28 de mar de 2013

Pensamento


Em meu próprio coração esculpo uma ferida
Somente você é o remédio,
pois não há como tirar-te da minha mente
já que lembranças não podem ser apagadas da memória.
Nem há como tirar-te do meu coração
pois nele há vestígios das marcas que o cupido deixou com as flechadas. Eu rejeitava, mas ele sempre voltava.
Meus pensamentos buscam traduzir uma nova realidade
para que eu não possa sentir saudade.
Não sofrer...
não chorar...
não me magoar.

Tradução


"Quanto você passa, procuro sorver teu perfume.
Meus pensamentos buscam traduzir uma nova realidade"

24 de mar de 2013

É bom sonhar


               Um bom sonho pode acabar sendo a melhor das coisas, só por simplesmente ter sido sonhado e nada mais, um bom sonho pode mudar tudo, então, antes de relatar, ou melhor, contar este sonho, digo, “Por um mundo de sonhos!”...


                Como começo a contar... Bom, posso tentar começando pela descrição de onde se passa esse sonho. Um lugar bem interessante, de certa graça no ar. O céu aparentava ter sido pintado para parecer um arco-íris, com suas cores se jogando para todos os lados. O chão não existia, bem, na verdade existia, mas em pequenas porções flutuando por aí, porções pouco maiores que um quarteirão. No resto, as pessoas preferiam passar o dia flutuando pelos céus, era uma coisa muito gostosa de fazer, ir para um pedaço de terra apenas na hora de dormir e se estivesse chovendo, caso não, dormiam flutuando mesmo.
                Como não era um dia de chuva, e o sol brilhava sem ser quente demais, espalhando uma aconchegante luz amarela no céu arco-íris, eu ela flutuávamos de mãos dadas. Fazendo cambalhotas, piruetas e estrelinhas no ar, apostando corridas para ganhar beijos e carinhos como prêmio. Em nossas brincadeiras ficamos alheios a tudo ao nosso redor, apenas nos importando em estar nos braços um do outro. As pessoas ao redor não veem mal em um casal demonstrando seu amor, acham normal, como deveria ser. Junto dela, tanto no sonho, como aqui, sinto paz, prazer e felicidade, sinto que o impossível é absurdamente possível.
                Ainda brincado, ela me empurra para longe, e enquanto volto para junto dela, acontece algo, subitamente um buraco negro se abre no ar, na nossa frente. Quando toco a mão dela, a gravidade do buraco me puxa, querendo me sugar, tentando me afastar dela, na hora sinto medo de ficar longe da minha menina, mas então, ela segura minha mão, me puxa pra junto de si e olha feio para o buraco negro. Ao receber o olhar, o buraco fecha no mesmo instante e tudo volta ao normal. Voltamos a brincar, como se nada tivesse ocorrido, como se um buraco negro maligno não tivesse aparecido poucos momentos antes. Mas quando a puxo para um abraço, e me perco nele, no perfume dela, acordo...

Fim.

13 de mar de 2013

A arte de se inspirar


  É foda quando se quer muito escrever mas não vem ideia alguma na cabeça, você faz de tudo, relaxa, pensa horas a fio, desenha, lê, bate a cabeça repetidas vezes na parede - não recomendo - e muito mais, só que a peste da inspiração teima em ficar de birra e não aparecer.
   E então! PÁ! Quando tu desiste de escrever, a criatura aparece, normalmente quando não podemos escrever. Todo escritor que passa por isso - só todos os escritores do mundo, coisa pouca, coisa boba. -  sabe a raiva que dá na hora,as nem sempre uma raiva ruim, muitas vezes até engraçada. Entretanto não é só a inspiração que sabe jogar este jogo. E pra brincar é bem simples, basta em um momento qualquer, escrever, escrever qualquer coisa, escrever apenas por escrever, então quando se der conta.estará escrevendo inspirado, e assim como farei agora, poderá dizer em alto e bom som, ou até gritar:
  - HÁ! TE PEGUEI SUA INSPIRAÇÃO MALDITA!!

7 de mar de 2013

LOUCO DE AMOR!!!


Era a primeira vez que deparava com aquele rosto, mas parecia conhecê-lo há muito tempo. Sua alma ficou perturbada e não conseguia pensar em outra coisa que não fosse aquela cena. Começou a dirigir, sem saber para onde ia. Só se deu conta quando foi parado por uma freada brusca. Havia avançado o sinal, e, por pouco, não colidiu com outro carro.
Continuou sua caminhada, mas não conseguia tirar da mente o rosto daquela bela mulher, de aproximadamente 27 anos, cabelos louros, de um aspecto encantadoramente macio. Seus olhos, porém, lhe pareciam muito, muito frios.

Ele acabara de chegar de viagem do Sul do Brasil, quando entrou naquele prédio para alugar um apartamento.
Só pôde ouvir o disparo da arma e um grito de dor. Nada mais. Foi tudo muito rápido. Aqueles minutos, todavia, pareciam-lhe uma eternidade.
Refeito do susto e dos pensamentos, resolveu parar e pensar no que deveria fazer. Não conhecia nada por ali. Mesmo assim conseguiu chegar a uma delegacia e contar o que presenciou.
A Polícia se deslocou para o local indicado por ele. Quando chegou ... nada! Nem sinal de tiros, mortes, nada mesmo. Logo pensaram tratar-se de uma brincadeira de mal gosto que algum vagabundo quis fazer.

Nova viagem para Belém. Desta vez não iria para aquele prédio, onde aqueles fatos terríveis aconteceram. Partiu à procura de um novo hotel.
Já instalado, ouviu um tiro e passadas rápidas aproximando-se de seu apartamento. Desta vez a mulher passou bem próximo dele e pôde ver, além de seu rosto, o corpo esbelto. A mulher lhe pareceu ainda mais peculiar. Da porta pôde ver o sangue escorrendo e o corpo de um homem caído ao chão. Desta vez não teve dúvidas, foi correndo dar o alarme à Recepção do hotel. 
 – Seu Antônio, acabo de presenciar um assassinato no corredor.
O recepcionista foi então ver do que se tratava e ... nada de anormal foi observado.
Júlio foi para o apartamento. – Não posso estar ficando louco – pensou ele. Vi claramente aquela cena.

A partir daí estas cenas passaram a ser rotina na vida daquele jovem.
Em pouco tempo estava ele habitando um manicômio.
Um dia, num de seus ataques, conseguiu fugir. No hospital foi um “deus-nos-acuda”. Somente dias depois foi encontrado morto por atropelamento.

No sepultamento, o comentário era um só: Aquele rapaz havia escapado de ser morto por sua noiva, uma barba azul, e, a partir desse incidente, passou a ter visões de uma mulher que matava friamente suas vítimas.

Fazer sentido


De repente quando você anda a procura de algo que faça sentido, que te preencha plenamente não acha. De repente, quando andando por uma rua: Surpresa! – Uma árvore! E ela te encontra! É assim que descobri as coisas que eu queria fazer. De repente, onde eu menos esperava. Elas me escolheram e não fui eu que as escolhi. Deus nos surpreende a cada dia dizendo: Tenha paciência. Você vai fazer o que nasceu pra fazer, quando realmente fazer algum sentido, e a alegria fluirá dentro de você. A recompensa maravilhosa de fazer o bem com aquilo de melhor que a gente tem! Fazer sentido onde a gente é sentido. 

Vários Tons

Sob o céu azul,
Diante do mar azul,
Sobre a terra verde,
Ao lado das árvores verdes.

Diante do por-do-sol,
Cores em vários tons,
De laranja para vermelho
Amarelo, até preto!

No escuro a noite se aproxima,
Diante da lua cinza,
Estrelas que ao lado dela brilha...

Tu no farol de sentinela,
Chego para você em um barco à vela,
Te convido para navegar,
No oceano te peço para me deixar te amar...

Mesmo que o sol deixe de nascer,
Eu vou amar você.
Casa comigo?
Pois você é a razão do meu viver.

6 de mar de 2013

Epifania?


Já sinto as primeiras gotas de água caindo...
Mas será chuva? Será Chuvisco?
Ou será minha apatia atingindo o céu?

Será apenas um milagre trivial da natureza?
Ou será a interferencia dos meus sentimentos no mundo físico?
Não duvido nada da segunda hipotese.

Mas as gotas são tão poucas, tão mirradas.
São para mim apenas outra constatação do quanto sou recluso, do quanto sou insensível se quero.
E olha que são poucas as coisas que me permito sentir...

Chega de falar, chega dessas indagações.
Não é nada complicado, nada é.
É normal sentir alegria, tristeza, odio, amor.
É normal sentir coisas boas e ruins
É normal se sentir importante para alguém, se sentir trocado por alguém.

Nada é uma coisa só, tudo tem dualidade.
É simples como eu já disse.
Indague ou não
Arfirme ou não
Tenha duvidas
Tenha certezas

É só ser dois, três ou mais.
Seja o que nasceu para ser.
É apenas ser você.

5 de mar de 2013

Poeta de privada

Que vida triste e desgraçada é ser poeta de privada.
Imagine só poetar enquanto dá uma cagada!
Escrever sobre o perfume de flores sentindo cheiro de merda braba.

Falar de coisas suaves, enquanto se rasga fazendo força.
Por isso eu digo que ser poeta de privada não é desgraça pouca.
Imagina falar de amor, falar da sua amada, 
E enquanto isso desce a feijoada.

É na privada, no banheiro,
Que se acaba a arte do cozinheiro.
E por essas e outras a regra é clara.
Não come quem tem medo de dar uma cagada!

Chuvisco - Parte 4


  - Pobre Chuvisco ... como aconteceu isso Bruna? - Pergunta Quiquilin a beira das lágrimas. - Como esse desastrado conseguiu isso?
  Bruna, que desde o acidente de Chuvisco não tinha saído de perto dele e muito menos falado com alguém, levanta a cabeça mostrando olhos vermelhos e inchados de tanto chorar, e com a voz rouca pela falta de uso responde:
  - Foi logo após o almoço lá em casa, Chuvisco conheceu meus pais e antes de ele sair ficamos conversando um bom tempo, então quando foi hora dele ir com o Vigia, um motorista bêbado invadiu a calçada e o acerto em cheio com o carro. Meu pai correu pra acudir ele e chamou a ambulância, Vigia não saiu de perto dele também, e em momento algum soltei a mão do Chuvisco ... quando a ambulância chegou ele ... ele ... - E então bruna se entrega novamente as lágrimas, Quiquilin tão mal quanto ela pela situação do irmão, se senta ao seu lado e tenta consolá-la um pouco.
  - Calma Bruna, ele tem esses azares, mas também tem uma sorte absurda, você vai ver. Ele vai sair dessa fazendo piada e planejando um espetáculo baseado nisso. - Quiquilin dá um sorriso cansado mas verdadeiro, e desejando com todas as suas forças que o que acaba de dizer realmente aconteça ... - Onde está o Vigia?
  - Está na entrada do hospital, não o deixaram entrar ...
  - Como é? Um momento Bruna ...
Quiquilin levanta e sai calado do quarto, após passar uns dez minutos ela começa a ouvir uma barulheira sem tamanho no corredor, e quando levanta para mandar pararem com o barulho por causa dos pacientes e principalmente por causa de Chuvisco, Bruna ouve latidos, e cai sentada na cadeira incrédula.
  - Ele não fez o que eu to pensando ...
Bruna mal termina de expressar sua incredulidade e Quiquilin entra no quarto com Vigia no colo, e pouco depois dele entra uma enfermeira acompanhada de dois seguranças.
  - Esse cachorro vai ter de sair - fala a enfermeira - Agora ou ele vai incomodar os pacientes.
  - Nem a pau! - exclamam Bruna e Quiquilin em uníssono.
  - Esse é o cachorro do meu irmão, ele fica! Esteve ao lado dele enquanto esperavam a ambulância, está desde que chegaram com o Chuvisco, em frente ao hospital.
  - Isso! Vigia tem todo o direito de estar aqui, e é mais provável o Chuvisco fazer barulho em coma pra incomodar os outros do que o Vigia. - Complementa Bruna.
  - E se tentarem tirar o cachorro daqui vão ter de passar por mim. - Ameaça Quiquilin
  - E por mim. - Ajunta Bruna
  - Na verdade, se um desses três triscar um dedo sem minha permissão no meu amigo, quem vai sair descendo a porrada sou eu! - fala Chuvisco sentando e assustando a todos no quarto. - O meu cachorro fica e ponto final.
Dito isso, Vigia pula pra cama de Chuvisco e deita ao lado dele pra ganhar um cafuné.
  - Chuvisco! - Grita Bruna se jogando em Chuvisco.
  - Como é bom acordar de um cochilo. - Fala Chuvisco dando risada.
  - Bestão - Brinca Bruna, mas dando um cascudo no namorado pela brincadeira idiota.
  - Idiota - Diz Quiquilin dando um abraço apertado no irmão.
Chuvisco sai da cama, vai até o banheiro,sai de lá trocado e pergunta:
  - E então? Vam'bora?
  - Como assim Chuvisco? 'Cê sofreu um acidente. - Fala Bruna confusa com a atitude de Chuvisco.
  - Sim, sofri, mas já acordei, então vamos embora. - Chuvisco puxa Bruna e Quiquilin apressado e assobia chamando Vigia que vai todo feliz pelo amigo ter acordado.
  - Quiquilin, me explica o que esse maluco tá fazendo fugindo do hospital assim? - pergunta Bruna sem entender nada.
  - Ele tem medo de hospital. - Responde o palhaço rindo.
Bruna não resiste e dá um tapa na testa, que é remediado por um beijo de Chuvisco.
  - Boba. - Diz Chuvisco acelerando o passo e sorrindo.
  - Como é? Você tem medo de hospital e eu que sou a boba? - Fala Bruna fingindo indignação e se divertindo com a situação.
  - Isso mesmo pequena. - Afirma Chuvisco se divertindo mais que todos.
  - Beleza, mas você vai continuar seu tratamento lá em casa, afinal sofreu um acidente!
  - Nada mais justo, desde que você cuide de mim.
E já bem longe do hospital, Chuvisco puxa bruna para junto de si e a beija.

Fim da Parte 4

4 de mar de 2013

SONHO

Ontem sonhei que teus beijos eram meus,
mergulhavamos em suspiros
e afogamo-nos em um mar de amor

foi tão exuberante
aquele momento abstrato
que abstraí-me dos fatos
pensando tudo ser real

Então, acordei-me
e junto veio a concreticidade
dos sentimentos tristes
fazendo-me odiar sonhar
pois o abstrato é algo que também pode machucar
e criar cicatrizes profundas...
Talvez, incuráveis.

3 de mar de 2013

Hoje não


Eu sinto muito, mas hoje não!
Não é a hora.
Não é o momento.
Isso quem decide sou eu!
Morro quando quiser!
Morro, se, se eu quiser.
E eu não quero isso agora.
Tenho muito o que fazer ainda.
Muito o que viver, experimentar.
Muito a causar e resolver.
Então, sinto muito minha cara amiga.
Mas você não vai me levar hoje.
Não vou deixar quem amo e quem me ama.
Morte, saia daqui, não tem chances comigo.
ainda mais junto ao meu amor, familiares e amigos.
Volte outro dia, outro momento.
Volte quando eu te chamar.
E em minha ultima dança será meu par ...

2 de mar de 2013

Riscos e Rabiscos


Absorta em meu pensar,
Rabisco meus riscos,
Que formam linhas,
Com uma história.

Colorida como um arco-íris,
Que colore o céu em muitas cores,
Em volta de mim,
Muitas flores.

Meus rabiscos avançam,
Deixando um perfume no ar,
Colorido,
Florido.

Num movimento final,
Junto as linhas,
Transformando-as entrelaçadas,
Numa história de amor.

Quase uma história real,
Mas nela apenas desenhos,
Nenhuma forma, a ponto quebrou,
Ficou apenas o prefácio de uma história de amor.

Um Lugar pra ficar...


E quando eu não quis mais ir,
Fui ficando mesmo assim
Me via sem vontade de partir
E foi aí então que percebi
Que nem sempre é preciso ir
Aconchego também eu acho aqui
Nem sempre é preciso partir...
Percebi que era bom poder ficar assim
Encontrando o meu lugar enfim
Vi que também tenho um lugar aqui
E não preciso mais partir
Cabia só a mim decidir
Ficar ou partir
Simples assim...

A volta dos que não foram...

E foi assim que eu voltei
Sem sequer sair daqui
Simplesmente sumi
Sem nada dizer
Sentir
E nem podia fugir
Ali fiquei isolada
Abandonada
Esquecida pela maioria
Totalmente largada
Mas eu venci!
Não sei a quem venci
Mas voltei 
Meio que ainda atordoada
Sem entender o que foi que eu fiz
E o tempo que eu perdi
Até agora não compreendi.

AGORA CHEGA!

Apenas um segundo...
Ou num milésimo de segundo,
O mundo gira e destrói a si mesmo!

Não há Cabral, não há Real que aguente,
Ou, pague o conserto de um sonho partido.
Faz parte da vida o desconserto, o desacerto!

Eu sei, tu sabes, ele sabe e nós sabemos;
Não é bom, não do bem!
Alegria, tristeza, tristeza, tristeza e somente tristeza!

Nada de sorriso, leveza e nem beleza.
Agora chega!!!
Sonho verdadeiro? É tolice, é besteira!
Advindo de um só... É asneira!

Olha! É madrugada de Domingo...
Vou pedir a Deus proteção,
Para que o dia que ora inicia,
Sem o canto dos pássaros,
Sem o perfume de hortelã e sem violão,
Num silêncio que indigna, alucina e desencanta;
Não me traga mais nenhuma ilusão.

Não estou triste...




Estou precisando apenas de um espaço para chamar de meu.É um daqueles momentos, onde tudo que desejo é um pouco de solidão.

Quero estar comigo mesma e tentar me entender. Gritar ou ficar em silêncio,
 a escolha tem que ser só minha.

Tente ver além desse olhar vazio, 
talvez perceba meu grito por liberdade.

 Ou talvez quando eu me sentir plenamente livre, o que não haja mais em mim, 
seja a vida.


1 de mar de 2013

Padre? - Parte 4

  A missa tinha começado bem, até o momento em que um dos traficantes mais temidos da cidade aparece na porta da igreja, se ajoelha e faz o sinal da cruz. Com exceção de Padre Yuri, todos se assustam, afinal depois dos últimos dias Yuri acostumado com situações de incrível peculiaridade. Um bom exemplo ocorreu no fim de semana passado, quando ele realizou um casamento sendo um padre de apenas 16 anos. Mas voltando ao traficante, que passaremos a tratar por Luan. Ele ignora a reação das pessoas, olha fixamente para o jovem padre e o chama com um aceno de cabeça. Yuri pede licença aos fiéis que vieram assistir a missa e vai até o traficante. Saindo da igreja, o vê sentado em um banco da praça. Yuri nota que ele demonstra cansaço, mas emocional, não físico. Quando vai falar com Luan, que é apenas dois anos mais velho que ele, é surpreendido por Luan que começa a falar, com a voz cansada por uma profunda tristeza e sensação de derrota:
  - O senhor conhece Dona Lurdinha? Ela fala bem do senhor...
Yuri ainda não acostumado a ser tratado por senhor sendo tão jovem, se ajeita no banco incomodado com esse tratamento e lembra de imediato de quem o jovem fala.
  - Sim, sei bem quem é. É um senhora gentil, toda missa me traz um doce. Na verdade achei estranho não a ver aqui hoje. Você a conhece? Ela está bem?
Pondo um pé no banco e apoiado a cabeça no joelho para esconder a queda de algumas lágrimas, Luan responde:
  - Conheço, sou filho dela, e minha mãe não está bem, está de cama a beira da morte.
Yuri se surpreende com o fato de o um dos mais poderosos traficante da cidade ser filho de uma senhora tão bondosa e gentil.
  - Ela está mal, passa mais tempo dormindo que acordada. - Continua Luan - O médico disse que ela não tem muito tempo, pois na idade dela, na idade ...
Luan se entrega ao choro, Yuri compelido pela emoção abraça o jovem traficante e pergunta:
  - Há algo que eu possa fazer para ajudar?
Se esforçando para segurar as lágrimas, Luas responde:
  - Na verdade é por isso que vim falar com o senhor, ela me pediu para falar com o senhor, ela pede que o senhor a visite o quanto antes pois sabe que não tem muito tempo neste mundo ...
  - Agora? - Pergunta Yuri um tanto surpreso - Agora agora?
  - Se não for problema pro senhor.
Yuri pensa por um momento e então responde ao jovem aflito:
  - Vou com uma condição, pare de me chamar de senhor. Sou mais novo do que você. Mas me dê um momento pra mandar o pessoal na igreja pra casa.
O padre então se levanta e vai até a porta da igreja e avisa quase no grito:
  - Pessoal, lamento informar, mas, a missa acabou! Tenho de ajudar uma pessoa com urgência pessoal, sinto muito, podem ir todos para casa.
Yuri espera todos saírem, apaga as luzes da igreja e a tranca, então volta até Luan.
  - Luan, posso pedir um favor? Tem como você me deixar em casa depois de eu ir ver sua mãe?


Fim da 4ª parte