20 de jul de 2013

A boneca

A boneca

Cidade de Santarém 2010: Após uma intensa reforma, o hospital infantil de Santarém, iria ser reaberto. Passou por um forte incêndio no ano anterior, cujas causas até hoje são desconhecidas. Pedro Santana um conceituado fotógrafo brasileiro, entrou sozinho no prédio para registrar as mudanças do local e fazer uma matéria sobre a renovação do prédio após a tragédia. Caminhou por vários andares, mas ao chegar ao último sentiu algo estranho, estava frio e sentia como se algo o observasse, mesmo com maus pressentimentos continuou seu trabalho. Ao focar sua câmera para uma das portas que davam acesso à ala psiquiátrica, notou uma mancha na lente da câmera, ao limpá-la percebeu que não havia nada ali. Ele movimentava seu equipamento, e a sombra parecia imóvel. Pedro nunca havia passado por isso, pensou se tratar de alguma brincadeira continuou a fotografar. Quando estranhos barulhos, que se assemelhavam de uma menina se debatendo contra a porta, começaram a ficar intensos, Pedro correu pensando ser alguém em apuros. Quando abriu a porta, algo violentamente atravessou seu peito, perfurando seu coração. A câmera caiu e por muita sorte não se danificou.

Cidade de Santarém 2008: Neide, Ricardo e Bárbara formavam uma família feliz, moravam em um humilde sítio, que com o avanço da cidade estava ficando cada vez menor e a situação financeira deles ficava cada vez pior. Bárbara gostava muito de seus pais, era uma menina encantadora de apenas 11 anos. Brincava sempre sozinha com os poucos animais da fazenda. Neide era uma mulher muito justa e batalhadora, sempre conseguiu manter o equilíbrio na casa, mesmo passando por tantas dificuldades. Depois de alguns meses a situação começou a se complicar, era época de seca, as plantações estavam morrendo e a única solução encontrada por Ricardo foi vender um de seus cavalos. Era uma tarde nublada, ele amarrou o animal numa carroça, consigo levou algumas armas e pólvora para tentar vender no mercado da cidade. Bárbara pede para que ele traga uma boneca que ela tanta desejava, pois seu aniversário estava muito próximo. Muito triste e com pena de sua filha ele diz que irá tentar realizar o sonho da menina. Várias horas se passaram, começou a trovejar, Ricardo retornava para sua casa. Conseguiu vender apenas o cavalo, não achou comprador para o restante do material que levava. Bárbara avista seu pai, vindo pela estrada, muito contente e aguardando ansiosa por seu presente, corre e avisa sua mãe. As duas aguardam na porta da residência, quando um forte raio cai pelas redondezas, o som do trovão foi tão forte que fez com que o cavalo se assustasse. Ricardo perdeu controle das rédias, em pânico o animal tenta fugir, mas continuava preso à carroça. Bárbara e sua mãe tentaram correr para ajudar, mas a carroça vira, uma pequena faísca é produzida, acidentalmente a pólvora se espalha, causando assim uma enorme explosão. Ricardo gritava muito, seus pedidos de ajuda podiam ser ouvidos à distância. Mãe e filha nada puderam fazer a não ser assistir a morte dele. Alguns objetos que estavam na carroça foram arremessados com a explosão, dentre eles estava a boneca que Bárbara tanto desejava. Intacta, a menina encontra e abraçada ao seu novo brinquedo, fica paralisada e parecia não acreditar que havia perdido seu tão amado pai. As chamas arderam por mais de uma hora e se alastraram pelo capim seco, muitas pessoas tentaram ajudar. Nada se salvou a não ser a casa onde elas moravam. Depois de algum tempo, Neide recebeu uma proposta de venda daquele local onde queriam construir um grande hospital. Sem pensar muito aceitou. Compraram uma casa no centro de Santarém e com o restante do dinheiro poderiam viver sossegadas, já que aquele local era muito valioso. Após a morte de seu pai Bárbara passou a ser uma menina triste e ainda mais solitária, pois pouco falava e nunca mais se separou do ultimo presente que recebeu dele. Apenas um cachorro foi levado para a casa nova. A mudança foi difícil para as duas, Bárbara sofreu muito e aos prantos entrou em sua nova moradia. Desde então seus trajes passaram a ser pretos, se fechou para o mundo. Renegou toda a ajuda que lhe foi oferecida. Neide preocupava-se e seu único consolo era pensar que tudo aquilo não passava de uma difícil fase. Um ano depois... Bárbara, nunca saia de casa, isto fez com que sua pele ficasse extremamente clara e pálida. Todas as noites,Neide escutava a filha conversar com alguém e ao espiar constatou que ela tinha a boneca como melhor amiga. Numa noite, algo de estranho aconteceu, Bárbara chorava muito e chamava por seu pai. Pensando em se tratar apenas de mais um sonho, Neide corre para ver o que estava acontecendo. Assustou-se ao encontrar a boneca suja de sangue, Bárbara continuava a gritar, sua mãe a acalma e depois a questiona sobre a boneca, sem obter nenhuma resposta recolhe o brinquedo de sua filha e vai para fora tentar limpar. Quando abriu a porta dos fundos, encontrou o cachorro morto, seu peito perfurado e com um vazio no local do coração. Neide ficou apavorada com a cena, num primeiro momento pensou ter sido obra de algum assaltante ou pessoa mal intencionada. Bárbara acalma-se e vai dormir. Devido ao susto, Neide nem se importa com a boneca suja, limpa e devolve para sua filha. A notícia se espalhou e todos pensavam ter algum maníaco rondando a vizinhança. Desde este dia a vida das duas tornou-se atormentadora, noite após noite, acontecimentos estranhos começaram a ocorrer na humilde casa. Armários abriam misteriosamente, objetos desapareciam e sons estranhos deixavam o ambiente aterrorizante. Neide não sabia mais o que fazer, sua única saída foi pedir para que a irmã e a sobrinha viessem ficar por um tempo na casa delas, pois com mais pessoas elas ficariam seguras. Por dois meses a situação ficou calma. Já era início do ano de 2009, o novo hospital da cidade iria inaugurar, muita expectativa rondava aquele povo, pois grande tecnologia foi utilizada naquele local. Bárbara continuava sendo a mesma menina calada e séria de sempre, nunca havia falado mais do que duas palavras com sua prima Bruna, que tinha a mesma idade. Bruna sempre quis brincar com a boneca da prima, mas sempre foi rejeitada por ela. Num domingo, todas vão dormir logo cedo. No meio da noite Neide sente um cheiro de fumaça, se levanta e depara-se com sua cozinha em chamas. Todos os vizinhos acordam e correm para ajudá-la. Próximo à porta de saída encontram a boneca de Bárbara, levemente queimada, mas sem grandes estragos. Neide estranha e decide jogar o brinquedo fora. Após passar o susto, todos voltam a dormir. No dia seguinte, Neide encontra a filha dormindo com a boneca que ela tinha jogado fora. Ela então cala-se e começa a desconfiar de sua filha, que era perturbada e misteriosa. Em um dia que Bárbara estava em outro cômodo da casa, Bruna pega a boneca de sua prima e começa a brincar. Bárbara retorna e encontra a menina com a boneca. Revoltada, pela primeira diz uma única frase. "- Você irá se arrepender por isso!" Bruna solta o brinquedo e vai de encontro à sua mãe. Na noite daquele mesmo dia, novos acontecimentos estranhos tiveram início, desta vez quem gritava muito era Bruna que dormia no mesmo quarto que Bárbara. Neide e sua irmã correm para ver o que estava acontecendo. O choque foi grande ao ver Bruna morta, também com um buraco em seu peito. O olhar de Bárbara era intenso, ficou parada em pé com a boneca em sua mão direita olhando para o corpo da menina. Suas mãos estavam sujas de sangue assim como a boneca. Neide não conseguia acreditar que sua filha havia matado a própria prima. Desesperada espanca a menina, que não teve nenhuma reação. Bárbara permaneceu dois meses acorrentada na cama, até que o novo hospital fosse aberto ao público. A mãe de Bruna foi embora e nunca mais deu qualquer notícia. Neide chorava muito, mas internar a filha era a única solução. A boneca foi mais uma vez retirada das mãos da menina. Já internada no hospital, Bárbara recusava-se a usar as roupas dos internos e continuava com seus trajes pretos. Mais um mês se passou. A menina estava piorando a cada dia, queria de qualquer forma sua boneca de volta. Os médicos acharam melhor que ela tivesse seu desejo realizado. Neide assim o fez, no dia da visita quis entregar pessoalmente e ficar a sós com ela. Depois de uma hora, os médicos acharam estranho o silêncio e a demora, quando abriram a porta da sala: Bárbara havia matado sua própria mãe, com as próprias unhas arrancou seu coração e comia como se fosse um saboroso doce. Os médicos ficaram abismados com o que viram. Bárbara foi novamente amarrada e sedada. A notícia se espalhou, todos na cidade temiam a menina e principalmente sua boneca, pois muitos acreditavam ser um objeto amaldiçoado. Mais dois meses se passou, a aparência dela era horrível, com muitas olheiras, cabelos negros e compridos. Os médicos e enfermeiras a temiam, eram poucos os que chegavam perto da menina. Toda a equipe achou por bem retirar novamente a boneca de suas mãos. Neste dia a situação se complicou. Bárbara dava gritos, e negava-se a entregar seu brinquedo. Mesmo lutando, a boneca foi levada para o incinerador. No exato momento em que foi jogada no fogo, o prédio do hospital também começa a arder em chamas. Em segundos o fogo se alastrou, a ala das crianças foi atingida, ninguém conseguiu fazer nada. Centenas de pessoas morreram naquele dia. Bárbara também foi carbonizada, poucos se salvaram. Mesmo com a grande tragédia, muitos se alegraram ao saber que a menina havia morrido, pois assim davam por encerrada as ações macabras daquela menina.


Um amigo de Pedro, estranha a demora de seu amigo, ao procurar por todos os andares do hospital, encontra sua câmera caída e logo em seguida seu corpo, com uma grande perfuração no peito. As fotos dele são reveladas, mas o temor foi enorme ao constatarem a presença de uma menina vestida de preto, segurando uma boneca em todas as fotos.