28 de set de 2013

Prêmio FNAC Novos Talentos da Literatura

Você que visita o blog também é escritor e ainda não foi publicado? Que tal participar? É só inscrever um conto inédito com até 15 mil caracteres e se inscrever. Mais informações nos links de inscrição e regulamento logo abaixo.




Jogo do amor

O amor é um jogo
avance duas casas
tire suas asas
jogue os dados
jogue o laço
amarre as pernas
leia as cartas
sorte ou revés
imagem ou ação
imaginação
game amor
me ganhe amor.

27 de set de 2013

Manifesto de repúdio aos fones de ouvido divosos

   O que me leva a escrever este texto, e a dar a ele o que deve ser o titulo mais longo que já dei a algum, é a raiva que fones de ouvido metidos a diva fazem as pessoas passar. Eu sou uma das vítimas desses palhaços, quando recorro ao botão de pause para poder ouvir e participar de uma conversa com amigos, sou deixado na mão. A noite, quando ponho uma playlist de músicas suaves, não sei como, mas o fone dá um jeito de fazer o celular reproduzir o rock mais brutal que eu tiver disponível, isso quando não põe a música num volume tão alto que fica impossível relaxar e até usar o fone.
   Infelizmente, os fones divosos também comentem os crimes de um fone normal, mas de modo mil vezes pior! Não tem quando o fio do fone se embola todo nos nossos bolsos? Pois é, até hoje não consegui desfazer um nó no meu divoso.
   E quando apenas um dos lados continua a funcionar? Já recebi relatos de roqueiros traumatizados por que um dos fones deu pau durante um riff, de amantes de ópera que tiveram seus corações dilacerados - e alguns até parados - por que um dos lados pifou durante um belíssimo solo de tenor, e até de funkeiros que perderam o ritmo quando essa desgraça lhes aconteceu (funkeiro usa fone e tem ritmo? desde quando?). Por isso, e muito mais, quero deixar bem claro meu repúdio a esses equipamentos desprezíveis, ordinários, irritantes, patetas ... e agoniantes.


Palavra do Autor:
   Engraçado como escritor reclama da inspiração, mas ela acaba surgindo do nada. Esse texto me surgiu quando eu não conseguia pausar a música pelo fone e fui obrigado a desconectar pra conseguir. Claro que ao escrever esse texto humorístico aumentei e inventei muita coisa, meu fone não tem nó algum por exemplo, mas, foi apenas uma forma de brincar com algo que é irritante muitas vezes. Espero que tenha se divertido ao ler essa amostra de loucura minha.

Ass: Yuri Francisco Hupsel dos Santos

Roubo.


-Viu a Lua?
-Vi não. Ela já nasceu?
-Já sim. Olha ela na janela.
-Pera. Hum, não apareceu ainda não.
-Não? Ué. Aqui ela já apareceu. Tá enorme. Branca. Linda.
-Deixa eu ir lá fora. Eu devo estar olhando para o lado errado.
-Tá bom, vai lá.

...
-Nada ainda. Eu acho que sei o que aconteceu.
-O que?
-Você roubou a Lua.
-Eu roubei a Lua? Como eu ia fazer isso?
-Eu não sei, mas essa é a única explicação.
Silêncio.
-Droga, como você descobriu?
-Eu conheço você.
-Roubei mesmo. E só devolvo se você me falar.
-Te falar o que?
-Você não me conhece? Então você sabe.
-Hum. Chocolate?
-Não.
-Morango?
-Não.
-Você é linda.
-Ahh, não.
-Devolve a Lua, por favor.
-Não.
-Eu te amo.
-Humm.
-O quê?
-Olha para o céu.
-Tá bom.
-Olha da janela do seu quarto.
-Olha, a Lua está nascendo...

26 de set de 2013

Cansaço

Cansaço é um monstro malvado.
Te pega de jeito, no laço.
Te puxa pra baixo, bem rápido.
Te prensa, esmaga, deixa arrasado.
Desgraçado

Pobre de ti se não tiver algo pra se firmar
Pra te puxar, levantar, salvar!
Coitado...
Tá ferrado!

Cansaço pai da agonia,
Pai da raiva, Depressão.
Porra de cansaço duma figa!
Vilão pro coração.

Palavra do Autor:
Depois de quase uma vida sem postar texto meu aqui está algo. O conto que anunciei um tempo atras Guerra das Bolachas (ou Biscoitos) ainda está em produção. Fiquei tanto tempo sem postar por que poucos texto meus estou achando satisfatórios, os que eu puder postar estarão aqui o quanto antes.

Ass: Yuri Francisco Hupsel dos Santos

16 de set de 2013

COMO SURGE UM ASSASSINO

Aquele não passava de mais um dia frustrante e de céu cinza. Pensava apenas em chegar em casa e retirar os sapatos encharcados em decorrência da tempestade.
Tratava-se de um dia de distração pesada, onde em meu trabalho, por várias vezes, arrisquei calcular mal o preço pelo consumo dos clientes e derrubar as bandejas de bebida por esbarros súbitos. Como se não bastasse, na volta, quase fui atropelado novamente.
A lama deixava meus pés mais pesados, as chaves quase não giravam para abrir a porta e o que era para ser a subida para um andar acima, parecia uma escalada eterna.
Finalmente pude ver a minha cama, desarrumada desde muito tempo. Caminhei até a mesma em passos desconcertados de exaustão e sentei-me sem me importar muito por estar molhado.
Comecei tirando os meus sapatos e jogando-os próximos a janela. Voltei o olhar para os pés e me enverguei para tirar as meias.
Aos poucos, aqueles pensamentos começavam a retornar. Soavam na minha cabeça como um martelo de razões, batendo em uma estaca de palavras, contando-me sobre o quanto eu era estúpido e inútil. Um silencio de verdades que apenas os pingos no assoalho conseguiam romper.
Aos poucos, fui voltando para a consciência plena, levantando vagarosamente o olhar, como se estivesse saindo de uma embriaguez... Quer dizer, talvez eu ainda estivesse embriagado naquele instante. Não de frustrações ou angústias, mas de loucura.
Pude ver claramente um moleque na minha frente, de pé. Cabelos escorridos e castanhos, pele clara, trajado em uma farda escolar azul, um tanto familiar.
Arregalei os olhos em sinal de surpresa e perguntei:
-- Quem é você?! Como diabos entrou aqui?!
-- Tenho muitos nomes... – respondeu em baixo e suave tom.
-- Melhor sair da minha casa, moleque. Irei chamar seus pais.
-- Eu não tenho pais, sou como você...
-- O que?!
Levantei-me rapidamente e comecei a puxar o moleque pelo braço para fora do quarto.
-- Existem ainda muitas verdades que precisa aceitar sobre si mesmo – afirmou a criança.
-- Do que está falando? – perguntei, ao mesmo tempo parando de puxá-lo.
-- Amigos que não lhe dão importância, um emprego que és tratado como escravo, um amor não correspondido e uma família que nunca se teve...
Parei e apenas observei o desconhecido.
-- Olhares tortos, falta de reconhecimento, rejeição...! – disse o garoto impondo uma voz mais sombria ao último substantivo.
-- E o que você sabe sobre isso? É apenas uma criança!
-- Posso saber tanto ou até mais que você...
Apenas calei-me sem achar palavras para confrontar o que parecia ser apenas um garoto de 9 anos.
Vi ele retirar do bolso um punhal de prata com uma pérola roxeada no centro. Ele observava o objeto em suas mãos esboçando um sorriso de canto.
-- O que vai fazer com isso, guri?!
-- Você fará, não eu... – respondeu retornando o olhar para mim – É algo simples, que todo ser humano precisa fazer. É algo que posso sentir borbulhar no lado mais negro de sua alma.
A criança levantou o punhal ao seu limite e o acompanhou com a vista. Em seguida, cravou a lâmina no piso e prosseguiu:
-- Mantenha as pessoas certas por perto e tire delas o que elas retiraram de você... Lembre-se, a maior das perdas não é a morte, é o que morre dentro de nós enquanto vivemos...
Voltei a plena consciência e percebi que estava sentado, pensado. Nem sequer havia tirado a meia ainda e os meus pingos já haviam se tornado poça no chão.
Tudo normal, até que levantei o olhar e vi um punhal cravado no chão.
[...]  

7 de set de 2013

Tempologia

Pr'eu existir
Busco lutar
Busco viver
Infinitamente feliz
Vivo a esperar, porém
Vivo a sofrer.
Quero amar, também
Poder ir ao mundo
Decidamente certo
A encontrar a estrada certa
Pr'eu poder caminhar
Depressa.
Independente do tempo
Que não acelera
tão depressa.
O vento que certamente
Mereça o momento
De estar em paz.
Acredito que no viver
Existam apenas emoções.
Existem estradas que te levam pra longe.
Destinos que terminam
antes de começar.
Continuamente
Nos rostos e nos corações.
Nas fotos e nas expressões.
No tempo preciso
É preciso também paciência
Dessa
que transforma o humor
em plena decadência
quando não se tem.
Coragem!
Você é o que vive.
E sente o que vê.
Você é o que sente.
Por favor, ame.
Eu transformo meu pensamento
Em sentimento
Bom
Que distrai n'um olhar
Ao sorriso
Que antes,
era só simpatia
Agora,
tem muita harmonia
Para dar e receber.
Já tenho o que mostrar
e espero de quem lê
Criar um novo olhar.
Aprender a viver
Mais e melhor.

4 de set de 2013

Devaneio

Quando ela desfila
exalando poesia
a mente se destila
confunde sentimentos

Se afoga em uma mar abstrato
enrola-se entre laços e trapos
que mesmo invisíveis
impendem de caminhar

Olhos sangrando
A caneta chorando palavras no papel
A visão turva apenas acompanha os borrões que vê

Não enxerga os versos
Mas os sentimentos concretos consegue sentir
E ao final de tudo, rasgo a folha, amassa, e apenas sorri.