31 de dez de 2014

Devaneios

Palavras do Autor:
Faz um bom tempo que os escritores do blog postam apenas poesias na maioria das vezes, só vez ou outra que lembramos de escrever um outro tipo de texto, meu ultimo texto se não me engano foi uma poesia. Mas agora, resolvi atacar com essa crônica, quer dizer, ao menos eu acho que é uma crônica. Mais uma vez, resolvi mudar a aparência do blog (que os outros não reclame, coloque em discussão no grupo e poucos prestaram atenção). Talvez esse seja o último texto do ano, talvez não, espero que gostem de qualquer forma. E para encerrar as palavras do autor, analisei o que foi feito nesse blog nos seu tempo de existência, vamos melhorar. Fiquem agora com o texto, com os meus devaneios...

Seis horas da manhã, quase sete, acordado desde as quatro horas da tarde, e neste momento pensando “que merda de URL e título fui dar ao meu blog próprio?”, mas isso é coisa pra se resolver depois. É também o penúltimo dia do ano, e sobre isso só penso “e o Quico?” (sim, é assim que se escreve o nome do Quico do seriado Chaves que faz parte da infância de muitos, não é Kiko, esse se não me engano era o do KLB), é mais um dia apenas, podendo ser bom ou ruim, depende do que eu vou fazer com ele. Continuando com meus pensamentos, estou muito afim, mas muito afim mesmo de fazer um texto que tenha a seguinte fala para um dos personagens: “Mas eu tenho a sensação, que nós somos imortais. Nossa vida é emoção.” E como resposta, uma garota diga a ele: “Ainda bem.” Sendo essas falas, trechos de uma música da banda Ramirez, que gosto muito. E tenho toda a situação, o contexto desse momento bem arquitetado na minha cabeça, seria algo mais ou menos assim: Estão os dois sentados a beira de algo (ainda não decidi esse algo), Ele apresenta um leve cansaço, misturado com alguma relutância em entregar os pontos. Já Ela, está curiosa com a situação, e obviamente, Ele quer conquistá-la, são amigos a muito tempo, até mesmo tiveram algo quando estavam bêbados numa festa apesar de tentarem não levar isso em conta e quase sempre conseguirem. Existe algo entre os dois, e eles sabem. Ele quer dar vazão a isso, assumir o que sente, Ela não sabe bem se quer dar vazão, mas no fundo é o que ela mais quer (ser humano é bicho complicado, até quando a parada é ficcional!). Analisando isso que pretendo escrever não consigo não dar razão a Manuela quando ela diz que sou um eterno apaixonado, mesmo estando indiscutivelmente solteiro.
Engraçado… só tenho conseguido escrever se for em total silencio, como agora. Se ponho uma música de fundo, travo. Percebi isso há tempos, mas só agora me toquei que foi isso o que mais afetou o meu desempenho na NanoWriMo desse ano que tentei participar (NaNoWriMo é um esforço mundial em que escritores tentam escrever um livro de cinquenta mil palavras em um mês). O que para mim é uma prova de que virei um cara bem mais calmo, e bonzinho, do meio do ano pra cá. Isso, e o fato de que uma das coisas que eu mais disse de lá pra cá foi “Relaxe”, não pra mim, mas para aqueles que conheço. E acabo de decidir que preciso inventar um doce chamado jiromba, graças a uma conversa besta com um amigo, apenas para poder sair pela tangente. mas voltando a esse papo de “cara mais calmo” (esse texto é um oferecimento das aspas, que to usando a dar com pau), to aproveitando pra repensar muita coisa, e eu estar lendo coisas como O Guia do Mochileiro das Galaxia e Augusto Cury me faz pensar e repensar muito mais, o que pra mim tem sido ótimo. Dois mil e quinze (sim, não pretendo usar números neste texto) vai ser um ano bem interessante pelo visto. Estou mais calmo e com a mente a mil, o que me parece um tanto contraditório mas foda-se, tô nem ai, tá ótimo assim, talvez termine alguns textos que andei protelando e outras coisas que protelei também. Talvez. E agora, chegamos ao fim deste devaneio, quero voltar a ler A Vida, o Universo e Tudo mais. É revisar o texto e me despedir, mas antes, gostaria de compartilhar que enfim me livrei de algo que tava me incomodado tem bastante tempo, enfim encontrei uma palavra para a parte alfabética da minha nova senha! É só isso, tchau, e obrigado por ler.

10 de dez de 2014

TENHO CIÚMES

Teu corpo vou esconder,
tenho ciúmes do mar.
Ele, a ti, quer prender
e com Poseidon guardar.
Teu corpo vou esconder,
tenho ciúmes do vento.
Ele quer te levar.
Voar pelo firmamento.
Teu corpo vou esconder,
das flores tenho ciúmes.
Elas procuram obter,
a fonte dos teus perfumes.
Teu corpo vou esconder,
tenho ciúmes da lua.
Ela, vadia, quer ter,
o brilho da pele tua.
Teu corpo vou esconder,
tenho ciúmes do mundo.
O medo de te perder,
é meu temor mais profundo.

3 de dez de 2014

Os cordeiros e o abatedouro"



Os cordeiros deixaram de se contentar com o abatimento.
Os cordeiros não se contentam mais com histórias de um belo pasto verde preparado por um grande pastor que também faz parte da grande história.
Eles perdem seu senso de direção e se separam do rebanho.
Seguir um caminho que apenas "possivelmente" possa existir se torna doloroso para aqueles que se cansam de berrar para um pastor que sobretudo é apenas uma "possibilidade de existência "
O medo assume os dois lados de seus caminhos, acompanhado com insegurança e o abondono.

Suas lãs tomam um tom preto, para diferenciar a pureza da fé, da podridão da dúvida que os cerca, esta que os deixa inseguro para acreditar.
Ao invés de responder a dúvida, aquele que a provocou trata como um insulto.

Emaranhado de filosofia "caosdramática"



Os ser humano é um ser que não aguenta o fardo de ser racional.
Sente mil coisas ao mesmo tempo, mas se pedido para que se exprese no meio de uma comunicação que ele mesmo inventou; trava, gagueja, dobra a língua, contorce e no final, das coisas profundas que sente, expressa apenas rasas sensações.

O homem mata aquilo que necessita para viver com a desculpa de que está evoluindo seu meio.
Mas por que esquecer de evoluir a si próprio?
A capacidade de ser "racional" nos torna "irracionais" diante de nós mesmos.

As pessoas produzem coisas lindas, porém, que nenhuma pessoa aproveita porque estão ocupadas demais produzindo.
Somos tão belos dentro do sistema feito por nós, porém tão patéticos quando vistos de fora.
Andam por aí alimentando o monstro que irá devora-los.
Monstro esse feito de ganância e ignorância.

Nossas lágrimas são pesadas, porém insignificantes.
A chuva ácida leva e lava qualquer marca de um revolucionário da salvação que peregrina por aí.

Não adianta querer parar de chorar, você gosta de se afogar nas próprias lágrimas.
Não adianta gritar, neste mundo, para você, não há ouvidos, apenas o silêncio com o cheiro da sua extinção.

Estamos transformando nossos filhos em restos.
nossos netos em "dor"
e nossos bisnetos em uma carne podre enrolada em volta de um coração.

Sangue já não é a única coisa que jorra de um corte por aqui.
A dor virou a remuneração do seu esforço.
Mas o mais pertubante é que aceitamos isto, nos conformamos em viver sangrando!!!

Formamos um pulmão cheio de fumaça que se recusa a respirar ar puro!

2 de dez de 2014

O porquê de eu gostar de você

Quanto mais busco, me perco
Quanto mais tento entender,
Busco nas entrelinhas o quê de eu gostar,
Tanto assim de você.

Talvez seja o seu sorriso,
talvez seja a forma como você anda
Talvez seja a cara de bobo que eu faço
Quando você passa...

Já cansei de me pegar
Pensando no seu sorriso,
No seu cabelo, e
Em você.

Não sei se é a paixão,
Sei que está em mais pura essência.
Estou a ponto de pirar!

Quanto mais busco,
Mais acho brega
Menos entendo,
O porquê de eu gostar de você!

30 de nov de 2014

Carma

A poesia redigida
foi apenas fantasia
o meu corpo apenas sonha
sou completo empacado
de alma saltitante
e coração falante
mas por fora turvo meu mundo
por fora

todo

mudo

29 de nov de 2014

O Céu está Caindo

Eu corro em direção á saída
Eu tento encontrar um Caminho,
Mas meus pés me levam ao mesmo lugar
Estou perdido.
Estou correndo em círculos.
Eu grito o mais alto que posso
Eu tento encontrar Alguém,
Mas minha voz ecoa em minha cabeça
Estou sozinho.
Estou preso no meu próprio Replay.
Eu olho pra cima e tento avistar o céu
Eu tento encontrar a Luz,
Mas meus olhos estão cansados
Estou fraco.
Estou desaparecendo aos poucos.
Estou no meio de um temporal
Eu tento encontrar um Abrigo,
Estou no meio de um vendaval
O destino acabou comigo.
Eu corro para encontrar a saída
Mas já deixei de Acreditar,
Eu tento me manter erguido
Mas já cansei de esperar.
Eu gritei até ficar Rouco.
Mas o cansaço me matou aos poucos.
E cada gota que escorre,
É o pedaço de um Sonho indo.
E tudo que consigo ver
È que Hoje o Céu está Caindo.

26 de nov de 2014

LesbiAmismo [18+]

Elas tão belas
no estilo tesoura
se amando

gemidos tão belos
do velcro
soltando

A arte de escrever

Para quem eu escrevo? Oras! Para mim, para ti, para ele, para ela, para todos nós! Para os idosos, para os filhos, para os pais, para as mães, para o cachorro. Para os corações apaixonados de plantão, para o amigo que se sente só, para a pessoa que precisa de um apoio, para as lágrimas que não rolam pelo rosto, para levar felicidade, para compartilhar do peso da tristeza, para dividir o amor, para perder-me na razão, para procurar perguntas e tentar achar as respostas. Escrevo para aliviar a alma, escrevo para a mãe que perdeu o filho, para o namorado que brigou com a namorada, para quem perdeu seu amigo. Escrevo por quem a voz cala. Escrevo para quem chora de saudade, para quem ri por besteira, para quem chora de felicidade, para quem cala na sua tristeza, para quem busca o seu amor e para quem está de coração partido. Escrevo por quem grita para ter atenção. Escrevo para quem está na companhia da solidão, perdido no fracasso e para quem busca uma solução. Escrevo para quem quer ter história, para quem quer vencer e para quem está indo à luta. Escrevo para o poeta que sofre, escrevo para o autor com bloqueios e escrevo para quem também escreve. Escrevo para a mãe grávida, para o pobre sem esperança, para o rico que não é tão rico assim. Escrevo para mim. Escrevo para quem se perdeu e quer se encontrar. Escrevo para dar esperanças, para dar sonhos e para dar desejos. Escrevo para você que está lendo, seja lá o quê ou quem você for. Escrevo para escrever, escrevo por escrever. Eu apenas escrevo...

Não deixe boiar

Peixes não bebem refri
então, a garrafa que tá boiando no rio
não tem nenhuma função ali

21 de nov de 2014

Bem vindo a Boa Vista!

O pessoal dessa cidade
Faz tudo pela popularidade
Querem ter um ar de superioridade 
Para isso, perdem até a dignidade

Caras com carros rebaixados
Idiotas com pneus empinados
Vadias com cartões estourados

Usam camisas  da Hering 
Para fazerem aquele marketing
E quando são insultados,
Correm para fazer um boletim

Braços definidos e gigantes
Mas as pernas não são grandes o bastante

Tiram a roupa na santa cerva
E dizem que fumam aquela erva
Mas sabemos que é só conversa 

Quem curte a erva de verdade
Não precisa ficar tirando foto e espalhando pela cidade 

Celular em 50 parcelas
E o cérebro com inúmeras sequelas

Dão carona esperando um oral
Mas a garota não deu moral
Para eles isso não é normal

Bem vindo a Boa Vista!
Onde nenhum sonho se conquista
E onde a moda é ser metido a estilista 

 

20 de nov de 2014

Depressão

Dor irremediável
afagos inúteis
pensamento focado nos calos
causos jogados na sarjeta

controle quebrado por agonia
imagens inapagáveis  corroendo a memória
ópio castrado por falta de história
histeria noturna ao ler poesias

bitucas de depressão jogadas junto ao cartão
poeira restante da noite em vão
a cama tão dura quanto o coração
coração tão seco quanto os vidros no chão

13 de nov de 2014

História da Ganância

Uma história contarei
Sobre uma índia desalmada
E seu marido cacique

Um belo dia,
Nos piar dos pássaros
Ninguém sofria
Até a inveja chegar

Ela não veio
De forma abrupta
Mas tornou corrupta
Um povo de paz.

Ela chegou em forma de mulher
Mulher que seduz
Que produz
A teia envolvente
Da ambição

Cego de amor e ganância
Estava o pobre cacique!
Ela o seduzia com a dança
A dança que mata a beleza
Destrói a pureza
Deixa a incerteza
Se haverá dias melhores...

Ai do povo, que se queixava
Pois ela não deixava
Entrar a voz
Da sabedoria.

Ela era dissimulada
Envolvente e sarcástica.
Se fazia de coitada,
Mas era tudo uma máscara.

Foi quando o clímax aconteceu
A morte do bom cacique,
Ocorreu.

A vida não era mais a mesma.
A vila não era mais.
A sedução da ganância já
Tinha atingido o mais puro

Matou todos...
... Até Tupã chegar
Tupã era inabalável
Veio pra derrotar
O mal que assolava!

Não derrotou de espada
E sim com palavras
Palavras de acolher
E assim tirou o mal.

Tupã não era anormal
Ele apenas
Era um índio comum
Índio com bondade

E no final,
A bondade reinou
O mal ela dizimou
E nunca mais houve discórdia
Na hoje, pura vila.

SILÊNCIO

Preciso ouvir
O som da minha voz
Preciso ver
O tom da minha alma...
Preciso ouvir
O som da noz
Preciso ver
A alegria da minha alma..
Preciso...
Ver o teu carinho...
Preciso te ouvir um pouquinho...
Silêncio...
Silêncio...
Vamos marcar um encontro?
Preciso que me ensines
A sabedoria
Do ouvir...
Do ouvir...
Do ouvir...
Quero por um momento
Fechar meus olhos
Não ter nenhum intento
Apenas sentir minhas pupilas
Sem pressa...
Sem conversa...
Tentar ver com o ouvido
Ouvir com minha boca
Não quero nenhum ruído
Não quero conversa oca
Mergulhar no silêncio é uma experiência
De sentir o pulsar da vida
Estou percebendo que tudo só tem ida
O tempo é um senhor severo
Não desculpa a displicência
Um tanto austero Implacável!
SILÊNCIO!!!
Quero viver...
Quero aprender!

12 de nov de 2014

Amor

Como posso esquecer
Como posso?
Como hei de apagar da minha mente
Você

Conturbação de pensamentos
Distúrbios
Transtornos de pensar
Em você

Como eu conseguiria dormir ser você?
Como eu viveria sem você
Só queria dizer:
"Eu te amo"
Pra minha querida
E amada
Cama. <3

9 de nov de 2014

Mémorias

Trechos soltos,
Versos rasgados,
Palavras ao vento...
Velhos feitiços
Perdidos no tempo

Capítulos em branco,
Páginas limpas,
Folhas ainda alvas,
Para novas histórias
Que ainda vão ser contadas.

As já escritas
Em páginas marcadas,
Folhas amareladas.
Além do alcance
Velhas histórias
Novas e velhas,
Fazem minhas memórias...

8 de nov de 2014

Praia


E quando,
nos meus pés
eu sentir a maresia
eu sentir a alegria
de entrar no mar

E quando,
o sol beijar o mar
e um lindo
pôr-do-sol formar
estarei lembrando

Quanto mais as ondas batem
mais saudades sinto
daquela praia
e de tudo que ela me recorda!

Quem dera eu,
ser uma onda.
e quebrar na tua praia!

Eu sinto,
a areia nos meus pés.

Eu sinto,
as forças da natureza,
agindo com firmeza,
algo, pressinto.

No mar, quebrar.
Nas ondas do pensamento,
surfar.

Vai que
Um dia desses,
casualmente te encontro
e invado tua praia.

Bom Dia


Quando você sumiu, 
Meu mundo simplesmente caiu.

Você continuava a curtir todas as minhas fotos,
Sem nenhum remorso, eu deverias saber
Do seu histórico.

O fim do poço foi onde eu padeci,
Pois o mal que me fizestes ainda não esqueci.

Então vi aquela foto sua que vazou e 
Minha gargalhada ecoou.

Você tem um jeito pelicular de dar "Bom Dia",
Mas que mal isso fazia? Eu apenas sorria!

Você já ficou com a cidade toda,
Do Brookling ao Minessota,
Exceto com aquela garota.

Então cê me pergunta se estou chateado contigo,
Mas como vou explicar que ainda estou com coração partido?

O seu pastor não sabe sobre você,
Mas aposto que vai enlouquecer com a mensagem que já vai receber.

Me senti mal por alguns segundos e até me achei criança,
Mas aquilo era como minha forma de vingança.

A pose de santinho cê tenta sustentar,
Só para outros garotos poder pegar.

E quanto mais a foto repercutia, 
Mais ainda você sofria, a sua reputação caia 
E eu ria de toda essa ironia.

7 de nov de 2014

Nostalgia

do primeiro amor a gente nunca esquece.
Como eu me lembro
dos olhos brilhando
ao ver teu semblante
 ao ver a luz do sol
em teu rosto bater
comecei a me envolverem uma trama de paixão
hoje tu és
minha mais pura musa
que nunca teu rosto esqueci.
quero relembrar aquio quão forte era
o amor puro
que a ti sentia
mal sabia da teia que eu me envolvia
sem perceber
não tem como não lembrar
do primeiro amoré puro, leve.
mas hoje,nostálgico,
relembro,aquilo que senti.
olha,como era bom!
x

4 de nov de 2014

Chicote grosso

Acobertamos muitos desejos imprevisíveis
que outrora vem à pele e afloram
armas inflamáveis e falíveis

Quando os esforços caem no fundo do poço
a vida arranha as costas
tal qual chicote grosso

Pensamentos acompanham o mundo na contra mão
e de mãos dadas,
se fundem ao caos construído por ilusões da inteligência

A breguice diária te causa depressão
de mãos desatadas
e com a apatia estampada numa alma que pede clemência

Mãos ao céu
cabeça baixa vomitando fel
todo lirismo está morto

A vida machuca,
faz mastigar até o caroço
a vida machuca
tal qual chicote grosso

27 de out de 2014

Tosco?

não é bom nem lembrar
muito menos compensa esquecer
aquilo que um dia lhe fez sorrir.

não se esqueça do que fez seu dia mais dia
que lhe fez soltar sorrisos bobos
que foi uma luz num dia sombrio;

lembre o quão bom era,
ouvir aquela voz.
mesmo que hoje seja uma lembrança doída.

não se esqueça de esquecer
das brincadeiras
cantorias
zombarias
tudo aquilo de proveitoso que tivemos

aquilo que podia ser uma reflexão
uma descarga de impulsos
poderia ser algo mais ou menos
algo revoltante?

não esqueça que o amor as vezes dói,
machuca e corrói.

ele tem seu gosto tosco
tem suas lamúrias
e seus dias de glória.

mas quando acaba nem lembrar é bom
muito menos tentar ressenti-lo.

acaba aqui.

17 de out de 2014

Meu amigo quer saber o por quê de eu gostar dela




 Porque imagino que viver sem ela
seria como comer canjica sem canela

Seria um desafio
Vê-la e não sentir aquele arrepio ,
perceber que as espinhas saem do lugar
isso é a loucura de poder  amar

Mas o cupido é um tremendo carrasco
jogou açúcar no meu churrasco
me empurrou só de cueca na chuva
me afogou nas lembranças daquelas curvas
Ela é a estrada que sempre quero enfrentar

a trilha perigosa que faço questão de percorrer
o banquete venenoso que quero desfruir
a dose doce e prudente do meu licor
a portadora da delicadeza e do glamour

Maldito cupido que erra as flechadas
acho que os óculos eu usa tem a lentes trocadas
Melhor voltar pro céu pra poder viver no ócio
Pois lhe digo que juntar pessoas não é seu negócio

Nova Declaração

Deixa eu participar da tua vida
e te ajudar a cicatrizar essa ferida
por mim, preferiria curar
mas os rabiscos de Deus ninguém pode apagar

Coração sem par
alma sem complemento
sentimento incerto
futuro sem julgamento

Teu lindo semblante me conduz
a algo que não se traduz
quisera eu que não fosse o amor
mas sim, o amor é o ator do meu filme da vida

E sigo sempre assim
preenchendo a solidão com poucas alegrias
mas a felicidade também é portadora de alergias

Coração sem par
alma sem complemento
sentimento incerto
futuro sem julgamento

28 de set de 2014

Aos que ainda

Aos que ainda 
não dizem a verdade.
Aos que ainda falam sem pensar.
Aos que ainda 
não sabem quem são.

Quem não amam
Que amam
Que abraçam

Que matam os perdidos
Que salvam os amigos

Aos que esquecem de sorrir
Aos que sorriem
E os que vivem
Choram
E choram sem pedir

Aos que encontram
e se perdem

Aos que medem a loucura 

Aos que amam...

E aqueles que sonham,
uma noite feliz.
Um descanso e nada mais.

25 de set de 2014

Problemas, confusão, loucura.

Fui buscar inspiração na lua,
de lá mal voltei.
Não conseguia tirar, em momento algum
A ilusão de retrair a mim minhas angústias!

Precisar ir a lua,
precisar espairecer!
precisar de um tempo, pra saber
como manejar a carga de explosões
triviais
banais
e que eternamente vamos aguentar!

oh, que coisa estapafúrdia!
não mereço ter um descanso?
certamente voltarei a lua!

Mas não entendo;
Como irei a lua?
com a carga de problemas
que terei de levar!
mas qual a necessidade de ir então?
ah, mais um paradoxo!

Vou parar de dar errado,
e relevar mais
aprender que o certo
é incerto.
deveria saber desde o início!

ah, onde estou com a cabeça?
nem rimas mais faço!
então desfaço, pra não desatar
o nó que me prende a meus problemas.
mas são muitos problemas pra pouca idade. 

realmente, acho que estou louco.

24 de set de 2014

Casualmente Pensando

E me veio aquele leve arrepio pela milésima vez naquela tarde, e eu sabia, sabia sim, sem nem mesmo vê-la que ela estava por perto... Sabia que em minha nuca fitando-me estavam seus grandes olhos azuis, azuis da cor das águas profundas do oceano. Ah! Aqueles olhos ... Neles eu poderia navegar por anos a fio naquele imenso Mar, aquele mar azul, sem rumo. Ou até mesmo, voar, me atirar de um penhasco e me jogar ao léu, naquele imenso céu azul, onde tudo é lindo. Onde eu poderia beijá-la e fazer o tempo parar naquele instante, bem ali naquele instante. E onde  o simples fato de eu nunca ter falado com ela não tivesse a menor importância porque ela retribuiria meu amor do mesmo modo que eu, sem pudor algum, e com todo o líbido daqueles sedutores lábios, banhados num vermelho intenso, cor de sangue. Aquela boca poderia ser a causa da minha morte, e eu não mais ligaria. 
Quando eu levanto da cadeira e a olho, cheio de coragem para dizer (enfim dizer!) que eu era seu anjo da guarda. Que eu a amo mais que meus próprios pais, e que amaria pra sempre. Pra todo sempre.  Eternamente sempre. Um sempre tão infindo e profundo que seria um poço sem final, e tão misterioso quanto um buraco negro. Algo tão ... tão meu. 
Mas, então o sonho acabou e eu acordei molhado. Percebi então que tinha ido parar na praia, à beira do mar. Com o corpo dela, a gloriosa deusa dos meus sonhos, inerte em meus braços. 
O QUE EU FIZERA? 

22 de set de 2014

Querido copo..

 Eu devia parar de pensar nela, devia parar de criar momentos que nunca vão acontecer, imaginar ela e eu em uma barraca, acampando... "puf" que besteira, ela nunca acamparia comigo, (um gole no copo de Vodka) Dói, toda noite dói, todo dia dói, toda tarde dói.
 Só de pensar minhas pernas tremem, são milhares de pensamentos que pensam a mesma coisa, todos! Todos direcionados à ela! Mas eu decido conviver com essa dor, porque não há nada que se possa fazer, simples.
 Há pessoas que se conformam com a pobreza, outras com um salário medíocre, já eu... Eu me conformo com a dor, com a luz apagada, com este copo, com o álcool dentro deste copo que rodo em minhas mãos, com este peso sobre minhas costas que me impedem de abrir as cortinas e me fazem esquecer que lá fora, talvez, há motivos para sorrir, mas para que sorrir se a gargalhada dela não estará presente, sem ela, é como sorrir sem motivo para sorrir... "puf" estou bêbado apenas 5 minutos e já estão saindo incriveis baboseiras de minha boca.
 Encarando este copo, eu percebo que esta droga deveria me ajudar, e não aumentar esta depressão que aperta meu coração entre o peito. Mas não é você o motivo destas lagrimas que escorrem em meu rosto querido copo... Não é ela também ... Sou eu... Eu e esta droga de habilidade de ser racional, esta merda de corpo que me permite amar!!

19 de set de 2014

Desejos de morte ...

Uma vez na vida, eu queria ter coragem. Coragem, sim. A coragem suficiente para dizer "Eu te amo incondicionalmente", ao meu verdadeiro amor, à minha alma gêmea. Dizer que " Por toda a minha vida te amarei". Gostaria de blasfemar, sem culpa por essas tão indolores mentiras. Mas já não posso lutar, contra a verdade. Não posso!  E isso me atormenta, me atormenta a cada dia, me atormenta a cada abrir de olhos pela manhã, me atormenta a cada respirar, me atormenta  bem no fundo d'minh'alma. Poderia eu, sim te fazer feliz, meu amo, se, meu coração não fosse d'outro homem. Se eu já não lembrasse, de seu toque em meu rosto, do afago delicado de seus lábios junto aos meus, e de seus lábios roçando minha pele seca. De nossos momentos secretos, das jurias de amor. Do doce sabor do pecado, do picante sabor da nossa vulgar mentira. Hei de dizer aqui, pois a frente de todos : Antes que ... Antes que me toques. Mate-me. Mate-me por dizer-vos. Mate-me por amar verdadeiramente. Amar verdadeiramente um homem, que nunca me pertencerá... Amar errado.

POW!

E foi só mais um corpo estirado ao léu , no altar da única capela da província de Tryon. O corpo frágil, vestido com a mais fina seda branca, agora não mais branca, mais de um vermelho carnal que partia de seu coração. Da mulher,da prostituta! Aquela alvejada por seu amado.

Virtudes e Indecências - Parte 20

[...]
-Não consigo fazer o enredo se desenrolar. - Ela disse isso com a voz firme, mas tão baixa que mal saiu. - Não paro de tentar reestruturar a cena. Voltei cedo. Nem cheguei a sair de casa. Dai decidiu sair junto com a gente esta noite. Nada funciona.
- Deise, vamos para a cozinha. Tomaremos chá e conversaremos! Ela aceitou a mão que ele estendeu, mas não se levantou. 
- Nada funciona porque é tarde demais para mudar o enredo.
- Sinto muito, Deise. Por que não vem comigo agora?
- Ainda não a levaram, levaram? Eu devia vê-la, antes...
- Agora não. 
- Preciso esperar até a levarem. Sei que não posso ir junto com ela, mas preciso esperar até que a levem. É minha irmã.
Levantou-se então, mas foi apenas até o corredor e esperou.
- Deixe-a - aconselhou Murilo quando o parceiro se adiantou. - Ela precisa disso.
Vinícius enfiou a mão nos bolsos.
- Ninguém precisa!
Já vira outros se despedirem de alguém que amava assim. Mesmo após todas as cenas, todas as vítimas e todas as investigações, ele não conseguia não sentir nada. Mas disciplinara-se a sentir o mínimo possível. 
Deise ficou ali parada, as mãos frias e cerradas uma na outra, enquanto levavam Daiane para fora. Não chorou. Enterrou-se no fundo de si à procura de sentimentos, mas nada encontrou. Queria a dor da perda, precisava dela, mas parecia que a dor tinha ido embora, se enfiado num canto e se enroscado em si mesma, deixando-a vazia. Quando sentiu as mãos de Vinícius nos ombros, não se sobressaltou nem estremeceu, mas inspirou fundo.
- Vocês tem de me fazer perguntas agora?
- Se estiver preparada. 
- Estou. - Deise pigarreou. A voz devia ser mais forte. Ela sempre fora forte. - Vou fazer chá. - Na cozinha, pôs a chaleira no fogo e depois ocupou-se em procurar as xícaras e pires. - Dai sempre mantém tudo tão arrumado. Só preciso lembrar onde minha mãe guardava as coisas e...
Interrompeu-se. A mãe. Teria de ligar e contar aos pais. 
Lamento, mãe, lamento muito! Eu não estava aqui. Não pude impedir. 
Agora não, disse a si mesma, mexendo nos saquinhos de chá. 
- Imagino que você não quer açúcar. 
- Não. 
Vinícius mudou de posição na cadeira, aflito, e desejou que ela sentasse. Embora os movimentos fossem firmes, Deise não tinha cor no rosto. Não fazia muito tempo desde que ele a encontrara curvada sobre o corpo da irmã. 
- E você? É o detetive Murilo, não é? O parceiro do Vinícius?
- Sim. - Ele pôs a mão no encosto de uma cadeira para afastá-la da mesa. - Aceito duas colheres de açúcar!
Como Vinícius, Murilo notou a ausência de cor nela, mas também reconheceu a determinação de prosseguir com aquilo até o fim. Não era tão frágil, pensou, como uma pedaço de vidro que se racha em vez de quebrar-se. 
Ao pôr as xícaras na mesa, ela olhou a porta dos fundos. 
- Ele entrou por ali, não foi? 
- É o que parece. - Murilo pegou o saquinho e colocou-o junto ao pires. Ela repelia a dor, e como policial ele tinha que aproveitar-se. - Lamento termos de falar sobre isso. 
- Não tem importância. - Ela pegou o chá e tomou um gole. Sentiu o calor do líquido na boca, mas nenhum gosto. - Não tenho muita coisa a dizer a vocês, na verdade. Dai estava no escritório quando saí. Ia trabalhar. Eram, não sei, 18h30. Quando voltamos achei que já tinha ido dormir. Não tinha deixado a luz da varanda acesa. - Detalhes, pensou, ao conter outra luta com a histeria. A polícia precisava de detalhes, como qualquer bom romance. - Eu ia para a cozinha e notei que a porta, a porta do escritório, estava aberta e a luz, acesa. Então entrei. 
Pegou de novo o chá e fechou com todo cuidado a mente para o que aconteceu em seguida. 
- Ela vinha saindo com alguém?
- Não. - Deise relaxou um pouco. Iam falar de outras coisas, coisas lógicas, e não da cena absurda além da porta do escritório. - Ela acabou de passar por um divórcio medonho e ainda não tinha se recuperado. Trabalhava. Não socializava com ninguém. Dai tinha a mente fixa em ganhar muito dinheiro para entrar na justiça e ganhar de volta a custódia do filho. 
Kevin. Amado Deus, Kevin. Ela pegou a xícara com as duas mãos e bebeu de novo. 
- O marido dela era Jonathan Costa. Dinheiro antigo, linhagem antiga, temperamento péssimo. - Deise endureceu os olhos ao tornar a olhar a porta. 
- Tem algum motivo para achar que o marido ia querer assassinar sua irmã?
Deise ergueu os olhos para Vinícius. 
- A separação deles não foi nada amigável. Ele vinha enganando-a há anos e ela contratou um advogado e um detetive particular. Ele talvez tenha descoberto. Costa é o tipo de nome que não tolera esse tipo de coisa. 
- Sabe se ele chegou alguma vez a ameaçar sua irmã? 
Murilo provou o chá, embora pensasse desejoso no bule de café. 
- Não que ela tivesse me dito, mas Dai tinha medo dele. Não lutou por Kevin a princípio por causa do temperamento do ex-marido e do poder que a família dele possui. Ela me contou que, certa vez, ele mandou um dos jardineiros para o hospital apenas por uma briga sobre uma roseira. 
- Deise. - Vinícius pôs a mão na dela. - Você notou alguém na vizinhança que a deixou aflita? Alguém veio à porta, entregar ou pedir alguma coisa? 
- Não. Só teve o homem que entregou meu baú, mas era inofensivo. Fiquei sozinha com ele na casa por 15 ou 20 minutos. 
- Qual é o nome da empresa? - perguntou Murilo. 
- Não sei... - Ela apertou os dedos. Sempre lembrava dos detalhes com facilidade, mas pensar agora era como tentar dissipar uma névoa. - Ágil e Fácil. Não, Rápido e Fácil. O nome do rapaz era, hum, Júnior. É, Júnior. Tinha o nome bordado em cima do bolso da camisa. Falava com sotaque puxado. 
- Sua irmã era professora? - quis saber Murilo. 
- Isso mesmo.
- Algum problema com outros funcionário da escola? 
- A maioria é de freiras. É difícil brigar com freiras. 
- É. E os alunos?
- Ela não me disse nada. A verdade é que nunca dizia. - Esse pensamento fez seu estômago revirar-se de novo. - No dia em que cheguei à cidade, conversamos, tomamos vinho um pouco além da conta. Foi quando ela me falou de Jonathan. Mas desde então, e durante quase toda nossa vida, sempre se manteve fechada. Posso dizer que Daiane não fazia inimigos, nem amigos, pelo menos íntimos. Nos últimos anos, levou uma vida limitada à família. Não tinha voltado pra a cidade por tempo suficiente para criar laços[...]

17 de set de 2014

Sacanagens temporais

O tempo é sacana, não há como negar, não mesmo. Quando queremos que ele passe logo, que uma determinada hora ou momento chegue, os segundos parecem se arrastar, nos torturando de modo sádico e íntimo. Ou até na situação reversa, quando queremos que determinada situação passe logo, ele passa bem devagar, se arrastando a passos lentos, lentíssimos, como se olhasse na nossa cara e dissesse:
- Calma amigo, to indo, devagarzinho, mas to indo, se avexe não.
Nessas horas, segundos, minutos, a aflição é braba. A tortura é tamanha que deve ir contra a Carta de Direitos Humanos, pô, deve ser contra a Convenção de Genebra!
E estou sentindo isso na pele agora, neste exato instante em que teço essas palavras. Quero que um certo sms chegue logo, quero que determinado momento me venha o quanto antes. Mas, só posso esperar, e ficar ansioso, e também pirar um pouco, mas no principal, só posso esperar, fazer o quê né?
Mas se pensarmos bem, é por causa dessa tortura que aproveitamos muito mais os momentos que esperamos quando eles chegam. Sem querer ser ou parecer um masoquista temporal, mas essa espera, essa ansiedade pelo momento, faz com que ele valha a pena, seja aproveitado de forma melhor, muito, mas muito melhor.
Agora que dividi minha ansiedade, com licença, vou voltar para a minha espera.

20 de ago de 2014

E então...

Foi do nada, que meu humor desceu.
Foi do nada, que o ritmo se perdeu...
Foi do nada, que a paixão findou.
Foi do nada que percebi não ter depois...

27 de jun de 2014

Virtudes e Indecências - Parte 19

[...]
Era como uma cena saída de um dos seus livros. Depois do assassinato, chegava a policia. Alguns cansados, outros cínicos. Dependia do clima da história. Às vezes dependia da personalidade da vítima. E dependia, sempre, da imaginação. 
A ação podia ocorrer num beco ou numa sala de visitas. A atmosfera era sempre a mesma em qualquer cena. No livro que escrevia agora, narrava um assassinato na biblioteca do secretário de Estado. Gostava da perspectiva de incluir um Serviço Secreto, políticos ou espionagem, além da polícia. 
Seria sobre veneno e beber do copo errado. O assassinato era sempre mais interessante quando um pouco confuso. Deise deleitara-se com o desenrolar do enredo até então, porque ainda não se decidira bem sobre quem seria o assassino. Sempre a fascinava resolver quem era e surpreender-se. O bandido sempre tropeçava no fim.
Deise estava sentada no sofá, calada e com os olhos fixos. Por algum motivo, não conseguia ir além desse pensamento. O mecanismo mental de autodefesa transformara a histeria em um choque entorpecido, de modo que até seus próprios tremores pareciam pulsar através do corpo de outra pessoa. Um bom assassinato tinha mais vigor se a vítima deixasse para trás alguém chocado ou arrasado. Era um artifício quase infalível para atrair o leitor se feito da maneira certa. Ela sempre tivera talento para retratar emoções: dor, fúria, desolação. Às vezes trabalhava durante horas e dias nelas, alimentando-se das emoções, deliciando-se ao mesmo tempo com os lados claros e obscuros da natureza humana. Depois as desligava, despreocupada, como desligava o computador, e seguia com sua própria vida.
Não passava de uma história, afinal, e a justiça venceria no último capítulo. 
Reconheceu as profissões dos homens que entravam e saíam da casa da irmã - o médico-legista, a equipe da perícia, o fotógrafo da polícia.
Certa vez usara um fotógrafo da polícia como protagonista num romance, retratando detalhes nítidos e arenosos da morte com uma espécie de deleite. Conhecia o procedimento, descrevera-o repetidas vezes, sem uma lágrima ou estremecimento. As visões e os cheiros de um assassinato não eram estranhos para sua imaginação. Mesmo agora, quase acreditava que, se fechasse com força os olhos, todos se desvaneceriam e se reagrupariam em personagens que pudesse controlar, personagens reais apenas em sua mente, personagens que criava e destruía com o aperto de uma tecla. 
Mas a irmã. Não Dai. 
Ela mudaria o enredo, disse a si mesma, quando ergueu as pernas e enroscou-as sob o corpo. Reescreveria, apagaria a cena do assassinato e reestruturaria os personagens. Mudaria toda a narrativa até tudo funcionar exatamente como queria. Fechou os olhos e, envolvendo os seios com os braços, lutou para fazer tudo se desenrolar. 
- Ela não se deixou ir facilmente - murmurou Murilo, enquanto via o médico-legista examinar o corpo do Daiane Sales. - Acho que vamos constatar que um pouco de sangue é dele. Podemos obter algumas impressões digitais no fio telefônico. 
- Há quanto tempo?
Vinícius anotava os detalhes no caderno, lutando ao mesmo tempo para deixar de pensar em Deise. Não podia permitir-se pensar nela agora. Podia perder alguma coisa, alguma coisa vital, se pensasse na forma como a irmã da vítima estava sentada no sofá, parecendo uma boneca quebrada. 
- Não mais que duas horas, provavelmente menos. - Olhou o relógio. - Neste momento, eu calcularia entre 21 e 23h. Devo conseguir ser mais preciso quando examiná-la melhor. - Fez sinal a dois homens. Enquanto ele se levantava, o corpo era transferido para um grosso saco plástico preto. 
- Obrigado. - Murilo acendeu um cigarro, examinando o contorno em giz no tapete. - Pelo aspecto do aposento, ele a surpreendeu aqui dentro. Porta dos fundos forçada. Não foi necessária muita força, por isso não me surpreende que ela não tenha ouvido. 
- É um bairro muito tranquilo - murmurou Vinícius. - A gente nem precisa trancar o carro. 
- Sei que é mais difícil quando acontece tão perto de casa. - Murilo esperou, mas não recebeu resposta. - Vamos ter de conversar com a irmã. 
- É. - Vinícius enfiou o caderno de volta no bolso. - Vocês aí, podem me dar dois minutos antes de levarem isso para fora?
Fez um aceno com a cabeça para o médico-legista. Não pudera impedir Deise de descobrir o corpo, mas podia impedi-la de participar do que acontecia agora. 
Encontrou-a onde a deixara, encolhida no sofá. Como Deise tinha os olhos fechados, ele pensou, esperou, que ela estivesse dormindo. Então a viu olhando-o com olhos imensos e totalmente secos. Reconhecia bem aquele olhar sem brilho, de choque. [...] 

25 de jun de 2014

.

[...]
Ele só pode abraçá-la por certo tempo. As luzes estão acesas, mas não há ninguém ali.
Ela está inexpressiva, sua alma foi roubada. 
Ele só consegue pensar: "do que ela está fugindo?"
Como é possível conquistar o coração dela se ele já foi roubado? 
Ele tenta acalmá-la, mas o que vive dentro dela nunca morre!
Mesmo satisfeita com os carinhos dele, ela é tomada pela necessidade de querer mais beijos, pois sente falta do homem o qual ele queria ser! [...]

12 de mai de 2014

Castelo de Nárnia.

Enquanto isso no Castelo de Nárnia...
Ela se sentia angustiada, parecia que o amor lhe esmagava o coração. E de repente, ela parou diante de seu amor, olhou bem no fundo dos seus olhos...
E entre lágrimas e soluços, falou: Perdão!
Perdoa-me por ter perdido a vírgula e as reticências do nosso amor...
Perdoa-me por não gostar de ponto final...
Perdoa-me por não sentir-me saciada, por ser faminta...
Perdoa-me por ainda ter fome deste amor.

21 de abr de 2014

Despedida de um igarapé

Queria eu poder sempre
ter minha águas límpidas e transparentes
mas você vem e me destrói
com seus resíduos e poluentes

O que eu fiz?
Que mal causei?
Se ei sempre  trouxe benefícios
Nunca prejudiquei!

O tanto que te alertavam
que um dia eu poderia desaparecer
Mas você... nem aí!
Deixava-me perecer

Hoje não chego a ser nem igarapé
Muito menos um leito
Sua próxima geração nem chegará a me ver
tudo culpa da sua falta de respeito.

15 de abr de 2014

Texto sem título



“O legal de folhear nossas mensagens antigas, é achar que aquilo um dia foi verdade, ou parecia ser [...]” Isso pode estar parecendo mais como um texto sentimentalista, mas não. Isso é uma história, que aconteceu há tempos, na fenda do bikini. Claro que eu estou zoando da cara de vocês, isso não se passou lá (eu acho). Certas coisas não deveriam acontecer, mas já que acontecem, temos nada a reclamar. A história se passa em Porto Alegre. Seu nome era Felipe. Ele conheceu uma menina no busão. Não foi uma paixão normal, daquelas que só se olha. Ele tinha atitude e atrás dela correu. Chegou nela e disse:
                - Oi
                -Oi
                Para ser sincero, esse deve ter sido o ‘’Oi’’ mais áspero que lhe já fora dito em toda a sua vida. Mas, ele tentou ganha-la na conversa. Acho que conseguiu.
                -Dia lindo não?
                -Tu acha que eu ligo pra dia guri? Passa reto.
                Como disse, nem tudo acontece da forma de deveria acontecer. Ele continuou:
                -Só tentei ser educado.
                -Desculpa a má educação, mas o dia hoje não está bom. Não sei por que estou falando isso com você, um estranho que acabo de distratar.
                -Sem problemas. Conte-me o que houve? O que lhe aflige?
                -São os dias? Porque tão longos, tão tristes, violentos? Porque a escuridão da calada da noite abriga os nossos piores temores? Qual a imensidão que nos cerca? São perguntas que não podem ser resolutas por nenhum ser humano.
                - Bem colocado minha cara. Gostaria de uma conversa?
                - E, por um acaso, estamos cortando cana aqui?
                - Qual seu número, te ligo.
                - 891-0291
                Quem diria que de um papo xucro sairia uma grande amizade que logo pois transformara-se em paixão? Eles saíram cada um em direções distintas. Logo depois de um tempo, saíram para conversar.

‘’CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO.’’