17 de mai de 2013

Virtudes e Indecências - Parte 7



[...]
Ao enfiar-se na cama naquela noite, no quarto de hóspedes de Daiane, saciada de massa e vinho, Deise sentia um bem-estar em relação à irmã que não sentira desde quando eram crianças. Não saberia dizer a última vez que as duas haviam ficado juntas até tarde, bebendo e conversando, como amigas. Era difícil admitir que isso nunca acontecera.
Daiane finalmente fazia uma coisa incomum e se virava sozinha como podia, disposta a vencer. Desde que não houvesse riscos para a irmã, estaria tudo bem para Deise. Daiane estava tomando pé das coisas e iria ficar tudo bem, com certeza.

ELE FICOU À ESPERA dela durante três horas aquela noite. Ticiane não se apresentou. Havia outras mulheres, claro, de nomes exóticos e voz sexy, mas não eram Ticiane. Enroscado na cama, tentou aliviar-se imaginando a voz dela, mas não bastou. Ficou ali deitado, frustrado e suado, imaginando com reuniria coragem para procurá-la.
Logo pensou. Ela ficaria feliz em vê-lo. Iria tomá-lo nos braços, despi-lo, da mesma maneira que fazia ao telefone. E o deixaria tocá-la. Faria qualquer coisa que ele quisesse. Tinha de ser logo.
À luz do luar, levantou-se e retornou ao computador. Queria conferir mais uma vez antes de ir dormir. Com dedos finos, mas competentes, digitou uma série de números. Em segundos surgiu um endereço na tela. O endereço de Ticiane.
Logo. [...]