26 de abr de 2013

Virtudes e Indecências

Prólogo
- O que gostaria que eu fizesse? - perguntou a mulher que se dera o nome de Ticiane. Tinha uma voz agradável e suave. Fazia bem seu trabalho, muito bem, e os clientes a procuravam repetidas vezes. Estava com um dos clientes mais assíduos, e já conhecia as preferências dele.- Eu adoraria - ela murmurou. - Apenas feche os olhos, feche os olhos e relaxe. Quero que esqueça seu escritório, sua esposa e seu sócio. Agora somos apenas você e eu.
Quando ele falava, Ticiane respondia com um riso baixo:
- Sim, você sabe que eu farei. Não faço sempre? Apenas feche os olhos e escute. O quarto é silencioso e iluminado por velas. Dezenas de velas perfumadas e brancas. Sente o aroma? - Ela deu outra risada provocante e baixa. - Isso mesmo. Brancas. A cama também é branca, grande e redonda. Você está deitado nela, nu. Está pronto, Sr. Marcos?
Fez uma expressão de enfado. Aniquilava-a o cara querer que o chamasse de senhor. Mas gosto não se discute.
- Acabei de sair da ducha. Tenho os cabelos molhados e pequenas pérolas de água pelo corpo todo. Uma se grudou em meu seio. Ela escorrega e cai sobre você quando me ajoelho na cama. Está sentindo? Sim, sim, isso mesmo, é fria, e você, muito quente. - Conteve um bocejo. Graças a Deus ele se satisfazia facilmente. - Oh, eu o quero. Não consigo tirar as mãos de cima de você. Quero tocá-lo, prová-lo. Sim, sim, me deixa louca quando faz isso. Ai, Sr. Marcos, você é o melhor. O melhor.
Nos poucos minutos seguintes, Ticiane apenas escutou as exigências e os prazeres do cliente. Ouvir constituía a maior parte do trabalho. Ele já havia ultrapassado o horário, e ela olhou o relógio, agradecida. Não apenas o tempo se esgotava, mas aquele era o único cliente da noite. Baixando a voz a um sussuro, ajudou-o a atingir o clímax.
- Sim, Sr. Marcos, foi maravilhoso. Você é maravilhoso. Não, não vou trabalhar amanhã. Sexta-feira? Sim, vou aguardar ansiosa. Boa noite, Sr. Marcos.
Esperou o cliente desligar e colocou o telefone no gancho. Ticiane tornou-se Daiane. Dez e cinquenta e cinco, pensou com um suspiro. Encerrava o serviço às 23 horas, não deveria haver mais telefonemas naquela noite. Tinha trabalhos para corrigir e um questionário de conhecimentos gerais a preparar para os alunos no dia seguinte.
Ao levantar-se, olhou o telefone. Faturara 200 reais, graças à companhia telefônica e à empresa Fantasia. Com uma risada, pegou a xícara de café. Era, de longe, muito melhor que vender revistas.
Apenas a quilômetros dali, outro homem gruda-se ao receptor do telefone. Tinha a mão úmida. O quarto cheirava a sexo, mas ele estava sozinho. Em sua mente, Ticiane estivera ali, com o corpo branco, molhado, e a voz serena, tranquilizadora.
Ticiane.
Com a mão ainda trêmula, espreguiçou-se na cama.
Ticiane.
Tinha de conhecê-la. E logo. [...]