30 de nov de 2012

Padre? - Parte 3

  - Onde é que eu tava com a cabeça? Melhor eu ir pra casa, não tem como isso dar certo, não tem como.
  Yuri tira a estola todo atrapalhado e a poe na mesa.
  - Onde eu tava com a cabeça quando aceitei realizar um casamento logo no começo dessa coisa de padre?
  - Amor, te acalma. - interrompe Rebecca sentando Yuri a força num banquinho. - Vai dar tudo certo, e você aceitou o casamento logo de cara por que não resiste a um desafio que eu bem sei. - e Rebecca poe a estola em volta do pescoço dele com cuidado, deixando-a bem ajeitada - Você vai se sair bem guri, agora vá lá e arrase!!
  Yuri ainda sentado, olha para cima, para o rosto de sua namorada, dá um sorriso de quem topa a empreitada, levanta, a abraça e lhe segreda ao ouvido:
  - Obrigado pelo apoio pequena, tu é show!! E se o Bento não estivesse morto, eu matava ele, hahahaha.
O jovem padre se encaminha até o altar, e a poucos passos de lá, sussurra pra si "É hora do show", e já tendo tomado seu lugar em frente ao noivo que aguarda com um pouco de nervosismo sua futura esposa, olha para todos dentro da igreja se sentindo bem confiante, e ao receber a noticia que a noiva acaba de chegar, bate as mãos e fala para todos em voz alta:
  - É hora do show!!!
Começa a tocar a conhecida música de casamento, a noiva entra acompanhada do pai, assim como o noivo, um pouco nervosa, mas irradiando felicidade, só que ninguém nessa igreja está mais nervoso que o padre Yuri. O pai da noiva, ao entregá-la ao futuro marido, faz uma brincadeira com o noivo, dizendo para ele cuidar bem dela, por que senão...
  Então os noivos olham para o jovem padre, veem que ele esta nervoso, muito nervoso, e sorriem encorajando-o. Yuri relaxa um pouco, sorri para os dois, olha rapidamente para Rebecca que assiste a tudo em um canto, toma coragem e fala em voz alta:
  - Irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para celebrar a união de Vívian e Francisco Marcos...
...

  - Eu não acredito que consegui. - desabafa Yuri sorrindo e remexendo seu sundae. - Jurava que ia acabar fazendo alguma besteira sem tamanho na hora.
Rebecca tira o canudo do seu sundae e o agita na cara do seu namorado o melecando um pouco e responde em meio ao riso dos dois:
  -Pois eu tinha certeza de que ia sair tudo certo magrelo, você foi muito bem. Mas nunca vi alguém que fala para vários, discursa e tudo, ficar com medo de realizar um casamento na frente de poucos.
  - Acho que foram as circunstancias, sério. Quando eu encontrar o Bento do outro lado, ele vai me pagar por essa, hahahahaha.
  - Besta, para de falar do "outro lado". - Corta Rebecca chateada. -  Falemos DESSE lado, que é onde estamos, nós dois estamos ...
Percebendo a parte da intenção de Rebecca, Yuri se aproxima, a beija e pergunta:
  - Ok, nada de falar do Outro lado, do que falamos?
  - Que tal continuarmos falando de casamento? - diz Rebecca preparando terreno. - Afinal o assunto tá tão bom.
Terminando seu sundae e sem perceber as intenções de sua namorada, Yuri concorda com um aceno de cabeça, mas questiona:
  - Por que falar de casamento? Gostou tanto assim do de hoje?
  Rebecca dá a Yuri um olhar cheio de significado, que dessa vez não passa despercebido a ele, que enfim se dá conta de onde ela quer chegar com o assunto, ele sorri, admitindo satisfação pelo rumo tomado, segura as mãos dela, brincando com seus dedos, e olhando-a nos olhos, fala:
  - Pois bem, falemos de casamento meu amor ...

28 de nov de 2012

Um cadáver ouve rádio - Parte 5

Enfim, a arma do crime
Rafael e Juliana, pais de Yuri, não se conformaram depressa com a morte de Boa-Vida. Sentiriam muito a falta de seus baiões, suas histórias e de seu acentuado sotaque nordestino. Dimitri, o caçula, perdeu até a vontade de brincar e vovô Pascoal, com seus oitenta anos, e que de música aceitava apenas canções italianas, derramou uma lágrima pelo sanfoneiro.
Dona Juliana só fazia uma restrição ao Alexandre:
- Seu defeito era ser um tanto egoísta.
- Egoísta, o Boa-Vida? - discordou Rafael. - Um homem que apenas amava sua liberdade!
- Não lembra o que disse domingo? Se ganhasse na loteria, não daria um centavo para ninguém. Gastaria tudo em viagens.
- Mas dar para quem? Era sozinho no mundo. Infeliz! Viajou para o desconhecido.
- Amanhã vamos ao enterro dele em Vila Formosa - disse dona Juliana. - O corpo já foi liberado pelo Instituto Medico Legal. Vai ser uma tristeza. Duvido que alguém apareça além de nós.
Yuri murmurou um tchau e seguiu para o Morro dos Ingleses, onde Rebecca, sua quase-namorada, morava. Não a via há muitos dias. Felizmente desta vez tinha uma boa desculpa para procurá-la. Parou no orelhão da esquina e fez uma ligação.
- Rebecca, é o Yuri. Pode descer um pouquinho?
- Hoje não. Estou lendo um livro muito bom!
- Que pena! Houve um crime aqui no bairro e eu e Francisco vamos nos mexer.
- Crime? Não estou sabendo de nada. Quem matou quem?
- O primeiro quem não sabemos. O segundo foi um tal de Alexandre de Souza, mais conhecido como Boa-Vida.
Houve uma pausa e depois a voz de Rebecca voltou alta e estridente:
- Mataram o Boa-Vida?
- Você conhecia?!
- Já estou descendo.
Um minuto depois e lá estava, à porta do edifício, a garota mais linda que Yuri já encontrou. Correu em sua direção como se tivesse acabado de ouvir a pior das noticias.
- Então mataram mesmo o Boa-Vida.
- Não imaginava que o conhecesse. Ele também andava pelo Morro?
- Sempre aparecia em casa quando precisávamos de alguém. Era quem lavava o carro do papai, sabia? Mamãe no início não lhe dava muita atenção, mas o Boa fez tantos serviços, consertou tantas coisas quebradas que a coroa acabou afinando. Não fazia nada com muita categoria. Minhas estantes, por exemplo. Ficaram uma droga. O que sabia mesmo era jogar conversa fora!
- Era um verdadeiro Boa-Vida.
- Papai não o considerava vagabundo, mas rebelde. Odiava horários e patrões. Se lhe ofereciam trabalho fixo, dava as costas.
- Seu erro foi dar as costas também para o assassino. Três furos nos pulmões!
- Alguma pista?
- Vamos até a casa do primo. Começaremos tudo apartir de um retrato.


******

Francisco recebeu Rebecca alegremente. Outra vez os três juntos! Ah, ela conhecera Alexandre? Ótimo, assim a corrente ficava mais forte. Precisariam de muita união porque o enigma era uma parada, um desafio.
- Tia Nina conseguiu a foto?
Francisco abriu a gaveta e retirou uma grande fotografia autografada e emoldurada, o Boa-Vida de gibão e chapéu de couro tocando sanfona para um grupo de fregueses do restaurante.
- Bem fiel ao que ele era, o mesmo sorriso cheio de dentes -  comentou Rebecca.
- Mas apenas serve para matar a saudade - lamentou Yuri. - Uma sanfona sem nada de especial.
Francisco reabriu a gaveta e apanhou uma lupa, que passou ao primo, sem explicação, embora ativando um sorriso muito significativo.
- Vê alguma coisa? - interessou-se a garota.
Yuri, aos poucos, fabricou um sorriso parecido com o do primo.
- Agora entendo por que o velho Sherlock Holmes nunca esquecia a lupa. Sua vez, Rebecca. Prove que sabe distinguir uma pista.
Rebecca assentou a lupa sobre a foto com uma emoção que atrapalhou tudo. Olhava, olhava e não encontrava a espoleta que disparara aqueles dois sorrisos. Desorientou-se. 
- Concentre-se na concertina. Perto dos dedos dele. Vê agora alguma coisa?
Mais um sorriso juntou-se aos dois.
- Iniciais. Um B e um V. - E depois de uma pausa: - Mas isso ajuda?
- Evidente - respondeu Francisco. - Já não é mais uma sanfona qualquer. É a sanfona do nosso Boa.
- Se os jornais fizerem alguma alusão às inicias, a descoberta não valerá muito. O criminoso se desfaz da concertina - disse Rebecca.
- Ninguém vai saber. A imprensa só dará destaque ao Muriçoca. É o único suspeito!
Yuri lembrou da arma.
- Era mesmo uma peixeira?
Guardando a foto de Boa-Vida e a lupa na gaveta, Francisco fez uma cara de quem levou um soco  no estômago.
- Este é o detalhe preparado para atrapalhar, como acontece em muitos romances policiais. Parece um quebra-cabeça, uma brincadeira!
- Que arma era?
- O doutor Arruda não lhe tinha falado dela simplesmente porque não havia sido encontrada. Estava enfiada num saco de cimento da sala. Agora preparem uma cara bastante incrédula e podem arregalar os olhos.
- Fala logo, primo!
- Uma espécie de sabre chinês, muito bonito, com desenhos orientais no cabo.
- Uma arma chinesa, você disse? - surpreendeu-se Yuri, como Francisco previra.
Em completo desalento, vendo romper o fio da meada, Francisco confirma: - Chinesa primo, dá pra entender? [...]

23 de nov de 2012

Surpresas da noite

  Já era tarde da noite, Fernando e seus amigos vinham por uma rua perto de um matagal, quando uns barulhos estranhos são ouvidos. Fernando entra no matagal pra investigar, mas o tempo passar e nada dele voltar ou ao menos dar sinal de vida, seus amigos chamam por ele mas não obtém resposta. Então um dos amigos resolve estrar no matagal atras dele, mas quando esse amigo dá o primeiro passo em direção ao matagal, todos ouvem um assobio, o assobio de uma música macabra.
  Então surge alguém puxando um corpo, o de Fernando, todo sujo de sangue, esse alguém trajado de Coringa, mas a maquiagem levemente estragada pelo sangue de Fernando, assim como seu terno roxo, salpicado de rubro. Com a aparição, começam os gritos e choro, os amigos de Fernando ficam tão assustados que nem fugir conseguem,  o maníaco se aproxima deles brincando com uma faca entre os dedo, e quando chega bem próximo  dando de se sentir o hálito dele, a criatura desata a rir. Eles não entendem nada, e quase tem um infarto quando a conhecida risada de Fernando se junta a dele. Então o medo de uns aumenta e o de outros, que percebem tudo, é substituído por raiva, por raiva dos dois idiotas a suas frentes, eles percebem que tudo não passou de uma pegadinha, e esses vão pra cima, querendo estrangular os dois palhaços, mas então o Fernando tomamo folego fala:
  - Perdão, mas tínhamos de dar o troco pelo o que vocês aprontaram no ano passado.
O pessoal se acalma, percebe que foi só brincadeira, o troco pelo susto macabro anterior, então desatam a rir sentando-se no chão e deixando o coração voltar ao normal, afinal, não é sempre que se recebe essas surpresas da noite.

19 de nov de 2012

Azar no amor, sorte no azar


Estou cansada desses joguinhos que fazem comigo, estou cansada também de ter pessoas me iludindo. É sempre a mesma coisa, sempre a mesma história, todo esse sofrimento veio com um indicio de felicidade. Mas, não era, novidade (?).
Sempre assim, te conheço, te gosto, confio, amo, e quebro a cara. Acho que isto está me matando, simplesmente; não poder confiar em ninguém, não é lá muito legal.
Gostaria de ter um amor daqueles sabe? Que se tem certeza de tudo, que se sabe, que a felicidade ali habita. Eu queria formar um casal fofinho, porém não chatinho, daqueles que se brigam, mas, dois minutos depois já estão abraçados novamente. Eu queria, mas, não posso.
Como era mesmo aquele ditado? Sorte no jogo, azar no amor? Acho eu que uma nova versão seria mais correta em meu caso: “Azar no amor, sorte no azar” É, parece-me correto agora.
Queria apenas saber por que a vida me prega peças, porque não posso simplesmente, ser neutra? Seria legal né?
 Pena que não posso a realidade não deixa. Ouvi dizer que ela é cruel, á alguns enlouquece, á outros até mesmo tira a vida.

17 de nov de 2012

É assim que as coisas são.


E o eterno vira temporário,
o para sempre vira estante,
amar vira gostar,
a falsidade se torna verdadeira.
A verdade se torna falsa
O amigo se torna inimigo
O inimigo se torna amigo
O presente se torna passado
O futuro se torna presente
O passado continua passado
O Tempo começa a se movimentar
Uma semana vira um ano
Um ano vira uma década
Uma década vira um século
Um século vira um milênio
O antigo se torna novo
O novo vira velho
A moda muda
Os sentimentos também
As pessoas não são mais as mesmas
E
É assim que são as coisas.

Palavras de um Cavaleiro

Ouço o chamado do vento
Me levanto então.
Bato o pé,
Ergo a espada,
Solto um brado,
Corro com o escudo em outra mão

Vou para a luta,
Almejando a glória.
Luto com honra,
Sonhando com a história

Sou um cavaleiro,
Sou um lutador,
Mas acima de tudo,
Um sonhador.

Padre? - Parte 2


  - Pois bem, tenho a minha resposta.
  - E qual é? - Perguntam todos em uníssono e se levantando ao mesmo tempo.
   Yuri puxa a namorada, lhe sapeca um beijo e responde com a maior naturalidade do mundo:
  - A partir de agora sou o padre da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo.
Ao ouvirem a resposta, todos na sala tem as mais diferentes reações, o advogado acena com a cabeça feliz, o pai de Yuri se deixa cair na poltrona, a namorada de Yuri, Rebecca, o empurra assustada, e os outros se dividem entre o espanto e o riso, então, a sala cai num silencio meio constrangedor, menos pra Yuri, que continua sorrindo. Então o silencio é quebrado por Rebecca, que pergunta:
  - Então ... agora que vai ser padre, vamos terminar?
Yuri fingindo confusão pergunta:
  - De onde tirou isso menina?
  - Ora, tu não vai ser padre? Que eu saiba padre não pode namorar. - Responde Rebecca olhando intrigada para seu namorado, sem entender nada mais do que ele fala. - Não estou certa?
  - Estaria se não fosse o as permissões especiais que Bento me conseguiu antes de morrer.
  - Que condições? - Perguntam todos
  - Ué? Eu não disse isso? - Pergunta Yuri com a cara num misto de incredulidade e divertimento. - Mas que cabeça a minha, deixem-me explicar ... - Yuri se encosta em uma pequena mesa, tira a carta do padre Bento do bolso e assumindo um ar mais sério responde. - Pois bem galera, nesta carta de o Bento me deixou, ele disse que conseguiu convencer o Papa a me deixar ser o Padre caso eu aceitasse, coisa que fiz, e não me perguntem como ele convenceu, ele não conta na carta, mas ele diz que além de ter conseguido convencer o Papa a me deixar ser o Padre, o convenceu me dar certas regalias, como eu ainda poder namorar, e outras como criar meu próprio horário, podendo ainda sair com os amigos quando eu quiser, ir a escola e etc., e me disse mais uma coisa ...
  - O que ele disse amor? - Pergunta Rebecca, se aproximado dele preocupada.
  - Ele disse que independente da minha escolha, eu não o desapontaria.
  Então o Pai de Yuri, Seu Lindonaldo, levanta e pergunta:
  - Se independente do que escolhesse você não o desapontaria, por que aceitou essa loucura filho?
Yuri se desencosta, olha decidido para o pai e fala com uma firmeza assustadora:
  - Por que o Bento tinha alguma razão para fazer isso, ele moveu céus e terras para conseguir isso, ele tinha um motivo, e sei que era um bom, um excelente motivo, e eu vou descobrir, por isso eu digo o seguinte, a partir de agora, eu, Yuri Francisco Hupsel dos Santos sou o Padre da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo.

Hoje é só mais um dia daqueles


Hoje eu acordei com uma vontade inexplicável de ficar na cama sabe? Uma vontade de desistir das pessoas, do mundo. Mas, lembrei-me de cada momento feliz que já passei; cada conquista, cada abraço apertado que ganhei daqueles amigos, que eu sei, são para a vida inteira. Então, resolvi levantar e lutar! Mais uma vez, estou aqui com um sorriso que não me pertence, com algo que não é meu. Com as tristezas escondidas numa maquiagem, num cabelo arrumado, e em um sorriso forjado.
É cansativo viver assim sabe, sempre me camuflando, escondendo meus sentimentos, para que as pessoas não achem que sou apenas uma “coitadinha”...
Algumas vezes eu só quero um colo, um carinho, mas, até isso é difícil nos dias de hoje; porque as pessoas não se importam mais umas com as outras, é triste ver no que a humanidade tornou-se! Todos apenas pensam em dinheiro e mais dinheiro, esquecem da sua felicidade, esquecem que quando morrem o dinheiro não vai junto a ti. Então me diz, por que fazem isso?.
Hoje é só mais um dia, um dia de luta, que estou tentando passar sem ser derrubada pelo sistema. E sabe, cheguei à conclusão de que somos apenas um bando de loucos, obcecados pelo caos, perdidos num mundo de estresse, e presos numa constante mudança.

16 de nov de 2012

Um cadáver ouve rádio - Parte 4

Lágrimas que decidem
Já na casa do primo Francisco, que, sentado na cadeira de rodas, ouvia a tudo atentamente, Yuri mostrou o seu achado.
- Estava dentro do folheto de turismo.
- Um cartão de loteria.
- Jogava todas as semanas. Uma vez fez 12 pontos. Quase sofreu um colapso.
- Quantos pontos fez dessa vez?
- Não contei.
Tia Nina, mãe de Francisco, entrou com o café. Era uma mulher alegre, mas naquele fim de tarde não estava com boa cara, os olhos muito vermelhos. O filho acariciou-lhe o braço.
- Ela gostava muito de Boa-Vida. Aquele pau-de-arara sabia agradar as pessoas embora quase sempre por interesse.
- Não era tão interesseiro - retrucou tia Nina. - Lá na cantina, onde trabalho, tocava sanfona e cantava em troca de um simples prato de comida. Uma vez quiseram contratá-lo por três meses. Recusou. Detestava compromissos.
- Ia mesmo falar da sanfona - Lembrou Yuri. - Foi o único objeto de propriedade de Boa-Vida que desapareceu. Provavelmente mataram-no apenas para roubá-la.
- Era uma concertina caindo aos pedaços - lembrou tia Nina. - Ninguém daria nada por ela!
- O delegado acha que o assassino pode ter sido outro sanfoneiro - disse Yuri. - Um ladrão qualquer levaria também o rádio e o dinheiro.
Francisco sorriu, desanimado.
- Quantos sanfoneiros existem na cidade? Impossivel procurar entre eles o criminoso. Escrevam: a polícia vai arquivar o caso. Afinal roubaram uma concertina, não um instrumento raro, um violino Stradivarius.
A conclusão pessimista do filho fez mal à sentimental tia Nina, cujos olhos ficaram ainda mais vermelhos.
- Será que a pessoa que matou Boa-Vida vai continuar livre pelas ruas?
- Às vezes - confortou-a Francisco - dá uma sorte e a polícia pega o culpado por acaso.
Nina continuava sofrendo.
- Quando a vítima é importante todos se mexem. Qualquer pista ajuda. Os jornais falam, a televisão mostra. Mas quando o coitado não tem onde cair morto só o acaso pode fazer justiça.
Francisco e Yuri olharam Nina e depois entreolharam-se. Ela estava revoltada e triste. E fazia enorme esforço para reter uma lágrima que teimava em rolar-lhe pelo rosto. Como não tinha um lenço à mão, saiu às pressas da sala.
- Não sabia que tia Nina gostava tanto de Boa-Vida - disse Yuri.
- Eu também não! - declarou Francisco.
Fez-se um silêncio comprido e então Yuri tornou a falar.
- E ela tem razão. Quem vai se preocupar com o assassinato de um homem que morava numa obra em construção abandonada? E parece que nem nós, que o conhecíamos, estamos muito preocupados.
Nina voltou à sala. Seus olhos evidenciavam que havia chorado. Mas estava mais calma.
- O melhor que temos a fazer é esquecer - disse.
Francisco mexeu-se na cadeira.
- Quem sabe a gente possa estudar esse caso - declarou. - Embora nos falte um ponto de partida. O que acha, primo?
Yuri sorriu, era justamente o que desejava ouvir. E Nina sorriu para os dois, acrescentando para ser agradável ao sobrinho:
- E chamem também aquela mocinha bonita, a Rebecca. Ela é esperta e tem boas idéias!
- Por onde devemos começar, primo?
Francisco, ainda frio, mas para não decepcionar Nina e Yuri, pensou, fez a cadeira de rodas rodar em torno da mesa, criou certa expectativa e depois puxou o que poderia ser o fio da meada:
- Como era a sanfona de Boa-Vida? Alguma particularidade?
- Não lembro - disse Yuri.
Tia Nina queria mesmo ver o criminoso atrás das grades.
- Lá na cantina temos uma parede com fotografias dos artistas. Boa-Vida também está lá com a concertina.
- Gostaria de vê-la, mãe.
- Vou buscá-la loguinho. Era tão velha que não se parece tanto assim com as demais.
Tomada essa providência, Francisco lembrou-se de fazer uma pergunta que desde o inicio trazia na garganta.
- Que arma foi usada?
Yuri ergueu e abandonou os braços.
- Que cabeça, a minha! Estive lá, vi o sangue, falei um tempão com o doutor Arruda e esqueci disso!
- Não encuque, primo. Deve ter sido uma vulgar peixeira. E, como a velha Nina ordenou, convoque a linda Rebecca. [...]

A história de Pepito parte I

  Se a vida me ensinou alguma coisa é que tudo é no seu tempo. Se tu, que esperas que de uma hora para outra vá cair alguma dádiva infinda pra ti? Engana-te ó pequenino. Quando você nasceu estava escrito no seu destino que batalharia, seria aquela pessoa que mudaria o convívio, as vírgula do todo mundo o mosca chata na sopa... É, tu, que vives lamuriando-se, por uma oportunidade fugaz, que de uma hora pra outra já é passado e que agora vê que tudo não passou de um sonho... Vida, perdoe aqueles que agem assim, pois eles são tolos não sabem aquilo que a vida prega dentre os inóspitos alpendres que iremos passar pensamos que se a vida ensinasse inicio essa história, a história de uma criatura pequena, linda, fofuruxa, que veio ao mundo para encantar à todos... Era um dia comum, como qualquer outro, e, numa fazenda nos confins  de qualquer lugar do mundo, nasceu o cachorrinho mais fofo do mundo... Seu nome é Pepito, e a historinha começou assim: 
- mãe, cadê a senhora?
- Tou aqui filho.
- Já nasceu?
- Já, vem ver...
- Ele é muito lindo, como vai ser o nome dele?
- "Godolfredo"
- Deixemos que o dono dele descida.;

Era uma tarde chuvosa em Boa Vista, e quando o pai de Alex chega com seu cachorrinho no bolso e as expressões são de pessoas maravilhadas com a fofura daquela criaturinha, e rapidamente o pai vai embora com o cachorrinho para mostrar para seu irmão mais velho Yago, que na hora que o viu, o diz o nome dele irá ser Pepito! - Eles chegam em casa- E seu priminho logo pergunta:
- Posso brincar com ele tio?
- Pode só um pouquinho.
E quando vê-se ele está com Pepitinho no caminhão e quando se vê, tomam ele e sai: Ninguém gosta de mim...   

CONTINUA

15 de nov de 2012

Um cadáver ouve rádio - Parte 3

Quem odiaria um sanfoneiro?
O doutor Arruda aceitou a hipótese de Yuri. O rapaz tinha mesmo boa cabeça para detetive, demonstrada outras vezes. Queria, porém, mais informações sobre Alexandre. O mensageiro precisava voltar ao hotel. Prontificou-se a levá-lo em uma viatura, os dois no banco traseiro.
- Vocês papeavam muito?
- Boa-Vida falava demais. O homem mais alegre e falador que já vi. E se trazia a sanfona fazia festa sozinho.
- Não teria vendido a sanfona?
- Posso apostar que não. Seria como vender a própria alma. Graças a ela ganhava algum dinheiro nos forrós, restaurantes e festas do bairro.
- Domingo estava preocupado, diferente dos outros dias? - quis saber o delegado.
Yuri sacudiu a cabeça, impossibilitando qualquer dúvida.
- Só mostrava preocupação com a loteria. Não que fosse um jogador. O que queria era viajar. Sabe que um dia fez uma ligação telefônica para Roma? E só pelo prazer de falar com uma terra distante. Parece até loucura, não?
O delegado precisava de informações mais quentes e práticas.
- Por acaso tinha inimigos?
- Se tinha, nunca se referiu a eles - respondeu Yuri com ar saudoso - Quem odiaria um sanfoneiro?
- Talvez outro sanfoneiro - respondeu doutor Arruda com um sorriso.
- Boa-Vida não fazia muita concorrência aos outros.
O delegado fez outra pergunta direta:
- A que horas saiu ontem de sua casa?
- Às quatro, logo após o almoço. Mais cedo que habitualmente. Estava com um pouco de pressa.
- Por quê?
- Tinha marcado um encontro.
- Isso interessa. Com quem?
- Não disse - respondeu Yuri em tom lamentoso.
- Provavelmente com  o próprio assassino - arrematou o delegado - Chegamos ao hotel. Dê um abraço no seu primo Francisco. E obrigado pelas informações. Nós vamos pegar quem fez isso.
Yuri entrou no hotel, dirigindo-se à portaria. Quando foi guardar o folheto turistico de Boa-Vida, num dos casulos de correspondência, notou pelo tato que havia algo mais rígido e solto entre as páginas coloridas. O que era aquilo? [...]

Era, não é e sim eu sou assim.


E as lagrimas caem aos montes, seu coração esta despedaçado e você não sabe o que fazer, dizer ou pensar, porque a dor que sentes não deixa e em breve o vazio te consome e perdes aquele brilho esplendido que teus olhos tinham quando ainda sentia aquele sentimento…Qual mesmo o nome do maldito?
Você não consegue lembrar porque o vazio consumiu e está te afogando, matando aos poucos e qualquer sentimento diferente de tristeza, dor e solidão parecem ser boias salvas-vidas, pena que elas são leves demais pra te salvar do afogamento que o vazio está te proporcionando, porque nenhum desses sentimentos vai te salvar desse abismo…E isso doí e você que antes era todo sorrisos e alegria, está apática e vazia, está murcha, está solitária, se enterrando em si mesma, sem forças pra levantar ou mudar e você se pergunta, ” Por que ninguém me ajuda? Me salva disso?” E ai você lembra que você não contou o que anda sentindo pra ninguém, porque preocupa-los seria péssimo e se culpa por isso, porque quer e não quer que outros se preocupem contigo, mas, você ” Por que ninguém percebe?” Porque você mesma, não deixou eles perceberem, porque afinal, sempre fosses boa em fingir estar bem, teve anos de prática e até sua melhor amiga, que te conhece por inteiro, não percebe.
 Mas, você comentou uma ou duas coisas com ela sobre isso quando estava no limite, mas, mesmo quando ela perguntou o que houve, você simplesmente não quis aprofundar o assunto, porque tens vergonha. Vergonha de estar como está.
De se sentir assim, tão deplorável e frágil. Tão sozinha, tão morta. Afinal isso é novo pra ti, mesmo que tenhas passado por dores amorosas, nenhuma se compara a sensação do vazio, mesmo que ainda possas rir e sorrir, não  é mais a mesma coisa, é totalmente incompleto e incompleto não dá certo, porque assim que você para de rir com as palhaçadas dos seus amigos, o vazio já vem a toda atrás de ti, porque ele está faminto pela que dor que sentes e você abriga-o como um velho amigo, alimenta-o com seus pensamentos deprimentes, que te dão vontade de se matar. O que muitas vezes você pensou e imaginou, mesmo que para ti suicídio seja algo egoísta e mesquinho, afinal, ainda existem pessoas que te amam e se importam contigo, não da maneira que tu gostaria e sente que precisa, mas de uma maneira fraternal e totalmente gentil que também é bem vinda. Mas, parece ser o único jeito de morrer sem levar ninguém contigo ou ferir alguém fisicamente.
Mesmo que isso seja deplorável, você pensou nisso, porque a vida não tem mais sentido, não que nem antes. Você anda pensando em escrever cartas pra deixar algo de bom assim que se for, não que saibas que horas vais partir desse mundo, mas, como você reconhece que a vida é imprevisível, acha melhor fazer tal coisa, para dar um alivio mesmo que minusculo, para aqueles que te amam e se importam contigo.
 Afinal, você não é um poço de egoismo e egocentrismo, só está vazia e isso te faz mal. Faz mal a qualquer um. Seu sorriso era mais bonito e seus olhos também, você já foi mais viva e já trouxe mais alegria, mas é claro que essa foi a época em que você não tentava matar a si mesma por dentro, aos poucos. Foi na época em que o amor batia a sua porta e você o recebia de braços abertos, na época em que sua carência não predominava, afinal, mesmo que a distancia, eras amada e isso te fazia bem.
Você sempre fez mal para si mesma, desde menor, sempre rígida e perfeccionista consigo mesma, nunca soube fazer bem pra si. Só sabia fazer bem pros outros. sempre matando o amor que sentia por aqueles que podiam te fazer ama-los da forma que procuras, você tem a coragem pra enfrentar e matar um dragão, mas para amar alguém sempre exigiu mais coragem que isso para ti.

Você é complexa e estranha, dizem que sua voz é bonita e que tem uma grande beleza, mesmo que não se acha feia, não fica admitindo por ai que se acha bela, não é de seu feitio fazer tal coisa, não é humilde, se finge de convencida pra não se sentir envergonhada, afinal, odeias a timidez, porque a timidez te lembra a covardia, que lembra a ti fraqueza e a inutilidade e você simplesmente odeia todas essas quatro coisas.
É critica com os outros e tem a linguá ferina, direta e é sincera demais, porque para ti a mentira só atrapalha. Gosta de dar cortes nas pessoas que merecem e odeia injustiças. No exterior se paga de durona, mas na verdade é dócil por dentro, mesmo que não gostes de ser dócil, eis.
Cansasse de sofrer por isso decidiu que não sentiria mais nada em relação a ninguém e agora se sente mal por isso, porque isso faz uma falta sem tamanho para ti, mas, não quer correr atrás de cada par de calças que vir pela rua, pra curar isso. Porque para ti isso seria perda de tempo. Queres alguém que valha a pena e o risco, mas que principalmente prove que vale tais coisas. Não sabes como alguém poderá provar isso, só sabe que é assim que vai ter que ser.
Eis mais teimosa que uma mula, mas sabe muito bem ser diplomática e fazer as vontades dos outros, não se apega fácil e quando se apega quase não consegue desapegar, pode se distanciar, mas só.
Porque nunca conseguisse desapegar pra valer de alguém, só quando achou extramente necessário. Já teve tantas decepções que simplesmente não consegue mais ter realmente expectativas e quando (se) consegue, elas são facilmente destruídas. porque espera demais de algo que devia ser pouco. Você gosta de controlar as coisas ao seu redor do seu jeito e tem vezes que quer que tudo saia perfeito e quando não sai te estressa e isso te mata mais.
Era pra ser um texto dócil, mas, cansei de textos dócil’s, não são para mim.
 Era pra ser bonitinho e inspirador, não é, não sou assim.
Era pra algo a mais, mas, não é, é um simples e deplorável texto sobre mim.
                                           

   -



O nome do maldito era amor.

14 de nov de 2012

Um cadáver ouve rádio - Parte 2

Yuri chega ao local do crime
Yuri Santos, vestindo o uniforme de mensageiro de hotel, foi um dos primeiros moradores do bairro, Bela Vista, a comparecer ao local do crime.
O pedido, por telefone, feito pelo próprio delegado, surpreendeu-o.
- Podia deixar o hotel por uma hora e vir ao Bexiga reconhecer o corpo de um homem assassinado?
- Conheço essa pessoa, doutor?
- Informaram que se trata de amigo de sua familia. Se tivesse telefone em casa, convocaria seu pai. Anote o endereço.
Yuri, atendendo ao telefonema no balcão da portaria do hotel, ficou tenso.
- Quem foi assassinado?
- O Alexandre.
Yuri, aliviado:
- Não conheço nenhum Alexandre.
- O vigia de uma obra paralisada.
- Não conhecemos vigia de obra alguma, doutor.
- Mesmo assim venha.
Yuri pediu licença a Genival, o gerente do hotel, saiu, e perguntou ao Gino, o porteiro:
- Conhece no Bexiga um vigia de obra chamado Alexandre?
- Não - respondeu Gino, antigo morador do bairro e dono de boa memória.
- Seja quem for, mataram o coitado.
Ao chegar no endereço, ditado pelo doutor Arruda, Yuri viu um edifício de cinco andares em construção. Costumava passar por ele quando ia com sua mãe à igreja. O delegado realmente se enganara: jamais vira algum vigia naquela obra.
Havia uma viatura da polícia parada diante do prédio, já observado por alguns curiosos. Yuri pagou o táxi e dirigiu-se a um policial.
- Doutor Arruda?
- No primeiro andar com o pessoal da Técnica. Vá entrando!
Yuri subiu um lance de escadas, ouvindo vozes. Na sala de um apartamento em construção, entre alguns policiais, o delegado conversava com um rapaz baixo e magro, muito pálido e assustado. O investigador, Bruno, olhava-o, atento, como se temesse sua fuga. Aproximou-se.
- Obrigado por ter vindo, Yuri - disse o delegado. - Conhece esse moço?
- Acho que não - respondeu após breve exame.
- Chama-se Muriçoca e mora em casa de cômodos da vizinhança. Foi quem descobriu o corpo. Diz que veio procurar emprego. Nunca o viu mesmo?
- Não.
- Leve-o de volta à delegacia - ordenou o delegado a Bruno. - Mande levantar a ficha e examine os documentos.
Bruno desceu as escadas com os cinco dedos apertando o braço trêmulo de Muriçoca. Um fotográfo, que subia, tirou uma foto dos dois.
- Como disse por telefone não conheço nenhum vigia de obra - declarou Yuri ao delegado.
Doutor Arruda levou o rapaz ao quarto vizinho onde o pessoal da Polícia Técnica fazia o trabalho de rotina. O cobertor fora retirado da janela. Yuri logo viu o corpo, o rosto colado ao chão e coberto pelo braço direito, estentido. Mas bastava aquela inseparável camisa verde, puída e desbotada, para reconhecê-lo. O delegado estava certo: era de fato um antigo conhecido dos Santos.
- Nunca soube que se chamava Alexandre.
- Alexandre de souza. Tinha uma cédula de identidade no bolso.
- Para nós e para todos era apenas o Boa-Vida.
- Quando o viu pela última vez?
- Almoçou ontem em casa. Ia lá, às vezes, aos domingos. Era nordestino mas gostava muito do macarrão da mamãe.
Yuri deu alguns passos para o interior do quarto. Lá estava a espiriteira que dona Iolanda dera a Boa-Vida em troca de uma subida ao telhado para ajustar a antena de televisão. O colchão, presente de tia Nina. Viu duas xícaras com restos de café. Pontas de cigarros espalhados pelo chão. Ah, aquilo era importante para Boa-Vida - folhetos de roteiros turísticos! Sua leitura preferida. Costumava dizer que, se fizesse os 13 pontos da loteria, partiria em uma viagem ao redor do mundo. Abaixou-se e apanhou um dos folhetos para guardar como lembrança daquele que tanto divertira os Santos com sua música, suas manhas e seu papo engraçado.
- Mataram para roubar? - perguntou ao delegado.
- Não houve roubo - respondeu doutor Arruda - o rádio está ali e encontramos dinheiro em seu bolso. Um ladrão levaria tudo. Até a espiriteira.
Yuri continuava olhando para os míseros pertences. Faltava alguma coisa. Algo muito ligado à vida e personalidade do assassinado. Tão importante como sua própria sombra. Lembrou-se afinal.
- E a sanfona, doutor?
- Não havia nenhuma sanfona!
- Mas Boa-Vida tinha uma! Pergunte a todos que o conheciam.
- Aqui ninguém pegou nada - disse o delegado. - Tudo está como foi encontrado. Se havia uma sanfona, desapareceu.
Yuri começou a interessar-se pelo caso ao tirar a primeira conclusão:
- O senhor disse que o motivo não foi roubo. Mas foi. Procurem quem roubou a sanfona e encontrarão o assassino. [...]

Em paz

Se a vida não me ensinasse,
a aprender que somos capazes,
após sentimentos fugazes,
entre nosso próprio enlace...

se tu me amas ou não,
pouco me importo,
fotos nossas juntos recorto,
para agravar a separação,

se 'inda resta, amor,
com um pouco de amor,
deixe me em paz!!!

12 de nov de 2012

Um Cadáver ouve rádio - Parte 1

  Foi mais ou menos assim que o pequeno Muriçoca, pálido, trêmulo, gaguejando, contou ao delegado distrital, doutor Arruda, depois de tomar um copo de água numa única e febril virada:
- Parei na entrada da construção por causa da chuva. Fiquei lá um tempo e então subi as escadas.
- Por que subiu?
- À procura de emprego, doutor. Estou sempre tentando.
- Você mora numa casa de cômodos perto da obra. Não sabia que está paralisada há muito tempo?
A pergunta agiu como uma prensa: hesitante, Muriçoca pareceu ainda menor e mais desamparado na delegacia. Olhou para o copo vazio sobre a mesa, suplicando mais água. Aquilo era medo.
- Sabia ou não sabia? - exigiu saber Bruno, o investigador que acompanhava o depoimento.
- Sabia - confirmou o rapaz, juntando os punhos, culposamente à espera das algemas.
- Para que então pretendia pedir emprego numa obra abandonada? - perguntou o delegado.
- Ouvi o rádio lá em cima.
Fácil lembrar. A cena ficará impressa na memória de Muriçoca como uma fita de televisão que se pode rever muitas vezes, mas não conseguia transformá-la em palavras.
Quem sabe o vigia do prédio não lhe desse uma colher de chá. Como dissera ao delegado, estava sempre tentando. Aspirando forte cheiro de cal, foi descendo os degraus, não revestidos, de uma escada. Chegou ao primeiro andar, não viu ninguém. Orientado pela música, dirigiu-se a um apartamento, ainda sem porta. Viu-se numa sala onde se acumulavam sacos de cimento e outros materiais de construção. Parou e bateu palmas. Nenhuma resposta.
- Quero falar com o vigia - disse em voz alta.
Se ele saiu para tomar café, por que o rádio está ligado?, perguntou-se o rapaz. Atravessou a sala e entrou num cômodo escurecido por um cobertor fixado à janela para bloquear a entrada de luz. O rádio, de pilha, estava sobre alguns folhetos coloridos e...
- Um homem, caído de costas, com uma camisa toda ensanguentada. E havia também grandes manchas de sangue pelo chão. 
O delegado observava-o com a experiência profissional de quem não acredita em tudo que houve. Muitos criminosos são os primeiros a "achar" suas vítimas.
- Quando foi isso?
- Hoje cedo, às oito horas, mais ou menos.
- Por que demorou tanto para vir?
Muriçoca contraiu-se todo como se fosse aquela a pergunta mais temida. O investigador olhou maliciosamente para o delegado, prevendo, com a pergunta, a possibilidade de uma confissão. Às vezes o sentimento de culpa já nasce com o endereço da delegacia.
- Andei por aí, parando nas esquinas, tomando café nos botecos, me molhando na chuva.
- Você não respondeu, moço. - disse doutor Arruda, enérgico.
Muriçoca baixou a cabeça, o queixo no peito, os punhos de novo prontos para as algemas.
- Medo de me complicar, doutor. O pobre sempre é suspeito de alguma coisa, ainda mais quando tem um cadáver por perto. [...]

10 de nov de 2012

Padre? - Parte 1

  - Mas que filho da mãe ...
Yuri cai sentado, incrédulo, com todos os olhares da sala sobre si, ele não acredita no que acaba de ouvir, se isso foi uma brincadeira do Padre Bento ele deve ter perdido o bom humor, pois não via graça nisso, nem mesmo sentido.
  - E então meu jovem, você aceita? Aceita ser o padre da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo? - Pergunta o advogado
Essas palavras atingem Yuri como uma bala de canhão, de onde Padre Bento tirou a ideia de que um adolescente de 16 anos poderia ser o padre de uma igreja? Ainda mais ele? O que tem o Papa na cabeça pra concordar? E como o Padre Bento conseguiu que ele concordasse?
  Yuri se levanta, pensa em falar algo, mas muda de ideia, se senta novamente e abaixa a cabeça, apoiando-a com as mãos, e diz:
  - Me deem um tempinho pra pensar por favor ...
  - Quer ficar sozinho um pouco filho? - pergunta seu pai, preocupado - Para pensar direito nisso?
  - Po-pode ser pai, obrigado.
Todos se levantam e saem da sala, o advogado, que é o ultimo a sair, se detém na porta um instante e fala:
  - Tem um envelope na primeira gaveta pra você, Bento disse que só você pode ler o que tem escrito lá. Boa Sorte.
Yuri se levanta, vai até a mesa e pega o tal envelope, de cor azul-escuro, com os dizeres "Ao meu melhor amigo" em branco e na letra do padre. Vai até a janela e pensa "Poxa, como me arrependo de ter conhecido esse cara", e então começa a lembrar de como se conheceram ...

  - Onde tu vai cara? - pergunta Lindonaldo, pai de Yuri - Amanhã voltam as aulas filho.
  - Vou dar uma volta pai, acho que vou passar lá na igreja matriz. - Responde Yuri indo até seu pai e dando um abraço -  Afinal é o ultimo dia de férias, e eu tava querendo passar lá durante as férias, afinal a igreja tá ligada a história da cidade, e como ela foi restaurada, to louco pra ir lá.
  - Ok, então vá, mas não volte tarde, amanhã tem aula.
Então Yuri sai, e ao longo do caminho encontra uns amigos, cumprimenta conhecidos e segue seu caminho,até que chega na igreja, e mal a vê e já fica deslumbrado, a restauração recuperou a beleza perdida dela. Quando entra, Yuri fica olhando para o teto, tão maravilhado, que de inicio não percebe um bêbado entrar, todo nervoso, mas percebe que tem algo errado quando ouve os gritos do bêbado vindos do fundo da igreja, ele vai cauteloso, com medo, e então percebe que o bêbado quer o vinho da comunhão para continuar a encher a cara, Yuri se aproxima furtivamente, e pega um castiçal de ferro numa estante próxima, o padre o vê se aproximar e nada diz, até que Yuri, com seus 13 anos, acerta o bêbado na cabeça, levando-o a nocaute. O padre, que esteve calmo todo o tempo, abraça Yuri e agradece:
  - Obrigado garoto, você me salvou a vida, acho que não passaria de hoje se ele soubesse que o vinho acabou na última comunhão, hahahahaha, mas ainda bem que você estava por perto.
  - Nã-não foi na-nada ... - responde Yuri ainda balançado com a situação - Mas o senhor está bem não?
  - Sim, sim, nada me aconteceu, mas infelizmente não posso dizer o mesmo de alguns dos meus bens né? - responde o padre se sentando com um suspiro cansado
E os dois analisam a sala todas bagunçada, com cacos e papeis e panos rasgados para todo lado. Então o padre pede que Yuri vá chamar um guarda na praça em frente a igreja antes que o bêbado acorde. Yuri vai correndo, e quando padre Bento deixa de ouvir seus passos ecoando dentro da igreja, sorri e diz:
  - Que bom garoto.

  Yuri dá um sorriso ao lembrar, e então se lembra do envelope em sua mão e a abre, e encontra uma carta, com a caligrafia de padre Bento, ele o abre e vê:
Para meu jovem amigo Yuri.

  Independente de sua decisão, você jamais vai me desapontar meu amigo, convenci o Papa, não digo como, mas consegui. E consegui algumas coisas também, mesmo que aceite ser o padre, poderá viver normalmente, você poderá criar um horário a seu jeito, poderá namorar, sair com os amigos como faria sem ser padre, mas não poderá esquecer das responsabilidades com a igreja, se aceitar pode deixar de ser padre quando quiser. Caso aceite, desejo boa sorte, e caso não, desejo boa sorte do mesmo jeito. E lembre-se, independente da sua escolha, sei que será a certa."

E então um "milagre" acontece, Yuri deixa algumas lágrimas caírem enquanto sorri, ele levanta a cabeça, vai até a porta abrindo-a de supetão, e diz:
  - Pois bem, tenho a minha resposta.
  - E qual é? - Perguntam todos em uníssono e se levantando ao mesmo tempo.

Fim da parte 1

8 de nov de 2012

Prum Ex-amor.


Às vezes bate aquela vontade de relembrar o passado e me enterrar nas lembranças, pedir pra você voltar, não por sentir falta da sua pessoa, da sua personalidade abusada e até meio perdida e boba, mas sim daquilo que você era para mim.Dos seus mimos, da sua atenção, da sua forma doce de amar, dos seus momentos fofos, das promessas que deviam ser vazias, mas que na época fizeram sentido e estrago no meu coração.Do que você representou para mim.E ao mesmo tempo…Dá vontade de simplesmente seguir em frente,como sempre,Superar.
Manter a cabeça erguida pro futuro, lembrar que eu não amo mais você, que talvez eu nem tenha amado você e sim gostado do que eu achei ser você. Eu não poderia te amar, mal o conhecia.Fomos apressados, mas adolescente é assim, impulsivo, apressado, estranho e todo complicado.Tentamos ser algo, mas na primeira barreira, quebramos, desmontamos e não voltamos. Foi como uma fase de vídeo game, que assim que teve “game over” nós acabamos e nós não nós demos ao trabalho de apertamos o “restart”. Por que o orgulho e a insegurança e a falta do amor real bateu e confrontou e nós intimidou. Acho que a falta de tato pra conversar e o medo das respostas, atrapalhou também.Mas, eu admito, eu pensei seriamente em apertar aquele botão, porque eu precisava de você.Eu fiquei carente e mimada, mal acostumada. Você fez isso,e, quando parou foi estranho e confuso, sem falar que doeu um pouco e eu chorei quando recordei nossos planos, tentei ser sua amiga, mas não deu.
Era gostar demais, querer demais, egoísmo de ambas as partes demais.Nós falávamos que não importava o que acontecesse com aquele namoro ou fase de vídeo game, nossa amizade não iria mudar, até prometemos, não foi? Pena que não cumprimos. sinto falta daquele garoto brincalhão e engraçado. de quando era confortável ficar conversando com ele, quando tínhamos assuntos e mesmo que não tivéssemos arranjávamos...Era bom...Mas talvez aquele era seu jeito de conquistar as garotas…Mas, devo dizer, sinto mais falta daquele amigo que eu perdi por conta do namoro, do que do namorado que eu perdi por causa de uma desavença.
Nós não éramos muito parecidos, mas como ser se nos mal nós conhecíamos?Não éramos o inverso um do outro, porque seu pensamento em certas questões lembravam os meus, não sei como meu jeito te envolveu e conquistou, mas te juro que não fiz propositalmente, juro. Foi uma experiência e tanto...Tanto para mim quanto para ti, não foi pequeno? rs. Foi a distancia e ninguém entendeu muito bem por que ficamos juntos, nem eu no começo nem eu entendi…
Mas, era bom sabe? Ter alguém pra dar atenção, dar mimos e trocar melosidades…
ter alguém pra chamar de meu e ser chamada por pronomes possessivos…
Era…simplesmente bom…Desculpe, não fui lá a melhor namorada ou a melhor parceira nessa fase, mas era minha primeira vez com um parceiro ou com um namorado, mas, você também não foi o melhor dos melhores, você foi bom, devo admitir, mas eu sei que poderia ter sido melhor…Talvez tenha sido a distancia que fez eu e você sermos só bons, quando eu sei que devíamos ser ótimos…Mas, pra um primeiro namoro, foi bom, será uma lembrança boa, bem agradável … Mas, poderia ter sido melhor, eu sei que podia. Eu não quis ter ti magoado, você sabe disso. Mas, você me magoou, então, estamos quites.
Mesmo que não tenha sido intencional aconteceu…
Não me arrependo de ter te namorado ou te ajudado nessa fase de vídeo game, me fez “evoluir”, me ajudou a crescer e me abriu mais os olhos pro mundo, mas, sinto dizer que eles estão mais céticos do que antes e o brilho de outrora se foi junto com meu gostar de você…Eu acho que superei você, fui um pouco burra e tentei te esquecer, mas não é bem assim que a banda toca, não é?
O tentar esquecer, me lembrou mais você, do que não sei o que. Por isso estou superando e até acho que consegui…Soube que tens uma nova namorada, espero que ela te faça feliz e que com ela você me supere, mas não me esqueça, afinal fui sua primeira namorada a distancia e é sempre primeira que fica na memória, aprendemos o mesmo tanto juntos, acho eu.Foi interessante enquanto durou, mas não é certo tentarmos aumentar essa curta partida de vídeo game ou esse namoro. Seja feliz com quem te ama e se precisar de mim, dá sua amiga e não de sua ex-namorada
, você sabe onde me encontrar.

-


Mas no final, éramos estranhos carentes, procurando por algo perdido e um tanto quanto ilusório que não encontramos…

7 de nov de 2012

Chuvisco - Parte 3

  Os primeiros raios de sol atingem seus olhos fechados, ele levanta a cabeça, olha ao redor, e de um salto, vai do chão pra cama, e começa a lamber a cara de Chuvisco, Chuvisco vira de lado e empurra Vigia para o outro, Vigia não desiste e dá uma dentada na orelha exposta do palhaço, fazendo ele se sentar em um pulo e um grito, ele olha irritado para o cachorro e diz:
  - Ok, ok, acordei Vigia! Feliz?
  Vigia late e abana o rabo confirmando, fazendo Chuvisco se perguntar se Vigia estava sendo sincero ou sarcástico com ele. Chuvisco levanta e vai até a janela, sentir o sol da manhã, Vigia late para lhe chamar a atenção, Chuvisco se vira, sorri e diz:
  - É, tá na hora, vamos vê-la.

  - Vamos voltar pro circo Vigia, vamos, to muito nervoso. - Dito isso Chuvisco se vira pra ir embora, mas o cachorro late em direção a casa, nosso querido palhaço para de chofre, e resmunga - Vai ter troco ...
Então Bruna surge na janela, toda sorrisos, e Chuvisco vê o pai dela atras, de cara amarrada, ao ver o pai da Bruna, Chuvisco engole seco e mexe no colarinho. Bruna corre até ele e se joga em seu pescoço, e Chuvisco falta desmaiar quando vê a cara que o pai dela faz, então Bruna o puxa pelo ombro pra junto de si e fala:
 - Pai, te apresento Chuvisco, meu namorado.

  Chuvisco olha chocado para Bruna, tanto por acabar de descobrir que é namorado dela e adorar isso, quanto pelo fato de ela ter dito isso para um cara que o olhava com se quisesse metralhá-lo, mas quando Chuvisco olha para o pai dela, só falta ter um treco de tanto choque, o pai de Bruna está sorrindo, sorrindo de felicidade.Seu Luiz, percebendo que o jovem palhaço não está muito bem, pergunta:
  - Tudo bem meu filho? Você parece um tanto quanto doente.
  - Sim, sim. - consegue balbuciar Chuvisco - Acho que só preciso me sentar um pouco ...
Seu Luiz solta uma gostosa gargalhada e passa seu braço em volta dos ombros de Chuvisco, o chacoalha um pouco para descontraí-lo e diz:
  - Calma rapaz, calma. Você só deve me temer se fizer algum mal a minha filha.
Chuvisco já recuperado do choque, pergunta a Bruna:
  - Agora estamos namorando?
Bruna se aproxima dele e o beija, e então pergunta:
  - Isso responde sua pergunta?
  - Sim ! - Responde Chuvisco com um sorriso enorme - Mas por que só fiquei sabendo disso agora?
  - Ué, achei que era óbvio já.
Dito isso, os três dão risada, na verdade os quatro, afinal Vigia está junto deles. Mas então Seu Luiz assume um falso tom sério, fica cara a cara com Chuvisco, e se concentrando muito para não rir diz:
  - Agora meu caro rapaz, você vai passar por uma prova de fogo, vários dos que te precederam desistiram antes de tentar, muitos fugiram ao começo deste desafio, e eu torço para que você encontre o bom senso e desista também, mas se decidir ir em frente, e vencer este desafio, terá todo o meu respeito.
Chuvisco intrigado pergunta:
  - mas que desafio é esse?
Seu Luiz e Bruna fazem caras de suspense engraçadas e falam em uníssono:
  - Conhecer sua sogra ...
Seguindo a brincadeira, Chuvisco finge engolir seco, e uma vez mais todos caem na risada.

6 de nov de 2012

Macabro Amor

  Já era tarde, Pedro despencara pela escada assustadíssimo. No quarto de Rogério, uma figura misteriosa saía tranquilamente do móvel de parede e, ao ver Luíza estirada no tapete, não esboçara o menor espanto ou susto. Pegou a bengala, limpou o sangue no vestido da recém-defunta e, o mais estranho, é que a perda de sua irmã não lhe trouxe nenhum sentimento. Como se Luíza nunca tivesse existido, e o cadáver aos seus pés não passasse de uma boneca macabra.
  Vívian gira a bengala entre os dedos, assobiando uma música lenta, desce a escada de dois em dois degraus, vai até a cozinha pegando um refrigerante na geladeira e se sentando a mesa, e então se pergunta:
— Onde está o bocó do Pedro?

  Pedro sobe na casa da árvore e começa a revirar um velho baú murmurando freneticamente:
  — Louca, louca, louca... Minha namorada é uma louca...
E então encontra que o procurava, a espada que o avô de Vívian ganhara de um amigo, anos atrás, Pedro a desembainha em um movimento ligeiro, analisa a lamina e sussurra pra si:
 — Obrigado pelas aulas S.R. Togokawa.

  Vívian vai para a varanda, depois de revirar toda a casa e perceber que Pedro saiu, e começa a gritar por ele:
 — Pedro??  Pedroooo!!! Apareça meu bocózinho. Falta pouco para que possamos ficar juntos enfim.
Pedro pula da casa da árvore com a espada desembainhada em mãos, com um olhar frio, e grita:
— SUA LOUCA!!! O QUE FEZ?? TÁ TUDO ERRADO!!!
Dito isso Rogério surge à porta aos berros:
— O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI, O QUE HOUVE COM A LUÍZA MEU DEUS DO CÉU????
E então fica paralisado de choque com a cena a sua frente, Vívian, sua filha, de costas pra ele com a bengala de seu pai e o vestido sujo de sangue, e o namorado dela mais a frente, de frente para ele, só com a calça do pijama e a espada de seu pai em mãos, absurdamente confuso ele pergunta:
— Mas que diabos...
Mas não chega a terminar a frase, pois Pedro transpassa sua garganta com a espada que outrora foi de seu pai...

  Pedro tira a espada da garganta de Rogério, que cai espirando sangue para todos os lados, sujando principalmente a Pedro, ele limpa a lamina na calça, se vira e avança lentamente em direção a Vívian, joga a espada no chão, a abraça forte e rouba-lhe um demorado beijo, e então sussurra em seu ouvido:
— Me desculpe os gritos amor, mas bobinha, seu pai devia ter sido morto primeiro.
E a beija novamente.

5 de nov de 2012

Alguém pra chamar de meu.

Mesmo que eu deseje coisas como, alguém pra cuidar de mim, me amar, entender e ouvir, desejar nem sempre é o bastante…E no meu caso, momentaneamente, só posso desejar. mesmo que eu não creia que exista algum tipo de príncipe que irá me salvar da minha mesmice, dos meus problemas, dos meus anseios, dos meus pulos até o mundo da lua, de mim mesma…Ainda sim, seria ótimo ter alguém que amasse cada coisinha minha, por fazer parte de mim, que soubesse tudo de mim e que só com um olhar entendesse o que se passa nessa cabeça tempestuoso e inquieta, que soubesse me consolar, me animar, me mimar, me fazer ser dele e apenas dele. Que me fizesse ficar perdida em pensamentos sobre ele durante horas, que me tirasse dos meus raciocínios lógicos momentaneamente e me fizesse pensar como estar apaixonada é bobo, que me fizesse confiar nele e que realmente valesse a pena…Que me provasse que o lugar que ele mais quer estar, é ao meu lado. Que tanto o meu mundo, quanto o dele, fica mais colorido quando estamos juntos, que tudo melhora.Não procuro alguém perfeito, procuro aquele que será perfeito ao meu ver, mesmo com todos os defeitos do mundo, quero esse alguém, que poderei chamar de meu sem ter peso na consciência ou no coração. Que seja o certo pra mim mesma, mesmo que seja errado pros outros. Que ele me faça feliz como nenhum outro fez ou fará e quero faze-lo tão feliz quanto ele me fará feliz.
 

Doí, mas tem que superar pra melhorar.

Doí, muito mesmo né? É…Ter o coração partido em mais de um trilhão de pedaços, é realmente doloroso…Não sei bem o que é pior, ver que a pessoa que você confidenciou seus sentimentos, pensamentos, angústias, dores, chateações, travessuras, brincadeiras, mimos, promessas, sonhos e todo o seu carinho e amor, te magoar e quebrar aquelas promessas preciosas ou vê-la sorrindo pra outra pessoa…E você que já nem lembrava mais de como era a vida sem a pessoa amada, parece que tem o chão abaixo dos pés quebrado, partido, que ele sumiu e não vai voltar mais. Parece que essa dor nunca mais irá embora e que você nunca vai conseguir supera-la. O mundo já não parece o mesmo, sem aquelas cores a mais que o amor te mostra, os sorrisos são mais raros e as risadas também, a saudade é muito forte e os pensamentos sempre vagão para aquela pessoa especial, as noites são cobertas de lagrimas salgadas e frias, de “Porquê’s” sem resposta e de pensamentos ruins e a solidão chega de mansinho e talvez, até vira uma amiga que está sempre presente. É difícil falar com a pessoa amada e não sentir algo ruim ou sentir que tem uma bola na garganta que te impede de perguntar ou falar o que realmente quer e parece que a sociedade não liga pro seu sofrimento e não liga mesmo. Parece que tudo é mais difícil e nada é como antes, é tudo mais frio, sem vida, mais solitário e as vezes parece que seu coração não está lá…É difícil, mas, tudo isso passa. Porque mesmo que pareça que isso nunca vá ser superado, um dia é. Afinal, com certa ajuda e força de vontade, tudo é possível. Então, levanta a cabeça, seca essas lagrimas e tenta, até conseguir superar e ser feliz.