11 de jun de 2013

MEDO

Medo é um guri num buraco escuro quando puxa.
Guarda o assombro, caveiras e uma risada de bruxa.
Diz que vive vagando no vulgo roxo de mortalha,
a cabeça decepada na mágoa duma navalha.



MEDO

Não raras vezes sinto medo...
Medo de sentir e querer gritar.
Medo de olhar mais além.
Medo de cair e não poder me levantar.
Medo das marés que o mar da vida tem.

Não raras vezes sinto medo...
Não de morrer, mas de viver.
Medo de trocar o Ter pelo Ser.
Medo de esquecer 
que tenho asas nos pés
e que no entanto...
Sou frágil como outonais folhas.
Sinto medo de esquecer 
que tudo depende das minhas escolhas...

O medo intimida. Paralisa.
Mata inocentes. Desenterra o passado.
Revira mundos e fundos. Dá vida a defuntos.
Faz o olho esbugalhado.
Faz correr adrenalina no coração aterrorizado.
Faz trocar a mentira pela verdade
e a verdade pela mentira.
Substitui o certo pelo errado.
Tira a liberdade.
Afugenta a amizade.
Aniquila o amor.
Provoca dor.
Dor.
Dor.
Dor.
E mais
d
o
   r...