26 de mai de 2013

O assassinato - Ele merecia morrer!


Em uma tarde nublada, com aparência de chuva forte, vinha ela caminhando com uma de suas irmãs pela rua. Era uma grande encruzilhada e já iria subir para sua casa, quando avistou uma aglomeração na outra esquina, com polícia, cordão de isolamento, um carro marrom encostado ao muro. Não sabia o que estava acontecendo e nem queria se envolver. Pela aparência, deveria ter sido algum acidente.
Olhando melhor para a aglomeração, identificou um homem de chapéu, próximo ao policial, como se estivesse havendo um reconhecimento de cadáver. E encontrou alguns conhecidos que confirmaram a ela a suspeita: havia ocorrido um assassinato!
Sem saber quem era a vítima, foi até a aglomeração, não com o intento de ver o corpo, mas retirar daquela cena uma parenta que, junto as outras pessoas, estava lá, olhando tudo de perto. Odiava aquele tipo de conduta e meteu-se no meio das pessoas, puxando aquela parenta pela camisa e retirando-a, com força, daquele local. Não deixaria que alguém de sua família servisse de corvo ou abutre sobre a carniça.
Já estava na rua de sua casa e foi subindo. Verificou que a rua estava lavada de sangue, sendo difícil não pisar nas poças. Era sangue por todo lado. Escutou das pessoas que o cadáver se tratava de um sujeito que, por acaso, era um desafeto dela. O malandro era metido com muitas coisas ruins, era um corrupto de carteirinha e estava fazendo a vida dela difícil, pois ambos estavam em lados opostos. Eram ex-adversos e ela, com seu trabalho honesto, o estava derrubando, apesar de todas as manobras obscuras e mentirosas, de toda a sujeira que já estava acostumado a lidar.
Mesmo sabendo que se tratava daquele desafeto, não se sentiu feliz e nem satisfeita. Ao contrário. Não achava certo debochar da desgraça alheia e tratou logo de pedir a Deus para encaminhar aquela alma que, apesar de todo o mal que lhe havia feito e do tanto que havia tramado contra ela, não fazia parte de sua índole a vingança.
Quando chegou no portão de casa, deparou-se com um homem completamente vestido de negro, com uma voz dura e pesada e que não se podia ver o rosto. Ele estava bem em seu portão, apoiado com um dos pés, de modo que, para ela entrar em casa, teria que pedir, pelo menos, licença aquele sujeito.
Ao se aproximar, o homem, que a conhecia, disse-lhe apenas isso, antes que ela falasse ou pensasse em algo: "o que aconteceu com ele não é culpa sua e nunca será. Não se preocupe, pois ele mereceu. Envolvido com tantas coisas erradas, com tanta gente ruim, o fim dele seria esse, apenas esse. Fique em paz e com a mente tranquila. Todos os seus problemas, que vinham dele, agora, acabaram. Já o queriam pegar há muito tempo e fizeram, todos ao mesmo tempo. Não vê quantas marcas de sangue pelo chão? Muitos o emboscaram e ele teve o merecido fim."
Ela ficou sem saber o que dizer ou pensar. Ficou ali, olhando ao redor e vendo que, se desde o seu portão até a encruzilhada existia sangue, era sinal de que ele havia sido executado bem na porta de sua casa. Talvez ele estivesse querendo fazer-lhe alguma maldade, mas, por estar envolvido até o pescoço com o que não devia, acabou encontrando o fim trágico bem ali, onde poderia ter dado fim trágico a uma inocente.
O homem misterioso se foi, ela entrou em casa, lavou a sola dos sapatos sujos de sangue e seguiu sua vida, sem nunca saber o quê exatamente aconteceu naquele estranho dia nublado...