26 de dez de 2012

Um Cadáver ouve rádio - Parte 7

Um chinês tocador de sanfona?
Yuri encontrou o primo folheando os jornais do dia, nervosamente.
- Como eu imaginava! Apenas algumas linhas sobre o assassinato de Boa-Vida. Se fosse rico o caso mereceria meia página...
- Melhor assim - replicou Yuri. - Não assustará o criminoso.
Nina entrou na sala com um espanador.
- Foram ao cemitério, Yuri? 
- Voltamos agora. Como enterro de indigente até que não foi mau. Havia um padre e algumas pessoas do bairro. Mamãe levou flores.
- Não pude ir - lamentou a tia. - Mas orei por ele.
Yuri passou a Francisco o cartão de Dalyana.
- Havia uma pessoa desconhecida para nós no enterro. Já ouviu falar dela? 
Nina também foi ler o cartão. Não sabiam quem era Dalyana.
- Alguma amiga de Boa-Vida?
- Vocês não adivinhariam nem amanhã - disse Yuri, dono do seu mistério.
- Tem o nome dele, Souza - observou Francisco. -  Só pode ser parente.
Sabendo do espanto que ia causar, Yuri sorriu.
- Mulher de Alexandre. Boa-Vida era casado embora vivesse separado da mulher. Jamais teríamos notícia disso se ela não aparecesse no cemitério. Derramou um rio de lágrimas. Mas quando a abordamos não quis muito papo. Mamãe não simpatizou nada com essa tal de Dalyana.
Francisco e Nina ficaram surpresos: Boa-Vida, casado!
- Como soube que o marido morreu?
- Pelo rádio.
- O que ela disse? Desconfia de alguém?
Yuri sacudiu a cabeça, negando.
- Raramente via Alexandre. Disse que não poderá ajudar.
A informação, apesar do impacto, não somava novos esclarecimentos ao assassinato, mas, Francisco, zeloso, juntou o cartão de Dalyana à fotografia de Boa-Vida e ao folheto turístico encontrado na obra. Um pouco de organização não faz mal a ninguém.
_ Evidentemente vamos entrevistar esta senhora - disse Francisco - mas devemos nos concentrar no ladrão da sanfona. Por que complicar as coisas? Só pode ter sido ele! Eram muito amigos, Yuri. Tinham marcado encontro na obra. O legista concluiu que o crime foi às dezoito horas de domingo. Tomaram café, fumaram cigarros, de marcas diferentes, e depois o visitante, para roubar a sanfona, matou Boa-Vida pelas costas.
- Com a arma chinesa?
- Isso mesmo!
Yuri começou a rir e acabou gargalhando a ponto de irritar o primo.
- Boa piada, Francisco!
- Mas onde está a graça? Quer me dizer?
A graça estava aí:
- Como pode imaginar um chinês tão fanático por xaxados, xotes e baiões a ponto de cometer um crime para surrupiar um sanfona velha? Já viram um china, com gibão e chapéu de couro, animando um forró? Eu nunca vi. Zero para você, senhor detetive.
Francisco continuava nervoso.
- Quer esquecer a arma do crime um minuto, por favor? 
- Não consigo. O crime foi de sabre chinês, não de peixeira. Isso não dá pra pôr de lado.
Nina, sem largar o espanador, até sentou-se para ouvir a animada discussão dos dois primos.
Francisco estava com a palavra:
- Então um russo só mata a golpes de balalaica, uma espanhol necessariamente precisa usar bandarilhas e um italiano pau de amassar macarrão? O criminoso na maioria das vezes apanha a arma que pinta na ocasião. Ele poderia ter roubado essa arma estranha justamente para confundir a polícia.
Yuri não se deu por vencido:
- Então vamos sair por ai, procurando entre milhões de sanfonas, uma que tenha duas letras minúsculas iniciais, feitas provavelmente a canivete? Desta vez, fico por fora. Sou um rapaz com uma brilhante vocação para detetive, não andarilho ou recenseador de sanfonas!
Nina deu uma gostosa gargalhada. Recenseador de sanfonas, ótimo chiste!
E tudo ficaria em gargalhadas, o dito pelo não dito, se não fosse a pessoa que chegou em seguida. Tocaram a campainha. Nina foi atender.
- Ah, é o senhor? Vá entrando. Francisco e Yuri estão aqui quebrando a cabeça. [...]
 
 

25 de dez de 2012

E ai? Alguém quer?


Desisto disso, daquilo e do próximo.
Desisto de tentar me entender, de entender meus sentimentos, minhas fragilidades…Minhas coisas.
Posso entender o mundo inteiro, mas, sinceramente? Preciso de alguém que me entenda, de corpo e alma, que me conheça tanto, que só com um olhar ou expressão já saiba como estou.
Sério. Cansei de mim. Alguém quer pra si? To me dando pra quem quiser, porque, eu não me quero.

Natal e sua hipocrisia.



Eu andei pensando sobre o natal….

Sinceramente é uma época que nunca me agradou.
nem mesmo quando criança. Mesmo que quando criança, eu achasse interessante as luzes, as pessoas, as roupas e como tudo mudava apenas e somente naquela época, 
eu não gostava, só achava interessante.
Em pouco tempo natal, se tornou simbolo de hipocrisia pra mim, afinal, 
eu nunca vi o porque de somente no natal você querer fazer coisas boas, 
querer ser amigável, ser hipocritamente bom.
Com o tempo pra mim o natal desbotou, perdeu todo brilho e o charme fugaz, se tornou simplesmente uma celebração mesquinha que simboliza o consumismo;E nem me venham com a historia cristã. 
Nenhum de vocês realmente pensa nisso quando lembram da palavra “natal”. A maioria vai lembrar da ceia de natal, dos parentes chatos, dos amigos secretos, da família e principalmente dos presentes.
Em pouquíssimo tempo o natal se tornou uma data consumista e hipócrita, que só me traz dores de cabeça, confusões e desgostos.
E querem saber? Aquele papai noel fajuto que vocês veem nas ruas, nos shoppings e etc, não é papai noel!
Papai noel é o pai de vocês ou a mãe de vocês, que em todo natal, se mata pra dar o presente de natal de vocês!
Natal é uma época do ano, que está cheia de coisas mesquinhas, de egoismo, luxuria, gula, inveja!
Não é uma época bonita. Ela só mostra como as pessoas podem ser falsas.
Por que você só é altruísta no natal? Por que você só pensa nos outros no natal? Por que somente no natal é que você quer que tudo fique bem e em paz?! 
Tens o ano inteiro pra fazer isso, pra tornar o teu mundo melhor e os dos outros também.
Não to falando que ninguém é altruísta ou bom de verdade, estou dizendo que a maioria é hipócrita.
O que é que vai te custar durante o ano fazer algumas boas ações?
Por que só no natal?
Façam coisas boas, durante o ano, tenham respeito e carinho pelos outros, sejam melhores.
Não usem o natal como uma desculpa ou perdão pra todo o mal que vocês costumam fazer! Parem de achar que se forem bonzinhos no natal e somente no natal alguma coisa de boa vai acontecer pra vocês; E também parem de achar que fazer simpatias no ano novo vai realmente fazer com que ele seja melhor!, Porque se tu não faz absolutamente nada pra que ele seja melhor, ele não sera.
Porque por um passe de mágica não acontece nada.
Vai lá e batalha por isso! Quer um mundo melhor?!
Começa a tentar mudar a si mesmo e depois ir mudando as pessoas ao seu redor pra melhorar o mundo.
Quer que 2013 seja bom? Faça-o ser.
Vão lá e façam! Se vocês não forem, ninguém mais vai ir lá e fazer! 
Não deixem pra amanhã o que pode ser feito hoje!
O príncipe encantado não irá vir num cavalo branco pra te salvar de si mesma ou dos outros.
Salve-se sozinha, tenha amor próprio antes de querer que alguém te ame.
Afinal, quem é que vai te amar se nem mesmo você se ama?! Isso mesmo, ninguém.
Parem de pensar que não podem fazer algo, quanto mais pensarem assim, não irão poder.
Pensem que podem e irão conseguir. 
Se alguém te chamar de burro vá lá e prove o quanto eis esperto.
Orgulhe seus pais.
Tome vergonha na cara e vá fazer as coisas, ter atitudes, tomar decisões, pare de pensar ” E se” e vá lá e descubra.
Cometa erros, bastante erros e com cada um deles, aprenda.
Não tenha vergonha de se expressar, vá lá e fale.
Tente antes de desistir e se não der certo, tente de novo ou tente outra coisa, mas, tente, antes de dizer que não dá. 
Não se arrependa de ter feito algo, se arrependa de não ter feito.
Amadureça e continue com o coração de criança, com a essência e pureza que só crianças possuem. Não precisa crescer e ser adulto o tempo todo, somente quando necessário.
Se arrisque! Se jogue de cabeça e coração em algo e se não der certo; paciência. 
Pare e pense um pouco, em algo, se quer que algo seja mudado, trabalhe pra que isso aconteça.
Não pense em tudo, seja espontâneo as vezes, surpreenda alguém.
Seja sincero consigo mesmo.
Diga pros seus pais o quanto se orgulha de ser filho deles, fale do quanto ama eles e de como eles sempre serão seus heróis.
Porque, por mais surreal que pareça, eles tem medo de que vocês se envergonhem deles, do jeito deles. Quando eles são corujas ou então super-protetores ou melosos, não é intencional, é que depois de tanto sono perdido, tantas saídas pra namorar fracassadas, tanta coisa que abriram mão por sua causa ou por causa do seu irmão, eles acabam se tornando assim com vocês, porque vocês são as coisas mais preciosas do mundo pra eles. 
Não seja muito orgulhoso ou muito tímido, se pague um pouco de convencido pra arrancar algumas risadas, tente estar de bem consigo mesmo, não tenha vergonha do seu estilo, seu jeito, sua voz, seu corpo, de si mesmo.
Não faça algo só porque alguém duvidou que tu fizesse, seja você mesmo, sem tirar e nem por. 
Seja feliz.
E tente fazer com que sua vida valha a pena, tenha historias pra contar pros seus  filhos, netos e bisnetos, tenha orgulho de ter feito algo, de ter sido alguém, revolucione uma geração. Mude o mundo.
Ame alguém.
Faça com que todo dia seja natal, faça com que tudo de bom que tu fazes no natal ou tudo que tu deseja pro próximo ano, sejam realizados no dia-a-dia. 
Tente algo novo e faça bem feito.

——-
Ninguém muda o mundo sozinho, 

mas, se um tentar, outros também tentaram e a nação é quem muda o mundo.



22 de dez de 2012

Inimigos Amantes

  Ventos frios o cercam na alto da colina, ele põe a mão no cabo de sua espada, olha para os 40 mil soldados sobre o estandarte branco dos Stark atrás de si, seus guerreiros, seus irmãos de armas. E a sua frente os 50 mil homens sob o estandarte carmesim dos Lannister, seus inimigos, comandados por uma mulher misteriosa, uma Lannister desconhecida. De seu garanhão cinza ele olha para o lobo gigante ao seu lado, negro como a noite mais tenebrosa e de olhos mais vermelhos e quentes que o próprio fogo.
   Yuri, Rei do Norte, ouve a trompa de guerra soando do lado Lannister, então dá o sinal ao seus homens indicando que a batalha começou, e erguendo Gelo, sua espada, solta o grito de guerra:
  - Por Winterfell!!!!!
  As duas tropas avançam uma sobre a outra, e ao se encontrarem inicia-se uma batalha sangrenta.Yuri avança junto ao seu lobo, Sombra avança ferozmente arrancando a cabeça de homens e cavalos com uma única mordida, e em movimento mais rápidos que um piscar de olhos. Em meio a batalha Yuri avista a Lannister desconhecida montada em uma égua branca, trajando uma armadura dourada e prateada com o elmo em formato da cabeça de leão. Ele avança em sua direção e a ataca, a Lannister, quase pega de surpresa, o bloqueia no ultimo segundo mas os dois acabam caindo de suas montarias. No chão, Yuri arranca seu elmo e fala:
  - Que tal decidirmos isso em um duelo? Eu e você, assim evitamos a morte de bons homens.
Com um aceno a Lannister concorda e apontando a espada para um homem perto dela, pede que soe a trombeta, dizendo para seus homens pararem de lutar, Yuri faz o mesmo. Os homens dos dois lados se amontoam ao redor dos dois, Yuri crava a Gelo no chão, se ajoelha perante a espada e sussurra o lema da casa Stark:
  - O Inverno está chegando ...
A Lannister faz o mesmo, gritando o lema de sua casa:
  - Ouça-me rugir !!!
Antes de começar o duelo, Yuri se dirige a Lannister:
  - Diga seu nome, não posso matar alguém em um duelo sem conhecer seu nome senhora.
A Lannister arranca se elmo com fúria e diz:
  - Rebecca, Rebecca Lannister.
Então os dois se levantam e avançam com ferocidade um contra o outro, lutam habilmente, a espadas soltam faíscas a cada encontro. A luta segue equilibrada, até que se aproveitando que o Stark baixa a guarda um instante, bate com a espada em uma de suas pernas derrubando-o, com ele caído, aponta sua espada para a garganta. Nesse momento Rebecca Lannister decide se vangloriar:
  -  Vejam homens, derrubei o poderoso Rei do Inverno, aquele que dizem ser tão resistente e intransponível como a própria Muralha, vejam homens nortenhos, seu rei está no chão!!!
  Rebecca olha ao redor, sorrindo e vendo o sorriso de seus homens, mas vê que os nortenhos estão rindo abertamente, achando isso estranho se dirige a Yuri:
  - Vê Stark, até seus homens riem perante sua queda.
Então ela vê que Rei Yuri também ri, e pergunta se irritando com essa história de risada:
  - Do que ri homem? Da morte? É tão destemido que ri na cara da morte?
Controlando o riso, Yuri responde a pergunta:
  - Tens muito o que aprender sobre lutas senhora, não é por que estou caído que perdi.
Então movendo-se mais rápido que o esperado de um homem com armadura completa, ele empurra a lamina da espada para longe de seu pescoço, senta e passa uma rasteira, em seguida sobe em cima dela e tira uma adaga de alguma parte da armadura, pressionando-a contra a garganta de Rebecca, eles ficam assim alguns momentos, olhando-se, então, Yuri joga a adaga longe, levanta e ajuda a senhora Lannister a por-se de pé então diz:
  - Volte a Rochedo Casterly senhora, a guerra não é para a senhora ainda, volte para seu lar e treine seus homens e a si mesma também, pode lhe ser útil, Winterfell não lhe fará mal, parta enquanto pode.
  Yuri se vira e vai embora junto seus homens, então um dos homens Lannister, todo surrado e coberto de sangue, se aproxima de sua senhora e pergunta:
  - Vamos senhora?
  - Rebecca não tira os olhos do estranho Rei no Norte e confirma com um aceno.

  Meses passam após a sangrenta batalha. Yuri, vagando pelos corredores do Castelo de Winterfell, conversa com seu castelão, e este lhe fala de um assunto um tanto delicado:
  - Senhor, passa-se o tempo, deves arrumar uma rainha, és jovens, pode gerar bons filhos, herdeiros para seu reino.
  - Concordo - Ele responde, que já vinha a muito pensando no assunto - e na verdade já tenho minha escolha, tratarei disso já meu amigo.

  Rebecca não acreditaria se a notícia tivesse vindo da boca de outro, enquanto corria até as muralhas de Rochedo Casterly ela se indaga sobre o que deu na cabeça do rei Stark para vir até suas terras. Do alto da muralha ela vê a comitiva nortenha, e vê Rei Yuri lhe sorrindo. Intrigada, grita a ele:
  - O que fazes aqui Rei do Norte? Se bem me lembro, disse que Winterfell não faria mal a Rochedo Casterly, Vossa Graça mentiu?
Desmontando de seu garanhão, Yuri Stark tira Gelo da bainha, a deposita sobre os próprios pés e grita de volta a Senhora Rebecca:
  - Não menti Senhora Lannister, a menos que ache um pedido de casamento um mal. Acha isso?
Sem entender direito por que sorri ao ouvir essas palavras, Rebecca manda abrirem os portões e responde:
  - Não creio que seja um mal, bem vindo a Rochedo Casterly Rei do Inverno.

FIM

Palavra do Autor:
  Bom, tem aqueles que vão perceber que esse conto é baseado nas Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. Bom, realmente é, mas também é baseado em um sonho que tive enquanto cochilei durante a leitura de A Fúria dos Reis, o segundo livro das crônicas, e como alguns devem ter percebido ao ler outros textos do blog, sabe que a Rebecca Lannister do conto é Rebecca Kahamylla, e ela é minha namorada (mô, te adoro).

18 de dez de 2012

Um cadáver ouve rádio - Parte 6

No enterro alguém chora por todos
Rafael alugou um táxi e com dona Juliana e Leo foram para o distante cemitério onde, por conta da Prefeitura, Alexandre de Souza, o Boa-Vida, seria enterrado como indigente. Levavam flores e algum dinheiro para gratificar os coveiros. Ao contrário do que esperavam, outras pessoas estavam presentes no sepultamento: o dono de um bar, um garçom de restaurante, madame Santa, Dona Maria, para quem às vezes Boa-Vida entregava vestidos, o porteiro de um dos teatros do Bexiga e dois pedreiros.
Um Padre, provavelmente conhecido de madame Santa, iniciou uma oração fúnebre, logo perturbada pelo choro convulsivo e inesperado de uma mulher, vestida de preto, a última a chegar.
- Quem é ela? - perguntou Rafael à dona Juliana.
- Não sei.
- Parece pessoa da família.
- Ele nunca disse que tinha parentes - lembrou dona Juliana, tentando prestar atenção às palavras do padre.
A mulher, conservando-se um pouco afastada, com a cabeça curvada sobre o peito, apertava nos olhos um lenço comum, simples alivio de uma tensão, mas uma torrente de lágrimas, sofrida e dramática. Teve-se a impressão de que o padre, premido pela situação embaraçosa e para não prolongar o sofrimento dela, abreviou suas palavras. E enquanto os coveiros faziam seu trabalho, dirigiu-se à desconhecida para confortá-la no momento dificil.
Sepultado o corpo, a mulher interrompeu o choro, como se para isso tivesse simplesmente apertado um botão, olhou ao redor sem fixar-se em ninguém, e precipitou-se em abandonar o cemitério.
- Gostaria de saber quem ela é - disse dona Juliana, curiosa. - Vamos alcançá-la?
Com Yuri à frente, os três acompanharam a mulher de perto, que apesar do choro exaustivo, tinha ainda bastante fôlego. Apressada, parecia mover-se sobre rodas. Com receio de que a perdesse de vista, o rapaz adiantou-se, indo colocar-se ao seu lado.
- Por favor, senhora. Minha mãe quer lhe falar!
A desconhecida parou, com visível má vontade, esperando dona Juliana e seu Rafael. Teria pouco mais de trinta anos, era morena cor de jambo, e não muito alta. Naquele instante mostrava-se não sofrida, mas assustada.
- Eu, meu marido e meu filho fomos amigos de Alexandre - disse dona Juliana, acercando-se.
- Meu nome é Dalyana - respondeu a mulher. - Alexandre nunca lhe falou de mim?
- Dalyana? - repetiu a mãe de Yuri. - Nunca!
- Alexandre só lembrava-se dele mesmo - lamentou a mulher.
- Eram parentes? - perguntou Rafael.
- Éramos casados.
- Casados? - admirou-se dona Juliana, olhando para o marido e para o filho. - Alexandre frequentava muito nossa casa e o julgávamos solteiro. E acho que lá no bairro todos pensavam assim, não é Rafa?
- Estávamos separados há muito tempo - esclareceu Dalyana. - Raramente nos víamos. E se estou aqui foi porque casualmente ouvi a notícia no rádio.
- A senhora mora aqui mesmo? - perguntou Yuri.
- Moro, mas vim do nordeste, como Alexandre.
- Gostaria que nos desse seu endereço. A polícia e alguns amigos de Alexandre vão tentar descobrir quem o matou.
Dalyana não se interessou.
- Eu não posso ajudar. Como disse, quase não o via!
- Mesmo assim talvez a procuremos.
Dalyana abriu a bolsa, retirou dela um cartão impresso, entregou-o ao rapaz, despediu-se com poucas palavras e voltou a andar. Não estava disposta a conversar.
- Primeiro chora como uma carpideira, depois nem quer falar sobre o marido - comentou dona Juliana com nenhuma simpatia pela mulher de preto.
- Veio aqui para dar um espetáculo e ir embora - disse Rafael.
- Espetáculo para quem?
- Não sei, Ju.
- Se o Alexandre não falava dela talvez tivesse seus motivos - afirmou Juliana, cáustica.
Yuri leu em voz alta:
- " Dalyana Araújo de Souza. O PASSAREDO - pássaros e gaiolas." É no bairro da Liberdade.
Rafael pegou o cartão da mão do filho como se tivesse escutado o resumo de um romance empolgante.
- Boa-Vida era casado com a proprietária de uma loja e morava numa obra abandonada!?
Dona Juliana pensou em uma explicação e encontrou esta:
- Quem sabe ela quisesse prendê-lo demasiadamente numa dessas gaiolas e ele acabou batendo asas.
Rafael não constestou a opinião da mulher porque os muitos anos de casamento lhe haviam ensinado que ela sempre tinha razão.
- Deixem-me na casa da tia Nina - pediu Yuri, quando entraram no táxi. - Preciso falar com Francisco! [...]

13 de dez de 2012

Bagunça

Tic tac tic tac
Espanto; confusão; desordem geral.

Esses são os nomes dos sentimentos que estão te rodeando
nesse momento.
 Afinal,descobertas inesperadas,
decisões ainda não tomadas...
Uma baderna sem tamanho!
E chega a ser frustante,
afinal é costume ter controle sobre tudo.
Mas, e ai? O que vais fazer? Está pronta(o)? Já tomou sua decisão?
Tic tac tic tac
Sim ou Não?!
Vais voltar ou seguir?
Ficar ou ir?
Contar ou guardar?
Pensar sobre isso ou esquecer?
Tic Tac tic tac
Hein?
Então?
Alguma ideia se é amor ou não?
Talvez uma simples paixão?
Está encrencada(o) ou não?
Pensar muito nisso
Te deixa sem ação?
Te deixa Sem chão?
Sim ou não?!
Tic tac tic tac
Já se decidiu?
Sim ou não?
GAME OVER.


Um falso amor


Sinto-me como se fosse apenas um pequeno e indefeso ser, que está sozinho há muito tempo, e que por conta de vários acasos desacredita nesse tal de “amor”.  Você me veio como um anjo, cheio de graça e com toda simpatia, era sempre muitíssimo carinhoso, companheiro, enfim, parecia-me perfeito. Mostrou-me como o mundo podia ser belo, como todos eram felizes e alegres... Mas, então veio a discórdia, e junto com ela as brigas, as incertezas, a falta de confiança, tudo estava sendo tão cansativo, mas, eu tentei, eu juro que tentei, dei o meu melhor para que tudo voltasse a ser como era antes. Mas, você foi embora, assim como todos os outros fizeram, nem se quer deu-me uma explicação, e junto consigo, levou minha paz, minha sanidade, e agora?
Dei-te todo o meu amor, mas, você não quis cuidar... Descobri você tinha achado alguém melhor. Você foi embora, e agora, resta-me apenas a lástima, por um dia ter-te amado tanto assim.

12 de dez de 2012

Filme de Terror

Você se sente tão sozinho
largado nesta imensidão
Sente um vazio grande
neste mundo sem razão.
É uma guerra
um filme de terror
uma grande conspiração

Ninguem ouvirá teu sussurro
ninguem ouvirá teu clamor
Você está preso neste mundo
você está preso neste filme de terror

Você se sente solitário
perdido no mar da dor
escondido no recanto do rancor
Você e esse teu jeito ilário
de achar que tudo de mal acabou.

Ninguem ouvirá teu sussurro
ninguem ouvirá teu clamor
Você está preso neste mundo
você está preso neste filme de terror

10 de dez de 2012

Maquiagem

Você é secador de cabelos...
Sopra em mim sentimentos
já conhecido pelos poetas

Você é alisador...
Aquece meus sonhos,
desencaracola minha poesia

Sou base, pó compacto,
rímel e Blush, enfim.
Maqueio a tristeza em mim
por estar longe de tí.

5 de dez de 2012

Tem certos momentos na vida...

Tem certos momentos na vida,
Que precisamos escolher um novo caminho a seguir,
Nem sempre é o caminho mais fácil, e nos perguntamos; por que escolhemos?
Podemos tirar disso uma lição, ao vivenciamos momentos bons e ruins.
Porque ser feliz todo tempo é impossível, mas buscar a felicidade pode ser feito
em qualquer parte do caminho que escolhemos.
Tem certos momentos que só queremos alguém que nos acompanhe em nosso caminho, e quando precisamos caminhar sozinho nos desesperamos, mas com a esperança que está logo ali em alguma curva, vai aparecer alguém que nos faça companhia.
Em um novo caminho podemos escrever uma nova historia!

3 de dez de 2012

Dizem que o tempo cura tudo...


Dizem que o tempo cura tudo...
Talvez seja verdade, talvez não...
Há feridas que ficam abertas por um tempo indeterminado.
Não param de sangrar, estão sempre em nós, presentes, lembrando que no meio do caminho algo saiu errado.
Que em nossa trajetória, em algum momento, foi tirado de nós o direito de sermos felizes...

30 de nov de 2012

Padre? - Parte 3

  - Onde é que eu tava com a cabeça? Melhor eu ir pra casa, não tem como isso dar certo, não tem como.
  Yuri tira a estola todo atrapalhado e a poe na mesa.
  - Onde eu tava com a cabeça quando aceitei realizar um casamento logo no começo dessa coisa de padre?
  - Amor, te acalma. - interrompe Rebecca sentando Yuri a força num banquinho. - Vai dar tudo certo, e você aceitou o casamento logo de cara por que não resiste a um desafio que eu bem sei. - e Rebecca poe a estola em volta do pescoço dele com cuidado, deixando-a bem ajeitada - Você vai se sair bem guri, agora vá lá e arrase!!
  Yuri ainda sentado, olha para cima, para o rosto de sua namorada, dá um sorriso de quem topa a empreitada, levanta, a abraça e lhe segreda ao ouvido:
  - Obrigado pelo apoio pequena, tu é show!! E se o Bento não estivesse morto, eu matava ele, hahahaha.
O jovem padre se encaminha até o altar, e a poucos passos de lá, sussurra pra si "É hora do show", e já tendo tomado seu lugar em frente ao noivo que aguarda com um pouco de nervosismo sua futura esposa, olha para todos dentro da igreja se sentindo bem confiante, e ao receber a noticia que a noiva acaba de chegar, bate as mãos e fala para todos em voz alta:
  - É hora do show!!!
Começa a tocar a conhecida música de casamento, a noiva entra acompanhada do pai, assim como o noivo, um pouco nervosa, mas irradiando felicidade, só que ninguém nessa igreja está mais nervoso que o padre Yuri. O pai da noiva, ao entregá-la ao futuro marido, faz uma brincadeira com o noivo, dizendo para ele cuidar bem dela, por que senão...
  Então os noivos olham para o jovem padre, veem que ele esta nervoso, muito nervoso, e sorriem encorajando-o. Yuri relaxa um pouco, sorri para os dois, olha rapidamente para Rebecca que assiste a tudo em um canto, toma coragem e fala em voz alta:
  - Irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para celebrar a união de Vívian e Francisco Marcos...
...

  - Eu não acredito que consegui. - desabafa Yuri sorrindo e remexendo seu sundae. - Jurava que ia acabar fazendo alguma besteira sem tamanho na hora.
Rebecca tira o canudo do seu sundae e o agita na cara do seu namorado o melecando um pouco e responde em meio ao riso dos dois:
  -Pois eu tinha certeza de que ia sair tudo certo magrelo, você foi muito bem. Mas nunca vi alguém que fala para vários, discursa e tudo, ficar com medo de realizar um casamento na frente de poucos.
  - Acho que foram as circunstancias, sério. Quando eu encontrar o Bento do outro lado, ele vai me pagar por essa, hahahahaha.
  - Besta, para de falar do "outro lado". - Corta Rebecca chateada. -  Falemos DESSE lado, que é onde estamos, nós dois estamos ...
Percebendo a parte da intenção de Rebecca, Yuri se aproxima, a beija e pergunta:
  - Ok, nada de falar do Outro lado, do que falamos?
  - Que tal continuarmos falando de casamento? - diz Rebecca preparando terreno. - Afinal o assunto tá tão bom.
Terminando seu sundae e sem perceber as intenções de sua namorada, Yuri concorda com um aceno de cabeça, mas questiona:
  - Por que falar de casamento? Gostou tanto assim do de hoje?
  Rebecca dá a Yuri um olhar cheio de significado, que dessa vez não passa despercebido a ele, que enfim se dá conta de onde ela quer chegar com o assunto, ele sorri, admitindo satisfação pelo rumo tomado, segura as mãos dela, brincando com seus dedos, e olhando-a nos olhos, fala:
  - Pois bem, falemos de casamento meu amor ...

28 de nov de 2012

Um cadáver ouve rádio - Parte 5

Enfim, a arma do crime
Rafael e Juliana, pais de Yuri, não se conformaram depressa com a morte de Boa-Vida. Sentiriam muito a falta de seus baiões, suas histórias e de seu acentuado sotaque nordestino. Dimitri, o caçula, perdeu até a vontade de brincar e vovô Pascoal, com seus oitenta anos, e que de música aceitava apenas canções italianas, derramou uma lágrima pelo sanfoneiro.
Dona Juliana só fazia uma restrição ao Alexandre:
- Seu defeito era ser um tanto egoísta.
- Egoísta, o Boa-Vida? - discordou Rafael. - Um homem que apenas amava sua liberdade!
- Não lembra o que disse domingo? Se ganhasse na loteria, não daria um centavo para ninguém. Gastaria tudo em viagens.
- Mas dar para quem? Era sozinho no mundo. Infeliz! Viajou para o desconhecido.
- Amanhã vamos ao enterro dele em Vila Formosa - disse dona Juliana. - O corpo já foi liberado pelo Instituto Medico Legal. Vai ser uma tristeza. Duvido que alguém apareça além de nós.
Yuri murmurou um tchau e seguiu para o Morro dos Ingleses, onde Rebecca, sua quase-namorada, morava. Não a via há muitos dias. Felizmente desta vez tinha uma boa desculpa para procurá-la. Parou no orelhão da esquina e fez uma ligação.
- Rebecca, é o Yuri. Pode descer um pouquinho?
- Hoje não. Estou lendo um livro muito bom!
- Que pena! Houve um crime aqui no bairro e eu e Francisco vamos nos mexer.
- Crime? Não estou sabendo de nada. Quem matou quem?
- O primeiro quem não sabemos. O segundo foi um tal de Alexandre de Souza, mais conhecido como Boa-Vida.
Houve uma pausa e depois a voz de Rebecca voltou alta e estridente:
- Mataram o Boa-Vida?
- Você conhecia?!
- Já estou descendo.
Um minuto depois e lá estava, à porta do edifício, a garota mais linda que Yuri já encontrou. Correu em sua direção como se tivesse acabado de ouvir a pior das noticias.
- Então mataram mesmo o Boa-Vida.
- Não imaginava que o conhecesse. Ele também andava pelo Morro?
- Sempre aparecia em casa quando precisávamos de alguém. Era quem lavava o carro do papai, sabia? Mamãe no início não lhe dava muita atenção, mas o Boa fez tantos serviços, consertou tantas coisas quebradas que a coroa acabou afinando. Não fazia nada com muita categoria. Minhas estantes, por exemplo. Ficaram uma droga. O que sabia mesmo era jogar conversa fora!
- Era um verdadeiro Boa-Vida.
- Papai não o considerava vagabundo, mas rebelde. Odiava horários e patrões. Se lhe ofereciam trabalho fixo, dava as costas.
- Seu erro foi dar as costas também para o assassino. Três furos nos pulmões!
- Alguma pista?
- Vamos até a casa do primo. Começaremos tudo apartir de um retrato.


******

Francisco recebeu Rebecca alegremente. Outra vez os três juntos! Ah, ela conhecera Alexandre? Ótimo, assim a corrente ficava mais forte. Precisariam de muita união porque o enigma era uma parada, um desafio.
- Tia Nina conseguiu a foto?
Francisco abriu a gaveta e retirou uma grande fotografia autografada e emoldurada, o Boa-Vida de gibão e chapéu de couro tocando sanfona para um grupo de fregueses do restaurante.
- Bem fiel ao que ele era, o mesmo sorriso cheio de dentes -  comentou Rebecca.
- Mas apenas serve para matar a saudade - lamentou Yuri. - Uma sanfona sem nada de especial.
Francisco reabriu a gaveta e apanhou uma lupa, que passou ao primo, sem explicação, embora ativando um sorriso muito significativo.
- Vê alguma coisa? - interessou-se a garota.
Yuri, aos poucos, fabricou um sorriso parecido com o do primo.
- Agora entendo por que o velho Sherlock Holmes nunca esquecia a lupa. Sua vez, Rebecca. Prove que sabe distinguir uma pista.
Rebecca assentou a lupa sobre a foto com uma emoção que atrapalhou tudo. Olhava, olhava e não encontrava a espoleta que disparara aqueles dois sorrisos. Desorientou-se. 
- Concentre-se na concertina. Perto dos dedos dele. Vê agora alguma coisa?
Mais um sorriso juntou-se aos dois.
- Iniciais. Um B e um V. - E depois de uma pausa: - Mas isso ajuda?
- Evidente - respondeu Francisco. - Já não é mais uma sanfona qualquer. É a sanfona do nosso Boa.
- Se os jornais fizerem alguma alusão às inicias, a descoberta não valerá muito. O criminoso se desfaz da concertina - disse Rebecca.
- Ninguém vai saber. A imprensa só dará destaque ao Muriçoca. É o único suspeito!
Yuri lembrou da arma.
- Era mesmo uma peixeira?
Guardando a foto de Boa-Vida e a lupa na gaveta, Francisco fez uma cara de quem levou um soco  no estômago.
- Este é o detalhe preparado para atrapalhar, como acontece em muitos romances policiais. Parece um quebra-cabeça, uma brincadeira!
- Que arma era?
- O doutor Arruda não lhe tinha falado dela simplesmente porque não havia sido encontrada. Estava enfiada num saco de cimento da sala. Agora preparem uma cara bastante incrédula e podem arregalar os olhos.
- Fala logo, primo!
- Uma espécie de sabre chinês, muito bonito, com desenhos orientais no cabo.
- Uma arma chinesa, você disse? - surpreendeu-se Yuri, como Francisco previra.
Em completo desalento, vendo romper o fio da meada, Francisco confirma: - Chinesa primo, dá pra entender? [...]

23 de nov de 2012

Surpresas da noite

  Já era tarde da noite, Fernando e seus amigos vinham por uma rua perto de um matagal, quando uns barulhos estranhos são ouvidos. Fernando entra no matagal pra investigar, mas o tempo passar e nada dele voltar ou ao menos dar sinal de vida, seus amigos chamam por ele mas não obtém resposta. Então um dos amigos resolve estrar no matagal atras dele, mas quando esse amigo dá o primeiro passo em direção ao matagal, todos ouvem um assobio, o assobio de uma música macabra.
  Então surge alguém puxando um corpo, o de Fernando, todo sujo de sangue, esse alguém trajado de Coringa, mas a maquiagem levemente estragada pelo sangue de Fernando, assim como seu terno roxo, salpicado de rubro. Com a aparição, começam os gritos e choro, os amigos de Fernando ficam tão assustados que nem fugir conseguem,  o maníaco se aproxima deles brincando com uma faca entre os dedo, e quando chega bem próximo  dando de se sentir o hálito dele, a criatura desata a rir. Eles não entendem nada, e quase tem um infarto quando a conhecida risada de Fernando se junta a dele. Então o medo de uns aumenta e o de outros, que percebem tudo, é substituído por raiva, por raiva dos dois idiotas a suas frentes, eles percebem que tudo não passou de uma pegadinha, e esses vão pra cima, querendo estrangular os dois palhaços, mas então o Fernando tomamo folego fala:
  - Perdão, mas tínhamos de dar o troco pelo o que vocês aprontaram no ano passado.
O pessoal se acalma, percebe que foi só brincadeira, o troco pelo susto macabro anterior, então desatam a rir sentando-se no chão e deixando o coração voltar ao normal, afinal, não é sempre que se recebe essas surpresas da noite.

19 de nov de 2012

Azar no amor, sorte no azar


Estou cansada desses joguinhos que fazem comigo, estou cansada também de ter pessoas me iludindo. É sempre a mesma coisa, sempre a mesma história, todo esse sofrimento veio com um indicio de felicidade. Mas, não era, novidade (?).
Sempre assim, te conheço, te gosto, confio, amo, e quebro a cara. Acho que isto está me matando, simplesmente; não poder confiar em ninguém, não é lá muito legal.
Gostaria de ter um amor daqueles sabe? Que se tem certeza de tudo, que se sabe, que a felicidade ali habita. Eu queria formar um casal fofinho, porém não chatinho, daqueles que se brigam, mas, dois minutos depois já estão abraçados novamente. Eu queria, mas, não posso.
Como era mesmo aquele ditado? Sorte no jogo, azar no amor? Acho eu que uma nova versão seria mais correta em meu caso: “Azar no amor, sorte no azar” É, parece-me correto agora.
Queria apenas saber por que a vida me prega peças, porque não posso simplesmente, ser neutra? Seria legal né?
 Pena que não posso a realidade não deixa. Ouvi dizer que ela é cruel, á alguns enlouquece, á outros até mesmo tira a vida.

17 de nov de 2012

É assim que as coisas são.


E o eterno vira temporário,
o para sempre vira estante,
amar vira gostar,
a falsidade se torna verdadeira.
A verdade se torna falsa
O amigo se torna inimigo
O inimigo se torna amigo
O presente se torna passado
O futuro se torna presente
O passado continua passado
O Tempo começa a se movimentar
Uma semana vira um ano
Um ano vira uma década
Uma década vira um século
Um século vira um milênio
O antigo se torna novo
O novo vira velho
A moda muda
Os sentimentos também
As pessoas não são mais as mesmas
E
É assim que são as coisas.

Palavras de um Cavaleiro

Ouço o chamado do vento
Me levanto então.
Bato o pé,
Ergo a espada,
Solto um brado,
Corro com o escudo em outra mão

Vou para a luta,
Almejando a glória.
Luto com honra,
Sonhando com a história

Sou um cavaleiro,
Sou um lutador,
Mas acima de tudo,
Um sonhador.

Padre? - Parte 2


  - Pois bem, tenho a minha resposta.
  - E qual é? - Perguntam todos em uníssono e se levantando ao mesmo tempo.
   Yuri puxa a namorada, lhe sapeca um beijo e responde com a maior naturalidade do mundo:
  - A partir de agora sou o padre da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo.
Ao ouvirem a resposta, todos na sala tem as mais diferentes reações, o advogado acena com a cabeça feliz, o pai de Yuri se deixa cair na poltrona, a namorada de Yuri, Rebecca, o empurra assustada, e os outros se dividem entre o espanto e o riso, então, a sala cai num silencio meio constrangedor, menos pra Yuri, que continua sorrindo. Então o silencio é quebrado por Rebecca, que pergunta:
  - Então ... agora que vai ser padre, vamos terminar?
Yuri fingindo confusão pergunta:
  - De onde tirou isso menina?
  - Ora, tu não vai ser padre? Que eu saiba padre não pode namorar. - Responde Rebecca olhando intrigada para seu namorado, sem entender nada mais do que ele fala. - Não estou certa?
  - Estaria se não fosse o as permissões especiais que Bento me conseguiu antes de morrer.
  - Que condições? - Perguntam todos
  - Ué? Eu não disse isso? - Pergunta Yuri com a cara num misto de incredulidade e divertimento. - Mas que cabeça a minha, deixem-me explicar ... - Yuri se encosta em uma pequena mesa, tira a carta do padre Bento do bolso e assumindo um ar mais sério responde. - Pois bem galera, nesta carta de o Bento me deixou, ele disse que conseguiu convencer o Papa a me deixar ser o Padre caso eu aceitasse, coisa que fiz, e não me perguntem como ele convenceu, ele não conta na carta, mas ele diz que além de ter conseguido convencer o Papa a me deixar ser o Padre, o convenceu me dar certas regalias, como eu ainda poder namorar, e outras como criar meu próprio horário, podendo ainda sair com os amigos quando eu quiser, ir a escola e etc., e me disse mais uma coisa ...
  - O que ele disse amor? - Pergunta Rebecca, se aproximado dele preocupada.
  - Ele disse que independente da minha escolha, eu não o desapontaria.
  Então o Pai de Yuri, Seu Lindonaldo, levanta e pergunta:
  - Se independente do que escolhesse você não o desapontaria, por que aceitou essa loucura filho?
Yuri se desencosta, olha decidido para o pai e fala com uma firmeza assustadora:
  - Por que o Bento tinha alguma razão para fazer isso, ele moveu céus e terras para conseguir isso, ele tinha um motivo, e sei que era um bom, um excelente motivo, e eu vou descobrir, por isso eu digo o seguinte, a partir de agora, eu, Yuri Francisco Hupsel dos Santos sou o Padre da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo.

Hoje é só mais um dia daqueles


Hoje eu acordei com uma vontade inexplicável de ficar na cama sabe? Uma vontade de desistir das pessoas, do mundo. Mas, lembrei-me de cada momento feliz que já passei; cada conquista, cada abraço apertado que ganhei daqueles amigos, que eu sei, são para a vida inteira. Então, resolvi levantar e lutar! Mais uma vez, estou aqui com um sorriso que não me pertence, com algo que não é meu. Com as tristezas escondidas numa maquiagem, num cabelo arrumado, e em um sorriso forjado.
É cansativo viver assim sabe, sempre me camuflando, escondendo meus sentimentos, para que as pessoas não achem que sou apenas uma “coitadinha”...
Algumas vezes eu só quero um colo, um carinho, mas, até isso é difícil nos dias de hoje; porque as pessoas não se importam mais umas com as outras, é triste ver no que a humanidade tornou-se! Todos apenas pensam em dinheiro e mais dinheiro, esquecem da sua felicidade, esquecem que quando morrem o dinheiro não vai junto a ti. Então me diz, por que fazem isso?.
Hoje é só mais um dia, um dia de luta, que estou tentando passar sem ser derrubada pelo sistema. E sabe, cheguei à conclusão de que somos apenas um bando de loucos, obcecados pelo caos, perdidos num mundo de estresse, e presos numa constante mudança.

16 de nov de 2012

Um cadáver ouve rádio - Parte 4

Lágrimas que decidem
Já na casa do primo Francisco, que, sentado na cadeira de rodas, ouvia a tudo atentamente, Yuri mostrou o seu achado.
- Estava dentro do folheto de turismo.
- Um cartão de loteria.
- Jogava todas as semanas. Uma vez fez 12 pontos. Quase sofreu um colapso.
- Quantos pontos fez dessa vez?
- Não contei.
Tia Nina, mãe de Francisco, entrou com o café. Era uma mulher alegre, mas naquele fim de tarde não estava com boa cara, os olhos muito vermelhos. O filho acariciou-lhe o braço.
- Ela gostava muito de Boa-Vida. Aquele pau-de-arara sabia agradar as pessoas embora quase sempre por interesse.
- Não era tão interesseiro - retrucou tia Nina. - Lá na cantina, onde trabalho, tocava sanfona e cantava em troca de um simples prato de comida. Uma vez quiseram contratá-lo por três meses. Recusou. Detestava compromissos.
- Ia mesmo falar da sanfona - Lembrou Yuri. - Foi o único objeto de propriedade de Boa-Vida que desapareceu. Provavelmente mataram-no apenas para roubá-la.
- Era uma concertina caindo aos pedaços - lembrou tia Nina. - Ninguém daria nada por ela!
- O delegado acha que o assassino pode ter sido outro sanfoneiro - disse Yuri. - Um ladrão qualquer levaria também o rádio e o dinheiro.
Francisco sorriu, desanimado.
- Quantos sanfoneiros existem na cidade? Impossivel procurar entre eles o criminoso. Escrevam: a polícia vai arquivar o caso. Afinal roubaram uma concertina, não um instrumento raro, um violino Stradivarius.
A conclusão pessimista do filho fez mal à sentimental tia Nina, cujos olhos ficaram ainda mais vermelhos.
- Será que a pessoa que matou Boa-Vida vai continuar livre pelas ruas?
- Às vezes - confortou-a Francisco - dá uma sorte e a polícia pega o culpado por acaso.
Nina continuava sofrendo.
- Quando a vítima é importante todos se mexem. Qualquer pista ajuda. Os jornais falam, a televisão mostra. Mas quando o coitado não tem onde cair morto só o acaso pode fazer justiça.
Francisco e Yuri olharam Nina e depois entreolharam-se. Ela estava revoltada e triste. E fazia enorme esforço para reter uma lágrima que teimava em rolar-lhe pelo rosto. Como não tinha um lenço à mão, saiu às pressas da sala.
- Não sabia que tia Nina gostava tanto de Boa-Vida - disse Yuri.
- Eu também não! - declarou Francisco.
Fez-se um silêncio comprido e então Yuri tornou a falar.
- E ela tem razão. Quem vai se preocupar com o assassinato de um homem que morava numa obra em construção abandonada? E parece que nem nós, que o conhecíamos, estamos muito preocupados.
Nina voltou à sala. Seus olhos evidenciavam que havia chorado. Mas estava mais calma.
- O melhor que temos a fazer é esquecer - disse.
Francisco mexeu-se na cadeira.
- Quem sabe a gente possa estudar esse caso - declarou. - Embora nos falte um ponto de partida. O que acha, primo?
Yuri sorriu, era justamente o que desejava ouvir. E Nina sorriu para os dois, acrescentando para ser agradável ao sobrinho:
- E chamem também aquela mocinha bonita, a Rebecca. Ela é esperta e tem boas idéias!
- Por onde devemos começar, primo?
Francisco, ainda frio, mas para não decepcionar Nina e Yuri, pensou, fez a cadeira de rodas rodar em torno da mesa, criou certa expectativa e depois puxou o que poderia ser o fio da meada:
- Como era a sanfona de Boa-Vida? Alguma particularidade?
- Não lembro - disse Yuri.
Tia Nina queria mesmo ver o criminoso atrás das grades.
- Lá na cantina temos uma parede com fotografias dos artistas. Boa-Vida também está lá com a concertina.
- Gostaria de vê-la, mãe.
- Vou buscá-la loguinho. Era tão velha que não se parece tanto assim com as demais.
Tomada essa providência, Francisco lembrou-se de fazer uma pergunta que desde o inicio trazia na garganta.
- Que arma foi usada?
Yuri ergueu e abandonou os braços.
- Que cabeça, a minha! Estive lá, vi o sangue, falei um tempão com o doutor Arruda e esqueci disso!
- Não encuque, primo. Deve ter sido uma vulgar peixeira. E, como a velha Nina ordenou, convoque a linda Rebecca. [...]

A história de Pepito parte I

  Se a vida me ensinou alguma coisa é que tudo é no seu tempo. Se tu, que esperas que de uma hora para outra vá cair alguma dádiva infinda pra ti? Engana-te ó pequenino. Quando você nasceu estava escrito no seu destino que batalharia, seria aquela pessoa que mudaria o convívio, as vírgula do todo mundo o mosca chata na sopa... É, tu, que vives lamuriando-se, por uma oportunidade fugaz, que de uma hora pra outra já é passado e que agora vê que tudo não passou de um sonho... Vida, perdoe aqueles que agem assim, pois eles são tolos não sabem aquilo que a vida prega dentre os inóspitos alpendres que iremos passar pensamos que se a vida ensinasse inicio essa história, a história de uma criatura pequena, linda, fofuruxa, que veio ao mundo para encantar à todos... Era um dia comum, como qualquer outro, e, numa fazenda nos confins  de qualquer lugar do mundo, nasceu o cachorrinho mais fofo do mundo... Seu nome é Pepito, e a historinha começou assim: 
- mãe, cadê a senhora?
- Tou aqui filho.
- Já nasceu?
- Já, vem ver...
- Ele é muito lindo, como vai ser o nome dele?
- "Godolfredo"
- Deixemos que o dono dele descida.;

Era uma tarde chuvosa em Boa Vista, e quando o pai de Alex chega com seu cachorrinho no bolso e as expressões são de pessoas maravilhadas com a fofura daquela criaturinha, e rapidamente o pai vai embora com o cachorrinho para mostrar para seu irmão mais velho Yago, que na hora que o viu, o diz o nome dele irá ser Pepito! - Eles chegam em casa- E seu priminho logo pergunta:
- Posso brincar com ele tio?
- Pode só um pouquinho.
E quando vê-se ele está com Pepitinho no caminhão e quando se vê, tomam ele e sai: Ninguém gosta de mim...   

CONTINUA

15 de nov de 2012

Um cadáver ouve rádio - Parte 3

Quem odiaria um sanfoneiro?
O doutor Arruda aceitou a hipótese de Yuri. O rapaz tinha mesmo boa cabeça para detetive, demonstrada outras vezes. Queria, porém, mais informações sobre Alexandre. O mensageiro precisava voltar ao hotel. Prontificou-se a levá-lo em uma viatura, os dois no banco traseiro.
- Vocês papeavam muito?
- Boa-Vida falava demais. O homem mais alegre e falador que já vi. E se trazia a sanfona fazia festa sozinho.
- Não teria vendido a sanfona?
- Posso apostar que não. Seria como vender a própria alma. Graças a ela ganhava algum dinheiro nos forrós, restaurantes e festas do bairro.
- Domingo estava preocupado, diferente dos outros dias? - quis saber o delegado.
Yuri sacudiu a cabeça, impossibilitando qualquer dúvida.
- Só mostrava preocupação com a loteria. Não que fosse um jogador. O que queria era viajar. Sabe que um dia fez uma ligação telefônica para Roma? E só pelo prazer de falar com uma terra distante. Parece até loucura, não?
O delegado precisava de informações mais quentes e práticas.
- Por acaso tinha inimigos?
- Se tinha, nunca se referiu a eles - respondeu Yuri com ar saudoso - Quem odiaria um sanfoneiro?
- Talvez outro sanfoneiro - respondeu doutor Arruda com um sorriso.
- Boa-Vida não fazia muita concorrência aos outros.
O delegado fez outra pergunta direta:
- A que horas saiu ontem de sua casa?
- Às quatro, logo após o almoço. Mais cedo que habitualmente. Estava com um pouco de pressa.
- Por quê?
- Tinha marcado um encontro.
- Isso interessa. Com quem?
- Não disse - respondeu Yuri em tom lamentoso.
- Provavelmente com  o próprio assassino - arrematou o delegado - Chegamos ao hotel. Dê um abraço no seu primo Francisco. E obrigado pelas informações. Nós vamos pegar quem fez isso.
Yuri entrou no hotel, dirigindo-se à portaria. Quando foi guardar o folheto turistico de Boa-Vida, num dos casulos de correspondência, notou pelo tato que havia algo mais rígido e solto entre as páginas coloridas. O que era aquilo? [...]

Era, não é e sim eu sou assim.


E as lagrimas caem aos montes, seu coração esta despedaçado e você não sabe o que fazer, dizer ou pensar, porque a dor que sentes não deixa e em breve o vazio te consome e perdes aquele brilho esplendido que teus olhos tinham quando ainda sentia aquele sentimento…Qual mesmo o nome do maldito?
Você não consegue lembrar porque o vazio consumiu e está te afogando, matando aos poucos e qualquer sentimento diferente de tristeza, dor e solidão parecem ser boias salvas-vidas, pena que elas são leves demais pra te salvar do afogamento que o vazio está te proporcionando, porque nenhum desses sentimentos vai te salvar desse abismo…E isso doí e você que antes era todo sorrisos e alegria, está apática e vazia, está murcha, está solitária, se enterrando em si mesma, sem forças pra levantar ou mudar e você se pergunta, ” Por que ninguém me ajuda? Me salva disso?” E ai você lembra que você não contou o que anda sentindo pra ninguém, porque preocupa-los seria péssimo e se culpa por isso, porque quer e não quer que outros se preocupem contigo, mas, você ” Por que ninguém percebe?” Porque você mesma, não deixou eles perceberem, porque afinal, sempre fosses boa em fingir estar bem, teve anos de prática e até sua melhor amiga, que te conhece por inteiro, não percebe.
 Mas, você comentou uma ou duas coisas com ela sobre isso quando estava no limite, mas, mesmo quando ela perguntou o que houve, você simplesmente não quis aprofundar o assunto, porque tens vergonha. Vergonha de estar como está.
De se sentir assim, tão deplorável e frágil. Tão sozinha, tão morta. Afinal isso é novo pra ti, mesmo que tenhas passado por dores amorosas, nenhuma se compara a sensação do vazio, mesmo que ainda possas rir e sorrir, não  é mais a mesma coisa, é totalmente incompleto e incompleto não dá certo, porque assim que você para de rir com as palhaçadas dos seus amigos, o vazio já vem a toda atrás de ti, porque ele está faminto pela que dor que sentes e você abriga-o como um velho amigo, alimenta-o com seus pensamentos deprimentes, que te dão vontade de se matar. O que muitas vezes você pensou e imaginou, mesmo que para ti suicídio seja algo egoísta e mesquinho, afinal, ainda existem pessoas que te amam e se importam contigo, não da maneira que tu gostaria e sente que precisa, mas de uma maneira fraternal e totalmente gentil que também é bem vinda. Mas, parece ser o único jeito de morrer sem levar ninguém contigo ou ferir alguém fisicamente.
Mesmo que isso seja deplorável, você pensou nisso, porque a vida não tem mais sentido, não que nem antes. Você anda pensando em escrever cartas pra deixar algo de bom assim que se for, não que saibas que horas vais partir desse mundo, mas, como você reconhece que a vida é imprevisível, acha melhor fazer tal coisa, para dar um alivio mesmo que minusculo, para aqueles que te amam e se importam contigo.
 Afinal, você não é um poço de egoismo e egocentrismo, só está vazia e isso te faz mal. Faz mal a qualquer um. Seu sorriso era mais bonito e seus olhos também, você já foi mais viva e já trouxe mais alegria, mas é claro que essa foi a época em que você não tentava matar a si mesma por dentro, aos poucos. Foi na época em que o amor batia a sua porta e você o recebia de braços abertos, na época em que sua carência não predominava, afinal, mesmo que a distancia, eras amada e isso te fazia bem.
Você sempre fez mal para si mesma, desde menor, sempre rígida e perfeccionista consigo mesma, nunca soube fazer bem pra si. Só sabia fazer bem pros outros. sempre matando o amor que sentia por aqueles que podiam te fazer ama-los da forma que procuras, você tem a coragem pra enfrentar e matar um dragão, mas para amar alguém sempre exigiu mais coragem que isso para ti.

Você é complexa e estranha, dizem que sua voz é bonita e que tem uma grande beleza, mesmo que não se acha feia, não fica admitindo por ai que se acha bela, não é de seu feitio fazer tal coisa, não é humilde, se finge de convencida pra não se sentir envergonhada, afinal, odeias a timidez, porque a timidez te lembra a covardia, que lembra a ti fraqueza e a inutilidade e você simplesmente odeia todas essas quatro coisas.
É critica com os outros e tem a linguá ferina, direta e é sincera demais, porque para ti a mentira só atrapalha. Gosta de dar cortes nas pessoas que merecem e odeia injustiças. No exterior se paga de durona, mas na verdade é dócil por dentro, mesmo que não gostes de ser dócil, eis.
Cansasse de sofrer por isso decidiu que não sentiria mais nada em relação a ninguém e agora se sente mal por isso, porque isso faz uma falta sem tamanho para ti, mas, não quer correr atrás de cada par de calças que vir pela rua, pra curar isso. Porque para ti isso seria perda de tempo. Queres alguém que valha a pena e o risco, mas que principalmente prove que vale tais coisas. Não sabes como alguém poderá provar isso, só sabe que é assim que vai ter que ser.
Eis mais teimosa que uma mula, mas sabe muito bem ser diplomática e fazer as vontades dos outros, não se apega fácil e quando se apega quase não consegue desapegar, pode se distanciar, mas só.
Porque nunca conseguisse desapegar pra valer de alguém, só quando achou extramente necessário. Já teve tantas decepções que simplesmente não consegue mais ter realmente expectativas e quando (se) consegue, elas são facilmente destruídas. porque espera demais de algo que devia ser pouco. Você gosta de controlar as coisas ao seu redor do seu jeito e tem vezes que quer que tudo saia perfeito e quando não sai te estressa e isso te mata mais.
Era pra ser um texto dócil, mas, cansei de textos dócil’s, não são para mim.
 Era pra ser bonitinho e inspirador, não é, não sou assim.
Era pra algo a mais, mas, não é, é um simples e deplorável texto sobre mim.
                                           

   -



O nome do maldito era amor.

14 de nov de 2012

Um cadáver ouve rádio - Parte 2

Yuri chega ao local do crime
Yuri Santos, vestindo o uniforme de mensageiro de hotel, foi um dos primeiros moradores do bairro, Bela Vista, a comparecer ao local do crime.
O pedido, por telefone, feito pelo próprio delegado, surpreendeu-o.
- Podia deixar o hotel por uma hora e vir ao Bexiga reconhecer o corpo de um homem assassinado?
- Conheço essa pessoa, doutor?
- Informaram que se trata de amigo de sua familia. Se tivesse telefone em casa, convocaria seu pai. Anote o endereço.
Yuri, atendendo ao telefonema no balcão da portaria do hotel, ficou tenso.
- Quem foi assassinado?
- O Alexandre.
Yuri, aliviado:
- Não conheço nenhum Alexandre.
- O vigia de uma obra paralisada.
- Não conhecemos vigia de obra alguma, doutor.
- Mesmo assim venha.
Yuri pediu licença a Genival, o gerente do hotel, saiu, e perguntou ao Gino, o porteiro:
- Conhece no Bexiga um vigia de obra chamado Alexandre?
- Não - respondeu Gino, antigo morador do bairro e dono de boa memória.
- Seja quem for, mataram o coitado.
Ao chegar no endereço, ditado pelo doutor Arruda, Yuri viu um edifício de cinco andares em construção. Costumava passar por ele quando ia com sua mãe à igreja. O delegado realmente se enganara: jamais vira algum vigia naquela obra.
Havia uma viatura da polícia parada diante do prédio, já observado por alguns curiosos. Yuri pagou o táxi e dirigiu-se a um policial.
- Doutor Arruda?
- No primeiro andar com o pessoal da Técnica. Vá entrando!
Yuri subiu um lance de escadas, ouvindo vozes. Na sala de um apartamento em construção, entre alguns policiais, o delegado conversava com um rapaz baixo e magro, muito pálido e assustado. O investigador, Bruno, olhava-o, atento, como se temesse sua fuga. Aproximou-se.
- Obrigado por ter vindo, Yuri - disse o delegado. - Conhece esse moço?
- Acho que não - respondeu após breve exame.
- Chama-se Muriçoca e mora em casa de cômodos da vizinhança. Foi quem descobriu o corpo. Diz que veio procurar emprego. Nunca o viu mesmo?
- Não.
- Leve-o de volta à delegacia - ordenou o delegado a Bruno. - Mande levantar a ficha e examine os documentos.
Bruno desceu as escadas com os cinco dedos apertando o braço trêmulo de Muriçoca. Um fotográfo, que subia, tirou uma foto dos dois.
- Como disse por telefone não conheço nenhum vigia de obra - declarou Yuri ao delegado.
Doutor Arruda levou o rapaz ao quarto vizinho onde o pessoal da Polícia Técnica fazia o trabalho de rotina. O cobertor fora retirado da janela. Yuri logo viu o corpo, o rosto colado ao chão e coberto pelo braço direito, estentido. Mas bastava aquela inseparável camisa verde, puída e desbotada, para reconhecê-lo. O delegado estava certo: era de fato um antigo conhecido dos Santos.
- Nunca soube que se chamava Alexandre.
- Alexandre de souza. Tinha uma cédula de identidade no bolso.
- Para nós e para todos era apenas o Boa-Vida.
- Quando o viu pela última vez?
- Almoçou ontem em casa. Ia lá, às vezes, aos domingos. Era nordestino mas gostava muito do macarrão da mamãe.
Yuri deu alguns passos para o interior do quarto. Lá estava a espiriteira que dona Iolanda dera a Boa-Vida em troca de uma subida ao telhado para ajustar a antena de televisão. O colchão, presente de tia Nina. Viu duas xícaras com restos de café. Pontas de cigarros espalhados pelo chão. Ah, aquilo era importante para Boa-Vida - folhetos de roteiros turísticos! Sua leitura preferida. Costumava dizer que, se fizesse os 13 pontos da loteria, partiria em uma viagem ao redor do mundo. Abaixou-se e apanhou um dos folhetos para guardar como lembrança daquele que tanto divertira os Santos com sua música, suas manhas e seu papo engraçado.
- Mataram para roubar? - perguntou ao delegado.
- Não houve roubo - respondeu doutor Arruda - o rádio está ali e encontramos dinheiro em seu bolso. Um ladrão levaria tudo. Até a espiriteira.
Yuri continuava olhando para os míseros pertences. Faltava alguma coisa. Algo muito ligado à vida e personalidade do assassinado. Tão importante como sua própria sombra. Lembrou-se afinal.
- E a sanfona, doutor?
- Não havia nenhuma sanfona!
- Mas Boa-Vida tinha uma! Pergunte a todos que o conheciam.
- Aqui ninguém pegou nada - disse o delegado. - Tudo está como foi encontrado. Se havia uma sanfona, desapareceu.
Yuri começou a interessar-se pelo caso ao tirar a primeira conclusão:
- O senhor disse que o motivo não foi roubo. Mas foi. Procurem quem roubou a sanfona e encontrarão o assassino. [...]

Em paz

Se a vida não me ensinasse,
a aprender que somos capazes,
após sentimentos fugazes,
entre nosso próprio enlace...

se tu me amas ou não,
pouco me importo,
fotos nossas juntos recorto,
para agravar a separação,

se 'inda resta, amor,
com um pouco de amor,
deixe me em paz!!!

12 de nov de 2012

Um Cadáver ouve rádio - Parte 1

  Foi mais ou menos assim que o pequeno Muriçoca, pálido, trêmulo, gaguejando, contou ao delegado distrital, doutor Arruda, depois de tomar um copo de água numa única e febril virada:
- Parei na entrada da construção por causa da chuva. Fiquei lá um tempo e então subi as escadas.
- Por que subiu?
- À procura de emprego, doutor. Estou sempre tentando.
- Você mora numa casa de cômodos perto da obra. Não sabia que está paralisada há muito tempo?
A pergunta agiu como uma prensa: hesitante, Muriçoca pareceu ainda menor e mais desamparado na delegacia. Olhou para o copo vazio sobre a mesa, suplicando mais água. Aquilo era medo.
- Sabia ou não sabia? - exigiu saber Bruno, o investigador que acompanhava o depoimento.
- Sabia - confirmou o rapaz, juntando os punhos, culposamente à espera das algemas.
- Para que então pretendia pedir emprego numa obra abandonada? - perguntou o delegado.
- Ouvi o rádio lá em cima.
Fácil lembrar. A cena ficará impressa na memória de Muriçoca como uma fita de televisão que se pode rever muitas vezes, mas não conseguia transformá-la em palavras.
Quem sabe o vigia do prédio não lhe desse uma colher de chá. Como dissera ao delegado, estava sempre tentando. Aspirando forte cheiro de cal, foi descendo os degraus, não revestidos, de uma escada. Chegou ao primeiro andar, não viu ninguém. Orientado pela música, dirigiu-se a um apartamento, ainda sem porta. Viu-se numa sala onde se acumulavam sacos de cimento e outros materiais de construção. Parou e bateu palmas. Nenhuma resposta.
- Quero falar com o vigia - disse em voz alta.
Se ele saiu para tomar café, por que o rádio está ligado?, perguntou-se o rapaz. Atravessou a sala e entrou num cômodo escurecido por um cobertor fixado à janela para bloquear a entrada de luz. O rádio, de pilha, estava sobre alguns folhetos coloridos e...
- Um homem, caído de costas, com uma camisa toda ensanguentada. E havia também grandes manchas de sangue pelo chão. 
O delegado observava-o com a experiência profissional de quem não acredita em tudo que houve. Muitos criminosos são os primeiros a "achar" suas vítimas.
- Quando foi isso?
- Hoje cedo, às oito horas, mais ou menos.
- Por que demorou tanto para vir?
Muriçoca contraiu-se todo como se fosse aquela a pergunta mais temida. O investigador olhou maliciosamente para o delegado, prevendo, com a pergunta, a possibilidade de uma confissão. Às vezes o sentimento de culpa já nasce com o endereço da delegacia.
- Andei por aí, parando nas esquinas, tomando café nos botecos, me molhando na chuva.
- Você não respondeu, moço. - disse doutor Arruda, enérgico.
Muriçoca baixou a cabeça, o queixo no peito, os punhos de novo prontos para as algemas.
- Medo de me complicar, doutor. O pobre sempre é suspeito de alguma coisa, ainda mais quando tem um cadáver por perto. [...]