26 de dez de 2012

Um Cadáver ouve rádio - Parte 7

Um chinês tocador de sanfona?
Yuri encontrou o primo folheando os jornais do dia, nervosamente.
- Como eu imaginava! Apenas algumas linhas sobre o assassinato de Boa-Vida. Se fosse rico o caso mereceria meia página...
- Melhor assim - replicou Yuri. - Não assustará o criminoso.
Nina entrou na sala com um espanador.
- Foram ao cemitério, Yuri? 
- Voltamos agora. Como enterro de indigente até que não foi mau. Havia um padre e algumas pessoas do bairro. Mamãe levou flores.
- Não pude ir - lamentou a tia. - Mas orei por ele.
Yuri passou a Francisco o cartão de Dalyana.
- Havia uma pessoa desconhecida para nós no enterro. Já ouviu falar dela? 
Nina também foi ler o cartão. Não sabiam quem era Dalyana.
- Alguma amiga de Boa-Vida?
- Vocês não adivinhariam nem amanhã - disse Yuri, dono do seu mistério.
- Tem o nome dele, Souza - observou Francisco. -  Só pode ser parente.
Sabendo do espanto que ia causar, Yuri sorriu.
- Mulher de Alexandre. Boa-Vida era casado embora vivesse separado da mulher. Jamais teríamos notícia disso se ela não aparecesse no cemitério. Derramou um rio de lágrimas. Mas quando a abordamos não quis muito papo. Mamãe não simpatizou nada com essa tal de Dalyana.
Francisco e Nina ficaram surpresos: Boa-Vida, casado!
- Como soube que o marido morreu?
- Pelo rádio.
- O que ela disse? Desconfia de alguém?
Yuri sacudiu a cabeça, negando.
- Raramente via Alexandre. Disse que não poderá ajudar.
A informação, apesar do impacto, não somava novos esclarecimentos ao assassinato, mas, Francisco, zeloso, juntou o cartão de Dalyana à fotografia de Boa-Vida e ao folheto turístico encontrado na obra. Um pouco de organização não faz mal a ninguém.
_ Evidentemente vamos entrevistar esta senhora - disse Francisco - mas devemos nos concentrar no ladrão da sanfona. Por que complicar as coisas? Só pode ter sido ele! Eram muito amigos, Yuri. Tinham marcado encontro na obra. O legista concluiu que o crime foi às dezoito horas de domingo. Tomaram café, fumaram cigarros, de marcas diferentes, e depois o visitante, para roubar a sanfona, matou Boa-Vida pelas costas.
- Com a arma chinesa?
- Isso mesmo!
Yuri começou a rir e acabou gargalhando a ponto de irritar o primo.
- Boa piada, Francisco!
- Mas onde está a graça? Quer me dizer?
A graça estava aí:
- Como pode imaginar um chinês tão fanático por xaxados, xotes e baiões a ponto de cometer um crime para surrupiar um sanfona velha? Já viram um china, com gibão e chapéu de couro, animando um forró? Eu nunca vi. Zero para você, senhor detetive.
Francisco continuava nervoso.
- Quer esquecer a arma do crime um minuto, por favor? 
- Não consigo. O crime foi de sabre chinês, não de peixeira. Isso não dá pra pôr de lado.
Nina, sem largar o espanador, até sentou-se para ouvir a animada discussão dos dois primos.
Francisco estava com a palavra:
- Então um russo só mata a golpes de balalaica, uma espanhol necessariamente precisa usar bandarilhas e um italiano pau de amassar macarrão? O criminoso na maioria das vezes apanha a arma que pinta na ocasião. Ele poderia ter roubado essa arma estranha justamente para confundir a polícia.
Yuri não se deu por vencido:
- Então vamos sair por ai, procurando entre milhões de sanfonas, uma que tenha duas letras minúsculas iniciais, feitas provavelmente a canivete? Desta vez, fico por fora. Sou um rapaz com uma brilhante vocação para detetive, não andarilho ou recenseador de sanfonas!
Nina deu uma gostosa gargalhada. Recenseador de sanfonas, ótimo chiste!
E tudo ficaria em gargalhadas, o dito pelo não dito, se não fosse a pessoa que chegou em seguida. Tocaram a campainha. Nina foi atender.
- Ah, é o senhor? Vá entrando. Francisco e Yuri estão aqui quebrando a cabeça. [...]
 
 

25 de dez de 2012

E ai? Alguém quer?


Desisto disso, daquilo e do próximo.
Desisto de tentar me entender, de entender meus sentimentos, minhas fragilidades…Minhas coisas.
Posso entender o mundo inteiro, mas, sinceramente? Preciso de alguém que me entenda, de corpo e alma, que me conheça tanto, que só com um olhar ou expressão já saiba como estou.
Sério. Cansei de mim. Alguém quer pra si? To me dando pra quem quiser, porque, eu não me quero.

Natal e sua hipocrisia.



Eu andei pensando sobre o natal….

Sinceramente é uma época que nunca me agradou.
nem mesmo quando criança. Mesmo que quando criança, eu achasse interessante as luzes, as pessoas, as roupas e como tudo mudava apenas e somente naquela época, 
eu não gostava, só achava interessante.
Em pouco tempo natal, se tornou simbolo de hipocrisia pra mim, afinal, 
eu nunca vi o porque de somente no natal você querer fazer coisas boas, 
querer ser amigável, ser hipocritamente bom.
Com o tempo pra mim o natal desbotou, perdeu todo brilho e o charme fugaz, se tornou simplesmente uma celebração mesquinha que simboliza o consumismo;E nem me venham com a historia cristã. 
Nenhum de vocês realmente pensa nisso quando lembram da palavra “natal”. A maioria vai lembrar da ceia de natal, dos parentes chatos, dos amigos secretos, da família e principalmente dos presentes.
Em pouquíssimo tempo o natal se tornou uma data consumista e hipócrita, que só me traz dores de cabeça, confusões e desgostos.
E querem saber? Aquele papai noel fajuto que vocês veem nas ruas, nos shoppings e etc, não é papai noel!
Papai noel é o pai de vocês ou a mãe de vocês, que em todo natal, se mata pra dar o presente de natal de vocês!
Natal é uma época do ano, que está cheia de coisas mesquinhas, de egoismo, luxuria, gula, inveja!
Não é uma época bonita. Ela só mostra como as pessoas podem ser falsas.
Por que você só é altruísta no natal? Por que você só pensa nos outros no natal? Por que somente no natal é que você quer que tudo fique bem e em paz?! 
Tens o ano inteiro pra fazer isso, pra tornar o teu mundo melhor e os dos outros também.
Não to falando que ninguém é altruísta ou bom de verdade, estou dizendo que a maioria é hipócrita.
O que é que vai te custar durante o ano fazer algumas boas ações?
Por que só no natal?
Façam coisas boas, durante o ano, tenham respeito e carinho pelos outros, sejam melhores.
Não usem o natal como uma desculpa ou perdão pra todo o mal que vocês costumam fazer! Parem de achar que se forem bonzinhos no natal e somente no natal alguma coisa de boa vai acontecer pra vocês; E também parem de achar que fazer simpatias no ano novo vai realmente fazer com que ele seja melhor!, Porque se tu não faz absolutamente nada pra que ele seja melhor, ele não sera.
Porque por um passe de mágica não acontece nada.
Vai lá e batalha por isso! Quer um mundo melhor?!
Começa a tentar mudar a si mesmo e depois ir mudando as pessoas ao seu redor pra melhorar o mundo.
Quer que 2013 seja bom? Faça-o ser.
Vão lá e façam! Se vocês não forem, ninguém mais vai ir lá e fazer! 
Não deixem pra amanhã o que pode ser feito hoje!
O príncipe encantado não irá vir num cavalo branco pra te salvar de si mesma ou dos outros.
Salve-se sozinha, tenha amor próprio antes de querer que alguém te ame.
Afinal, quem é que vai te amar se nem mesmo você se ama?! Isso mesmo, ninguém.
Parem de pensar que não podem fazer algo, quanto mais pensarem assim, não irão poder.
Pensem que podem e irão conseguir. 
Se alguém te chamar de burro vá lá e prove o quanto eis esperto.
Orgulhe seus pais.
Tome vergonha na cara e vá fazer as coisas, ter atitudes, tomar decisões, pare de pensar ” E se” e vá lá e descubra.
Cometa erros, bastante erros e com cada um deles, aprenda.
Não tenha vergonha de se expressar, vá lá e fale.
Tente antes de desistir e se não der certo, tente de novo ou tente outra coisa, mas, tente, antes de dizer que não dá. 
Não se arrependa de ter feito algo, se arrependa de não ter feito.
Amadureça e continue com o coração de criança, com a essência e pureza que só crianças possuem. Não precisa crescer e ser adulto o tempo todo, somente quando necessário.
Se arrisque! Se jogue de cabeça e coração em algo e se não der certo; paciência. 
Pare e pense um pouco, em algo, se quer que algo seja mudado, trabalhe pra que isso aconteça.
Não pense em tudo, seja espontâneo as vezes, surpreenda alguém.
Seja sincero consigo mesmo.
Diga pros seus pais o quanto se orgulha de ser filho deles, fale do quanto ama eles e de como eles sempre serão seus heróis.
Porque, por mais surreal que pareça, eles tem medo de que vocês se envergonhem deles, do jeito deles. Quando eles são corujas ou então super-protetores ou melosos, não é intencional, é que depois de tanto sono perdido, tantas saídas pra namorar fracassadas, tanta coisa que abriram mão por sua causa ou por causa do seu irmão, eles acabam se tornando assim com vocês, porque vocês são as coisas mais preciosas do mundo pra eles. 
Não seja muito orgulhoso ou muito tímido, se pague um pouco de convencido pra arrancar algumas risadas, tente estar de bem consigo mesmo, não tenha vergonha do seu estilo, seu jeito, sua voz, seu corpo, de si mesmo.
Não faça algo só porque alguém duvidou que tu fizesse, seja você mesmo, sem tirar e nem por. 
Seja feliz.
E tente fazer com que sua vida valha a pena, tenha historias pra contar pros seus  filhos, netos e bisnetos, tenha orgulho de ter feito algo, de ter sido alguém, revolucione uma geração. Mude o mundo.
Ame alguém.
Faça com que todo dia seja natal, faça com que tudo de bom que tu fazes no natal ou tudo que tu deseja pro próximo ano, sejam realizados no dia-a-dia. 
Tente algo novo e faça bem feito.

——-
Ninguém muda o mundo sozinho, 

mas, se um tentar, outros também tentaram e a nação é quem muda o mundo.



22 de dez de 2012

Inimigos Amantes

  Ventos frios o cercam na alto da colina, ele põe a mão no cabo de sua espada, olha para os 40 mil soldados sobre o estandarte branco dos Stark atrás de si, seus guerreiros, seus irmãos de armas. E a sua frente os 50 mil homens sob o estandarte carmesim dos Lannister, seus inimigos, comandados por uma mulher misteriosa, uma Lannister desconhecida. De seu garanhão cinza ele olha para o lobo gigante ao seu lado, negro como a noite mais tenebrosa e de olhos mais vermelhos e quentes que o próprio fogo.
   Yuri, Rei do Norte, ouve a trompa de guerra soando do lado Lannister, então dá o sinal ao seus homens indicando que a batalha começou, e erguendo Gelo, sua espada, solta o grito de guerra:
  - Por Winterfell!!!!!
  As duas tropas avançam uma sobre a outra, e ao se encontrarem inicia-se uma batalha sangrenta.Yuri avança junto ao seu lobo, Sombra avança ferozmente arrancando a cabeça de homens e cavalos com uma única mordida, e em movimento mais rápidos que um piscar de olhos. Em meio a batalha Yuri avista a Lannister desconhecida montada em uma égua branca, trajando uma armadura dourada e prateada com o elmo em formato da cabeça de leão. Ele avança em sua direção e a ataca, a Lannister, quase pega de surpresa, o bloqueia no ultimo segundo mas os dois acabam caindo de suas montarias. No chão, Yuri arranca seu elmo e fala:
  - Que tal decidirmos isso em um duelo? Eu e você, assim evitamos a morte de bons homens.
Com um aceno a Lannister concorda e apontando a espada para um homem perto dela, pede que soe a trombeta, dizendo para seus homens pararem de lutar, Yuri faz o mesmo. Os homens dos dois lados se amontoam ao redor dos dois, Yuri crava a Gelo no chão, se ajoelha perante a espada e sussurra o lema da casa Stark:
  - O Inverno está chegando ...
A Lannister faz o mesmo, gritando o lema de sua casa:
  - Ouça-me rugir !!!
Antes de começar o duelo, Yuri se dirige a Lannister:
  - Diga seu nome, não posso matar alguém em um duelo sem conhecer seu nome senhora.
A Lannister arranca se elmo com fúria e diz:
  - Rebecca, Rebecca Lannister.
Então os dois se levantam e avançam com ferocidade um contra o outro, lutam habilmente, a espadas soltam faíscas a cada encontro. A luta segue equilibrada, até que se aproveitando que o Stark baixa a guarda um instante, bate com a espada em uma de suas pernas derrubando-o, com ele caído, aponta sua espada para a garganta. Nesse momento Rebecca Lannister decide se vangloriar:
  -  Vejam homens, derrubei o poderoso Rei do Inverno, aquele que dizem ser tão resistente e intransponível como a própria Muralha, vejam homens nortenhos, seu rei está no chão!!!
  Rebecca olha ao redor, sorrindo e vendo o sorriso de seus homens, mas vê que os nortenhos estão rindo abertamente, achando isso estranho se dirige a Yuri:
  - Vê Stark, até seus homens riem perante sua queda.
Então ela vê que Rei Yuri também ri, e pergunta se irritando com essa história de risada:
  - Do que ri homem? Da morte? É tão destemido que ri na cara da morte?
Controlando o riso, Yuri responde a pergunta:
  - Tens muito o que aprender sobre lutas senhora, não é por que estou caído que perdi.
Então movendo-se mais rápido que o esperado de um homem com armadura completa, ele empurra a lamina da espada para longe de seu pescoço, senta e passa uma rasteira, em seguida sobe em cima dela e tira uma adaga de alguma parte da armadura, pressionando-a contra a garganta de Rebecca, eles ficam assim alguns momentos, olhando-se, então, Yuri joga a adaga longe, levanta e ajuda a senhora Lannister a por-se de pé então diz:
  - Volte a Rochedo Casterly senhora, a guerra não é para a senhora ainda, volte para seu lar e treine seus homens e a si mesma também, pode lhe ser útil, Winterfell não lhe fará mal, parta enquanto pode.
  Yuri se vira e vai embora junto seus homens, então um dos homens Lannister, todo surrado e coberto de sangue, se aproxima de sua senhora e pergunta:
  - Vamos senhora?
  - Rebecca não tira os olhos do estranho Rei no Norte e confirma com um aceno.

  Meses passam após a sangrenta batalha. Yuri, vagando pelos corredores do Castelo de Winterfell, conversa com seu castelão, e este lhe fala de um assunto um tanto delicado:
  - Senhor, passa-se o tempo, deves arrumar uma rainha, és jovens, pode gerar bons filhos, herdeiros para seu reino.
  - Concordo - Ele responde, que já vinha a muito pensando no assunto - e na verdade já tenho minha escolha, tratarei disso já meu amigo.

  Rebecca não acreditaria se a notícia tivesse vindo da boca de outro, enquanto corria até as muralhas de Rochedo Casterly ela se indaga sobre o que deu na cabeça do rei Stark para vir até suas terras. Do alto da muralha ela vê a comitiva nortenha, e vê Rei Yuri lhe sorrindo. Intrigada, grita a ele:
  - O que fazes aqui Rei do Norte? Se bem me lembro, disse que Winterfell não faria mal a Rochedo Casterly, Vossa Graça mentiu?
Desmontando de seu garanhão, Yuri Stark tira Gelo da bainha, a deposita sobre os próprios pés e grita de volta a Senhora Rebecca:
  - Não menti Senhora Lannister, a menos que ache um pedido de casamento um mal. Acha isso?
Sem entender direito por que sorri ao ouvir essas palavras, Rebecca manda abrirem os portões e responde:
  - Não creio que seja um mal, bem vindo a Rochedo Casterly Rei do Inverno.

FIM

Palavra do Autor:
  Bom, tem aqueles que vão perceber que esse conto é baseado nas Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. Bom, realmente é, mas também é baseado em um sonho que tive enquanto cochilei durante a leitura de A Fúria dos Reis, o segundo livro das crônicas, e como alguns devem ter percebido ao ler outros textos do blog, sabe que a Rebecca Lannister do conto é Rebecca Kahamylla, e ela é minha namorada (mô, te adoro).

18 de dez de 2012

Um cadáver ouve rádio - Parte 6

No enterro alguém chora por todos
Rafael alugou um táxi e com dona Juliana e Leo foram para o distante cemitério onde, por conta da Prefeitura, Alexandre de Souza, o Boa-Vida, seria enterrado como indigente. Levavam flores e algum dinheiro para gratificar os coveiros. Ao contrário do que esperavam, outras pessoas estavam presentes no sepultamento: o dono de um bar, um garçom de restaurante, madame Santa, Dona Maria, para quem às vezes Boa-Vida entregava vestidos, o porteiro de um dos teatros do Bexiga e dois pedreiros.
Um Padre, provavelmente conhecido de madame Santa, iniciou uma oração fúnebre, logo perturbada pelo choro convulsivo e inesperado de uma mulher, vestida de preto, a última a chegar.
- Quem é ela? - perguntou Rafael à dona Juliana.
- Não sei.
- Parece pessoa da família.
- Ele nunca disse que tinha parentes - lembrou dona Juliana, tentando prestar atenção às palavras do padre.
A mulher, conservando-se um pouco afastada, com a cabeça curvada sobre o peito, apertava nos olhos um lenço comum, simples alivio de uma tensão, mas uma torrente de lágrimas, sofrida e dramática. Teve-se a impressão de que o padre, premido pela situação embaraçosa e para não prolongar o sofrimento dela, abreviou suas palavras. E enquanto os coveiros faziam seu trabalho, dirigiu-se à desconhecida para confortá-la no momento dificil.
Sepultado o corpo, a mulher interrompeu o choro, como se para isso tivesse simplesmente apertado um botão, olhou ao redor sem fixar-se em ninguém, e precipitou-se em abandonar o cemitério.
- Gostaria de saber quem ela é - disse dona Juliana, curiosa. - Vamos alcançá-la?
Com Yuri à frente, os três acompanharam a mulher de perto, que apesar do choro exaustivo, tinha ainda bastante fôlego. Apressada, parecia mover-se sobre rodas. Com receio de que a perdesse de vista, o rapaz adiantou-se, indo colocar-se ao seu lado.
- Por favor, senhora. Minha mãe quer lhe falar!
A desconhecida parou, com visível má vontade, esperando dona Juliana e seu Rafael. Teria pouco mais de trinta anos, era morena cor de jambo, e não muito alta. Naquele instante mostrava-se não sofrida, mas assustada.
- Eu, meu marido e meu filho fomos amigos de Alexandre - disse dona Juliana, acercando-se.
- Meu nome é Dalyana - respondeu a mulher. - Alexandre nunca lhe falou de mim?
- Dalyana? - repetiu a mãe de Yuri. - Nunca!
- Alexandre só lembrava-se dele mesmo - lamentou a mulher.
- Eram parentes? - perguntou Rafael.
- Éramos casados.
- Casados? - admirou-se dona Juliana, olhando para o marido e para o filho. - Alexandre frequentava muito nossa casa e o julgávamos solteiro. E acho que lá no bairro todos pensavam assim, não é Rafa?
- Estávamos separados há muito tempo - esclareceu Dalyana. - Raramente nos víamos. E se estou aqui foi porque casualmente ouvi a notícia no rádio.
- A senhora mora aqui mesmo? - perguntou Yuri.
- Moro, mas vim do nordeste, como Alexandre.
- Gostaria que nos desse seu endereço. A polícia e alguns amigos de Alexandre vão tentar descobrir quem o matou.
Dalyana não se interessou.
- Eu não posso ajudar. Como disse, quase não o via!
- Mesmo assim talvez a procuremos.
Dalyana abriu a bolsa, retirou dela um cartão impresso, entregou-o ao rapaz, despediu-se com poucas palavras e voltou a andar. Não estava disposta a conversar.
- Primeiro chora como uma carpideira, depois nem quer falar sobre o marido - comentou dona Juliana com nenhuma simpatia pela mulher de preto.
- Veio aqui para dar um espetáculo e ir embora - disse Rafael.
- Espetáculo para quem?
- Não sei, Ju.
- Se o Alexandre não falava dela talvez tivesse seus motivos - afirmou Juliana, cáustica.
Yuri leu em voz alta:
- " Dalyana Araújo de Souza. O PASSAREDO - pássaros e gaiolas." É no bairro da Liberdade.
Rafael pegou o cartão da mão do filho como se tivesse escutado o resumo de um romance empolgante.
- Boa-Vida era casado com a proprietária de uma loja e morava numa obra abandonada!?
Dona Juliana pensou em uma explicação e encontrou esta:
- Quem sabe ela quisesse prendê-lo demasiadamente numa dessas gaiolas e ele acabou batendo asas.
Rafael não constestou a opinião da mulher porque os muitos anos de casamento lhe haviam ensinado que ela sempre tinha razão.
- Deixem-me na casa da tia Nina - pediu Yuri, quando entraram no táxi. - Preciso falar com Francisco! [...]

13 de dez de 2012

Bagunça

Tic tac tic tac
Espanto; confusão; desordem geral.

Esses são os nomes dos sentimentos que estão te rodeando
nesse momento.
 Afinal,descobertas inesperadas,
decisões ainda não tomadas...
Uma baderna sem tamanho!
E chega a ser frustante,
afinal é costume ter controle sobre tudo.
Mas, e ai? O que vais fazer? Está pronta(o)? Já tomou sua decisão?
Tic tac tic tac
Sim ou Não?!
Vais voltar ou seguir?
Ficar ou ir?
Contar ou guardar?
Pensar sobre isso ou esquecer?
Tic Tac tic tac
Hein?
Então?
Alguma ideia se é amor ou não?
Talvez uma simples paixão?
Está encrencada(o) ou não?
Pensar muito nisso
Te deixa sem ação?
Te deixa Sem chão?
Sim ou não?!
Tic tac tic tac
Já se decidiu?
Sim ou não?
GAME OVER.


Um falso amor


Sinto-me como se fosse apenas um pequeno e indefeso ser, que está sozinho há muito tempo, e que por conta de vários acasos desacredita nesse tal de “amor”.  Você me veio como um anjo, cheio de graça e com toda simpatia, era sempre muitíssimo carinhoso, companheiro, enfim, parecia-me perfeito. Mostrou-me como o mundo podia ser belo, como todos eram felizes e alegres... Mas, então veio a discórdia, e junto com ela as brigas, as incertezas, a falta de confiança, tudo estava sendo tão cansativo, mas, eu tentei, eu juro que tentei, dei o meu melhor para que tudo voltasse a ser como era antes. Mas, você foi embora, assim como todos os outros fizeram, nem se quer deu-me uma explicação, e junto consigo, levou minha paz, minha sanidade, e agora?
Dei-te todo o meu amor, mas, você não quis cuidar... Descobri você tinha achado alguém melhor. Você foi embora, e agora, resta-me apenas a lástima, por um dia ter-te amado tanto assim.

12 de dez de 2012

Filme de Terror

Você se sente tão sozinho
largado nesta imensidão
Sente um vazio grande
neste mundo sem razão.
É uma guerra
um filme de terror
uma grande conspiração

Ninguem ouvirá teu sussurro
ninguem ouvirá teu clamor
Você está preso neste mundo
você está preso neste filme de terror

Você se sente solitário
perdido no mar da dor
escondido no recanto do rancor
Você e esse teu jeito ilário
de achar que tudo de mal acabou.

Ninguem ouvirá teu sussurro
ninguem ouvirá teu clamor
Você está preso neste mundo
você está preso neste filme de terror

10 de dez de 2012

Maquiagem

Você é secador de cabelos...
Sopra em mim sentimentos
já conhecido pelos poetas

Você é alisador...
Aquece meus sonhos,
desencaracola minha poesia

Sou base, pó compacto,
rímel e Blush, enfim.
Maqueio a tristeza em mim
por estar longe de tí.

5 de dez de 2012

Tem certos momentos na vida...

Tem certos momentos na vida,
Que precisamos escolher um novo caminho a seguir,
Nem sempre é o caminho mais fácil, e nos perguntamos; por que escolhemos?
Podemos tirar disso uma lição, ao vivenciamos momentos bons e ruins.
Porque ser feliz todo tempo é impossível, mas buscar a felicidade pode ser feito
em qualquer parte do caminho que escolhemos.
Tem certos momentos que só queremos alguém que nos acompanhe em nosso caminho, e quando precisamos caminhar sozinho nos desesperamos, mas com a esperança que está logo ali em alguma curva, vai aparecer alguém que nos faça companhia.
Em um novo caminho podemos escrever uma nova historia!

3 de dez de 2012

Dizem que o tempo cura tudo...


Dizem que o tempo cura tudo...
Talvez seja verdade, talvez não...
Há feridas que ficam abertas por um tempo indeterminado.
Não param de sangrar, estão sempre em nós, presentes, lembrando que no meio do caminho algo saiu errado.
Que em nossa trajetória, em algum momento, foi tirado de nós o direito de sermos felizes...