28 de fev de 2013

Diálogo com o coração

- Vai coração, fala pra ela!
- Não, ainda não, não é a hora...
- Mas como assim? Não tem certeza do que sente?
- Tenho, e como tenho certeza, e mal vejo a hora de dizer isso a ela, mas...
- Mas??
- Não é a hora!!
- E por que não é a hora?
- Por que não sei se ela sente o mesmo. Sei que ela gosta muito de nós, mas será que da mesma maneira que a gente???
- Então é por isso... Esse é seu medo...
- Sim, meu medo e minha vergonha...
- Vergonha???
- Sim, vergonha, afinal não disse isso a ela ainda.
- Então diga ora bolas!!
- Mas eu não sei se ela sente o mesmo caramba!!!
- Ah é... Tem isso...
- Pois é...
- É... Peraí!! Já sei coração!!!
- O que meu Deus do céu????
- Diga a ela!
-  Mas...
- Nem mas e nem meio mas, diga!
- E se ela não sentir o mesmo e me deixar por achar que não pode me dar ainda o que já estou pronto para dar a ela???
- Mas é aí que está!!
- Está o que homem???
- Diga também que ela não precisa dizer agora, que você espera ela ficar pronta para dizer!
- E se ela nunca disser?
- Deixe de ser negativo rapaz, tem um pouco de risco em tudo nessa vida, vai ter de correr esse se o que sente por ela é real.
- Tem razão! E já me decidi, eu vou dizer a ela, ou melhor, vamos! Mas não agora
- E voltamos a estaca zero...
- Espera! Você não entendeu, temos de dizer num certo momento. Pra ser uma coisa bonita.
- Aaahh entendi e adorei, combinado! E que momento será esse?
- Ah, isso deixa comigo, mas dou minha palavra de que não vou dar pra trás.
- Ok, eu confio, graças a ela confio em você, por que sabe que é até uma loucura confiar no coração nessas horas.
- Hahahaha, você confia em mim não só por causa dela, mas por que é louco também.
- Correção, somos!
- Sim, somos, loucos por ela...

A primeira manhã

Acordo junto de ti como sempre quis
Vejo que ainda dorme.
Brinco com seu cabelo e deixo um beijo em sua testa.
Levanto com todo o cuidado do mundo não querendo te acordar,
E pé ante pé vou pra cozinha.
Olho nos armários e na geladeira
Atrás de coisas para fazer um café da manhã para ti.

Encontro ovos, pão, manteiga, frutas e suco de laranja.
Faço então umas torradas,
Ponho maçã e mamão na bandeja,
Um copo de suco e ovos
E perto do suco uma rosa.

Volto pro quarto com a bandeja,
Você ainda a dormir,
Coloco a bandeja no criado mudo e te chamo com carinho.
E quando abre os olhos,
Dou-te um selinho e digo:
−Bom dia flor do dia.

Você pega a rosa e a cheira,
Me puxa pelo pijama,
Me beija a boca e diz que me a...


26 de fev de 2013

Ontem existia a felicidade


         Os pássaros voam assustados com os meus gritos.

Ontem eles cantavam enquanto nós tomávamos um café,
Ontem as rosas desabrochavam ao sorriso seu,
Ontem rezávamos pra nunca nos separar, tínhamos fé,

Ontem eu e você cantávamos a canção do amor ao por do sol,
Ontem eu puxei o seu cabelo delicadamente, e você sorrio arrepiado,
Ontem você me fez uma massagem e leu minhas mãos na noite bela do luar  incandescente,
Ontem você era por mim amado,

Ontem éramos felizes,
Ontem eu vivi de verdade sim,
Ontem alguém te abraçou, e traída eu senti,
Ontem eu sai, bebi, fumei, louco fiquei, e na sua casa segui-me

Ontem eu estava bêbado,
Ontem eu briguei com você,
Ontem destruí seu coração,
Ontem sem saber, fui injusta e te magoei, e você chorou ao me ver.

Ontem eu sai de sua casa, terminei tudo, queimei nossos sonhos,
Ontem você ficou preocupado e sem saber o que acontecia,
Ontem você saiu desesperado de carro em meio a chuva pra me encontrar,
Ontem veio um caminhão e bateu no seu carro, e ali seus últimos momentos você vivia.

Ontem você tremia, até dar seus últimos suspiros,
Ontem a chuva escondia tuas lágrimas, enquanto momentos felizes lembrava
Ontem você disse meu nome,
Ontem você se foi, levaram o que eu mais amava.

Ontem eu recebi um telefonema,
Ontem eu soube que você tinha me deixado,
Ontem eu tentei me matar,
Ontem por ironia do destino o veneno que tomei fez foi me salvar.

Hoje eu não vivo,
Hoje eu sei que a culpa de você ter ido foi minha,
Hoje eu entendo que matei a minha própria vida,
Hoje eu choro todos os dias ao ver o voltar das andorinhas.

Hoje eu sobrevivo,
Hoje eu sou apenas um Zumbi,
Hoje a saudade é infinita, pois você nunca mais vai voltar,
Hoje eu sofro, não sei até quanto tempo vou suportar, mas sei que até este e depois desse dia eu vou te amar.

O Mensageiro da Morte!




       Aconteceu quase como uma sorte. Uma dessas que ocorre às avessas e que nos atinge sem os termos pretendido. Vivia naquela besta existência, tão pertinente aos mansos dias do interior, Joaquim Castanhal, cuidando do seu quintal, do seu trabalho de molhar carimbos na repartição estadual, dando sempre um beijo morno na esposa ao sair e recebendo outro ao voltar, quando observou aquele cão sarnento, do outro lado da rua, naquele fim de tarde prolongado, lambendo os pés do meu vizinho de frente, Francisco Torquato.
      Teria passado despercebido, se não soubesse que Francisco odiava os cães não permitindo que dele se aproximassem. Teria o expulsado, se o tivesse sabido, mas a questão é que, apesar de ter sido cheirado, e de terem seus pés repousados sobre o chinelo molhados, o vizinho não se deu conta do animal.
     Virou açoitando tantos outros por menos conta, que não pôde deixar de inquietar-se com a visão daquele novo assombro. Curioso, largou a enxada e, a pretexto de uma prosa sem temor, foi ter com o mesmo.Trocamos um “Boa tarde”. Dando voltas, logo interrogou sobre o animal:
            - E aquele cão, Seu Francisco, de quem era?
    Espantado, pela pergunta tão sem pontualidade, baixou um ríspido olhar carregando o falar de uma cólera não disfarçada.
            - Que cão? Sou lá homem de gostar de cachorro?
    Desconcertado, sem saber onde por a vergonha, ainda deu de forçar uma confirmação:
            - Aquele que acabou de lhe lamber os pés...
            - Endoidou homem? Que eu não deixo cachorro nenhum chegar perto!...
      E saiu para dentro de sua morada ficando chateado com a inquisição nada santa de Joaquim. Mais desconcertado ficou. Não eram bons amigos, no máximo vizinhos que se toleravam sem os achegos de cordialidade exacerbada e o que não era doce, precipitou-se ao amargo. Joaquim foi para casa e deitou-se com a impressão ruim, querendo pedir desculpas no dia seguinte sendo que lhe levaria umas hortaliças para remediar sua intromissão despudorada.
      Dormiu mais sossegado. No entanto, ao quebrar do dia, ficou sabendo pelo choro extravagante da mulher que Seu Francisco bateu nas Portas do Paraíso ainda naquela madrugada poupando-se de dar-lhe a hortaliça.
      Joaquim ficou na intriga e, o assunto teria sido esquecido caso, no dia seguinte, não visse novamente o cão atravessando uma rua. Segui-o à distância, para não espantá-lo. Viu que foi ao bar e, do mesmo modo, lambeu os pés de um bêbado conhecido na região, Seu Tetéu. Deixou estar e ficou de sobreaviso. Procurou seguir o cão, porém sumiu nas sombras de uma rua.
            - Deve ter-se metido por algum buraco no muro. – Pensou.
     Não foi sem surpresa, quando no dia seguinte, Joaquim ficou sabendo da morte do coitado Tetéu. Não gostou daquela novidade e, a partir daquele dia, o terror de Joaquim foi procurar o cachorro querendo vê-lo longe de si o máximo que pudesse. Sabe-se, entretanto, que ninguém foge às teias do destino. Certo dia, ao sair de casa, olhou para a rua de cima e vi o cachorro vindo em sua direção com a boca aberta e babando. Olhava-o diretamente nos seus olhos. Joaquim deitou-se a andar acelerado rua abaixo vigiando-o de longe. Quebrou por uma esquina e correu o quanto pude. Parou na próxima dobra de um quarteirão. O cachorro, como se tivesse um faro de outro mundo, veio correndo acelerado.
     Joaquim deixou de lado aquela intriga de querer adivinhar o que pensariam dele ao ver correndo e acelerou para a repartição. Parou na porta e viu que o cachorro se partia naquele rumo. Correu para seu gabinete em desespero ordenando ao funcionário do atendimento que não queria ver ninguém.
     Permitiu que sua porta ficasse entreaberta. O animalzinho entrou, lambeu os pés do atendente, após cheirá-lo e partiu. Quando Joaquim se sentiu seguro, perguntou-lhe ao funcionário:
            - Viu aquele cãozinho?
      O funcionário olhou sem entender perguntando do que estava falando. Compreendeu Joaquim, então, qual seria a sua sina e não ficou surpreso ao saber que meu colega de serviço morrera ao voltar para casa, vitimado por um desafeto que lhe cobrara uma pesada dívida de jogo.
       Não eive mais nenhum dia de paz. Ficou, nos anos seguintes, a vigiar a presença daquele sinistro animal. Tantas vezes o viu passar, para lá e para cá, que mal seu deu conta de cuidar de ser feliz e o tempo correu. Comprou uma arma e, caso se aproximasse, estaria disposto a liquidá-lo sem pena.
        O tempo correu e foi testemunhando a veracidade daquele visitante do infortúnio. Certa tarde, quando mantinha guarda na varanda, foi acordado por sua esposa:
            - Vem para dentro que faz frio.
        Velho e quebrado, levantou-se lentamente da cadeira de balanço. Antes de entrar, ela se voltou perguntando:
            - Que cachorro sarnento era aquele que te cheirou e lambeu os pés?
        Engoliu em seco. Sabia do que se esperava, mas não se encontrava pronto. Afinal, passou tanto em vigília, no intento de escapar da morte, que me esqueci de saborear o melhor da vida...

18 de fev de 2013

The Rock Boys Parte 5


                       Eu não conseguia distinguir o que estava acontecendo, será que aquilo tudo era real? Será que tinha acabado de sofrer um atentado. Não sabia de nada. Tudo para mim era novidade já que o fato da suspeita da Carolina ser uma desprezada dos deuses gregos fazia bastante sentido, por ela ser atraente o suficiente para enfeitiçar qualquer um... Eu não parava de suspeitar havia desconfiança de todos, além de tudo. Não era possível que aquilo estivesse acontecendo, então chegou a hora de ouvir rock. Estava escutando Iron Man, do Black Sabbath. Melodia atraente, diria. Mas na hora que o Ozzy começava a cantar Carolina me aparece sorrateiramente, do meu lado, sem eu perceber. Aquilo era loucura! Como uma pessoa poderia ser tão traiçoeira. Senti curiosidade, fui buscar na internet sobre essa raça, descobri que todos eles tinham um sinal de nascença, na nuca, que não podia ser percebido, pois Carolina sempre usava cabelos super longos. Teria de descobrir aquilo eu teria um treco.
                    Fui a casa dela, como quem não queria nada, e na verdade eu nem sabia o que estava fazendo ali, na hora que à vi, percebi que ela não estava para papo, então pensei: ‘’Como irei fazer, não vou chegar e pedir para olhar a nuca dela!’’  Era tudo muito estranho. Então, falei:
-Oi-
-Oi- Ela respondeu- O que lhe traz aqui- Completou, com sarcasmo.
- Vim saber, se vossa majestade gostaria de ir comer um hambúrguer hoje?- Com muito mais ironia eu respondi- As sete?
- Claro, só vou me arrumar já te encontro- Afirmou.
              Tinha a oportunidade, e tinha que fazer isso, poderia disfarçar com um beijo, mas já seria uma coisa muito manjada, então teria de ser extremamente persuasivo para fazer isso. Já era 18h59min, e estava contando os segundos, ansioso, fui para a porta da casa dela, e parecia que ela já estava lá para me surpreender. Cheguei lá com um segundo de atraso. Ela com ironia jogou a indireta:
- Atrasou-se;
- Você que pensa. Vamos, antes que feche.
            No caminho, tentei colocar minha mão nos ombros dela, mas ela não deixava, sabia que seria muito difícil, mas ia conseguir. Ela estava linda, com um jeans preto e uma camisa preta, ah, estava difícil não me sentir apaixonado. Na entrada, esbarrou em mim, uma pessoa com um álibi muito suspeito, em minha opinião. ‘’Bem, as pessoas podem não ser o que aparentam’’ - Pensei. Mas estava admirando ela quando o homem do álibi suspeito saco uma arma, e gritou, avisando do assalto. Tentei arrumar um plano para fugir só que era difícil demais, salvar minha vida ou a da garota que eu amava? Eis a questão. Era uma coisa que não conseguia entender. Na hora que ele veio pegar nossas coisas ele disparou contra Carolina, que não sei como pegou a cápsula com o dedo, e jogou no cara. E nesse momento eu vi a marca de nascença. Não jantamos aquela noite, mas no caminho de volta parei num beco escuro e puxei-a para perto de mim.
- Já sei o que você é.
- Diga então-
- Um desprezado do olimpo.
- Não brinca essa nem eu sabia!
- Deixe de sarcasmo, eu sei pela sua marca de nascença.
                    Naquele mesmo momento senti que o cara da máscara de esquiador entrou no mesmo beco que a gente, e falou:’’ Eu avisei que ele saberia..’’ Eu senti que Carolina corria perigo. 

17 de fev de 2013

The Rock Boys Parte 4


         Depois do show fomos para a classe. Estava tudo normal até o surgimento de um novo professor. Seu nome era Jones, professor de história mais era especializado em mitologia. Parecia ser uma pessoa legal... Parecia... Logo após o início da sua aula o professor começou a falar de uma raça de gregos antigos que eram desprezados pelos deuses do olimpo, por não serem o que eles chamavam de ‘’puros’’. Eram considerados os escravos de Hades. Tinham poderes de luta impressionantes e a capacidade de apaixonar e levar os puritanos a tentação. Como já era de se esperar, todos começaram a refletir, mulheres de corpo escultural que levavam homens para o mau caminho pelo fato de sua beleza ser extraordinária para todos...
            Depois dessa explicação, comecei a refletir sobre o que ele tinha falado, se Carolina era tudo que o professor falara, e acredite, ela era! Fiquei surpreso pelo fato de não ter percebido aquilo antes... Eu sei, já está parecendo uma história manjada por todos que a pessoa era um ser místico de não sei lá das quantas e que viverão um amor proibido, chega disso Né? Bem logo após essa informação no caminho de volta para casa comecei a conversar com Carolina sobre o que o professor falou:
- Carolina, você sabe alguma coisa sobre aquilo que o professor falou?
- Não... Não sou nerd para saber dessas coisas. Ser nerd é legal mas não faz meu tipo.
- Então por que será que tem tudo a ver com você??
- Hum... Parece que alguém aqui me acha irresistível!
- Pare de sarcasmo, você acabou de confirmar aquilo que aconteceu noite passada.
- Só se você estiver louco!
- Sim, você confirmou, então agora tenho base para fazer isso!
        Agarrei os braços dela e ela não fez nada. Era só mais um truque barato para me confundir e num relapso de desatenção ela me jogou longe. E correu atrás de mim, se fazendo de vítima. Bem, eu não confiava e sempre tinha colocado a culpa nela até que vi o cara com a máscara de esquiador correndo pro beco...

13 de fev de 2013

O pesadelo de um escritor – Quando a ficção se torna realidade. ParteIII


O padre João Bastista veio visitar o apartamento. Benzeu os cômodos, roupas e o casal.
— Padre, minha companheira está sendo possuída – disse Henrique Pedreira.
— Não vejo sinais de possessão.
— Ontem eu acordei flutuando sobre a cama – revelou Luísa.
— Eu sou testemunha – corroborou o escritor.
— Levitação é algo surpreendente – disse padre João Batista franzindo o rosto em preocupação – é algo surpreendente e algo muito grave. Mesmo assim preciso de mais evidências.
— Eu ando escutando coisas – disse Luísa – a campainha toca, o chuveiro liga sozinho, eu ouço vozes quando estou sozinha aqui, o fogo do fogão de uma hora para a outra chega até no teto. Estou sofrendo padre, preciso que me ajude.
— Lamento irmã – se desculpou o padre João Batista – nada dessas coisas são evidências válidas para que a diocese autorize o exorcismo.
— E o que seriam evidências válidas? – perguntou Augusto Pedreira.
— Pra começar você deve falar línguas que nunca aprendeu. Segundo: você deve falar de pessoas que nunca conheceu. Terceiro: você deve saber de segredos dos outros os quais nunca lhe foram revelados. Quarto: você precisa apresentar uma força física que seja descomunal para seu porte. Essas são as quatro evidências básicas. Quando chegar nesse estágio pode vir me procurar.
Padre João Batista se despediu e foi embora. Augusto Pedreira com uma cara de preocupação falou:
— Que estranho, tudo o que padre falou foi exatamente o que eu escrevi no meu livro. Letra por letra.
— E agora, o que vai acontecer comigo? Até a igreja me deu as costas – falou Luísa com aflição – estou com muito medo.
— Calma meu amorzinho – agradou Augusto Pedreira dando um abraço em sua companheira – eu estou aqui. Tudo vai ficar bem.
Mas o escritor sabia que nada ia ficar bem. No seu livro, a esposa possuída mata o seu marido a golpes de facadas. E ele não queria ser morto a facadas e depois jogado da sacada do seu apartamento.
Por horas Augusto pensou no que fazer. O tempo era seu inimigo. A noite chegaria e talvez Luísa pudesse não resistir. Escondido ele saiu do apartamento e foi até a sua vizinha Salete em busca de ajuda.
— O que se passa? – perguntou a vizinha atendendo a porta – parece um tanto assustado.
— E se estou, preciso de sua ajuda.
— Como sempre.
— Dessa vez é questão de vida ou morte.
— Pode entrar.
Augusto entrou no apartamento de Salete. Como sempre achou nojento aquele cheiro de incenso. Sentou-se no sofá de couro vermelho e contemplou as pinturas de animais que decoravam a parede.
Salete, despojadamente vestida em seu hobby de cetim preto, sentou-se em uma poltrona e provocadora cruzou as pernas exibindo parte de suas coxas.
— Diga o que tanto lhe aflige – pediu Salete.
— Minha mulher, ou melhor dizendo, minha companheira Luísa, acho que ela está sendo possuída.
— Possuída?
— Sim, possuída.
— Possuída por quem?
— Por ele.
— Ele quem?
— Você sabe, ele.
— Quem?
— Aquele que tem na cabeça – respondeu Augusto Pedreira fazendo chifrinhos em sua cabeça com os dedos.
— Ah sim, conheço – emendou Salete.
— Que bom – sorriu o escritor – o que faço para ajudá-la? Não quero que ela seja possuída. Você tem alguma poção, feitiço ou sei lá, qualquer coisa que possa me ajudar?
— Eu sei de uma simpatia que pode ser muito útil – disse Salete.
— E qual é? – perguntou Augusto afobado para galhardia da bruxa.
— Você é mesmo um individuo divertido. Nesses dias você tem pedido a minha ajuda com certa freqüência. De vez ou outra a gente quebra o galho, mas eu não sou macaco gordo pra ficar quebrando galho todo dia.
— Está bem, está bem – falou o escritor – diz quanto eu tenho que pagar que eu pago.
— O seu dinheiro não me interessa – respondeu Salete virando o rosto.
— E o que você quer?
— Faz tempo que estou precisando de um escravo.
— Escravo? Como um gigolô ou um garoto de programa?
— Não meu querido. Eu quero alguém que faça todas as minhas vontades, que realize todos os meus fetiches, tudo sem protestar.
— Olha só moça – foi dizendo Augusto rindo – você não vai me querer de escravo. Eu tenho quarenta e sete anos, sou pacato, uso sandálias com meias de algodão. Não tenho vinte anos. Não estou no pique mais. Às vezes até preciso tomar Viagra. Se você quiser eu posso autografar uns livros, posso participar de algumas reuniões de bruxaria, posso dar palestras...
— Cale-se! – mandou Salete – um escravo não serve apenas para o coito. Você vai descobrir que um escravo pode ser bem útil mesmo não usando o pênis. Então? Quer minha ajuda? Então pode tratar de aceitar os meus termos.
— Por quanto tempo eu vou ter que ser esse negócio de escravo?
— Por uma semana. Por uma semana inteira você deverá ficar aqui no meu apartamento fazendo todas as minhas vontades. E sem reclamar.
— Uma semana inteira? Mas eu tenho que dar comida para meu canarinho todo dia de manhã.
— Não dou a mínima para seu canarinho idiota. Vai aceitar ou não?
— Está bem – decidiu Pedreira se levantando – eu aceito. Agora me fale da simpatia.
— Claro, com muito prazer. Primeiro deve beijar meu pé – disse a bruxa erguendo o seu pé para Augusto.

[aliis]

Augusto Pedreira foi andando pelo corredor enquanto limpava o gosto acre da sua boca. Ele estava em maus lençóis. Pelo menos ia conseguir salvar Luísa da possessão.
Quando entrou em seu apartamento, deparou-se com uma escuridão terrível. Ligou a luz.
— Luísa! – chamou ele.
Augusto caminhou até a área de serviço. Do armário pegou um espanador de pó. Agora só precisava encontrar Luísa, passar o espanador em seu rosto e dizer as palavras mágicas: revertetur ad esse tenebris powder.
O escritor foi para o quarto. Entrou e acendeu a luz. Não achou Luísa. Nem no banheiro ela estava. Na cozinha ele encontrou um mau agouro. Havia facas jogadas pelo chão.
Com cuidado, ele começou a procurar por cada canto do apartamento. Olhou debaixo da cama, dentro do guarda-roupa e atrás das portas.
— Onde será que ela pode ter ido? – se perguntou o escritor coçando a cabeça. No alto da parede, bem no canto perto do teto estava Luísa como uma aranha. Em sua mão segurava uma faca. Augusto Pedreira estava de costas para Luísa e não teve como reagir quando ela pulou sobre si. Os dois caíram em cima da cama desastradamente. Luísa balançou a faca no ar e atacou o escritor. Ele foi rápido em desviar, mas a lamina raspou em seu braço fazendo uma tira de sangue. O espanador de pó ainda estava em sua mão, mirou no rosto da Luísa, que agora tinha a face toda enrugada com olhos brancos e espanou as penas bem em cima do nariz da mulher possuída dizendo alto: “revertetur ad esse tenebris powder”.
Subitamente Luísa se contorceu toda enquanto gritava palavras em outra língua. Seus olhos começaram a girar nas órbitas e de sua boca escancarada descia uma saliva verde. Ela deu um último grito e desabou como pedra em cima de Augusto.
Quando Luísa voltou a si estava ardendo em febre.
— Vou pegar um remédio para você – disse Pedreira beijando a testa da companheira.
— Você está com o braço cortado – falou Luísa vendo o sangue descendo pelo braço dele.
— Só foi um pequeno corte. Por pouco você me mata.
— O que você fez? Como conseguiu me salvar?
— Eu consultei alguns livros – mentiu o escritor.
— Pode ficar tranqüilo que eu vou recompensá-lo, vou passar uma semana inteirinha fazendo suas vontades, vou ser a sua escrava – falou Luísa beijando a orelha de Augusto Pedreira.
Isso fez o escritor lembrar que seu pesadelo ainda estava por começar na casa da vizinha.

12 de fev de 2013

O pesadelo de um escritor - Quando a ficção se torna realidade. ParteII


De tarde, Augusto Pedreira saiu para ir beber cervejas e conversar sobre partidas de futebol com seu grupo de amigos. Luísa ficou sozinha no apartamento. Era por volta das seis da tarde quando ela estava no escritório lustrando a mobília e ouviu a campainha tocar. Quando abriu a porta não havia ninguém. Isso aconteceu por mais duas vezes. Irritada e sem paciência, Luísa permaneceu por um bom tempo espiando no olho mágico. O estranho foi ouvir a campainha tocar e não ver ninguém pelo olho mágico. Luísa abriu a porta rapidamente. Não viu ninguém pelo corredor. Ninguém seria tão rápido de tocar a campainha e se esconder. E não havia onde se esconder, aquele era um pequeno corredor de edifício. O jeito que Luísa encontrou foi deixar a porta aberta. Mesmo assim a campainha tocou.
- Vai ver é apenas um defeito de fiação – se tranquilizou Luísa – acho melhor desligar.
A chave que desligava a campainha ficava na caixa geral. Para surpresa da mulher, a chave da campainha já estava desligada. Ela não sabia o que pensar daquela chave desligada, pois aquela chave deveria estar ligada. Como a campainha poderia tocar se estava desligada? Em hipótese alguma aquela campainha deveria ter tocado. Como? Se a chave estava desligada. Se estivesse ligada poderia ter sido um problema da fiação, mas a chave estava desligada.
— Preciso de uma dose. Uma boa dose de conhaque. É disso do que preciso – falou Luísa indo para cozinha.
Por volta das oito, ela dormia tranquilamente.
— Luísa! Luísa! – ela acordou com a voz de Augusto Pedreira a chamando. A porta do banheiro estava aberta e ela ouviu o som do chuveiro.
Entrou pensando que seu companheiro estivesse tomando banho. Quando abriu a cortina deparou-se com o chuveiro ligado sozinho. Aquele chuveiro não poderia ter ligado. E aquela voz que ouviu? De quem seria?
Escutou a porta da sala sendo aberta. Augusto Pedreira veio andando pelo corredor e encontrou Luísa com uma cara de espanto.
— O que aconteceu? – perguntou ele.
— Tem coisas estranhas acontecendo nessa casa – disse ela.
— Fala da TV a cabo?
— Falo de coisas que não podem acontecer. Como a campainha que toca quando está desligada. Como o chuveiro que liga sem ter ninguém no banheiro, como o fogo que se acende sozinho...
— Que estranho – disse o escritor pensativo – tudo isso que me diz acontece exatamente no meu livro de terror. Quer dizer que não foi você que quebrou os pratos na cozinha?
— Eu disse pra você que não tinha sido eu – protestou Luísa.
— Não pode ser, não pode ser – repetiu Augusto achando graça da situação – nada disso que me disse pode ser verdade. Isso é loucura.
— Não é loucura nenhuma, tudo está acontecendo. Eu juro que tudo isso está acontecendo de verdade.
— Vamos dormir, amanhã será outro dia e quem sabe deixaremos de falar coisas estranhas uns para os outros – cativou o escritor passando os dedos no rosto de sua adorável companheira – venha para a cama.
Enquanto roncava de barriga para cima, Luísa começou a levitar lentamente. Ela foi subindo, subindo, desvencilhando de seu lençol e vencendo a gravidade. Quando já estava na altura de alcançar o teto, a mulher acordou.
— Socorro Augusto! Socorro Augusto! – gritou Luísa querendo acordar seu companheiro.
Quando Augusto Pedreira acordou e viu Luísa levitando tomou um grande susto.
— Ande homem, faça alguma coisa! – pediu ela.
— Fazer o que? O que eu posso fazer? – perguntou o escritor desesperado andando de um lado para o outro do quarto.
— Me ajude a descer!
— Mas o que você está fazendo aí em cima mulher?
— Eu não sei, parece que alguém está me levantando.
— Não tem ninguém levantando você. Isso deve ser um pesadelo. Só pode. Eu vou me sentar aqui e daqui a pouco vou acordar. Só tenho que esperar.
Augusto Pedreira sentou-se na cadeira e ficou olhando para Luísa flutuando.
— Você não vai fazer nada? – perguntou ela desesperada.
— Estou no meio de um pesadelo, o que quer que eu faça?
— Faça logo alguma coisa homem velho – irritou-se ela.
— Vou fazer o que meu personagem fez no livro. Vou rezar – respondeu o escritor. Ele então se ajoelhou, abaixou a cabeça e rezou. Enquanto rezava, Luísa foi descendo vagamente.
— Por santo Deus, o que está acontecendo comigo? Estou com muito medo – falou Luísa abraçando seu companheiro.
— No meu livro, a mulher começa a ser possuída pelo demônio quando isso acontece.
— Sério?
— Sim, depois que o marido a vê levitando, coisas ruins começam acontecer.
— E o que faremos?
— Vamos chamar o vigário. Ele quem sabe poderá realizar o exorcismo.
— Isso não parece nada bom.
— Confie em mim. Você ficará bem.
— Eu vou ter aquele lance de girar a cabeça para trás?
— Não, isso não vai acontecer.  – quando tudo se acalmou, pensativos, cansados, foram dormir.

Adeus...

Seu devaneio
me tirou do teu meio
e jogou direto pra escanteio

Perdeste toda a aurora
quem te amava
agora te ignora
agora sou sou vigia
e guardo a agonia
de sempre te manter do lado de fora

Não adiantará melancolia
mas saiba que tua trizteza
não será minha alegria
apenas será um lembrete
de uma ideia tardia

Adeus...

11 de fev de 2013

O pesadelo de um escritor - Quando a ficção se torna realidade. Parte I


A bruxa Salete apesar de ser uma bruxa má, não deixava de ser uma boa leitora. Em seu apartamento iluminado por velas ela passava horas lendo romances de terror. Pela internet ela comprou um atraente título chamado “A espera de um diabo”.
Como de costume, Salete primeiramente tomou um belo banho numa banheira com água fria. Ensaboou seu lindo corpo esbelto, ouvia através de um toca fita antigos rituais para nunca envelhecer. Para completar ela bebia sangue de cabra virgem.
Após seu banho de rejuvenescimento, Salete deitou-se em sua poltrona vermelha de couro com seu livro no colo. Começou a leitura e só parou dez horas depois ao ler a palavra “Fim”.
- Boa história! – exclamou Salete fechando o livro. O romance tratava-se de um homem que se muda para uma nova casa junto de sua esposa e três filhas. No decorrer dos anos a esposa passa a ser atormentada por estranhas atividades paranormais. Atividades estranhas como: luzes que se acedem sozinhas durante a noite, o chuveiro que liga sozinho no andar de cima, barulhos de passos pela casa quando não há ninguém, som de arranhões vindo da parede, copos que se quebram e coisas do gênero. A esposa se desespera de tanto ver coisas anormais. Então um padre é chamado para resolver esses problemas. O padre crê que a casa é habitada por um terrível demônio que quer possuir a esposa. Porém o padre não pode realizar o exorcismo sem autorização da diocese. E para que a diocese autorize o exorcismo é preciso uma soma de fatos concretos sobre a presença do demônio. Com essa resolução, o demônio acaba por possuir a esposa. No final ela mata o seu marido e as crianças. Um fim que agradou Salete. Só que ela ficou mais alegre quando viu o nome do autor: Augusto Pedreira. O escritor era vizinho de Salete e os dois tinham uma boa relação de vizinhança. Salete imaginou como Augusto Pedreira se comportaria se aquilo que escreveu virasse realidade. Ela imaginou como seria se a ficção se tornasse real para seu autor. Ela jogou o livro em sua lareira e pronunciou algumas palavras em latim. O fogo queimou as paginas instantaneamente uma por uma.




Como sempre, Luísa (esposa de Augusto) acordou primeiro que Augusto Pedreira. O escritor costumava dormir até às onze da manhã. Na cozinha ela achou os armários com todas as portas abertas. Pensou que deveria ter sido Augusto Pedreira. Talvez ele tivesse acordado no meio da noite e procurado por alguma coisa. Da geladeira tirou uma caixa de ovos. Riscou o fósforo e ligou o registro do bocal do fogão. Ao colocar a cabeça do fósforo em chamas perto do bocal, uma grande labareda de fogo subiu até o teto. Rapidamente Luísa desligou o registro. Com medo desistiu de fazer sua omelete. Foi para sala assistir TV. Nenhum canal pegava, só ficava aquele chamuscado cinzento.
- Meu Deus! – exclamou Luísa de pé em frente ao televisor enquanto ia passando pelos 180 canais da antena como controle remoto – não tem nenhum que preste.
Cansada daquele barulho grudento, Luísa desligou a TV. Sentou-se no sofá e ficou em silêncio. Ela escutou o som de um prato caindo no chão. Depois outro. E depois parecia que um armário inteiro de louças havia caído no chão. Luísa permaneceu em silêncio, bem quietinha no sofá, com os olhos fixos na porta da cozinha.
Augusto Pedreira passou pelo corredor indo para cozinha.
- Santo Deus! – gritou o escritor – mas que diabos aconteceu aqui? – Ele entrou na sala com a cara de poucos amigos.
- Porque quebrou os pratos? Tá a maior zona lá na cozinha! O que deu em você? Tá ficando biruta depois de velha? Credo mulher.
Luísa mostrou o controle remoto para seu companheiro.
- Nenhum canal da TV pega.
- Como assim nenhum canal pega nesta TV? – falou Augusto Pedreira tomando o controle remoto de Luísa. Quando ele ligou a TV, todos os canais estavam pegando normalmente.
- Não vai fazer o café? – perguntou ele irritado.
- Não posso.
- Está bem, eu faço. Vou limpar a bagunça, vou fritas ovos, colocar manteiga na mesa. Vou fazer tudo isso. E você pode ficar aí assistindo TV. Eu não ligo.

Augusto Pedreira foi para a cozinha preparar o seu desjejum. Luísa permaneceu no sofá assistindo um canal sobre cachorros. Pra ela era fácil fazer tudo aquilo.



Dupla personalidade!




Comportamento invejável, no serviço é muito requisitada pelos colegas, conselheira de mão cheia. Mas sente algo estranho em seu interior, ditando, e querendo comandar seus pensamentos , que na maioria das vezes, não refletem sua vontade. 
Com sua juventude implacável, um estilo de atriz “global”, credencia-a objeto de desejo da classe masculina, e de algumas femininas. Quando fica sozinha, questiona sua vida, já está cansada de tanto representar. Por incrível que pareça, não tem amigos, vive sempre na sombra de sua personagem. Sem ter encontrado á solução, se embriaga todos finais de semana, procura ás baladas, os “agitos”, momentaneamente sente-se feliz, mas não encontra á paz interior.


Não banalize o sentimento chamado AMOR!


Não use a palavra em vão, não a pronuncie sem sentir!

Amor é muito mais do que uma coisa banal dita a toda hora, e sem ser verdadeira.

Vejo pessoas dizendo eu te amo para pessoas que acabaram de conhecer, e pouco tempo depois, nem se falam mais, então aonde foi parar o amor???

 É preciso esperar, é preciso esperar o verdadeiro sentimento aparecer, e só com a certeza das certezas, olhar fixamente nos olhos e dizer a tão forte frase: Eu te amo.

6 de fev de 2013

Entrevista com o palhaço demônio



"Os loucos são os certos numa sociedade errada."

 O alarme do banho de sol havia soado estridente quando entrou na sala de convivência, um lugar que, dentre poucas qualidades, restavam paredes sem acabamento, de um cimento cru, com azulejos mal colocados no chão. Minutos antes havia conversado com o diretor do complexo penitenciário, apresentando-se como o psiquiatra oficial do Estado e pedindo para poder falar com o senhor Vicente Caver, um dos presos apelidado de "palhaço" pelos agentes.
- Por que palhaço? - perguntou ao agente que estava de guarda na soleira da porta de entrada da sala, enquanto sentava numa das cadeiras levemente acolchoadas que se encaixavam numa mesa redonda.
 - O doutor verá, ele já chegou. - Concluiu o agente.
     Entrou na sala um homem mal cuidado, de macacão vermelho com a numeração 066 branca estampada no peito, cabisbaixo, de um olhar sem vida, cabelos compridos até o ombro, barba desgrenhada que crescia para todo lado, olhos manchados de lápis de maquiagem, bochechas pintadas de vermelho com um blush vagabundo, e batom preto nos lábios, igualmente manchados.
     - Não sabia que deixavam entrar maquiagem por aqui. - Iniciou o diálogo cordialmente.
     - Fazem tudo por um maço de cigarros dentro dessas paredes. - Respondeu com sua voz grossa e rouca, olhos mirados no chão.
     - Eu sou o doutor Alfredo, psiquiatra oficial do Estado. Estou aqui para fazer uma entrevista com o senhor, como parte de um estudo sobre as mentes. Caso o senhor concorde, o seu voluntariado contará pontos de bom comportamento.
     - Público, público, público... - resmungou.
     - Perdão?
     - Eu não quero os pontos. Aceito participar da brincadeira. - Disse cruzando-lhe um olhar nefasto.
     - Não é uma brincadeira, mas tudo bem, o senhor está de boa vontade. - Retirou do bolso um celular tablet pronto para gravar. - Podemos começar? - O palhaço fez que sim com a cabeça.
     - Vamos a mais primordial das perguntas, - hesitou por alguns instantes - por que o senhor matou oito crianças?
- Ainda mato.
     - Mas na prisão não há crianças.
     - Mas eu mato. - Disse dando uma risada abafada e cortante.
     - Então por que ainda as mata? - O palhaço fez que não ouviu, virando a cabeça para o celular.
     - Troço bacana, parece ter sido caro.
     - Por favor, vamos nos ater à pergunta.
     - Mas eu estou respondendo, doutor funcionário público engomadinho. - O agente penitenciário olhou para o psiquiatra como quem queria fazer algo, mas foi acalmado pelos olhos apaziguadores do doutor.
     - Perdoe-me a interrupção, prossiga com a resposta.
     - Já respondi, encerramos.
     - Olha, Vicente...
     - Eu me chamo Ceifador! - Disse com a voz grave, de forma amena, num tom obscuro quase palpável.
     - Ceifador, - engoliu em seco - eu quero entender o que você vê.
     - Eu vejo... - fez uma pequena pausa mirando os olhos novamente para o chão -.... Ratos.
     - E quem são esses ratos?
     - São eles. - Apontou para dois ratinhos que saíam de um buraco na parede, e soltou uma gargalhada honesta e estridente. O agente penitenciário se aproximou, agarrou-o pelos cabelos e disse "eu não vou tolerar suas gracinhas na frente do doutor, certo? Então responda às suas perguntas se não quiser ir para o castigo mais tarde!". O palhaço estendeu as duas mãos em sinal de conformidade.
     - Olha, vamos evitar esses choques tá bom? Não é para ser doloroso para ninguém aqui. - Tentou conforta-lo Alfredo.
     - Dor? O que o senhor sabe sobre dor?
     - Pretendo saber um pouco mais depois da nossa conversa.
     - Vai saber, pode apostar. - Deu uma piscada com o olho direito.
     - E por que matar? Por que crianças?
     - Vocês nunca vão entender, não é mesmo? Eu não sou o vilão por aqui! Vocês é que são, porcos malditos! - Gritou batendo com as duas mãos sobre a mesa. O agente penitenciário bruscamente se aproximou batendo com seu cassetete nas mãos do homem maltrapilho que se abaixou de dor, embora sorrindo nervoso. Mais um golpe seria desferido não fosse os apelos do psiquiatra para que o deixasse em seus devaneios e delírios.
     - Vamos, por que somos nós os vilões?
     - Por quê? - Rebateu ironicamente ainda abaixado - Você ainda tem a cara de pau de me perguntar?
     - Eu honestamente não consigo me ver como um vilão. Tenho minhas falhas, mas tento mais acertar do que errar.
     - E quantos litros de leite custaram esse seu celular hein? Eu não matei aquelas crianças por prazer! Eu as salvei desse sistema cruel criado por pessoas como o senhor, doutor contribuinte! Eram crianças de rua!
     - E a morte é a solução?
     - A morte é um presente para quem vai ser eternamente torturado doutor. Essas crianças teriam uma vida de sofrimentos e humilhações incalculáveis. Mas é claro que do apartamento do senhor é impossível enxergar. E fácil de se sentir herói, diga-se.
     - Eu tenho tudo o que preciso. - Disse Alfredo, levantando-se ofendido.
     - Eu também.
     - Perdão?
     - Eu salvei o seu filho de se tornar o monstro que o senhor se tornou!

"MANCHETE; FILHO DE PSIQUIATRA RENOMADO É ENCONTRADO MORTO EM LATA DE LIXO EM FRENTE A SUA CASA E VICENTE CAVER, O MANÍACO DAS CRIANÇAS, SE MATA EM PRISÃO!” 


Ponto de vista

A beleza está nos olhos de quem vê. Isso já é normal, você escuta isso sempre como se fosse sim ou não. E está certo, tudo é questão de ponto de vista. Há pessoas que usam isso a seu favor e há outras que não vê o lado positivo das coisas assim atrapalhando o curso natural da vida. Já pensou como seria fácil se tudo fosse visto positivamente, uma devastação poderia ser uma mudança, um acontecimento ruim pra você pode ser que estejam querendo lhe dar uma coisa melhor. Sua camisa favorita foi suja e a mancha não sai mais, se olhar pelo ponto de vista positivo pode ser que você não precise mais dela e assim seja. Tudo é ponto de vista. Se você acreditar que a vida será melhor se você pensar positivamente, se você ver como que seria se seu tênis rasgasse num dia quente, seria bom, você teria seu pé refrescado. O ponto de vista é o importante. Eu gostaria que tudo desse certo para mim, mas nem sempre dá. É horrivel a vida pacata, com tudo correto demais, eu mesmo queria um pouco mais de adrenalina nos últimos dias, que vinhessem mais feriados prolongados, pontos facultativos, seria tudo muito bom se fosse assim, mas como não é temos que olhar pelo lado bom, por que as vezes a felicidade está no nosso lado, com nossos amigos, e não notamos. Deem valor as grandes amizades. Não vá seguir conselhos de foto do facebook, por que o mundo não tem que girar em torno de você. É tudo que você tem que saber antes de sair para o mundo. É quando tudo não der certo, você repense por que a vida é feita de escolhas e você tem que pensa-las. O calo no seu pé pode ser uma melhora, ou um aviso para você não ir. Por isso eu repito o ponto de vista é muito válido, e também um elogio é válido. Você já elogiou alguém hoje? Se você não, corre por que um elogio, um abraço, é muito bom.

5 de fev de 2013

The Rock Boys Parte 3


      Bem, o caminho para escola estava sendo dificultado por uma estranha sensação de perigo ocultada pelos risos dos meus colegas de turma. Caminhamos sempre em turma, como uma gangue unida pelo rock. Mas aquilo não me saia da cabeça, a garota que você saiu te defendendo de uma força desconhecida pra si mesmo, mas geralmente, não são os homens que fazem isso? Ah! Maldita Disney! Pra que você inventou aquele paradoxo de homem perfeito? Atrapalhar a vida amorosa de estranhos! Ah modinha!!!!!!
        No caminho estavamos ouvindo guns ‘n rooses quando aparece Carolina  andando do meu lado, já dentro do grupo, bem, pelo que parecia, tinha uma namorada. Chamei-a para conversar, perguntar o que ela estava fazendo, por que quem faz esses joguinhos são astros de filme de menininha!!
- O que você pensa que está fazendo!?- Dizia ela- Me larga!
- Só depois que você me responder- Retruquei- O que você está fazendo? Que é isso que você está fazendo? E como você consegue lutar tão bem?
- Se eu lutasse tão bem, você não estaria fazendo isso!
- O.K.
       Mas o pior, era que ela estava certa...
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     Já estávamos em sala, como um dia qualquer a mesma aula chata de sempre, a mesma explicação de sempre, a termologia já não tava mais sendo engolida, e, misteriosamente(milagrosamente), toca o sinal!!!!!!!!
     Já era a hora do intervalo, a hora que acontecia o show do trb, e, repentinamente aparece aquela figura monstruosa de capuz, mas ninguém notou nem percebeu, continuei cantando como se nada aconteceu, mas no fundo estava tudo muito estranho...

CONTINUA