encontrou. Queria a dor da perda, precisava dela, mas parecia que a dor tinha ido embora, se enfiado num canto e se enroscado em si mesma, deixando-a vazia. Quando sentiu as mãos de Vinícius nos ombros, não se sobressaltou nem estremeceu, mas inspirou fundo.
- Vocês tem de me fazer perguntas agora?
- Se estiver preparada. 
- Estou. - Deise pigarreou. A voz devia ser mais forte. Ela sempre fora forte. - Vou fazer chá. - Na cozinha, pôs a chaleira no fogo e depois ocupou-se em procurar as xícaras e pires. - Dai sempre mantém tudo tão arrumado. Só preciso lembrar onde minha mãe guardava as coisas e...
Interrompeu-se. A mãe. Teria de ligar e contar aos pais. 
Lamento, mãe, lamento muito! Eu não estava aqui. Não pude impedir. 
Agora não, disse a si mesma, mexendo nos saquinhos de chá. 
- Imagino que você não quer açúcar. 
- Não. 
Vinícius mudou de posição na cadeira, aflito, e desejou que ela sentasse. Embora os movimentos fossem firmes, Deise não tinha cor no rosto. Não fazia muito tempo desde que ele a encontrara curvada sobre o corpo da irmã. 
- E você? É o detetive Murilo, não é? O parceiro do Vinícius?
- Sim. - Ele pôs a mão no encosto de uma cadeira para afastá-la da mesa. - Aceito duas colheres de açúcar!
Como Vinícius, Murilo notou a ausência de cor nela, mas também reconheceu a determinação de prosseguir com aquilo até o fim. Não era tão frágil, pensou, como uma pedaço de vidro que se racha em vez de quebrar-se. 
Ao pôr as xícaras na mesa, ela olhou a porta dos fundos. 
- Ele entrou por ali, não foi? 
- É o que parece. - Murilo pegou o saquinho e colocou-o junto ao pires. Ela repelia a dor, e como policial ele tinha que aproveitar-se. - Lamento termos de falar sobre isso. 
- Não tem importância. - Ela pegou o chá e tomou um gole. Sentiu o calor do líquido na boca, mas nenhum gosto. - Não tenho muita coisa a dizer a vocês, na verdade. Dai estava no escritório quando saí. Ia trabalhar. Eram, não sei, 18h30. Quando voltamos achei que já tinha ido dormir. Não tinha deixado a luz da varanda acesa. - Detalhes, pensou, ao conter outra luta com a histeria. A polícia precisava de detalhes, como qualquer bom romance. - Eu ia para a cozinha e notei que a porta, a porta do escritório, estava aberta e a luz, acesa. Então entrei. 
Pegou de novo o chá e fechou com todo cuidado a mente para o que aconteceu em seguida. 
- Ela vinha saindo com alguém?
- Não. - Deise relaxou um pouco. Iam falar de outras coisas, coisas lógicas, e não da cena absurda além da porta do escritório. - Ela acabou de passar por um divórcio medonho e ainda não tinha se recuperado. Trabalhava. Não socializava com ninguém. Dai tinha a mente fixa em ganhar muito dinheiro para entrar na justiça e ganhar de volta a custódia do filho. 
Kevin. Amado Deus, Kevin. Ela pegou a xícara com as duas mãos e bebeu de novo. 
- O marido dela era Jonathan Costa. Dinheiro antigo, linhagem antiga, temperamento péssimo. - Deise endureceu os olhos ao tornar a olhar a porta. 
- Tem algum motivo para achar que o marido ia querer assassinar sua irmã?
Deise ergueu os olhos para Vinícius. 
- A separação deles não foi nada amigável. Ele vinha enganando-a há anos e ela contratou um advogado e um detetive particular. Ele talvez tenha descoberto. Costa é o tipo de nome que não tolera esse tipo de coisa. 
- Sabe se ele chegou alguma vez a ameaçar sua irmã? 
Murilo provou o chá, embora pensasse desejoso no bule de café. 
- Não que ela tivesse me dito, mas Dai tinha medo dele. Não lutou por Kevin a princípio por causa do temperamento do ex-marido e do poder que a família dele possui. Ela me contou que, certa vez, ele mandou um dos jardineiros para o hospital apenas por uma briga sobre uma roseira. 
- Deise. - Vinícius pôs a mão na dela. - Você notou alguém na vizinhança que a deixou aflita? Alguém veio à porta, entregar ou pedir alguma coisa? 
- Não. Só teve o homem que entregou meu baú, mas era inofensivo. Fiquei sozinha com ele na casa por 15 ou 20 minutos. 
- Qual é o nome da empresa? - perguntou Murilo. 
- Não sei... - Ela apertou os dedos. Sempre lembrava dos detalhes com facilidade, mas pensar agora era como tentar dissipar uma névoa. - Ágil e Fácil. Não, Rápido e Fácil. O nome do rapaz era, hum, Júnior. É, Júnior. Tinha o nome bordado em cima do bolso da camisa. Falava com sotaque puxado. 
- Sua irmã era professora? - quis saber Murilo. 
- Isso mesmo.
- Algum problema com outros funcionário da escola? 
- A maioria é de freiras. É difícil brigar com freiras. 
- É. E os alunos?
- Ela não me disse nada. A verdade é que nunca dizia. - Esse pensamento fez seu estômago revirar-se de novo. - No dia em que cheguei à cidade, conversamos, tomamos vinho um pouco além da conta. Foi quando ela me falou de Jonathan. Mas desde então, e durante quase toda nossa vida, sempre se manteve fechada. Posso dizer que Daiane não fazia inimigos, nem amigos, pelo menos íntimos. Nos últimos anos, levou uma vida limitada à família. Não tinha voltado pra a cidade por tempo suficiente para criar laços[...]

17 de set de 2014

Sacanagens temporais

O tempo é sacana, não há como negar, não mesmo. Quando queremos que ele passe logo, que uma determinada hora ou momento chegue, os segundos parecem se arrastar, nos torturando de modo sádico e íntimo. Ou até na situação reversa, quando queremos que determinada situação passe logo, ele passa bem devagar, se arrastando a passos lentos, lentíssimos, como se olhasse na nossa cara e dissesse:
- Calma amigo, to indo, devagarzinho, mas to indo, se avexe não.
Nessas horas, segundos, minutos, a aflição é braba. A tortura é tamanha que deve ir contra a Carta de Direitos Humanos, pô, deve ser contra a Convenção de Genebra!
E estou sentindo isso na pele agora, neste exato instante em que teço essas palavras. Quero que um certo sms chegue logo, quero que determinado momento me venha o quanto antes. Mas, só posso esperar, e ficar ansioso, e também pirar um pouco, mas no principal, só posso esperar, fazer o quê né?
Mas se pensarmos bem, é por causa dessa tortura que aproveitamos muito mais os momentos que esperamos quando eles chegam. Sem querer ser ou parecer um masoquista temporal, mas essa espera, essa ansiedade pelo momento, faz com que ele valha a pena, seja aproveitado de forma melhor, muito, mas muito melhor.
Agora que dividi minha ansiedade, com licença, vou voltar para a minha espera.